6% na sondagens: Começam a falar de criminalidade.
5% na sondagens: Começam a falar de imigração.
4% na sondagens: Começam a falar do Rendimento Mínimo.
3% na sondagens: Começam a falar da imigração associada à criminalidade.
2% na sondagens: Começam a prometer aos pensionistas dar-lhes o dinheiro de quem não quer trabalhar e vive do Rendimento Mínimo.
Quando chegarem a 1% nas sondagens: rapam todos o cabelo.

Com a queda dos últimos dias, o petróleo está nos valores de Setembro de 2007. Em Setembro do ano passado a gasolina custava 1,32€. Agora está a 1,39€. Como nos explicou o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas, quando os preços subiam diariamente, qualquer alteração nos preços do petróleo e nos produtos refinados numa semana é reflectido no preço do produto na semana seguinte.
Como tenho a certeza que as regras de formação de preços se mantêm agora que o crude está a descer, estou certo que a gasolina vai descer sete cêntimos na próxima semana. É só esperar…

O petróleo está nos 76 dólares, tendo descido mais de 15% nos últimos seis dias. Talvez por isso deixámos de ouvir aqueles que insistentemente defenderam a diminuição da carga fiscal quando o crude subia. É pena, porque gostava de saber o que é que defendiam agora para demover o consumo da gasolina. O aumento dos impostos, ou a medida era só para transferir recursos do Orçamento de Estado, logo de todos nós, para assegurar lucros ainda maiores às gasolineiras? Olhando para os autores dessas propostas, tenho cá as minhas ideias.

“Não estamos a legislar, meus senhores, para gentes remotas e estranhas. Estamos a ampliar as oportunidades de felicidade dos nossos vizinhos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos amigos e dos nossos familiares, e desse modo estamos a construir um país mais decente, porque uma sociedade decente é a que não humilha os seus membros.”
José Luis Rodríguez Zapatero

