Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
por Pedro Sales



O Rodrigo continua convencido de que a participação portuguesa nos jogos olímpicos foi um desastre que explica a incapacidade nacional para nos superarmos nos momentos decisivos. A razão acrescida para a sua convicção foi encontrá-la, vá-se lá saber porquê, nas medalhas que Portugal tem ganho nos jogos paraolímpicos. Se bem percebo o Rodrigo, se uns conseguem ganhar medalhas o que é que explica o “insucesso” dos Marcos Fortes da delegação olímpica nacional? A resposta é simples. Porque não ainda existe verdadeira alta competição nos paraolímpicos. Quanto mais profissional e global for o desporto mais difícil se torna competir e alcançar resultados sem grandes meios e apoios. Portugal, como se sabe, tem um excelente palmarés no hóquei em patins, essa modalidade que deve competir em número de praticantes com a pelota basca e onde levamos a vantagem competitiva nada despicienda de ter a vaga ideia da sua existência.

Não deixa de ser sintomático que, sendo estes os jogos paraolímpicos onde se concentrou a maior atenção mediática e se bateram todos os recordes de audiência televisiva, a participação nacional se esteja a ressentir da crescente competitividade e tenha arrecadado muito menos medalhas do que há quatro anos( 7 contra 12, para ser preciso), começando reclamar mais apoios face à crescente profissionalização das outras delegações. Rodrigo, posso não estar a perceber as tuas dúvidas, mas quer-me parecer que as tuas perguntas só reforçam o que o maradona vem dizendo e o que eu escrevi no meu antigo poiso.

por Pedro Sales
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3 comentários:
Não nos podemos esquecer que há muito mais medalhas a distribuir nos para-olímpicos do que nos primeiros jogos. Portugal, embora tenha mais do triplo das medalhas, está mais ou menos no mesmo lugar do ranking.

deixado a 16/9/08 às 14:53
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Exacto.

deixado a 16/9/08 às 18:26
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Mais uma nota, embora esta seja especulativa. Nos outros países desenvolvidos, as pessoas com deficiência são frequentemente integradas no mercado de trabalho, fazendo uma vida igual aos outros, dentro das suas limitações.

Em Portugal, os deficientes são muitas vezes atirados para instituições que tratam deles, como se, em vez de deficientes, fossem inválidos. Isso faz com que, não trabalhando (apenas farão "umas coisinhas" em artesanatos e quejandos) acabem por ser dirigidos para o desporto, área onde se sentem "normais".

Bem sei que isto é apenas especulativo e que não tenho quaisquer dados que suportem esta análise, mas é essencialmente uma acha.

deixado a 17/9/08 às 07:50
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