PS: 39% (- 2% do que em Outubro de 2007) PSD: 32% (-3%) CDU: 9% (=) BE: 8% (+4%) CDS: 3% (-3%)
Eleitorado cada vez mais descontente, vira ligeiramente à esquerda. 52% considera má a actuação do governo nas políticas sociais (29% considera mesmo muito má e apenas 12% dá nota de bom).
Sondagem da Universidade Católica para o JN/Antena 1/RTP)
Desde o começo das "conversações de paz" morreram cinco israelitas vítimas de ataques palestinianos. No mesmo período, em reacção (quem reage a quem?), foram mortos por Israel 200 palestinianos. A contabilidade macabra é esclarecedora. Mas uns são terroristas e outros não. Uns são bárbaros, outros civilizados. Não pesará a consciência a Olmert: quatro crianças e um bébé são menos cinco futuros terroristas. Não é?
Estive retirado um dia na ilha que é um jardim. Fui a um julgamento onde eu sou arguido e o assistente é quem vocês imaginam. Quando este processo acabar quero contar-vos quais limites que o queixoso pensa que devem ser impostos à livre expressão da opinião. À dos outros, claro.
Ouvimos esta semana, na SIC, um superdirector-geral. Casos, esclarecimentos de pormenor, habilidades contabilísticas. Zero de política. Desde o dia em que chegou à liderança do PS que José Sócrates é incapaz de explicar para onde nos quer levar. Ele faz as reformas porque são 'necessárias'. É 'moderno' porque repete a última novidade, não porque nos antecipe coisa alguma. É 'firme' como quem faz "jogging": fica bem. Tudo verniz. Sócrates é isto: um gestor sem currículo, um homem com ambição mas sem projecto.
Nada do que vemos nele é relevante. É um tecnocrata sem dominar tecnicamente nada, é um político profissional sem descortinarmos uma ideia nos seus discursos redondos. Primeiro era rigoroso. Bastou um passeio pelo seu passado profissional para percebermos que é um trapalhão. Depois era firme. Basta aproximarem-se as eleições para vermos como a firmeza se desfaz. Agora será dialogante até isso deixar de funcionar. Só que nada disto tem o brilho táctico e lúdico que conhecemos, por exemplo, a um Mário Soares. Tudo baço, desinteressante e previsível. Porque tudo é feito em nome de nada, a não ser de uma vaga ideia de modernidade que nem ele sabe explicar o que quer dizer. Até os seus pecados do passado são entediantes, sem um propósito que não seja o de fazer pela vida.
Homens como Sócrates não têm um destino. Têm uma carreira. Serem eles a fazer as reformas que mudarão as nossas vidas é muito mais perigoso do que parece. Porque contra os burocratas da política não há argumentos. Eles vão com a onda. É da sua natureza.
Quem fica meio século no poder acredita que a realidade lhe obedece. Fidel Castro abandonou a presidência do Conselho de Estado mas vai monitorizar a sua sucessão. Não apenas a transição da liderança, mas a transição política e económica. Fidel acredita que pode sobreviver a si próprio. Só que o contexto joga contra ele. Pode acontecer muita coisa em Cuba. O início de uma reforma económica com a manutenção do "stato quo" político, como aconteceu na China, aliviando a pressão económica em que a ilha vive mas mantendo a retórica socialista. Não será fácil, tendo em conta o elevado nível cultural e político dos cubanos. Outra: o desmoronamento, lento e controlado ou rápido e caótico, do regime. E lá estarão os cubanos exilados nos EUA, com capital financeiro e de ressentimento, prontos para a vingança.
Os cubanos têm muito a ganhar: um nível de vida condizente com a sua formação e preparação, liberdade e democracia. E têm muito a perder: condições sociais e culturais inimagináveis para a maioria dos seus vizinhos latino-americanos. Mas basta falar com jovens cubanos para perceber que, se depender deles, nada ficará como está.
