Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
«A juíza Ana Gabriela Freitas, do Tribunal de Felgueiras, proferiu ontem uma sentença em que considera que a comunidade cigana tem um estilo de vida com "pouca higiene", é "traiçoeira" e "subsídio-dependente". "Pessoas mal vistas socialmente, marginais, traiçoeiras, integralmente subsídio-dependentes de um Estado a quem pagam desobedecendo e atentando contra a integridade física e moral dos seus agentes".» No levantamento sócio-económico da vida dos arguidos, Ana Gabriela Freitas escreveu no processo que as condições habitacionais "são fracas, não por força do espaço físico em si, mas pelo estilo de vida da sua etnia (pouca higiene)". Ana Gabriela Freitas salientou ainda não se vislumbrar "a menor razão para acolher a rábula da 'perseguição e vitimização dos ciganos, coitadinhos!".

Na sentença a cinco elementos de etnia cigana a juíza resolveu colocar no banco dos réus milhares de pessoas. Quando temos uma juíza que deve zelar pelo direito e pela justiça a fazer julgamentos colectivos de toda uma comunidade podemos ficar descansados quanto ao estado do nosso Estado de Direito. Esta senhora, que deve aplicar a lei, violou o Decreto-Lei n.º 111/2000 que proíbe «a adopção de acto em que, publicamente ou com intenção de ampla divulgação, pessoa singular ou colectiva emita uma declaração ou transmita uma informação em virtude da qual um grupo de pessoas seja ameaçado, insultado ou aviltado por motivos de discriminação racial.» Não concorda com a lei? Tem todo o direito. Mas tem de a cumprir. E sendo juíza tem de a cumprir de forma escrupulosa e exemplar.

Vale a pena ler os comentários às várias notícias nos vários jornais e alguns links feitos por blogues à notícia do público. Não paira um ambiente de delírio racista neste país? Claro que não!

PS: Esta juíza já deu que falar no caso de Fátima Felgueiras.

A Alta-Comissária para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI), Rosário Farmhouse, recuou na intenção de apresentar uma queixa ao Conselho Superior da Magistratura por causa de uma sentença de uma juíza de Felgueiras que alegadamente ofendia a comunidade cigana. Depois de ter lido o documento>, Farmhouse constatou que a magistrada citava testemunhas que falaram no decorrer no processo

Pena que o jornalismo português seja pouco rigoroso.

por Daniel Oliveira
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114 comentários:
O racismo, aquele que não podia existir, e não podendo existir não existe, está a toldar os grandes desígnios da esquerda fracturante, Daniel Oliveira incluso.

Sobre este assunto dois pormenores gostaria de destacar.

O primeiro é que o jornal Público não transcreve nenhuma peço da sentença.
O segundo fala por si e diz assim pela voz da Alta-Comissária para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI), Rosário Farmhouse:

Uma coisa é adjectivar a conduta dos arguidos (da qual me abstenho)

Pois era bom que não se abstivesse e que desse uma opinião, uma vez que é tão lesta a dar opinião sobre o resto.

O segundo é transcrever esta parte da sentença:

"Finalmente, à excepção do arguido Paulo J. , são pessoas malvistas, socialmente marginais, traiçoeiras, integralmente subsidio-dependentes de um Estado (ao nível do RSI, da habitação social e dos subsídios às extensas proles) e a quem 'pagam' desobedecendo e atentando contra a integridade física e moral dos seus agentes e obstaculizando às suas acções em prol da ordem, sossego e tranquilidade públicas".

Quem não concordar levante um braço e atire-me uma pedra.

deixado a 31/7/08 às 06:02
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edu
Tenho pena...........do srº PR.

deixado a 31/7/08 às 14:55
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Frederico
Eu já vi um certo sr., num certo programa de televisão, a dizer, a propósito de uma certa previsão que em meados do século iria deixar de haver franceses(mas franceses mesmo!, não com BI francês) e esse certo sr. disse que também não faziam falta nenhuma, Desculpe lá , mas isto não é um RACISMO DO CARALHO ????
Esse sr chama-se Daniel Oliveira e o programa Eixo do Mal, olha faça lá um esforçozinho de memória.

Toda uma forma de pensar....
E a censura que se segue também faz parte dessa forma de pensar e não é pelo "CARALHO".

Tadinhos dos ciganos...

deixado a 31/7/08 às 15:11
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Xico
Daniel,
Não sei se paira um ambiente de delírio racista no país. O que sei é que isto diz muito do nível cultural dos nossos licenciados. Quando estes não têm o discernimento intelectual e cultural para fazerem a correcta avaliação do que estão a julgar, como quer que o resto da população tenha?
O mal não sei onde está, mas também passa pelo laxismo em que todos caímos quando aceitamos tudo em nome das diferenças culturais!
Quando se critica, como nos comentários aqui vi fazer, coisas passadas no antigo regime e que pouco ou nada tinham a ver com ele, esquecendo assim o essencial malévolo desse regime, o povo tende a fazer comparações por esse lado e o resultado é catastrófico. A culpa das vitórias eleitorais do nazismo, do fascismo e dos fundamentalismos como o do Irão (soube ontem que ganharam com 99% dos votos) estão no vale tudo que as sociedades ditas liberais gostam de apregoar achando que, por todos sermos iguais, todos temos as mesmas capacidades de discernimento. Mas não temos...!

deixado a 31/7/08 às 09:00
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Se a coisa se passou como o Daniel conta não posso deixar de concordar.

