Há 20 anos que José Sá Fernandes dá o litro por Lisboa. Poderão discordar dele. Poderão achar que o que fez foi mau para Lisboa. Não concordo, mas são sempre criticas legítimas. O que ninguém poderá duvidar é que se candidata exclusivamente devido à sua ligação à cidade. E eu acho que mais do que discursos redondos sobre cidadania, fazem falta pessoas que se candidatam aos cargos porque os cargos lhes dizem realmente alguma coisa.
Sá Fernandes não tolera a corrupção. Não a acha natural ou inevitável. E leva a sério a ideia de que a corrupção não é apenas moralmente condenável. É um roubo à democracia. Apesar disto, nunca ouvi de Sá Fernandes uma frase sobre “os políticos”. E, não sendo geralmente visto como um político e tendo provas dadas no combate à corrupção, estaria na posição ideal para esse caminho fácil. Sá Fernandes respeita as funções públicas. Populismo não é combater a corrupção, é combater a democracia usando o argumento da corrupção. Por isso mesmo Sá Fernandes fez o que tinha de fazer. Usou, como cidadão, a arma que o Estado de Direito lhe dá: a justiça. E como autarca o poder que o voto lhe deu: o de denúncia e da oposição a decisões erradas. Que haja quem ache que isto é condenável é coisa que me deixa boqueaberto.
Sá Fernandes conhece Lisboa como nunca conheci ninguém que a conhecesse. Para quem vive nesta cidade é uma experiência magnifica passear por ela com José Sá Fernandes. É impressionante as coisas que nos passam ao lado. Conhece cada canto, cada segredo. Para uma pessoa como eu, que nasceu e viveu em Lisboa, que se sente mais lisboeta do que português ou europeu e que sabe que ter nascido numa das cidades mais bonitas da Europa é um privilégio que tanta gente despreza, esta é uma razão forte para o querer na Câmara. Confesso que, de todas as razões, é a que, emocionalmente, mais me move. Quero ter na câmara alguém que trate esta cidade com respeito. Que se sinta ferido de cada vez que ferem a minha cidade. E pelo menos disto só tenho certezas em relação a Sá Fernandes.
Quando decidi que, apesar de abandonar todas as minhas responsabilidades dirigentes no Bloco, queria ainda trabalhar afincadamente nesta campanha, foi por uma razão que resulta de todas estas: seria de uma injustiça insuportável para mim que depois dos últimos dois anos, Sá Fernandes não reforçasse a sua votação. Teria de o aceitar, porque se tem sempre de aceitar o voto popular em democracia. Mas não ficaria descansado se não tivesse feito tudo para que Sá Fernandes tivesse a confirmação eleitoral de que o seu comportamento moral e político merece admiração dos eleitores. Se não fosse por outra razão, a do exemplo.
Na coluna da direita estará, até ao fim da campanha eleitoral, o meu apoio a Sá Fernandes. Ele gosta de Lisboa e eu também. Aos que aqui me visitem, sejam do concelho de Lisboa, tenham blogue e apoiem Sá Fernandes, fica o pedido para deixarem na caixa de comentários o vosso link para que possam ficar na coluna da direita, logo em baixo deste apoio expresso.
Há 20 anos que José Sá Fernandes dá o litro por Lisboa. Poderão discordar dele. Poderão achar que o que fez foi mau para Lisboa. Não concordo, mas são sempre criticas legítimas. O que ninguém poderá duvidar é que se candidata exclusivamente devido à sua ligação à cidade. E eu acho que mais do que discursos redondos sobre cidadania, fazem falta pessoas que se candidatam aos cargos porque os cargos lhes dizem realmente alguma coisa.
Sá Fernandes não tolera a corrupção. Não a acha natural ou inevitável. E leva a sério a ideia de que a corrupção não é apenas moralmente condenável. É um roubo à democracia. Apesar disto, nunca ouvi de Sá Fernandes uma frase sobre “os políticos”. E, não sendo geralmente visto como um político e tendo provas dadas no combate à corrupção, estaria na posição ideal para esse caminho fácil. Sá Fernandes respeita as funções públicas. Populismo não é combater a corrupção, é combater a democracia usando o argumento da corrupção. Por isso mesmo Sá Fernandes fez o que tinha de fazer. Usou, como cidadão, a arma que o Estado de Direito lhe dá: a justiça. E como autarca o poder que o voto lhe deu: o de denúncia e da oposição a decisões erradas. Que haja quem ache que isto é condenável é coisa que me deixa boqueaberto.