um espectro paira sobre a europa, o espectro das bichas casamenteiras, que já conseguiram passar a perna aos belgas, aos holandeses, aos noruegueses e aos espanhóis, tudo terras de gente esquisita, uns são pedófilos, outros drógados, e depois há os que têm bacalhau na costa mas não aproveitam o fiel amigo em 1001 receitas, e há outros ainda, nossos vizinhos, nossos irmãos, que comem lulas fritas dentro de pão carcaça e que têm terras com nomes como talavera de la reina ou torremolinos.
dizia, as bichas são ardilosas, vão tecendo a sua teia, fruto de uma condição que as coloca numa posição muito vantajosa, como se sabe, gay que é gay está cheio de dinheiro, tem um extremo bom gosto, exibe roupas e acessórios de autor, manobra na sombra e tem uma agenda secreta de conversão dos incautos, como se diz na gíria tem um grande lóbi, e isto não é uma piada a resvalar para a ordinarice. vá um gajo dar uma volta pelas roupas ‘masculinas’ da zara ou da bershka e diga de sua justiça se também aquilo não é uma tentativa nuestra hermana, logo gay, de apaneleirar o português rijo, macho e sério.
já no que toca a casório e respectiva festa saloia a abertura dos ditos à boiolagem parece-me uma excelente solução para conferir alguma dignidade à cerimónia e sobretudo ao copo d’água, autêntico eufemismo para copo de qualquer outra coisa que cheire a álcool, um gajo até já vai para lá na certeza da piela, é aproveitar, que o rúben só casa uma vez na vida, temos de brindar uma e outra vez, ele não vai andar no casa descasa, isso são os paneleiros que, como toda a gente sabe, são promíscuos, parecem as ovelhas a pular a cerca quando um gajo tenta ferrar no sono, ao menos este whisky martelado nos arredores de fanhões sempre faz o mesmo efeito e um gajo não tem de pensar em lantejoulas aos pulinhos. com a abertura da boda a esta gente passaria a haver muito mais eventos no finalmente, que passaria a competir com o mosteiro dos jerónimos ou com a emblemática igreja de camarate, sítio de má memória, ciganos e templos no meio da estrada. os meninos das alianças seriam substituídos por madonnas ou beckhams da anilha, o que é óptimo, sempre se afastam as crianças destes indivíduos, não vá dar-se o caso de algum mal-intencionado lembrar-se de adoptá-las. os fatos de cerimónia andariam no eixo max mara-carolina herrera-boss-ermenegildo-zegna, porque os gays têm todos bom gosto e guita disponível, já aqui o lembrei, sublimando-se assim a infestação superconfex maconde que ocorre nos casamentos straight, diz-se até que é empresa que já faliu, aposto que foi tudo culpa dos gays, que nunca lá compraram nada. selado o acordo civil seguir-se-ia então a fase das fotografias de noivos + convivas, evitando-se o jardim do campo grande, infestado de velhos tarados e masturbadores (aposto que nalguma altura das suas vidas foram gays empedernidos), passando a utilizar-se mais o terraço do chiado regency hotel, belas vistas e desafogadas, e daí seguir-se-ia para o já mencionado copo d’água, a melhor parte da celebração, almoço volante no guincho design hotel, com vista para o mar bravio, a lembrar as salas de quarto escuro em casablanca e viena, que saudades, e durante a refeição dificilmente se ouviria aquele militante bater de talheres nos pratos e copos, não vá estalar-se alguma faiança de autor ou copo de cristal, além disso as bichas são todas amaneiradas, andam sempre com o interior dos pulsos virados para cima, o leitor experimente e verá como é difícl ser metronómico de garfo em riste. a cascata de camarão e a melancia cortada em forma de ganso do nils holgersson dariam lugar a saborosos mini-spas de beluga, e também outras tradições medonhas seriam desmontadas, o lançar do noivo à piscina da quinta situada algures entre a malveira e torres vedras passaria a não fazer sentido, todos os convivas já estariam lá dentro, os gays são muito amigos de águas e bacanais, saunas e derivados, é uma espécie de habitat natural, por isso, e não pela preguiça que me assola, é que eu evito ir à piscina municipal do rego, também era estar a pedi-las com tal baptismo. deixaria de haver aquele momento de horror gore que é a troca forçada de roupas entre noivo e noiva, a que eu já assisti com estes olhos que a terra há-de comer, e agora um parêntesis para recordar um amigo que não vejo há anos, ele muito alto, a noiva muito baixa, e eu no casamento deles, a vê-los de roupas trocadas a dar um pezinho de dança, o meu amigo S. não oferecia um espectáculo deste calibre desde que a inês, nossa colega da instrução primária, lhe rachou a cabeça com um calhau da calçada, nos primeiros anos dos eighties as crianças que frequentavam a escola já eram rudes, lembro-me agora do fanã (isto não é uma blague) a dar um chapadão à professora com o apoio velado do aurélio, e onde andavam os telemóveis e os youtubes quando eram necessários, tanta matéria-prima podia estar agora em arquivo para memória futura. mas desvio-me do assunto principal, o casório gay onde se passaria a leiloar mariconeras cavalli aos invés da sensaborona liga da noiva, a pista passaria a ser aberta ao som da lebanese blonde dos thievery corporation, os gays têm bom gosto e gostam de coisas lounge, e esquecer-se-ia o fetichismo com a valsa, que assim como assim ninguém sabe dançar, o orgão mágico a debitar o apita o comboio cederia lugar ao runaway dos communards, também seria de mau gosto, lembrar comboios junto de uma comunidade que mal se apanha em posição de vantagem atraca logo um, com o lugar de maquinista em acesa disputa, e estou seguro de que também se cortariam as vazas ao viva la españa, quando muito passaria a viva ibiza, capital do sonho e do prazer. mais. as lembranças oferecidas aos convidados deixariam de ser cestinhos imprestáveis de flores e cigarrilhas enroladas me rio de mouro/havan para passarmos a ter conjuntos de cremes exfoliantes e revitalizadores, correctores de olheiras e derivados a favor da hidratação, para elas e para eles, a bem da indústria cosmética e da dinamização da economia que anda fraca, coitadinha.
resumindo e baralhando: hoje vota-se na assembleia acerca deste assunto e esta hipótese de lifting a uma cerimónia em processo de abimbalhamento progressivo será adiado, o partido da maioria concorda mas vota contra, como fará questão de assinalar, diz-se que por medo de perder votos, sobretudo ao ao centro que é por onde anda virtude, lá diz o povo que é quem sabe. as eleições não tardam e quem tem cu tem medo, lá diz o povo também. eu próprio não consigo pensar em ditado mais apropriado.

Paulo Portas propôs ainda o aumento das pensões mínimas, sugerindo que o Governo “vá buscar o dinheiro” ao Rendimento Social de Inserção, que disse estar a ser distribuído a quem não quer trabalhar.

