ó cobardolas, veja se lava a vista com isto
"Vejamos uma breve resenha histórica:
1. As tribos semitas que formavam o povo judeu (recordo que o judaísmo foi a primeira religião monoteísta) povoavam já aquela região geográfica (Israel) no segundo milénio a.C.
(Nota: Só em 700 d.C, com Maomet, surgiu o Islão como força árabe unificadora)
2. Desse território (parcialmente correspondente ao que pretensamente seria a Palestina), o povo judeu foi levado para o cativeiro, primeiro pelos egípcios (1300 a.C.) e depois pelos babilónios (500 a.C.)
3. A diáspora terá começado por volta do ano 100 a.C. Por via da violenta opressão dos romanos invasores, muitos judeus preferiram procurar outras paragens para se instalarem.
4. Espalhados principalmente pela Europa, os judeus foram sempre um povo perseguido ao longo dos tempos, designadamente em países de maior tradição católica
5. O fluxo semita para o território que é hoje Israel começou ainda no decorrer do século XIX e em 1917, com a publicação da denominada “Declaração Balfour”
é oficializado o laço histórico do povo hebraico com o território que foi seu nos primórdios (em boa verdade ultrapassava largamente os limites de Israel, porque abrangia também a Jordânia)
6. Apesar de ter funções como potência mandatária para a região e em violação do . que estava acordado, a Grã-Bretanha subtrai 4/5 do território, permitindo a . . formação do reino da Jordânia. Estranhamente, nunca se levantaram vozes a . . reivindicar uma nação palestiniana a leste do Mar Morto.
(Refira-se que o território que hoje constitui a Jordânia, também está incluída na tal área que supostamente seria a Palestina, embora, por comodidade, quase ninguém faça referência a esse facto)
6. Apesar desta partilha unilateral, da “traição” dos britânicos, de algumas situações mais conflituosas com os árabes vizinhos e do holocausto durante a II Grande Guerra; o fluxo de judeus aumenta de tal forma que, a 29 de Novembro de 1947 a Assembleia Geral das Nações Unidas (com uma maioria de 2/3, onde figuram a totalidade dos ocidentais, bem como a URSS) adopta uma “resolução” instituindo na Palestina dois Estados separados, um judeu e outro árabe. Nesta altura são também estabelecidas fronteiras, ainda que totalmente desproporcionadas (aceites por Israel, embora na zona central – Telavive – Jafa – o espaço confinava-se quase a uma estrada)
7. A 14 de Maio de 1948 Ben-Gurion proclama a independência de Israel (um acto unilateral, é certo, mas alicerçado naquilo que foi acordado pela Nações Unidas) e no dia seguinte ocorre a invasão oraganizada por Egipto, Iraque, Jordânia (na altura denominada Transjordânia), Líbano, Síria e Arábia Saudita.
Para não me alongar demais, julgo que no que diz respeito à legitimidade dos israelitas em ocuparem o “seu” território não haverá muitas dúvidas, ainda que pudesse acrescentar mais alguns pormenores elucidativos. Seria fastidioso.
Aliás facilmente se perceberá que Palestina e Israel são muito coincidentes quanto ao território geográfico, pelo que também os judeus são oriundos da Palestina. Mas há uma diferença: judaísmo e Palestina já existiam muitos séculos antes de Cristo, mas as ideias de árabe e de Islão só aparecerem no ano 700 depois de Cristo. Analisem-se pois as diferenças no tempo.
Em 1979, com os acordos de Camp David, Israel e Egipto assinaram a paz, mas os irredutíveis árabes, de agora em diante dominados pela OLP, criaram uma frente de obstrução, onde pontificavam Síria, Iémen, Arábia Saudita, Argélia e Líbia.
Quanto à ideia de que os árabes foram desalojados das suas terras (totalmente falso) há que referir o seguinte:
1. Durante o movimento de retorno sionista (meados do século XIX) de uma forma geral nenhuma família israelita desalojou os ocupantes árabes das terras. Todas as terras foram negociadas e pagas.
