É coisa rara vir uma notícia destas do matadouro do Texas: a pena de Kenneth Foster, um homem condenado à morte sem que tivesse matado alguém, foi comutada. Pela especial barbaridade da sentença (ele estava no carro quando, durante um assalto, o seu amigo matou um homem), Foster, preso desde os 19 anos, transformou-se num símbolo contra o homicídio que tem o Estado como mandante.
Pela sua frieza, por ser cometido em nome da "justiça" e por fazer de todos os cidadãos seus cúmplices, a pena de morte é dos piores crimes com que a humanidade convive. Desta vez salvou-se uma vida. Foster seria o 401º cidadão assassinado pelo Estado do Texas, desde 1982, quando a pena de morte foi reintroduzida. 152 execuções tiveram a assinatura do actual Presidente George Bush.
Ver blogue e site dedicados a Kenneth Foster.
Fotografia roubada ao Instante Fatal
«Dois polícias em forma de desenho animado aparecerão de meia em meia hora nos écrãs dos cibernautas chineses com o fim de monitorizar as suas actividades. A pé, de moto ou de carro, as figuras patrulharão a partir de sábado as páginas noticiosas e, até ao fim do ano, todos os sites controlados por Pequim. Clicando sobre as figuras, os navegadores poderão assinalar excessos presentes na página, contribuindo para a iniciativa.
Trata-se de um combate às actividades ilegais na Internet, como a pornografia, o jogo a dinheiro, a fraude ou a divulgação de conteúdos que incitem à dissidência, informou ontem a agência Xinhua. O Governo pretende assim proteger os cidadãos de "fontes de danos públicos e de perturbação da ordem social", segundo o Gabinete de Segurança Pública de Pequim.» (Público, sem link)
Flight of the Conchords- Business Time
God's Warriors - Muçulmanos II
God's Warriors - Muçulmanos III
God's Warriors - Muçulmanos IV
God's Warriors - Muçulmanos VI
God's Warriors - Muçulmanos VII
God's Warriors - Muçulmanos VIII
God's Warriors - Muçulmanos IX
Como os portugueses não querem importunar o senhor Durão, são eurodeputados belgas a fazer perguntas ao senhor Barroso sobre o financiamento ilegal do PSD. E o senhor Barroso disse que o senhor Durão não teve qualquer conhecimento ou intervenção no assunto até porque "nos termos legais e estatutários vigentes em Portugal não é da competência do presidente do partido" tratar destas coisas. Nos hábitos "vigentes em Portugal" os presidentes são para as ocasiões. E para nós chega, que não queremos envergonhar este valoroso emigrante que anda lá fora a lutar pela vida.
Já aqui falei de Kids Nation, o novo realaty show que vai estrear nos EUA. Crianças numa pequena aldeia, durante 40 dias, sem os seus pais por perto. Não há adultos para além da produção. Contrato assinado pelos pais: assumem a responsabilidade por ferimentos, acidentes, falta de assistência médica, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e morte durante as gravações. Aqui fica a promoção.
Raramente um debate tem apenas o seu valor facial. Quase sempre, quando correntes de opinião se envolvem em disputas argumentativas em torno de um caso concreto estão a debater mais do que estão a debater. É o caso do Verde-Eufémia. A prova está até neste blogue. Depois de condenar o acto e de desvalorizar a sua importância, escrevi muito sobre o assunto. Porque que me pareceu que quem ia alimentando este assunto tinha uma agenda que ultrapassava o caso concreto. Hoje é evidente que assim era.
Os objectivos são fáceis de identificar: criminalizar o Bloco de Esquerda, desacreditar a agenda ecologista, tornar o valor da propriedade privada num valor absoluto e condicionar as formas de contestação muito para lá dos limites do que tem sido habitual.
Vamos por partes:
1. Não é a primeira vez que perante uma acção em que o BE não está envolvido se tenta, de todas as formas, envolvê-lo. E são sempre casos em que tenha sido violada a lei. Se não há qualquer prova procuram-se indícios atrás de indícios, por mais longínquos que sejam, tentando criar a suspeita sem que ela tenha alguma vez de encontrar comprovação. Quem conhece quem? Quem esteve um dia com quem? Quem já falou com quem? Quem apoiou ou convidou no passado quem, numa investigação quase pidesca.
Nesta prespectiva, um partido político teria de se responsabilizar não só por o que fazem os seus dirigentes e militantes, mas também pelos actos de apoiantes ou mesmo de pessoas com quem se tenha cruzado numa sala.