Se falta dinheiro para acudir aos mais pobres, nada como o ir buscar ao programa para apoiar socialmente os miseráveis. É esta a peculiar lógica redistributiva do partido de Paulo Portas, sempre pronto a tratar os desempregados como uns madraços que não querem trabalhar. Repare-se que não há aqui nenhuma preocupação com o funcionamento do RSI e os seus eventuais abusos (que existem). Não. Apenas e sempre a mesma cruzada de Paulo Portas contra o RSI. Quando esteve no Governo tudo fez para acabar com este pequeno programa social, que representa menos de 400 milhões de euros, mas apresenta uma taxa de fiscalização que encontra par em poucos programas públicos. Este ano, 30 mil beneficiários vão ser inspeccionados. Aqueles que deixaram de cumprir os requisitos perdem esse direito e têm que devolver o dinheiro. O que é que o PP quer fazer? Propaganda e nada mais, tentando capitalizar o ressentimento dos remediados contra os pobres que andam com um mp3 lá no bairro.

A visibilidade dos efeitos do RSI constitui, curiosamente, o seu o principal calcanhar de Aquiles e é por isso que a demagogia de Paulo Portas encontra um carinho tão especial por este programa. Num bairro de classe média ninguém estranha se um dentista ou engenheiro troca o Renault Megane por um BMW, não passando pela cabeça de ninguém questionar o cumprimento fiscal do proprietário do carro. Mas o mais certo é que a possibilidade de evasão fiscal não seja inferior à do incumprimento no RSI. Só que a fraude fiscal é invisível e não assegura o ressentimento social da classe média baixa contra os mais fracos, dois traços que a tornam desinteressante para o PP

O RSI, com todas as imperfeições que tenha, é um dos mais eficazes instrumentos de apoio à inserção social e profissional e é o principal responsável pela (ligeira) diminuição do abandono escolar. Mas para Paulo Portas nada disso conta. O PP diz que está preocupado com a fraude. Óptimo, é justo penalizar quem não cumpre. Mas não é só no RSI. Estou certo que o Partido de Paulo Portas vai mudar 180 graus o que tem sido a sua política fiscal e, no próximo OE, vai apresentar medidas contra os offshores financeiros que, todos os anos, nos levam mais em impostos do que o custo total do RSI. A não ser que, como parece, a sua política se resuma a um slogan: os pobres que paguem a crise.

Via 5 Dias

Hoje, os deputados do PS representarão um dos mais tristes episódios do seu mandato. Votarão, violentando a vontade de muitos deles, contra uma lei com a qual concordam. E votarão apenas com um argumento: não é conveniente para o PS. E aceitarão, contrariados, esta imposição de votar contra as suas consciências.

Mas porque Sócrates faz questão de mostrar que a lealdade política, em vez de ser uma qualidade, tem de ser o reconhecimento de que se abdicou da coluna vertebral, assinaram, mais uma vez obrigados, uma declaração de voto. Essa, que tantas vezes é individual, será colectiva. E será, nos seus termos, uma humilhação para os deputados que queriam votar a favor desta lei. E terá, como exigem os homens incapazes de respeitar os imperativos de consciência dos outros, as suas próprias assinaturas. E nesta declaração reconhecem o absurdo: que defendem intransigentemente a igualdade dos direitos expressos na constituição, que não põem em causa o conteúdo programático dos diplomas e que só votam contra porque o chefe mandou. E todos eles passarão a vergonha de ver, na bancada à sua direita, deputados do PSD a votar a favor da lei, contra ela ou a abster-se, conforme as suas convicções. Exibirão a vergonha de saber que abdicaram das suas consciências e da sua coerência.

A disciplina partidária tem um limite: é aquele que nos retira a dignidade. E não há disciplina que possa obrigar alguém a votar contra uma coisa depois de dizer que se concorda com ela e que se acha mesmo que ela é fundamental para o respeito pela Constituição.

A figura que os deputados farão hoje, a declaração de voto que entregarão hoje, as desculpas esfarrapadas atrás das quais se esconderão hoje, ficarão coladas aos seus currículos políticos. Seja qual for o tema, há imposições que não se aceitam. Há figuras que não se fazem. Sócrates será, um dia, passado. E eles lamentarão não terem dito: aqui há uma fronteira que não passamos. O mandato, como diz a Constituição, é deles. Eles “exercem livremente o seu mandato”. Nenhum primeiro-ministro ou líder partidário pode limitar essa liberdade. Se votam contra só eles e mais ninguém – nem Sócrates, nem a direcção do seu partido, nem a oposição – podem ser responsabilizados.

