O novo documentário – South of the Border – de Oliver Stone promete. Até porque o argumento foi escrito por Mark Weisbrot e Tariq Ali. Tenho acompanhado o trabalho do economista keynesiano Mark Weisbrot do Center for Economic and Policy Research. Weisbrot tem registado com todo o rigor o progresso socioeconómico dos governos de esquerda na América do Sul. Os trabalhos sobre a Venezuela e a Bolívia ou este artigo traduzido pelo esquerda, por exemplo, são um bom antídoto contra a desinformação que grassa por aí. Tariq Ali, por sua vez, é um infatigável activista-jornalista-ensaista-escritor, um daqueles imprescindíveis que nunca confundiu, ao contrário de tantos da geração de sessenta, as derrota políticas com as derrotas das ideias socialistas bem entendidas e que tem, entre os seus inúmeros livros, um magnifico ensaio sobre o “eixo da esperança” no sul. A ler antes e depois de ir ao cinema, que o documentário deve estrear em breve.
E lá seja o que for, João, deixa dizer, além do post em si, é sempre agradável de ver esses links a vermelho, de alegria, contra a desinformação que grassa por aí, podes crer.
Está aqui a prova que o Socialismo não é uma coisa “plug and play” (liga e fica a funcionar) e um país é uma realidade única. Aplicar a receita do Socialismo usada na Suécia em Portugal, provavelmente é possível mas utópico, mas se aplicarmos a receita da Correia do Norte, eventualmente será trágico. Por exemplo. Dizer aos pequenos proprietários do Norte do País cuja floresta ardeu há uns dias, que se deveriam associar em cooperativas - “n” cooperativas consoante “n” regiões - que zelariam pelo seu próprio interesse – ambiental, económico, etc. - , eles vão achar que isso é uma coisa de comunistas. Mas dizer o mesmo aos proprietários de floresta Finlandeses, provavelmente vão dizer que é a melhor solução.
No resumo, passou pouco do Brasil, mas independentemente dos problemas endémicos que possui – corrupção, crime organizado, bá blá blá – o Socialismo aqui tem ainda uma outra cara, assumindo sem receios ou complexos, uma forma mista de economia. Ganharam os Brasileiros: milhões saíram da pobreza e tiveram acesso DIRECTO a políticas públicas que só sabiam existir na Europa.
Sendo um país praticamente continental e pouco dependente dos mercados externos (em situações normais usando a sua dinâmica interna, é praticamente suficiente) o Brasil é seguramente o exemplo maior de sucesso na América do Sul.
É positivo o envolvimento de Tariq Ali neste filme, que promete e muito. Que a esperança resida a Sul é evidente, já que após a crise financeira a Europa viu os cidadãos optar por votar à direita. Mas essa esperança não será um pouco limitada, na medida em que não aponta para o socialismo? Portugal, entre 74 e 75 expropriou uma parte significativa da indústria, bem mais significativa que a "vanguarda" dessa revolução bolivariana, a Venezuela, em 11 anos. Então o que temos é o seguinte: três países que não alteraram fundamentalmente as relações de produção, não tocaram nos privilégios da banca, e que conseguem safar-se mais ou menos no quadro internacional. Os seus presidentes vociferam contra o "neoliberalismo" e têm como farol a social-democracia que se desmoronou na Europa há uns 20 anos. É isto a esperança da esquerda?
A maior parte deles são uma cambada de palhaços mas tenho esperança no Evo. Quer queiram quer não, o homem é um socialista identitário que, mais do que um socialismo de classe, quer construir um socialismo étnico.
A América Latina tem muito que se lhe diga, e esta visão romântica de que todos esses países estão a construir uma sociedade socialista e igualitária é completamente errada e é o que dá argumentos aos direitistas. Chavez, Evo, Lula, não têm nada, nada a ver.
Eu por mim deposito as minhas esperanças no Evo Morales e espero pela queda de Chavez, infelizmente tenho que concordar com a Condoleezza Rice quando diz que ele é uma força negativa na região.
Há um grande desconhecimento sobre a América Latina, nuns por puro preconceito e desconhecimento (dois 1º comentários), baseado também num excesso de retórica desenquadrada por parte da alguma esquerda que vive apenas no mundo das ideias.
«não alteraram fundamentalmente as relações de produção, não tocaram nos privilégios da banca»
Discordo com esta afirmação, apesar de tudo. De qualquer modo, não se nacionaliza ou expropria como um fim em si mesmo. Tem que haver uma lógica para isso e uma estratégia que permita que esses sectores contribuam para o desenvolvimento. E isso não se faz por artes mágicas, chame-se a isso socialismo ou outra coisa qualquer. http://www.facebook.com/profile.php?id=100001122614383#!/profile.php?id=100001122614383
É uma força negativa na região? Porquê? A Condoleeza Rice? Por favor... Sem a ajuda da Venezuela, dificilmente o Evo Morales ainda seria Presidente da Bolívia.