Sá Fernandes conhece Lisboa como nunca conheci ninguém que a conhecesse. Para quem vive nesta cidade é uma experiência magnifica passear por ela com José Sá Fernandes. É impressionante as coisas que nos passam ao lado. Conhece cada canto, cada segredo. Para uma pessoa como eu, que nasceu e viveu em Lisboa, que se sente mais lisboeta do que português ou europeu e que sabe que ter nascido numa das cidades mais bonitas da Europa é um privilégio que tanta gente despreza, esta é uma razão forte para o querer na Câmara. Confesso que, de todas as razões, é a que, emocionalmente, mais me move. Quero ter na câmara alguém que trate esta cidade com respeito. Que se sinta ferido de cada vez que ferem a minha cidade. E pelo menos disto só tenho certezas em relação a Sá Fernandes.
Quando decidi que, apesar de abandonar todas as minhas responsabilidades dirigentes no Bloco, queria ainda trabalhar afincadamente nesta campanha, foi por uma razão que resulta de todas estas: seria de uma injustiça insuportável para mim que depois dos últimos dois anos, Sá Fernandes não reforçasse a sua votação. Teria de o aceitar, porque se tem sempre de aceitar o voto popular em democracia. Mas não ficaria descansado se não tivesse feito tudo para que Sá Fernandes tivesse a confirmação eleitoral de que o seu comportamento moral e político merece admiração dos eleitores. Se não fosse por outra razão, a do exemplo.
Na coluna da direita estará, até ao fim da campanha eleitoral, o meu apoio a Sá Fernandes. Ele gosta de Lisboa e eu também. Aos que aqui me visitem, sejam do concelho de Lisboa, tenham blogue e apoiem Sá Fernandes, fica o pedido para deixarem na caixa de comentários o vosso link para que possam ficar na coluna da direita, logo em baixo deste apoio expresso.
Nos últimos dias várias referencias tem sido feitas ao acordo de 2003 na Autoeuropa a propósito das conclusões do livro branco para as relações laborais e da anunciada flexigurança.
Houve mesmo quem, com responsabilidades, tivesse garantido que face à lei actual o acordo que assinamos não seria legalmente possível. Não é verdade. Tal acordo de ilegal não tem nada. Baseado num acordo de não aumento salarial por dois anos (de 2003 a 2005), ele só foi possível porque as tabelas salariais da Autoeropa estão muito acima das negociadas com os sindicatos.
Ao contrário do que se tem dito, a Autoeuropa não tem adaptabilidade de horários. O que temos é a possibilidade de, havendo trabalho normal, trabalhar 230 dias por ano. Não havendo, o trabalhador fica em casa os dias que forem necessários, cobrando exactamente o mesmo. Não é simples de explicar mas tentarei: todos os anos temos direito a 22 dias “não trabalháveis”. São dias em que recebemos na mesma e podemos trabalhar ou não, conforme a empresa decida. Recebemos sempre. No fim do ano são feitos acertos. Houve, por exemplo, um ano em que ficámos 36 dias sem trabalhar e a receber. Os 14 dias que não estavam incluídos nos dias “não trabalháveis” passaram para o ano seguinte como dívida dos trabalhadores. O que quer isto dizer? Que no ano seguinte ficámos apenas com 8 dias “não trabalháveis” em vez de 22. Se o saldo for positivo (infelizmente ainda não aconteceu à maioria), a empresa paga por isso. E se o saldo for nulo, os trabalhadores recebem, na realidade, 15 meses de salário em vez de 14. É isto que se propõe para o resto das empresas? Não me parece.
Quanto às férias, temos 23 dias de férias garantidos (em vez dos 22 do resto das empresas) e dois dependendo da assiduidade (em vez dos três do resto das empresas). E a avaliação da assiduidade é mais favorável para os trabalhadores do que o que está definido no Código de Trabalho.