Os que tiverem a coragem de dizer que não aceitam esta imposição, além de estarem a fazer um favor ao PS (dando um sinal de que o PS não esqueceu a sua tradição de pluralismo), serão olhados, mesmo pelos os que se opõem a esta mudança legislativa, com mais respeito. O respeito que merece quem leva as suas convicções a sério. Seja qual for o assunto. Mas ainda mais, digo eu, quando o assunto é a igualdade de todos perante a lei e o respeito pela Constituição. Duas coisas que têm de valer mais do que a segurança de um lugar nas listas de candidatos a deputados nas próximas eleições.

Por mim, espero que os deputados que elegi (que foram, como sabem, outros), no dia em que alguém lhes exija uma tal violação das suas consciências e das suas convicções fundamentais, estejam à altura do que se espera de qualquer pessoa. Mesmo que discorde das suas opções, confirmarei que mereceram o meu respeito. E nisto tenho a certeza de que não sou diferente da maioria dos eleitores. Os do PS incluídos.

nesse sentido apresentará sim, e já já já de seguida uma proposta de referendo ao tratado de lis… aaah, joder. caiu.

…já ninguém chama demagógico populista a quem defende a limitação dos salários dos gestores, dos seus prémios milionários e critica a crescente disparidade de rendimentos.

O líder parlamentar do PS anunciou que o grupo socialista vai apresentar uma declaração de voto, onde “defende intransigentemente a igualdade dos direitos expressos na constituição e que não põe em causa o conteúdo programático dos diplomas” sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A declaração, claro, é para justificar o voto contrário às propostas que o PS considera um imperativo constitucional. Até a declaração de voto é imposta pela liderança da bancada, não vá algum deputado cometer a loucura de dizer que o que queria era mesmo votar a favor, sem um “mas” de conveniência.

são 21:18 e por esta hora o presidente da câmara de santarém, também guionista, também ex-polícia, também criminologista, também comentador do social, também escritor, está a comentar na sic o casamento entre homossexuais. amanhã não perca, moita flores comentará a doença de dengue.

o circunspecto braga de macedo, ex-ministro cavaquista, acaba de dizer na sic notícias que é preciso acabar com o forrobodó dos mercados.

Há duas semanas que corre uma polémica na imprensa e na blogosfera a propósito de uma conversa privada entre o primeiro-ministro e o director do Público, onde este último acusa José Sócrates de o ter pressionado com a nada velada ameaça: “fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”.

Estas declarações foram conhecidas quando o jornal Expresso divulgou o essencial do “processo Sócrates”, que a ERC reteve durante sete longos meses (!), e constam mesmo de uma notícia do Público de 21 de Setembro. Daí para cá o assunto correu meio mundo. Colunas de opinião, blogues, alguns até com direito de resposta da própria ERC, e o Eixo da Mal, na SIC Notícias. Curiosamente, o mesmo José Manuel Fernandes (JMF) que nunca se referiu no seu jornal ao que seria uma evidente pressão política do primeiro-ministro, e que deixou avolumar a polémica até esta chegar à televisão, precisou apenas de duas ou três horas para clarificar as suas declarações depois destas terem sido ontem desmentidas pelo primeiro-ministro no site da ERC. A clarificação, entenda-se, altera totalmente o teor da conversa, como se pode ver pelo confronto das duas versões.

  1. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”
  2. O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”.

O que, originalmente era uma inaceitável pressão política do PM sobre o caminho que estava a ser trilhado pelo jornal torna-se, de repente, numa reflexão de JMF sobre o significado de uma frase no meio de uma conversa, subitamente amputada da parte mais comprometedora (o “vamos ver se isso não se altera”). Esta confusão começa a tornar-se ainda mais caricata quando se percebe que JMF, que há duas semanas dizia ao provedor do seu jornal que não se lembrava do que tinha dito originalmente na audição, e que, na dúvida, “o que valiam eram as actas”, desmente a sua versão escassas horas depois dela ter sido posta em causa pelo primeiro-ministro. De repente, fez-se luz para JMF. É estranho o poder que determinados actos exercem na memória das pessoas, mais parecendo um autêntico choque vitamínico de fósforo.