Em Cuba espera-se a morte de Fidel com ansiedade. Só aí começará o futuro. Para pior ou para melhor, ninguém sabe. Quando começar, todas as previsões são arriscadas. Cuba não é um continente imperial, como a China, culturalmente distante de qualquer ideia de democracia. Cuba não é o bloco de Leste, na órbita de uma potência que a domine. Cuba sem Fidel é uma incógnita. A panela de pressão vai começar a assobiar.
Quem eu gostei de ouvir ontem no Prós e Contras? Arsélio Martins e o senhor que estava ao lado da ministra, que não fixei o nome. Quem eu detestei ouvir, para minha infelicidade, depois de ter destacado o seu blogue aqui? O representante do Movimento Professores Revoltados. Os primeiros falaram de alunos e de escola. O segundo fez demagogia com os alunos e com a escola, no discurso mais reaccionário sobre educação que ouvi nos últimos tempos. A luta que eu quero é combativa, imaginativa e generosa quando fala dos direitos dos trabalhadores mas não se esquece de o ser quando fala do seu trabalho.
Esta é a fotografia (Obama numa visita ao Quénia) que a campanha de Clinton anda a fazer circular, tentando fazer recordar as origens muçulmanas do candidato. Campanha de Clinton desmente. Haverá seguramente desenvolvimentos.
O exercício que vem depois é trivial: escolhem-se todas as posições em que se discorda de Obama para mostrar que entre Obama e o que temos a diferença não existe. Escolhe-se o Afeganistão para se esquecer o Iraque. Escolhe-se o voto de Obama quanto ao financiamento da guerra para esquecer a sua permanente oposição à guerra, quando entre democratas e republicanos se ouviam os urros de combate. Descobre-se que o Obama é contra um serviço de saúde universal esquecendo-se o ponto em que está o debate nos EUA e o salto político que esta campanha já significou nessa matéria. A conclusão quase inevitável do pequeno artigo está no título: «Barack Obama: Continuidade política debaixo de uma retórica de “mudança”». Ou seja, entre Obama e Bush a diferença é quase nula. No fundamental, vai tudo dar ao mesmo.
De facto, se não contar com as circunstâncias encontro sempre uma razão para não estar em lado algum. Nos EUA, em Portugal ou em qualquer ponto do planeta. Não defendo o voto útil. Mas sei que é inútil ficar de fora quando não há mais lado nenhum para ir. E nos EUA não há. Quando houve, quando Ralph Nader conseguiu a força política que depois desbaratou, foi por ele que estive. Até dei dinheiro ao gajo! Só que o desespero e frustração são hoje muito maiores e Nader não chega para tanto. Esse voto está a ir para Obama mesmo que Obama queira outra coisa. Claro que se alguém espera que os americanos votem num candidato que queira reduzir o poder dos EUA no Mundo está olhar para o povo e para o país errado. Isso caberá a outros povos, a outros eleitores de outros países.
As escolhas, por serem escolhas, são sempre um mal menor nas circunstâncias em que se fazem. Não se apoia o mal menor quando ele significa um recuo ou uma desistência. Quando isso significa baixar a fasquia quando ela pode ficar onde está ou até subir um pouco. É por isso que não acho que Sócrates seja uma alternativa ao que tivemos com Durão Barroso. De facto, por mais que nos esforcemos, será difícil encontrar alguma diferença programática. Mas pode dizer-se o mesmo em relação a Obama quando comparado com Bush? Querer que Obama vença é baixar a fasquia da exigência? É baixar a fasquia em relação a Bush filho? Em relação a Bill Clinton? Em relação a Bush pai? Em relação a Carter? Em relação a Reagan? Dizer que Obama é a continuidade do que temos é fazer uma grave confissão: tudo o que se disse sobre George W. Bush não era mais do que propaganda. Ele afinal não era pior do que os outros.