O acordo de então também nada tem a ver com o que alguns entendem por flexigurança. Tendo havido uma redução da produção em 60 000 unidades, que punha em perigo 850 postos de trabalho e no limite a continuidade da empresa, o que foi negociado não é nem uma versão local de flexinsegurança, nem qualquer liberdade de despedir. Pelo contrário: ele só foi possível perante a garantia de que não haveria um único despedimento até Dezembro de 2008. Garantia que está a ser cumprida. Em troca, os trabalhadores prescindiram do aumento salarial por dois anos. Em 2005 voltou a haver aumento. E em 2006 o aumento foi decidido para dois anos e foi de 4,5% (o que quer dizer que o aumento do ano seguinte entrou um ano antes) e em Setembro de 2008 haverá, antes de qualquer negociação, um aumento de um por cento logo à partida. Logo em Dezembro de 2006 recebemos um prémio de 1,2 salários no mínimo de 1.200 euros, para todos. Estão as empresas portuguesas disponíveis para este tipo de acordos?
Que não haja enganos. A empresa ganhou com isto. Foi acordado a redução do custo de trabalho extraordinário ao sábado de 200% para 100% em troco da vinda de um novo produto que implicou um investimento de 500 milhões de euros. E a empresa manteve ao seu serviço uma mão-de-obra com excelente formação, para utilizar logo que as encomendas o justificassem, como veio a acontecer.
Comparar isto com a possibilidade de cada empresa despedir a seu belo prazer, pela cor dos olhos, ou por que se é delegado ou activista sindical, com o direito arbitrário do patrão mexer nos horários dos trabalhadores e com a perda de dias de férias é um truque de ilusionismo extraordinário. Os acordos assinados foram exactamente no sentido inverso. Aqui, na Autoeuropa, não há menos férias, menos subsídios ou mais facilidade de despedimentos do que no resto do país. Antes pelo contrario.
O segredo destes acordos não tem segredo nenhum. Está num diálogo permanente, em reuniões semanais com a Administração, e na informação que recebemos sobre a situação da empresa, a todo o momento. Saber utilizar essa informação a favor dos trabalhadores é o que se exige a um dirigente sindical. É isso que fazemos. Não é necessária uma nova lei ou a imposição da flexinsegurança (provavelmente sem segurança nenhuma) para tornar as empresas competitivas. É necessária outra cultura de gestão e de negociação.
Qualquer activista sindical, principalmente os que estão dentro da empresa e que, por isso, dependem da empresa para o seu sustento, está em condições de avaliar, caso a caso, as necessidades de acordos sem interferências governamentais. Mas para isso tem de receber informação e saber passar essa informação para os trabalhadores, discutindo-a com eles, para estar certo de que contará com o seu apoio quando chega e quando não chega a acordo com a administração.
Só que todos sabemos que os patrões portugueses e os administradores da maioria das multinacionais aqui implantadas não querem dar este salto: partilhar informação com as estruturas representativas dos trabalhadores. Preferem continuar, em pleno século XXI, a portar-se como pequenos ditadores, escondendo a situação da empresa, deturpando a informação que dão aos sindicatos e às Comissões de Trabalhadores, trocando a negociação pela imposição, não cumprindo os acordos firmados. É isto e não a lei vigente que leva à desconfiança e a situações de conflito inultrapassáveis dentro das empresas.
Quem queira gerir as empresas e relacionar-se com os trabalhadores de uma forma inovadora e quem queira representar os trabalhadores de forma eficaz, tem de estar preparado para apresentar e receber propostas concretas e criativas que tenham como primeiro objectivo a manutenção dos postos de trabalho.
Infelizmente, esta é a cultura oposta à dos que, aplaudindo as propostas apresentadas no livro branco, não querem nem acordos nem negociações com os representantes dos trabalhadores das suas empresas. A cultura de imposição e da opacidade torna o modelo negocial que temos tido na Autoeuropa numa miragem. Não o usem, por isso, para fazer exactamente o oposto do que aqui temos conseguido.