E esta é a parte mais complicada para o director do Público. JMF não se importou de ver a bola de neve crescer, mesmo não tendo a certeza sobre o teor da conversa num tema tão melindroso como a pressão política sobre a linha editorial de um jornal, mas corre a adocicar a sua posição mal o primeiro-ministro o desmente publicamente. Não há como contornar. JMF sabia que a versão que corria não correspondia ao que se tinha passado e esteve calado. Aqui chegados, vale a pena fazer um exercício. E se não se tratasse do PM, mas de qualquer outro político ou figura pública menos sonante, será que José Manuel Fernandes alteraria a sua palavra? Melhor. Que garantias temos nós, como leitores do Público, que o seu circunspecto director não fez o mesmo no passado, com a possível agravante de ter permanecido calado enquanto o nome de alguém corria o caminho da pasta medicinal Couto? Quanto ao exemplo deontológico e valor da palavra de JMF estamos conversados.

Quando tantos, a começar por José Sócrates e António Costa, associam a blogosfera à criação de boatos, vale pôr os olhos neste exemplo para perceber como eles começam onde menos se espera. O mais engraçado é ser preciso aparecer José Sócrates, muito justamente um dos portugueses cuja palavra deve apresentar o menor valor facial, para apanhar JMF nas suas próprias efabulações.

Actualização: Alertado pelo Gabriel Silva na caixa de comentários deste post, reparo que a clarificação de José Manuel Fernandes à ERC não foi feita umas horas depois da carta do primeiro ministro, tendo ocorrido previamente. O erro da ERC, que trocou as declarações, é ainda mais grave, mas a questão de fundo mantém-se. José Manuel Fernandes deixou correr desde 20 de Setembro uma história que tinha a obrigação de saber que não era verdade. Mais a mais quando o seu jornal dá corpo à notícia, cita a frase de JMF e este até responde ao provedor como se a declaração fosse correcta. JMF diz que não se lembra da frase original. Talvez. Mas, se não se lembrava tinha a obrigação de ver o que tinha corrigido na nova versão que enviou para a ERC. Ou será que o director de um jornal não guarda os documentos que escreve para a entidade reguladora? Nunca foi ver? Deixou a bola de neve crescer e ficou calado. É assim que começam os boatos e essa é uma posição insustentável para um director de um órgão de informação. Para além do amadorismo da ERC, JMF não fica nada bem na fotografia.

Leitura complementar: uma oferta que ele não podia recusar, por Fernanda Câncio, mais centrada no papel do provedor do Público.

Nota adicional: Sobre a ERC está tudo dito. O gravador não funciona, as actas são truncadas, as versões enviada aos jornais são transviadas. Já conhecíamos a metodologia mais que questionável, os seus modos arrogantes e a ambição controladora, agora conhecemos a absoluta incompetência técnica. As duas juntas são a melhor receita para o desastre.

Kosovo: Portugal aponta razões que levaram ao reconhecimento da independência

Casal de reclusas lésbicas punido com isolamento
Homossexuais assumiram relação que mantinham secreta. Desde então têm sido castigadas

“A este governo não falta nem o ânimo, nem a vontade, nem a determinação para fazer face às más notícias que vêm do exterior”, disse ontem José Sócrates, assegurando que “as poupanças dos portugueses estão garantidas pelo Estado”. Ora, como Teixeira dos Santos esclareceu poucos minutos depois destas inflamadas declarações, o ânimo, a vontade e a determinação são resultado de uma decisão europeia que, no conjunto, não garante as poupanças dos portugueses, limitando-se a alargar a actual garantia dos depósitos para os 50 mil euros. Mas, compreende-se o jogo de palavras e a satisfação do primeiro-ministro. Afinal, quantos portugueses é que têm mais de 50 mil euros no banco?


Mais uma vez Obama ganha um debate. Dizem as sondagens (54% contra 30%), mas nem era preciso. Bastava ver o debate. O que as sondagens também mostram é que foi na economia que Obama ganhou (59%-37%). Não me parece que tenha sido por causa das propostas ou dos argumentos. Ganhou porque as pessoas não acreditam, nesta matéria, em McCain. Ou seja, as pessoas já vêem os debates com uma predisposição bem determinada. E seria McCain, que está a perder, que teria de a mudar. Não mudou. Pelo contrário.

Quanto ao debate, um modelo insuportável. As regras e a artificialidade do formato tornam tudo aquilo pobre e desinteressante. Debate sem confronto, em que os candidatos respondem ao público em vez de trocarem argumentos, são o contrário do que se precisa quando se tem de escolher. E no entanto o confronto estava lá. Soava era sempre mal.

