Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
Este mês já não há tiroteios nos bairros sociais?
Há um mês não havia assaltos em Portugal?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



O meu amigo João Teixeira Lopes levanta, no Esquerda.net, o problema da relação da esquerda com a segurança. Ou seja, o da sua insegurança perante o tema. A insegurança é verdadeira mas para o afirmar de forma tão taxativa teremos de ser um pouco mais rigorosos. Na realidade, a esquerda não tem dificuldade nenhuma em falar de segurança. Nem de segurança no sentido mais lato (na velhice, na doença, no trabalho, etc.), nem no sentido mais restrito (criminalidade). A esquerda fala sem qualquer problema da criminalidade fiscal, da criminalidade de colarinho branco, da violência doméstica, da violência no desporto, do crime rodoviário, etc. Aliás, de grande parte do tipo de crimes que deixam a direita muito insegura, coisa que, curiosamente, raramente lhe é apontada. A esquerda tem, sim, dificuldade em falar da criminalidade de rua: assaltos ou roubos. A que é associada a fenómenos de marginalidade social, económica ou apenas cultural. E que é, muitas vezes erradamente, relacionada com a pobreza.

Se aceitarmos este ponto podemos passar para o seguinte: perceber de onde vem este desconforto.

Antes de mais, porque a esquerda associa a criminalidade comum à exclusão e a exclusão à desigualdade social. E a esquerda tem dificuldade em aceitar que o Estado lide com os fenómenos que ela associa à desigualdade usando preferencialmente meios repressivos.

E aqui, de facto, teremos de fazer uma reflexão um pouco menos simplista. Se é verdade que há um tipo de criminalidade que está ligada à crises sociais e económicas, não é menos verdade que em momentos de crescimento e abundância assistimos a um tipo de criminalidade habitual nas sociedades de consumo: não para conseguir o mínimo mas para aceder a bens que estão longe de ser de primeira necessidade.

Depois, por causa da sua tradição anti-autoritária (e aqui estamos a falar apenas de uma parte da esquerda, aquela que, diga-se em abono da verdade, tem dificuldades neste tema), a esquerda libertária desconfia do Estado. E desconfia ainda mais da polícia. As motivações da cautela são, na minha opinião, as melhores. É o melhor e não o pior da sua história que a condiciona. Só que tem de haver um limite. A polícia, sendo considerada, nas perspectivas revolucionárias mais radicais, como representante da "classe dominante", do "sistema vigente" ou coisas deste género, é, seguramente, uma conquista das sociedades democráticas. A centralização das funções de segurança no Estado, dando a ele o monopólio da violência, é uma garantia de controlo democrático. A alternativa, a partir de um determinado alarme social, é a privatização da segurança. Seja por empresas (já transmitiram o seu interesse nesta oportunidade de negócio), seja por milícias populares sem regras nem lei.

Por fim, a esquerda enumera, quando fala de segurança, algumas das causas da criminalidade: o urbanismo socialmente estratificado (que explica grande parte do que aconteceu na Quinta da Fonte), a exclusão social, as sociedades de consumo que valorizam a propriedade acima de todas as outras coisas, etc. Faz bem em fazê-lo e nem toda a pressão e histeria a deve inibir de continuar a repetir estas evidências. Uma verdade, por ser impopular, não passa a ser mentira. Só que quando se esgota esta discussão mais estrutural, ficam apenas as questões de curto prazo. E aí, a esquerda nada tem a dizer de diferente da direita. E é isso mesmo que se nota no texto do João. Depois de defender tudo aquilo que a esquerda defende, diz que se tem de dizer mais. Mas não diz. Porque não sabe o que há de dizer.

O que tem a dizer é simples: a polícia tem de ser eficaz e tem de ter meios para garantir a segurança dos cidadãos. Até porque a insegurança não afecta todos de igual forma. Os excluídos são os mais frágeis perante o caos. Nota-se alguma diferença em relação ao que a direita tem para dizer? Não. Há uma nuance: a esquerda, mesmo quando diz isto, continua a valorizar os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos perante as funções repressivas do Estado. E aqui é que a porca torce o rabo. Se a esquerda escolhe os momentos de alarme social e de histeria mediática (fundada ou infundada, é indiferente) para fazer este debate nunca consegue passar mensagem nenhuma. Ou entra na espiral ou ninguém a ouve. Se o João disser que a polícia tem de ser eficaz (uma lapalissada) mas que é inaceitável que, no meio da histeria generalizada, se resolva mudar a lei para aplicar a pena de prisão preventiva (que deve ser excepcional) a todos os crimes que envolvam arma (uma norma geral muito pouco ponderada), o que ficará no ouvido é apenas a segunda parte. Ou então diz só a primeira e não está a dizer nada. Ou então diz mais para se fazer ouvir. Pode dizer uma coisa como esta, por exemplo:




Compreendo a ansiedade do João. A esquerda fica ansiosa nestes momentos. Não porque desconheça que existe criminalidade. Não, como é evidente, porque esteja do lado dos criminosos. Não porque acredite na infinita bondade humana e no "bom selvagem". Nem sequer porque nada de diferente tenha a dizer sobre o tema do que diz a direita. Apenas porque o que tem a dizer de diferente (e, por isso, será aí se centrará a polémica) não passa nestes momentos. Para ser ouvida terá de acompanhar a histeria e aumentar a parada.