O objectivo é transportar, no imaginário das pessoas, o Bloco para fora da lei e da democracia. Antes fazia-se isso com o PCP, hoje faz-se com o BE e voltará a faze-se com qualquer outra força que esteja fora do consenso ao centro. Tanto mais quanto maiores sejam as possibilidades de essa força influenciar a governação.
Com as tentativas de fazer um paralelo com extrema-direita pretende-se criar o mesmo cordão sanitário que a nossa história obrigou a manter com eles. É um exercício perigoso, porque, para manter o paralelo, os seus advogados terão de desvalorizar actos como homicídios e espancamentos pelos quais os grupos de extrema-direita europeus são conhecidos. Mas, acima de tudo, trata-se de corrupção moral.
Outro paralelo: com o terrorismo. Não é de hoje. Há anos que alguns comentadores se esforçam por provar, analisando cada palavra à lupa, que os bloquistas terão uma simpatia escondida para com o terrorismo, seja ele o do nacionalismo basco ou do fundamentalismo islâmico. E se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se a ideia não pega, então chama-se terrorismo a tudo o que possa ser condenável e que o BE não tenha condenado nos exactos termos definidos por quem o ataca. A irresponsabilidade é evidente: de tanto banalizar a palavra acabará por se enfraquecer o seu significado.
Há nesta tentativa de criminalização do adversário político duas motivações.
Uma é pessoal, quase psicanalítica. Se repararmos, entre os mais obcecados com o Bloco de Esquerda (muito para lá do que a sua real influência justifica) estão pessoas que têm em comum um dado biográfico: foram de extrema-esquerda. Nada de mal, cada um tem o passado que tem e deve viver bem com isso. Em muitos casos é evidente que vivem mal. A vontade de “matar o pai” ou a pura incapacidade pessoal de analisar a mutação que aconteceu na extrema-esquerda ultrapassa em muito o domínio do racional.
Mas há uma outra razão, bem mais pragmática. Reparem que é a mesma direita que nestes dias tem apontado o dedo acusador ao BE que nas semanas anteriores nos explicou que o BE se tinha aburguesado e moderado e que se preparava para cair nos braços do PS. Claro que a tese da aliança com o PS pretende, antes de mais, irritar a base eleitoral do Bloco. Mas aceitemos que quem a defende acredita mesmo nela. E é pelo menos incontestável que o Bloco desbloqueou a impossibilidade da esquerda à esquerda do PS participar no poder. Perante esta constatação, que na cabeça destes opinadores estará eminente, criar um cordão sanitário em volta do Bloco é uma urgência. Apesar da evidente contradição - um partido cada vez mais moderado e reformista e cada vez mais revolucionário e “terrorista” -, assustar a extrema-esquerda com a rendição ao poder e o centro com os excessos cumpre a mesma função política: excluir o BE de qualquer ambição de crescimento e de conquista de poder.
O episódio de Silves foi apenas mais um pretexto para mostrar a suposta “agenda escondida” do Bloco, que Pacheco Pereira há tanto tempo denuncia. É uma táctica antiga: se o nosso adversários não diz nem faz aquilo pelo qual o condenamos tentamos provar que não o dizendo ou fazendo o pensa e apoia quem o faz e assim não debatemos com ele, mas com os nossos próprios fantasmas.
2. Depois da falência do comunismo e da crise da social-democracia, a agenda ecologista é das poucas com capacidade de mobilização transversal e de alargamento de influência que a esquerda transporta. Sobretudo entre os jovens. O sucesso (exagerado) do documentário de Al Gore é prova disso mesmo. Mais: nos países desenvolvidos os argumentos ecológicos são, na prática, dos poucos que conseguem ser maioritários no “main stream” e que simultaneamente põem em causa o capitalismo selvagem. Quando todas as evidências científicas dão força aos movimentos “verdes”, quando o que está em causa é a própria sobrevivência do Planeta e saúde das pessoas, é preciso retirar aos argumentos ecológicos credibilidade política. Acções como as do Verde Eufémia são sopa no mel para este objectivo. Cavalgar nesta rara oportunidade é fundamental para a direita.
Para além da agenda ecológica, o debate sobre os transgénicos carrega consigo outro, bem mais interessante e com enormes implicações políticas e económicas, referente ao domínio das multinacionais sobre toda a nossa cadeia alimentar e a criação de uma dependência da população mundial para com meia dúzia de corporações. Um debate assustador e que pode bem ter-se perdido, em Portugal, graças a esta acção disparatada.