O jovem blogger Matthew Yglesias faz este exercício irónico, comparando a candidatura de Obama à de McCain (paralelos com Bush só mesmo o "Mudar de Vida" se atreve): «Afinal de contas não há um milésimo de diferença entre um candidato que promete cortes de impostos, passar os riscos de saúde para os indivíduos, uma revigoração da campanha bushista para dominar o Mundo através da força militar, uma abordagem pró-indústria aos temas ambientais e, do outro lado, um rival que promete uma socialização substancial dos riscos de saúde, uma diminuição em 80% nas emissões de dióxido de carbono e o fim da Guerra do Iraque (e do quadro de pensamento que levou a essa guerra!), ensino pré-escolar universal, etc. Claro, há também aquelas nomeações judiais - aborto, direitos gay, etc - e algumas miudezas sobre se a Agência Nacional de Segurança pode ou não ter poderes de espionagem irrestritos. Mas basicamente não passam dos mesmos dois clones das grandes empresas concorrendo com programas virtualmente idênticos.»
Ver o copo meio vazio ou meio cheio são duas opções possíveis e nenhuma delas condenável. No "Mudar de Vida" dão algumas boas razões para ser cuidadoso em relação a Obama. Não ignoro nenhuma delas. Mas ao não reconhecer nenhuma mudança no debate, nenhuma evolução no confronto político nos EUA e nenhuma diferença substancial nos programas (com omissões escandalosas), não se está apenas a ver o copo meio vazio: está-se a jurar, como se tornou hábito em alguma esquerda, que o copo nunca vai encher. Nem uma gota. Até um dia longínquo que ninguém consegue imaginar, está sempre tudo na mesma e na mesma tudo ficará.
E o que mais me perturba é o tratamento que é dado à "esperança": nada mais do que uma palavra agradável aos ouvidos. Nesta campanha "esperança" não é apenas uma palavra. Ela pode ser fundada ou infundada, mas é absolutamente real. Palpável, mesmo. Entre muitos americanos esta esperança é a maior que sentiram nas suas vidas políticas. E é de uma enorme cegueira passar sobre este facto com tanta ligeireza. É verdade que as coisas não mudam só porque as pessoas acreditam que vão mudar. Mas se as pessoas nunca acreditarem elas nunca mudarão. O primeiro passo para que exijam mudanças é terem esperança. Mesmo que os protagonistas lhes prometam mais do que vão dar. Neste ponto, há pouca diferença entre os deprimidos crónicos da esquerda e um Vasco Pulido Valente: ambos acham que está sempre tudo na mesma e nada de novo está realmente a acontecer.
Se de cada vez que uma coisa muda a única coisa que tivermos para dizer às pessoas é que tudo acabará inevitavelmente na mesma e que só quando tudo for como queremos é que alguma coisa de relevante está a acontecer não estaremos a dar razões de luta às pessoas. Estaremos a dar-lhes razões de desistência. E este é o pecado da esquerda: esqueceu-se do enorme poder político da esperança. Porquê? Porque ela própria a perdeu. O outro pecado é mais grave e incomoda-me mais: há alguma esquerda que não acredita no poder transformador do voto. Mas esse é outro debate. Limito-me, quanto a isto, a ser cauteloso: nunca lhes dou o meu. Temo que não mo devolvam ou que o tratem como se não fosse importante.
No Country for Old Men, dos irmãos Coen, recebeu os oscares para melhor realizador e melhor filme. Eu já vi. E posso dizer que é mais do que merecido. O bom cinema americano voltou há uns anos. Espera-se que para ficar.
Interrompo esta semana o passeio pelos blogues regionais para dar nota de um fenómeno: o blogue do Movimento Professores Revoltados. Este é um dos blogues onde têm nascido algumas das manifestações que depois passam de telemóvel em telemóvel e juntam milhares de professores em vários pontos do país. Este tipo de movimento já tinha acontecido com a nomeação de Santana Lopes como primeiro-ministro. Mais ou menos anárquico, mais ou menos espontâneo. Mais distante das formas de luta formatadas de partidos e sindicatos. Às vezes cometem-se mais erros e segue-se sem norte. Arriscado. Mas o que se ganha em liberdade e independência, o que se ganha em espontaneidade e sinceridade, compensa. O blogue Movimento Professores Revoltados é o blogue da semana. Até porque com o desprezo com que os “professorzecos” têm sido tratados, têm toda a razão para a sua revolta.