António Chora
Nos últimos dias várias referencias tem sido feitas ao acordo de 2003 na Autoeuropa a propósito das conclusões do livro branco para as relações laborais e da anunciada flexigurança.
Houve mesmo quem, com responsabilidades, tivesse garantido que face à lei actual o acordo que assinamos não seria legalmente possível. Não é verdade. Tal acordo de ilegal não tem nada. Baseado num acordo de não aumento salarial por dois anos (de 2003 a 2005), ele só foi possível porque as tabelas salariais da Autoeropa estão muito acima das negociadas com os sindicatos.
Ao contrário do que se tem dito, a Autoeuropa não tem adaptabilidade de horários. O que temos é a possibilidade de, havendo trabalho normal, trabalhar 230 dias por ano. Não havendo, o trabalhador fica em casa os dias que forem necessários, cobrando exactamente o mesmo. Não é simples de explicar mas tentarei: todos os anos temos direito a 22 dias “não trabalháveis”. São dias em que recebemos na mesma e podemos trabalhar ou não, conforme a empresa decida. Recebemos sempre. No fim do ano são feitos acertos. Houve, por exemplo, um ano em que ficámos 36 dias sem trabalhar e a receber. Os 14 dias que não estavam incluídos nos dias “não trabalháveis” passaram para o ano seguinte como dívida dos trabalhadores. O que quer isto dizer? Que no ano seguinte ficámos apenas com 8 dias “não trabalháveis” em vez de 22. Se o saldo for positivo (infelizmente ainda não aconteceu à maioria), a empresa paga por isso. E se o saldo for nulo, os trabalhadores recebem, na realidade, 15 meses de salário em vez de 14. É isto que se propõe para o resto das empresas? Não me parece.
Quanto às férias, temos 23 dias de férias garantidos (em vez dos 22 do resto das empresas) e dois dependendo da assiduidade (em vez dos três do resto das empresas). E a avaliação da assiduidade é mais favorável para os trabalhadores do que o que está definido no Código de Trabalho.
O acordo de então também nada tem a ver com o que alguns entendem por flexigurança. Tendo havido uma redução da produção em 60 000 unidades, que punha em perigo 850 postos de trabalho e no limite a continuidade da empresa, o que foi negociado não é nem uma versão local de flexinsegurança, nem qualquer liberdade de despedir. Pelo contrário: ele só foi possível perante a garantia de que não haveria um único despedimento até Dezembro de 2008. Garantia que está a ser cumprida. Em troca, os trabalhadores prescindiram do aumento salarial por dois anos. Em 2005 voltou a haver aumento. E em 2006 o aumento foi decidido para dois anos e foi de 4,5% (o que quer dizer que o aumento do ano seguinte entrou um ano antes) e em Setembro de 2008 haverá, antes de qualquer negociação, um aumento de um por cento logo à partida. Logo em Dezembro de 2006 recebemos um prémio de 1,2 salários no mínimo de 1.200 euros, para todos. Estão as empresas portuguesas disponíveis para este tipo de acordos?
Que não haja enganos. A empresa ganhou com isto. Foi acordado a redução do custo de trabalho extraordinário ao sábado de 200% para 100% em troco da vinda de um novo produto que implicou um investimento de 500 milhões de euros. E a empresa manteve ao seu serviço uma mão-de-obra com excelente formação, para utilizar logo que as encomendas o justificassem, como veio a acontecer.
Comparar isto com a possibilidade de cada empresa despedir a seu belo prazer, pela cor dos olhos, ou por que se é delegado ou activista sindical, com o direito arbitrário do patrão mexer nos horários dos trabalhadores e com a perda de dias de férias é um truque de ilusionismo extraordinário. Os acordos assinados foram exactamente no sentido inverso. Aqui, na Autoeuropa, não há menos férias, menos subsídios ou mais facilidade de despedimentos do que no resto do país. Antes pelo contrario.