2. Documentos recentemente divulgados, demonstram que alguns estados árabes (através da Liga Árabe), a partir de 1948, exortaram a população árabe a partir do território que a ONU tinha acabado de atribuir a Israel
3. Este facto constituiu uma página escandalosa da história da região, uma vez que os estados árabes não conseguiram acolher os cerca de 500.000 árabes que obedeceram às directrizes da Liga Àrabe e foi necessário que o Departamento de Refugiados da ONU encetasse a ajuda humanitária necessária.
Não deixa de ser curiosa a forma como surgiu a exigência àrabe pela tal nação palestiniana. Efectivamente, entre 1948 e 1967, Jordânia e Egipto dominaram os enclaves da Cisjordânia e de Gaza e nada foi reivindicado
Já antes a própria carta da OLP não consegue definir bem o que são os Palestinianos, assumindo que são “todos os que, com os seus descendentes, habitavam o território do antigo mandato britânico quando da Declaração Balfour de 1947, quer lá tenham ficado, quer de lá tenham saído”. Sintomático o facto de não identificarem uma linhagem mais remota do que no molde puramente colonialista feito 60 antes pelo imperialismo inglês.
Da OLP, que foi o grande durante muito tempo o grande estandarte da nação palestina há que referir que dos seus estatutos constava a destruição do estado de Israel. Ainda hoje existem algumas dúvidas acerca do envolvimento da OLP (ou, pelo menos, de células agregadas ao movimento) acerca de algumas acções terroristas, tal como ainda hoje se discute uma eventual consulta ao líder Arafat (que por acaso até nasceu no Egipto) com vista aos atentados protagonizados pelo grupo “Setembro Vermelho” na aldeia olímpica de Munique, aquando dos “jogos” de 1974. Aliás o próprio Arafat foi o fundador do movimento terrorista Fatah. Tendo pontificado inicialmente na Jordânia (com o apoio dos soviéticos) e mais tarde no Líbano sendo o principal responsável pela primeira guerra civil.
De qualquer forma, e dadas as graves carências da população árabe que povoa os territórios de Gaza e Cisjordânia, não deixa de provocar alguma indignação que o próprio Yasser Arafat nunca se tenha preocupado muito com isso, tanto mais que a sua fortuna chegou a ser avaliada em 1,3 bilhões de dólares o que lhe conferia o pomposo título de um dos homens mais ricos do mundo, sendo parte desse dinheiro (900 milhões – e isto está provado) fruto de desvios de fundos públicos. Sintomático o amor ao povo e à causa palestiniana.
È bom não esquecer que antes do fluxo semita à “terra prometida” aquela região pouco mais era do que um deserto sem qualquer proveito, sem grande consistência social, uma vez que apenas existiam alguns aglomerados quiase tribais e desarticulados.
Os judeus povoaram as terras áridas, criaram sistemas de rega e conseguiram o milagre de transformar o deserto em terra rica e produtiva e então a “Palestina” passou a ter outro interesse.
Portugal viveu o 25 de Abril há 34 anos, mas cada vez mais se afunda na cauda da Europa. Israel tornou-se independente há pouco mais (60 anos) mas é a 21ª potência mundial. É um território quase 10 vezes mais pequeno que Portugal, mas é líder na inovação tecnológica e, forçado pelas circunstâncias, a maior potência militar (e também económica) daquela região do globo. É a nação a quem foram atribuídos mais prémios “nóbel”. Uma nação de trabalho e sacrifício, rodeada de intransigentes inimigos e alvo da inveja dos incapazes.
Ao desenvolvimento israelita foi proporcional o ódio e a inveja dos vizinhos. Nenhum outro povo foi tão sacrificado ao longo da História. Nenhum outro povo teve a mesma capacidade de trabalho e de abnegação ante as contrariedades. A ideia de nação palestina cresceu na proporção da evolução do povo hebraico. Mas a ideia da nação Palestina não é mais do que uma forma camuflada de pretender a supressão do estado de Israel.