Mas foi mesmo assim ou é como a história das duas miúdas que se afogaram em Nápoles?

deixado a 31/7/08 às 15:15
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Levy
Já passou pela cabeça de alguém que a Juiza se referisse apenas aos cinco ciganos?

Tudo o que o Daniel transcreveu pode ser facilmente interpretado de 2 maneiras: ou a juiza se referia aos ciganos no geral, ou apenas aos 5 em causa. Faz toda a diferença.

Mas como de costume, os paladinos da classificação dos outros em "racistas", começaram logo com as rotulagens do costume, sem sequer se dar ao trabalho de averiguar o que é que a Juiza queria dizer.

deixado a 31/7/08 às 15:16
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Pai de Família
Finalmente, uma Sra. Dra. Juíza que afirma, sem recorrer ao discurso "políticamente correcto", aquilo que muitos portugueses pensam mas têm medo de dizer.

Esta Senhora é a voz de muitos verdadeiros portugueses, homens e mulheres comuns que estão longe dos gabinetes e dos privilégios, o que que os leva a verem o mundo de forma realista.

Verdadeiros portugueses, sem voz e sem poder de decisão, que pensam assim, porque sentem na pele o peso da vida real do dia-a-dia.

Bem haja, Sra. Juíza, por dizer o que vai na alma da maíoria dos Portugueses.

deixado a 31/7/08 às 09:40
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São de facto juízos de valor infelizes que ultrapassam a mera interpretação da lei…E uma generalização abusiva de quem devia pautar a sua conduta por rigorosos princípios de isenção…. Força Portugal………….
Independentemente da Sra. poder ter razão, nunca jamais deveria demonstrá-lo nos termos que o fez…..

deixado a 31/7/08 às 09:49
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Caceteiro
No levantamento sócio-económico da vida dos arguidos, Ana Gabriela Freitas escreveu no processo que as condições habitacionais “são fracas, não por força do espaço físico em si, mas pelo estilo de vida da sua etnia (pouca higiene)”. Ana Gabriela Freitas salientou ainda não se vislumbrar “a menor razão para acolher a rábula da ‘perseguição e vitimização dos ciganos, coitadinhos!”.

Caro DO, é impressao minha, ou no início se pode ler "... DOS ARGUIDOS"? Porque, nesse caso, entao nao diz respeito a "dezenas de milhares de réus", mas àqueles a que se refere o levantamento sócio-económico. E tenho a dizer que os factos descritos me soam muito familiares... Toda a gente sabe que as casas de realojamento entregues aos ciganos estao destruídas ao fim de pouco tempo, por inadaptaçao ao estilo de vida num apartamento. Por estar casado com uma assitente social, tive a oportunidade de vistar inúmeras dessas casas e tenho a dizer-lhe que o que vi é indescritível. Visitei bastantes, nao só em Portugal, mas também em Espanha, onde residimos. As práticas eram as mesmas: banheiras com galinhas, com terra e couves plantadas, água da retrete utilizada para outras coisas (!!!), portas arrancadas, etc. Cheguei a ver a cabeça de um burro assomando por uma janela. Outra prática, esta bem perigosa, é o hábito de alguns irredutíveis decidirem fazer fogueiras dentro dos apartamentos.

Em Espanha, ao contrário de Portugal, a questao do "estilo de vida" referida pela juíza na sentença, foi assumida. Aqui ainda se encontra manietada pelos tiques do politicamente correcto. Em Espanha discute-se o problema da transiçao de um estilo de vida incompatível com o que se tem numa cidade moderna, para outro que permita a convivência.

Em relaçao ao facto de o cigano ser oportunista, tenho a dizer que é inteiramente verdade. Só quem nao conviveu de perto com eles nao o sabe. Trabalhar para um "payo", nunca!

Erro gordo foi ter-se dado casa à ciganada com tanta facilidade. É preciso ser-se cauteloso com as ofertas feitas a ciganos (veja-se como trabalham as ONG's no seio dessas comunidades). O cigano vai pedindo sempre mais, chorando, arrastanto-se, acenando com a miséria, manda as mulheres com os filhos berrarem, etc. É mister do cigano tentar ludibriar o "payo". É essa a sua prática desde tempos imemoriais.

E, claro, ao perceberem que podiam conseguir certas coisas ao argumentarem que qualquer resistência seria "racismo"....

deixado a 31/7/08 às 10:51
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Sebastião Dias
Se paira em Portugal um delirio racista? Não.

Há sim algumas pessoas (poucas) com delirios racistas.

A generalização, dizendo-se que há em Portugal um delirio racista é por si só um delirio. Uma andorinha não faz a primavera.

Já agora, o que queria a juiz dizer? Fez uma generalização em relação a toda a comunidade cigana a viver em Portugal, ou só se referiu apenas a aquela comunidade de 5 elementos? É que isso pode fazer a diferença entre uma afirmação racista e uma afirmação aceitável.

deixado a 31/7/08 às 10:58
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