O segredo destes acordos não tem segredo nenhum. Está num diálogo permanente, em reuniões semanais com a Administração, e na informação que recebemos sobre a situação da empresa, a todo o momento. Saber utilizar essa informação a favor dos trabalhadores é o que se exige a um dirigente sindical. É isso que fazemos. Não é necessária uma nova lei ou a imposição da flexinsegurança (provavelmente sem segurança nenhuma) para tornar as empresas competitivas. É necessária outra cultura de gestão e de negociação.
Qualquer activista sindical, principalmente os que estão dentro da empresa e que, por isso, dependem da empresa para o seu sustento, está em condições de avaliar, caso a caso, as necessidades de acordos sem interferências governamentais. Mas para isso tem de receber informação e saber passar essa informação para os trabalhadores, discutindo-a com eles, para estar certo de que contará com o seu apoio quando chega e quando não chega a acordo com a administração.
Só que todos sabemos que os patrões portugueses e os administradores da maioria das multinacionais aqui implantadas não querem dar este salto: partilhar informação com as estruturas representativas dos trabalhadores. Preferem continuar, em pleno século XXI, a portar-se como pequenos ditadores, escondendo a situação da empresa, deturpando a informação que dão aos sindicatos e às Comissões de Trabalhadores, trocando a negociação pela imposição, não cumprindo os acordos firmados. É isto e não a lei vigente que leva à desconfiança e a situações de conflito inultrapassáveis dentro das empresas.
Quem queira gerir as empresas e relacionar-se com os trabalhadores de uma forma inovadora e quem queira representar os trabalhadores de forma eficaz, tem de estar preparado para apresentar e receber propostas concretas e criativas que tenham como primeiro objectivo a manutenção dos postos de trabalho.
Infelizmente, esta é a cultura oposta à dos que, aplaudindo as propostas apresentadas no livro branco, não querem nem acordos nem negociações com os representantes dos trabalhadores das suas empresas. A cultura de imposição e da opacidade torna o modelo negocial que temos tido na Autoeuropa numa miragem. Não o usem, por isso, para fazer exactamente o oposto do que aqui temos conseguido.
António Chora
Vale a pena ler este post do Zero de Conduta. A realidade que levou aos trágicos acontecimentos narrados em "Mississipi em Chamas" não é uma memória assim tão distante. A cultura da supremacia ainda vive. No Luisiana ainda há sombras só para brancos e penas absurdas só para negros.
“Ele [Mega Ferreira] é intelectual, tem sangue azul, eu [Joe Berardo] sou de origem humilde”. Berardo usa assim o argumento do homem que vem debaixo para tratar o que é pago por nós (o CCB) como se fosse pago por ele.
A estratégia resulta. O pior insulto: é um "intelectual". Ou seja, um parasita de sangue azul. Mas a confusão é evidente: a intelectualidade não nobilita. Mega Ferreira não tem sangue azul, tem massa cinzenta o que é, quando o termo "sangue azul" é usado pejorativamente, exactamente o oposto. A razão porque tratamos com desprezo a suposta superioridade da nobreza é ela ter a superioridade sem o mérito. Não é nem o caso de quem acumula conhecimento nem seguramente o caso de Mega Ferreira, que está muito longe de ser um diletante.
O auto-elogio: eu sou humilde, diminuído por esta gente. Na realidade, isto apenas mostra que Berardo pode ter sido humilde, mas já não o é. O discurso anti-intelectual é de uma enorme arrogância. Joe Berardo acha que para acumular dinheiro e transforma-lo em mais dinheiro é necessário mais esforço do que o esforço que Mega Ferreira aplicou a acumular conhecimento e transforma-lo em mais conhecimento.
Conheci na vida muita gente sem dinheiro que arrancou da sua experiência muita informação, muitos livros, muitos jornais. Gente que investiu as suas energias nisso mesmo. Muitos autodidactas. Na área política e cultural onde cresci (os comunistas) havia e ainda há muita gente assim. Operários com a quarta classe que leram, cresceram e aprenderam no pouco tempo que lhes restava entre o trabalho duro e o combate político. Gente com uma curiosidade imensa, uma inteligência enorme, um sentido crítico demolidor e uma força de vontade imperturbável. Deram a volta ao mundo sem viajar. Fora desta minha experiência também não faltam exemplos que todos conhecemos.