Mas a Palestina como território e/ou como nação não é propriedade apenas dos palestinianos, uma vez que compreende o território originalmente hebraico. Aqui reside o aspecto fundamental do problema: é que os judeus aceitam os árabes (milhares de árabes se deslocam diariamente a Israel para trabalhar) mas estes nunca aceitaram os judeus.
Muito mais poderia ser dito sobre o papel inocoerente e ambíguo da OLP (sempre apoiada pela URSS), sobre as sucessivas agressões (Guerra do Sinai, Guerra dos Seis dias; Guerra do Kippur), sobre os consecutivos atentados terroristas, sobre a recusa dos mais radicais em reconhecer o estado de Israel.
Apesar de parecer aceitar o diálogo, nunca a OLP condenou os ataques terroristas. Nunca a OLP tomou uma posição de força ante os mais radicais. Tal como, nos nossos dias, o Hamas nega o diálogo e rejeita a existência de um estado sionista. A via política e diplomática nunca foi verdadeiramente aceite pelos árabes.
Lamentavel que entre tantas guerras e atentados muitas injustiças foram cometidas, muitos inocentes perderam a vida. Nem sempre houve tolerância e clarividência nalgumas atitudes, mas pergunto: Quem não aceita quem ? Quem mais se tem preocupado em dialogar ? Quem mais tem manifestado interesse pela paz ? Apesar de todos os acordos estabelecidos, quem segue a táctica do terrorismo ? Quem viola os vários cessar-fogos ? Quem coloca crianças e adolescentes à frente das manifestações ? Quem agrega jovens (e apenas jovens) para funcionarem como bombas humanas ?
Até compreendo que, por via de algum comprometimento partidário-ideológico, alguns tenham alguma alguma dificuldade em sair dessa linha crítica, mas existem factos, existem documentos, existem testemunhos diários …
Ninguém nega o direito da existência à nação palestiniana ainda que ninguém saiba explicar muito bem os seus contornos (geográficos, étnicos, sociais, etc,). Mas será que que o direito de existência de uma nação implica necessáriamente o aniquilamento de outra ? Não poderão coexistir as duas ?
Poderia fazer algumas analogias a outras situações extremamente condenáveis (veja-se o que se passa na Coreia do Norte, Tibete, Myanmar, Georgia, Tchetchenia, Sudão, Burundi, Somália, Líbano, Cuba, Haiti, Zimbabué, paízes onde são visíveis os radicalismos ideológicos e/ou religiosos, com consequências trágicas). Não o farei. De qualquer forma, não deixa de ser estranho a simpatia que os partidos de esquerda sempre demonstraram ante as causas árabes. Estranho, porque, tal como refere Nick Cohen (jornalista e ex-militante esquerdista inglês) no seu livro “O que resta da Esquerda ?” é precisamente nesses países que mais se atropelam alguns dos mais elementares valores que a esquerda sempre defendeu: liberdade de expressão, estado laico, liberdade e acção sindical, acesso ao ensino, direitos das mulheres, liberdade religiosa, etc. Estes valores pura e simplesmente não existem na maioria dos estados árabes … aliás também não deixa de algo incoerente o silêncio da “esquerda” ante as desavenças árabes, mesmo quando há milhares de vidas sacrificadas (casos da guerra Irão-Iraque, invasão do Kweit pelo Iraque, lutas entre xiitas e sunitas ou entre o Hamas e a Fatah na Faixa de Gaza ou as sucessivas guerras patrocinadas pelo Hezbollah, no Líbano).
Quanto à referida construção do muro. Julgo que nem sequer é necessária qualquer explicação … é demasiado evidente.
Não são precisos muitos conhecimentos de geo-política para se perceber o que se passa na região. Basta ver os telejornais, ler os jornais sempre salpicados a sangue com notícias de fanatismo e violência"