3. Uma das grandes linhas divisórias entre esquerda e direita é o valor da propriedade privada. Era ainda, até hoje, consensual na maioria das sociedades que se trata de um valor subalterno em relação a outros, como o da vida, o da defesa da saúde e o da liberdade. Uma das coisas que a direita mais liberal (e até menos liberal) se tem esforçado é para alterar esta hierarquia. É mesmo a única forma de se tornarem culturalmente incontestados, transformado o seu corpo ideológico num sistema de valores universal. Ao comparar a violação da propriedade privada com o terrorismo podem perder credibilidade, mas de tanto o repetir vão fazendo o seu caminho.
4. Em Portugal, a liberdade foi conquistada na rua. A democracia nasceu da desordem e da desobediência. O PREC acabou e assistimos à normalização que, na minha opinião pouco popular a muita esquerda, era necessária. Mas a semente da desobediência ficou. Ocupações de fábricas e empresas, em momentos socialmente mais conturbados, não eram vistas pela generalidade das pessoas com reprovação. Nem cortes de estrada. Quem não se lembra do bloqueio na ponte 25 de Abril e de Mário Soares, como Presidente da República, a defender o direito à indignação? Restaurar a sentido de obediência é, para a direita portuguesa, geneticamente autoritária, quase um desígnio.
Neste debate em torno do que se passou em Silves, que a esquerda perdeu por não poder defender uma acção indefensável, e que a direita ganhou ( só não ganhou totalmente por ter forçado demasiado a nota ) ao conseguir impor na agenda informativa a sua própria agenda, não me juntaria nunca, mesmo condenado, ao coro de indignação. Uma acção idiota não me leva a escolher como aliados aqueles que nas motivações que os levam a este debate só podem ser adversários.
Repetindo a gracinha que levou às últimas eleições que reforçaram o AKP, o exército turco voltou a declarar publicamente que o Estado secular está em perigo.
O jornalismo Fox News, em que os entrevistadores não querem respostas, querem antes brilhar à custa dos entrevistados, esmagando-os e humilhando-os em directo, chegou finalmente a Portugal. Não sou ninguém para dar lições de jornalismo a Mário Crespo. Mas uma entrevista não é um debate. Não é um debate, antes de mais, porque entrevistador e entrevistado têm ao seu dispor armas desiguais. Um conduz, outro é conduzido. Um é dono da casa e outro convidado. Um domina o meio e outro muitas vezes não.
Entrevistas duras, em que se fazem perguntas difíceis, é uma coisa. Para essas deve o entrevistado esta preparado quando aceita uma entrevista. Se não está, estivesse. Transformar um entrevistado (ainda mais um entrevistado inexperiente) no palhaço de serviço (por mais que ele se preste ao papel) para um espectáculo televisivo (ou um show, como com satisfação lhe chamou o Gabriel do Blasfémias), é mau jornalismo. Claro que Crespo tem o aplauso geral. Dizem que é frontal. Permitam-me que discorde. Um jornalista não tem nada que ser frontal. Tem que não ter medo de fazer as perguntas que têm de ser feitas (convenhamos que seria estranho que Mário Crespo tivesse medo de Gualter Baptista), estar preparado, ser perspicaz e conseguir que o entrevistado diga o que realmente pensa. A frontalidade não é necessária porque a opinião do entrevistador tem de ser irrelevante numa entrevista. O que ele tenha a dizer (e não a perguntar) ao entrevistado não nos interessa para nada. Não é ele o protagonista da notícia. Numa boa entrevista ficaríamos a saber quase tudo sobre as opiniões de Gualter Baptista (mesmo as que ele preferia que nós não soubéssemos) e sobre o que aconteceu em Silves e rigorosamente nada sobre o que Mário Crespo pensa sobre o assunto.
Já agora, faço o exercício de imaginar Mário Crespo a entrevistar nestes termos o Presidente do Conselho de Administração da Somague para falar sobre o financiamento ao PSD. Impossível, não é? É mais fácil brilhar com os gualteres desta vida.
Vale a pena ler este post de Paulo Querido. Subscrevo de uma ponta à outra.
Para os comentadores que insistem em acusar-me de simpatia com a acção de Silves, está aqui a minha opinião, desde a primeira hora. Mas não contem comigo para embarcar no ambiente de histeria que artificialmente se tentou instalar.