Momento YouTube: “that one”. Já se espalhou. Nunca é o conteúdo, claro. Mas, na realidade, nestes debates a olhar para as sondagens, o conteúdo vale pouco. Queriam saber o que eles realmente pensam? Foi dito e escrtito antes de serem nomeados candidatos. O que interessa nestes debates em que só quem está a perder pode arriscar é mesmo só saber se acontece alguma coisa que trave a provável (até ver) vitória de Obama.

Ler este post de Paulo Pinto Mascarenhas, sobre as confusões dos desregulados reguladores da Comunicação que, num país normal, já se teriam demitido.

Condoleezza Rice aterrou em Lisboa há menos de um mês. O Governo anunciou hoje o reconhecimento do Kosovo, o “segredo” mais mal guardado da última semana. É sempre bom saber que, no preciso momento em que nem o partido republicano leva Bush a sério, como se viu na votação do plano Paulson, há sempre alguém à espera de seguir as ordens que seguem despachadas de Washington.

“Exmos senhores deputados,

Depois do passado dia 2 de Outubro onde Direcção Nacional do PS impôs a todas e todos os deputados disciplina de voto, vimos pedir:

No dia 10 de Outubro, por favor, tenham o mínimo de respeito por tod@s, lésbicas e gays, e não votem: Saiam da sala no momento das votações!

Seria um simples gesto que faria toda a diferença no “Erro Político” que o PS já cometeu. Obrigado.

O PS impede a liberdade de voto.
O PS impede a cidadania plena.

Motivos de “agenda” e “astúcia” de outros partidos nunca se deveriam sobrepor à LIBERDADE e à IGUALDADE na lei! Mas também porque motivos de consciência não devem nunca ser evocados. Porque a cidadania plena e igual na lei não pode nem deve passar por consciências alheias à vontade dos próprios interessados.

Melhores cumprimentos,”

Endereços dos deputados do PS no link em baixo. É só copiá-los.

Continue a ler ‘You’ve got mail’

O Kosovo foi reconhecido por Portugal. Duas das principais razões para o reconhecimento: Portugal não quer ser confundido com os países que têm problemas internos e não quer estar “desalinhado” com os seus aliados na NATO. Mais interessante: Luís Amado deu na televisão todos os argumentos contra este reconhecimento. Ou seja, nenhum princípio, nenhum critério, apenas uma questão de imagem e de obediência.

Acabei de assistir a um momento interessante na SIC Notícias: Joe Berardo a comentar a crise financeira. Não percebi quase nada do que o homem disse, já que as frases mais ou menos mirabolantes se seguiam sem grande nexo. Mas o melhor momento veio no fim: Berardo suspeita que esta crise seja orquestrada por alguém para atacar o capitalismo e a democracia.

Outro dos argumentos que adoro contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo: o da natureza. Ainda me hão de dizer em que cartório se casam os carapaus e os periquitos.

Boomp3.com

Depois dos disparates de António Costa sobre a blogosfera e da garantia de Pacheco Pereira que só um 1% dos blogues valem a pena (imagino que o Abrupto e mais dois ou três), este entusiasmo de Miguel Estaves Cardoso pode ser exagerado, mas está mais perto da realidade.
No “Pessoal e… transmissível” de ontem (TSF), de Calos Vaz Marques.

Vítor Constâncio garantiu hoje a solidez do sistema financeiro nacional e antecipou que Portugal conseguirá crescer em 2009 a um ritmo semelhante ao da média europeia.

Quatro dias antes da Lehman Brothers decretar falência, os seus gestores planeavam entregar 20 milhões de dólares em “pagamentos especiais” a três colegas que tinham saído do banco. O CEO da Lehman Brothers, que recebeu mais de 350 milhões de dólares em compensações nos últimos oito anos, diz-se profundamente atingido pela falência da empresa. Afinal, como o próprio indica, ainda tinha vários milhões de acções do banco quando a Lehman Brothers fechou as portas. Os liberais têm razão. O Estado e a regulação dos mercados só empatam. O que é preciso é premiar os gestores, envolvê-los nos riscos da empresa, e limitar o moral hazard. A mão invisível trata do resto. Como se vê.

A evolução das sondagens, com respectivos delegados e estados, desde 4 de Junho até agora. Daqui. Cheguei ao site através do Esquerda Republicana.