Domingo, 22 de Novembro de 2009
por Pedro Sales


"A deterioração das relações laborais avança em Portugal a um ritmo avassalador, com perda de direitos e erosão das condições de vida para sectores cada vez mais vastos da população. A par do aumento do desemprego, há hoje cerca de 2 milhões de pessoas em situação de precariedade, sujeitas à arbitrariedade dos patrões, obrigadas a aceitar os baixos salários e a incerteza, à margem do enquadramento legal, da protecção social e das garantias mínimas. A chantagem social individualiza as relações laborais para enfraquecer a parte mais fraca: os trabalhadores/as.



Assim, há hoje milhares de trabalhadores/as a recibos verdes que viram acumular-se uma dívida à Segurança Social, que, nas suas condições, não conseguem saldar. Uma dívida quase sempre contraída numa situação que, além de injusta, é ilegal. É uma dívida contraída porque os patrões não descontaram o que deveriam, se a esse trabalho correspondesse o contrato de trabalho devido; é uma dívida contraída por milhares de pessoas que nunca tiveram direito aos subsídios de férias ou de Natal; é uma dívida contraída por pessoas que, por serem cinicamente consideradas empresários/as, nunca tiveram apoio na doença ou no desemprego."

O vídeo é elucidativo sobre o teor da posição subscrita por quatro associações que lançaram esta justíssima petição: antes da dívida temos direitos.

Espero que os autores, depois de deixarem a petição no Parlamento,  não se esqueçam de enviar uma cópia à nova ministra do Trabalho. Já que José Sócrates conseguiu entregar a pasta do Trabalho à única pessoa a viver em Portugal que ainda se deixa surpreender com a número de desempregados, é bem possível que a pasmada ministra também nunca tenha ouvido falar de falsos recibos verdes e outras minudências que fazem o dia-a-dia de milhares de jovens precários.

por Pedro Sales
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52 comentários:
Luís Bernardo
A única solução seria uma fiscalização apertada aos recibos verdes. Curiosamente esta ilegalidade tornou-se um hábito aceitável praticadada pelo próprio Estado. O dr. Paulo Portas, por exemplo, sempre preocupado com a fiscalização ao RSI, pode ajudar a nova ministra, de que não me lembro o nome, a acabar com esta ilegalidade. Ou talvez aquela figura boçal - o Valter Lemos- possa informar a ministra sobre os nossos costumes laborais

deixado a 22/11/09 às 17:54
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Por razões de evolução histórico-política, o regime laboral faz prevalecer o interesse dos que empregados sobre o dos desempregados. E os bloqueio institucionais não permite que esse desequilíbrio se altere.
As consequências são as que se vêem.

deixado a 22/11/09 às 18:27
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Nom_de_Guerre
Reforma da ACT= urgente

deixado a 22/11/09 às 19:34
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isagt
Por acaso ainda se lembram de quem deu à luz os verdinhos? :-(

deixado a 22/11/09 às 20:43
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Manolo Heredia
É impensável vencer a batalha do (des)emprego e da percaridade do emprego enquanto não se alterarem as directivas de gestão que consideram os trabalhadores os maiores inimigos das empresas. Em nome da Santa Produtividade: quanto mais trabalhadores na empresa menor é a sua produtividade!
Os Contractos a Prazo são, ao contrário de que muita gente pensa, uma forma democrática de distribuir o Rendimento Nacional pela População Activa sem emprego estável, assim: No 1º semestre trabalho eu, no 2º semestre trabalhas tu no meu posto de trabalho e eu fico desempregado. Depois trocamos! Na prática resulta em pagar metade do salário, em média, aos trabalhadores flutuantes.
Os Recibos Verdes são só uma forma de roubar os cofres da Segurança Social, atirando para a extrema pobreza na velhice, quem hoje aceita ser remunerado dessa forma.

deixado a 22/11/09 às 21:44
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Rui F
Portugal muito mais perto de África do que da Europa.

Será que o Zé Pedro dos Chutos não terá vergonha de ter apoiado o modernismo Sócretino?

deixado a 22/11/09 às 22:13
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No estado por exemplo, agora em vez de recibos verdes fazem o seguinte:

- O "instituto" xpto precisa de uma pessoa;
- Faz umas entrevista e diz-lhe que não o pode passar para funcionário publico por causa disto e daquilo, mas tem uma proposta;
- O "instituto" xpto não pode aceitar recibos mas pode aceitar sub-contratados;
- Então pega no candidato e vão a uma dessa empresas tipo Vedior" "Manpower" etc, e fazem um contrato;
- O contrato é assim, o novo funcionário assina um contrato com a recrutadora (que nada fez por isso) por um ano e recebe 1000 € por mês, e a empresa recrutadora recebe 2000 € pelo empregado.

Assim é muito mais justo.

Quem era aquele gajo do ps que se dizia o provedor das empresas de trab temporário ?

deixado a 22/11/09 às 22:23
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joaquim azevedo
O Exmo. Provedor das Empresas de Trabalho Temporário é o inefável Vitalino Canas, amigo Cunha.

deixado a 22/11/09 às 23:17
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Sales, podes tu empregar essas pessoas com o teu dinheiro em vez de exigires dos outros algo que não fazes.

E não é verdade que a dívida que se esteja a cobrar a estas pessoas corresponda àquela que os patrões não pagaram. Esta dívida é de dinheiro que os patrões pagaram aos trabalhadores mas estes não entregaram à segurança social.

E Sales, é irrelevante para o patrão para quem vai o dinheiro. Se ele vai para o estado, se vai para o trabalhador, é irrelevante para quem paga, o custo é só um. Se esse custo é adequado ao trabalho que daí resulta, há trabalho. Senão, não há. Portanto, podes colocar em cima do salário os custos que bem entendes para que o teu estado social se mantenha e para que nunca falte o gasóleo ao carro do ministro mas, no fim do dia, o custo é só um. Ou vale a pena, ou não vale. Se não vale, não há trabalho. Ah, mas também não há exploração capitalista para descansar as vossas revoltadas cabeças socialistas, que isso é que é importante. Lá que os outros passem fome, isso é o menos...

deixado a 23/11/09 às 08:21
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toniblair, a confusão que aí vai, minha nossa senhora. Alguma vez trabalhou a recibos verdes? Parece-me bem que não.

deixado a 23/11/09 às 10:10
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