Depois do afastamento humilhante de Paul Wolfowitz do cargo de presidente do Banco Mundial, da saída de Donald Rumsfeld atolado no deserto iraquiano, da partida de Karl Rove deixando um vazio no crânio do presidente, é agora a vez do procurador Alberto Gonzales fazer as malas por ter despedido, por motivos políticos, oito procuradores federais. Abuso de poder, como vem sendo costume neste grupinho que ocupou o poder nos últimos anos. Sobram Condoleezza Rice e Dick Cheney. Bush está quase sozinho em casa. E Bush sozinho é apenas um idiota com direito a uma secretária numa sala oval.
Via Zero de Conduta
O Tiago Barbosa Ribeiroo aproveita Silves, como aproveita qualquer coisa, para vir em defesa de Israel. Parece que uns tipos ocuparam as instalações de uma empresa israelita em Londres, bloquearam as suas entradas e ergueram uma bandeira palestiniana.
Acho alguma graça ao facto do Tiago se chocar com esta violação da propriedade privada. Há décadas que o mesmíssimo Estado que ele apoia incentiva os seus cidadãos a entrar pela propriedade privada alheia (que por acaso até fica noutro país), ocupa-la, expulsar de lá os seus proprietários, espetar a bandeira israelita e ali ficar a viver deste roubo com a protecção de forças de segurança. Há décadas que as casas construidas, compradas ou herdadas por palestinianos são roubadas e destruidas e as suas terras são ocupadas por recém-chegados ao território. Não se trata de nenhuma acto simbólico. Quem viola assim a tão sagrada propriedade privada ali fica para sempre, dando à ocupação e ao roubo o nome de colonato.
Se há tema que o Tiago não devia trazer para a discussão sobre o respeito pela propriedade alheia é o do conflito israelo-palestiniano. Todas estas "acções directas", por mais criticáveis que sejam, são brincadeiras de criança ao pé do comportamento ilegal dos governos que ele aqui defende. Haja algum decoro. Que a indignação não sirva para meter tudo na agenda.
«Manadel al-Jamadi morreu a 4 de Novembro de 2003 durante um interrogatório conduzido pela CIA na secção Alfa da prisão de Abou Graib, perto de Bagdad. Este iraquiano, suspeito de ter cometido um atentado na capital iraquiana, morreu quarenta e cinco minutos depois da sua entrada na prisão. Uma autópsia revelará que tinha seis costelas partidas, provavelmente em consequência dos golpes aplicados pelas forças especiais que o tinham detido. No local da CIA, Al-Jamadi, que se queixa de dificuldades respiratórias, tinha a cabeça coberta com um capuz de plástico. Ele é algemado com os pulsos atrás das costas e foi pendurado «à palestiniana», de pé, com os braços fortemente esticados para trás e por cima da cabeça. Muito rapidamente, Al-Jamadi morre de asfixia. O seu corpo, envolvido em gelo e embrulhado em filme plástico, é levado a um duche, antes de sair da prisão de forma dissimulada. Foi aquando da descoberta das fotos de tortura em Abou Graib que este caso foi revelado. Até hoje, nenhum funcionário da CIA foi incomodado por causa desta morte.»
De O tempo das cerejas
«Os pais das crianças norte-americanas que participaram no polémico e ainda não estreado reality show Kid Nation, da cadeia de televisão CBS, assinaram contratos em que concordaram que os seus filhos deviam obedecer a tudo o que a produção do programa lhes dissesse durante as gravações, sob pena de expulsão, e que atribuem à CBS os direitos sobre as histórias dos 40 miúdos "de forma perpétua e em todo o universo".
O conteúdo do contrato estabelecido com os pais das crianças com idades entre os 8 e os 15 anos, que durante 40 dias habitaram uma cidade fantasma no Novo México para criarem uma sociedade sem adultos (apenas com elementos da produção presentes), foi revelado quinta-feira pelo New York Times. As crianças estão, ao contrário do que dizia a CBS, sujeitas a expulsão e foram tratadas como se de adultos se tratassem.
No contrato de 22 páginas, a CBS protege-se legalmente das limitações ao trabalho infantil, estipulando que as crianças podem ser pagas pela sua participação, mas que tal não constitui um ordenado. São também utilizadas fórmulas legais já comuns na reality-tv em que os participantes (e, neste caso, os seus pais) assumem a responsabilidade por quaisquer danos ocorridos durante as gravações, desde ferimentos a acidentes devidos a más condições de alojamento, parca assistência médica, até à morte.
Também se lê no documento que pais e menores assumem total responsabilidade por quaisquer doenças psicológicas ou físicas contraídas durante o programa, especificando mesmo que tal abrange "doenças sexualmente transmissíveis, HIV e gravidez".»
Público, hoje
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