Joe Berardo fez o mesmo. Porque fazer dinheiro quando não se tem dinheiro exige conhecimento, inteligência e muita curiosidade. Ou seja, Joe Berardo tem obrigação de não desprezar os "intelectuais". Berardo tem a melhor colecção de arte contemporânea portuguesa. Teve a argúcia que falta à maioria dos empresários portugueses: a de perceber que a arte cria riqueza. Ou seja, que os intelectuais criam riqueza imaterial que, no caso das obras que Berardo comprou, se traduz em riqueza material. Pode orgulhar-se disso. Desprezar os intelectuais é desprezar o que comprou. E quem despreza o que compra está apenas a comprar a arrogância. Para isso não faz grande sentido pedir aplausos. Para comprar a arrogância basta ter dinheiro e arrogância e querer mais dinheiro e mais arrogância. Não é preciso ter muita inteligência.
“Ele [Mega Ferreira] é intelectual, tem sangue azul, eu [Joe Berardo] sou de origem humilde”. Berardo usa assim o argumento do homem que vem debaixo para tratar o que é pago por nós (o CCB) como se fosse pago por ele.
A estratégia resulta. O pior insulto: é um "intelectual". Ou seja, um parasita de sangue azul. Mas a confusão é evidente: a intelectualidade não nobilita. Mega Ferreira não tem sangue azul, tem massa cinzenta o que é, quando o termo "sangue azul" é usado pejorativamente, exactamente o oposto. A razão porque tratamos com desprezo a suposta superioridade da nobreza é ela ter a superioridade sem o mérito. Não é nem o caso de quem acumula conhecimento nem seguramente o caso de Mega Ferreira, que está muito longe de ser um diletante.
O auto-elogio: eu sou humilde, diminuído por esta gente. Na realidade, isto apenas mostra que Berardo pode ter sido humilde, mas já não o é. O discurso anti-intelectual é de uma enorme arrogância. Joe Berardo acha que para acumular dinheiro e transforma-lo em mais dinheiro é necessário mais esforço do que o esforço que Mega Ferreira aplicou a acumular conhecimento e transforma-lo em mais conhecimento.
Conheci na vida muita gente sem dinheiro que arrancou da sua experiência muita informação, muitos livros, muitos jornais. Gente que investiu as suas energias nisso mesmo. Muitos autodidactas. Na área política e cultural onde cresci (os comunistas) havia e ainda há muita gente assim. Operários com a quarta classe que leram, cresceram e aprenderam no pouco tempo que lhes restava entre o trabalho duro e o combate político. Gente com uma curiosidade imensa, uma inteligência enorme, um sentido crítico demolidor e uma força de vontade imperturbável. Deram a volta ao mundo sem viajar. Fora desta minha experiência também não faltam exemplos que todos conhecemos.
Joe Berardo fez o mesmo. Porque fazer dinheiro quando não se tem dinheiro exige conhecimento, inteligência e muita curiosidade. Ou seja, Joe Berardo tem obrigação de não desprezar os "intelectuais". Berardo tem a melhor colecção de arte contemporânea portuguesa. Teve a argúcia que falta à maioria dos empresários portugueses: a de perceber que a arte cria riqueza. Ou seja, que os intelectuais criam riqueza imaterial que, no caso das obras que Berardo comprou, se traduz em riqueza material. Pode orgulhar-se disso. Desprezar os intelectuais é desprezar o que comprou. E quem despreza o que compra está apenas a comprar a arrogância. Para isso não faz grande sentido pedir aplausos. Para comprar a arrogância basta ter dinheiro e arrogância e querer mais dinheiro e mais arrogância. Não é preciso ter muita inteligência.
Aqui, num serviço de organismos dependentes do governo em conjunto com a Microsoft, fazem-se denuncias anónimas de qualquer situação que possa configurar um caso de abuso de menores, apologia do racismo e xenofobia, terrorismo e violência na Internet. Dantes, havia a ideia de que a denúncia anónima apenas devia ser usada em casos excepcionais. Agora está banalizada, transformando a delação escondida numa cultura de cidadania. Do meu lado, como cidadão, não pretendo usar este serviço. Se apresentar uma queixa, tenciono fazer o que sempre fiz: dar o meu nome e o meu número de BI. E, em matéria tão sensível como a liberdade de expressão, tenciono fazê-lo directamente junto de entidades judiciais e não usando como intermediários organismos dependentes de ministérios associados a empresas.
