
Contra todas as sondagens, a maioria dos suiços que votaram no referendo de hoje (proposto por dois partidos de extrema-direita) decidiu que, numa originalidade em qualquer democracia do mundo, a sua constituição proibirá uma única religião, ao contrário de todas as restantes, de construir torres nos seus templos. A decisão não resulta de um problema real - há apenas quatro minaretes num total de 180 mesquitas em todo o país -, mas de uma xenofobia profunda.
Este é também um aviso para os perigos de referendos que dão à maioria o poder de limitar os direitos de uma minorias. Direitos que, no entanto, garantem para si próprios. O que a Suiça aprovou é um aborto democrático e um sinal de alerta para os que têm brincado com o fogo e julgado que a islamofobia é muito "cool", moderna, liberal e "politicamente incorrecta". Ficam assim de braço dado com a extrema-direita europeia. Ainda se hão de se lembrar da companhia que escolheram quando chegar a sua vez de serem condenados à invisibilidade.