Não sabemos se Obama fará o que promete e estará à altura das expectativas. Mas talvez Sócrates deva perceber duas diferenças: 1. Quando ele diz “Yes we Can”, quer dizer que é possível contrariar o que parece inevitável. O que Sócrates nos diz todos os dias é exactamente o contrário: ele não passa de um gestor do que pensa ser inevitável. 2. Sócrates é um burocrata de partido que chegou a primeiro-ministro porque todas as alternativas pareciam piores. Obama é um homem que está a vencer o establishment do seu partido e pode ganhar quando nunca houve tão bons candidatos. Obama é um candidato que mobiliza os eleitores. Sócrates foi o que restou no meio de tanta frustração. E sobreviverá enquanto a alternativa parecer pior.
Na sua fase final, o comunismo descobriu os encantos da família. Depois da Coreia é a vez de Cuba. Os castristas podem continuar castristas, os anti-castristas podem continuar anti-castristas. A revolução cubana está na família há cinquenta anos. E a propriedade é sagrada.
A quem teve a sorte de ver a sétima série de "The West Wing" ("Os Homens do Presidente", pela qual sou fanático incondicional), não terá escapado a semelhança entre o candidato democrata latino que acaba por ganhar, contra todas as previsões iniciais, Matthew Santos (Jimmy Smits) e Barack Obama. Pois a semelhança não era uma coincidência. Os autores da série reconheceram agora que se inspiraram, ainda em 2004, num jovem candidato a senador: o próprio Obama. Premonição. Outra semelhança que não deve, também ela, ter sido coincidência: a do candidato republicano, Arnold Vinick (Alan Alda), um velho moderado, com John McCain. Mais uma vez, a ficção antecipa-se à realidade. Tem uma vantagem: é menos conservadora do que conseguimos prever.
Fica aqui parte do debate ente Santos e Vinick, num episódio que é todo ele o próprio debate, em que os candidatos decidem não cumprir as regras que empobrecem a discussão política. Esperemos que, quando chegar a altura, Obama esteja tão bem como Santos e o confronto seja semelhante a isto e não um amontoados de sound bites com alguns segundos.
Uma péssima notícia para a cidade de Lisboa e para os muitos pequenos fornecedores da Câmara. O preço da passagem de Santana Lopes e Carmona Rodrigues pela Câmara de Lisboa será muito alto. Mas também não deixa de ser irónico que seja a lei das Finanças Locais, de que Costa é um dos autores, a impedi-lo de dirigir a autarquia. Esperemos que PSD e Carmona tenham a decência de assumir as suas responsabilidades.
O Arrastão é como Illinois. Aqui, entre Obama e Clinton, Obama leva 73% dos votos. Hillary ficou-se pelos 27%. 306 para um, 112 para outra.
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No próximo inquérito vamos para outras paragens: Cuba. Ao fim de quase cinquenta anos no poder, Fidel Castro abandonou a Presidência do Conselho de Estado de Cuba. O que se pede aqui é um exercício, sempre arriscado, de futurologia. No futuro mais ou menos próximo, sem a figura de Fidel Castro, o que acontecerá ao regime cubano?
Cinco hipóteses que espero que incluam quase tudo: O regime cubano tem apoio popular e resistirá; Haverá um processo de democratização e de reformas económicas dentro do regime; Repete-se a experiência chinesa: reformas económicas sem abertura política; O regime cairá e Cuba voltará para a órbita do EUA, com o regresso dos cubanos de Miami; O regime cairá e a democracia garantirá a Independência Nacional.