Aqui, num serviço de organismos dependentes do governo em conjunto com a Microsoft, fazem-se denuncias anónimas de qualquer situação que possa configurar um caso de abuso de menores, apologia do racismo e xenofobia, terrorismo e violência na Internet. Dantes, havia a ideia de que a denúncia anónima apenas devia ser usada em casos excepcionais. Agora está banalizada, transformando a delação escondida numa cultura de cidadania. Do meu lado, como cidadão, não pretendo usar este serviço. Se apresentar uma queixa, tenciono fazer o que sempre fiz: dar o meu nome e o meu número de BI. E, em matéria tão sensível como a liberdade de expressão, tenciono fazê-lo directamente junto de entidades judiciais e não usando como intermediários organismos dependentes de ministérios associados a empresas.
Propostas da comissão do livro branco das relações laborais:
- Redução das férias
. Despedimento mais fácil, com o alargamento do conceito do despedimento por inadaptação
- Redução da hora de almoço
- Redução do valor do subsídio de férias
Saldanha Sanches, um dos melhores especialistas de direito fiscal, chumbou na prova de agregação da Faculdade de Direito de Lisboa. Não estou, como é evidente, preparado para dar opinião sobre este inesperado chumbo. Mas, sendo onde foi, tenho as minhas desconfianças. São conhecidas as histórias de excelentes juristas que foram fazer os seus doutoramentos para longe da FDUL, perante a certeza de que ali lhes seriam cortadas as pernas. Na Faculdade de Direito reina a mesquinhez, a mediocridade, a inveja e o preconceito. É um bom símbolo de um país que vê, a cada dia que passa, os seus melhores académicos partir para instituições mais qualificadas porque por aqui se despreza o mérito e se temem os melhores. Pode ser que esteja, neste caso, a ser injusto. Mas não me parece.
Saldanha Sanches, um dos melhores especialistas de direito fiscal, chumbou na prova de agregação da Faculdade de Direito de Lisboa. Não estou, como é evidente, preparado para dar opinião sobre este inesperado chumbo. Mas, sendo onde foi, tenho as minhas desconfianças. São conhecidas as histórias de excelentes juristas que foram fazer os seus doutoramentos para longe da FDUL, perante a certeza de que ali lhes seriam cortadas as pernas. Na Faculdade de Direito reina a mesquinhez, a mediocridade, a inveja e o preconceito. É um bom símbolo de um país que vê, a cada dia que passa, os seus melhores académicos partir para instituições mais qualificadas porque por aqui se despreza o mérito e se temem os melhores. Pode ser que esteja, neste caso, a ser injusto. Mas não me parece.
Museu da Fundação Serralves, algures entre Espanha e França
Museu da Fundação Serralves, algures entre Espanha e França
Blair será o representante do quarteto para arbitrar o conflito israelo-palestiniano. Além da imparcialidade evidente, há que ter em conta as boas experiências do ex-primeiro-ministro na região.
Blair será o representante do quarteto para arbitrar o conflito israelo-palestiniano. Além da imparcialidade evidente, há que ter em conta as boas experiências do ex-primeiro-ministro na região.
A Patrícia, do blogue O Insurgente, acordou para este flagelo há muito. Já se tinha apercebido dos riscos que correm os homossexuais por «doenças causadas pelo abuso de um órgão não desenvolvido para uso sexual». A vantagem que temos sobre os romanos, explica, é que conhecendo melhor o corpo humano, «sabemos muito bem que o sistema digestivo, ingestão e excreção, não deve ser confundido com o sistema generativo.» Mas a Patrícia vai para lá destas evidências. E não tem receio em por o dedo na, digamos assim, ferida: o lóbi gay já matou 468,000 americanos. E só «lendo Michel Foucault e outros relativistas pós-modernos» se apercebeu do que a rodeava: «fazia tudo parte de uma campanha bem orquestrada e proclamada para destruir a ‘sociedade burguesa’».
Vale a pena ler tudo: o comentário técnico feito a um post de um colega seu e depois o seu próprio post, a dar o enquadramento ideológico. Qualquer comentário que aqui fizesse tiraria a beleza da coisa. A Patrícia existe. E isso deixa-me feliz. O Mundo guarda-nos sempre tanta surpresa e diversidade.
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Via Reino dos Fins.
Excertos da entrevista de Fernando Negrão ao Rádio Clube Português
Para não parecer que só digo mal, aqui vão, com simpatia, as sites do IPPAR, EPUL e EPAL. Assim pode ir ganhando alguma familiaridade com os aspectos mais complexos (diria mesmo de uma tecnicidade impenetrável) relacionados com a cidade de Lisboa. Quanto às SRU's (Sociedades de Reabilitação Urbana), fica para uma próxima oportunidade.
Hoje é dia de festa. Um dos maiores espaços culturais da cidade passou a funcionar como montra da fraqueza negocial do Estado português. A coisa processa-se assim: a colecção Berardo fica nas mãos de Berardo. O Estado oferece o espaço para a exibir. Melhor: paga o melhor espaço que tem para a exibir. Só em 2007, três milhões de euros vindos de um Ministério sem cheta. E todos os anos, sem falhar, enterra centenas de milhares euros para o crescimento do acervo. Se não vier a comprar a exposição foi dinheiro gentilmente oferecido a Berardo.
Como a colecção ia para um dos melhores espaços de exposição do país, não é disparatado pensar que essa perspectiva terá valorizado a colecção. Ou seja, terá prejudicado o Estado. Em troca, o Estado português tem a opção de compra. "O Estado compromete-se, desde já, a comprar a minha colecção, se eu quiser vender”, explicou um dia Berardo, com a enorme vantagem da sua franqueza. E para que este negócio seja possível fica com o CCB a meio gás. Mas não acaba aqui. Quem será o presidente da Fundação que vai gerir a colecção? Berardo, Joe Berardo. Vitalício. Virá agarrado à exposição como um borboto. Resumindo: o Estado paga a valorização, paga a exibição, paga o crescimento para ter a possinbilidade de vir talvez a pagar pela própria exposição com o seu dono agarrado a ela.
Eu adoro o Estado português. Eu adoraria fazer negócios com o Estado português. Mas, infelizmente, o Estado português não é trouxa com todos. Só com aqueles que menos precisam. Enfim, uma injustiça.
Hoje é dia de festa. Um dos maiores espaços culturais da cidade passou a funcionar como montra da fraqueza negocial do Estado português. A coisa processa-se assim: a colecção Berardo fica nas mãos de Berardo. O Estado oferece o espaço para a exibir. Melhor: paga o melhor espaço que tem para a exibir. Só em 2007, três milhões de euros vindos de um Ministério sem cheta. E todos os anos, sem falhar, enterra centenas de milhares euros para o crescimento do acervo. Se não vier a comprar a exposição foi dinheiro gentilmente oferecido a Berardo.
Como a colecção ia para um dos melhores espaços de exposição do país, não é disparatado pensar que essa perspectiva terá valorizado a colecção. Ou seja, terá prejudicado o Estado. Em troca, o Estado português tem a opção de compra. "O Estado compromete-se, desde já, a comprar a minha colecção, se eu quiser vender”, explicou um dia Berardo, com a enorme vantagem da sua franqueza. E para que este negócio seja possível fica com o CCB a meio gás. Mas não acaba aqui. Quem será o presidente da Fundação que vai gerir a colecção? Berardo, Joe Berardo. Vitalício. Virá agarrado à exposição como um borboto. Resumindo: o Estado paga a valorização, paga a exibição, paga o crescimento para ter a possinbilidade de vir talvez a pagar pela própria exposição com o seu dono agarrado a ela.
Eu adoro o Estado português. Eu adoraria fazer negócios com o Estado português. Mas, infelizmente, o Estado português não é trouxa com todos. Só com aqueles que menos precisam. Enfim, uma injustiça.
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