Estes são os piores momentos para discutir a segurança. E o tema só é perigoso porque envolve medo. E o medo é sempre o pior conselheiro num debate político. É o tempo da propaganda. E, neste caso, de uma propaganda que nos leva para caminhos que podem ser bastante assustadores.

Resumindo: o João está ansioso e eu também. Fora isso, chegado ao fim do texto do João, não encontro respostas. Só o desabafo da ansiedade. Porque há momentos maus para defender boas razões, mesmo as mais equilibradas. Temos de viver com isso.

Vídeo roubado ao Pedro Sales

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Para além da pertinência deste artigo sobre o Bloco de Esquerda, de quatro páginas inteiras, publicado no "Avante!", vale a pena analisar o seu conteúdo. Não por o que lá está escrito, já que se trata de qualquer coisa que só pode ser classificada bem abaixo da mais triste indigência teórica (se é que se pode sequer falar de tanto), mas pelos termos usados, sempre a fugir para chinela. Ele diz muito do estado lamentavel em que está a reflexão política e ideológica no PCP. Nem uma tese, a contestação de uma ideia, a reflexão sobre um espaço político. Nada, a não ser umas citações sortidas e uns insultos escolhidos ao acalhas. E para isto, quatro páginas inteiras. O artigo não quer convencer ninguém de nada. Basta lê-lo para o perceber. Quer apenas fazer o costume: erguer um muro mais alto contra a contaminação para tornar mais segura a fortaleza.

O título também é interessante: "Bloco de Esquerda - Um neo-reformismo de fachada socialista". Ao parafrasear o título de um livro com quase quarenta anos, escrito por Álvaro Cunhal na ressaca do Maio de 68, para definir um espaço político em 2008, o PCP demonstra que não percebeu nada do que tem acontecido pelo mundo nas últimas décadas e o que mudou desde 1971 e, sobretudo, depois da "grave derrota sofrida pelo socialismo a nível mundial, após a restauração do capitalismo na Europa de Leste e na ex-URSS"". Com uma agravante: a cópia é uma desgraça quando comparada com o original. Quem assina este artigo, o ultra-ortodoxo José Manuel Jara, é autor de obras significativas para o debate político à esquerda como "A farsa dos pseudo-radicais em Portugal".

Vindo a despropósito e não acrescentando nada ao vazio do artigo, tenho a honra de ser referido: "Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa." Desagradável para o camarada Ruben de Carvalho, que costuma escrever na página ao lado, ocupando assim também o "seu posto na imprensa burguesa".

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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
Só agora noto que já é público que eu ando a guardar isto para mim há semanas. Saiu no JN. O Pedro Marques Lopes vai passar a fazer-me companhia no "Eixo do Mal", passando o programa a ter um digno representante do imperialismo yankee. Um gajo de direita que, para além de ser um grande amigo, gosta, como eu, de discutir. Mas não, não fui eu que o escolhi. Quem o escolheu conhecia-o da escrita e da rádio. Por mim, fiquei agradavelmente surpreendido. Para o José Júdice, que abandonou o plantel, já seguiu um grande abraço. Vou ter saudades.

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O João Teixeira Lopes escreve que

Na verdade não dicordo do que o João diz. Mas também não sei bem que conclusão quer ele tirar daí.

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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira


No Expresso desta semana, no único espaço onde podemos confirmar que Manuela Ferreira Leite existe (a sua coluna de opinião), a líder do PSD faz uma crítica a José Sócrates: que ele tem estado calado sobre as questões de segurança. Diz, no título, que se trata de um "silêncio alarmante". Ferreira Leite está preocupada com o silêncio do primeiro-ministro sobre um assunto. É indiscutível que a líder do PSD é mais consequente: está calada sobre todos os assuntos.

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por Daniel Oliveira
Que se saiba, só este ano morreram 31 mulheres às mãos dos seus companheiros. É provavelmente o homício mais comum em Portugal. Está o país mobilizado para o combater? Abre noticiários? O CDS faz conferências de imprensa e propostas?

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Dennis Kucinich na Convenção Democrata


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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
Na coluna da direita já lá está o link para os artigos dos Expresso desta semana.

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por Daniel Oliveira
Neste post fiz, a propósito do caso da juíza com doença bipolar, várias perguntas. Dois portadores da doença deixaram comentários. Um deles, o de Miguel Pinto, por ser especialmente esclarecedor e pedagógico, deve ser destacado. Aqui fica, na integra, com os devidos agradecimentos:

"Como doente bipolar penso poder responder a algumas perguntas. Em primeiro lugar a doença bipolar é uma designação ultrapassada. Agora fala-se do expectro bipolar, pois existem vários tipos de doença bipolar e cada um dele com intensidades diversas.

Em segundo lugar, eu não falaria de alternância entre estados eufóricos e depressivos (devido à possibilidade de más interpretações). Escolho a expressão “destabilização de humor”.

Para quem invocou o Lítio, posso dizer que existem no mercado uma gama variada de estabilizadores de humor, como por exemplo o valproato de sódio (que controla o pólo da mania ou euforia, porventura o mais problemático seja na sua manifestação positiva ou negativa).

Bom, eu sei que sou bipolar e sei que tenho de tomar medicação para ter os “humores controlados”. Percebi também, como medida preventiva, que seria ideal a procura de mecanismos paralelos de relaxamento. Comecei a fazer meditação.

A linha de fundo é que nunca fui tão ponderado, nem tão centrado como desde que sei ser um doente bipolar. Colaborei. Desde que percebi os mecanismos da doença as crises não chegam a concretizar-se porque reconheço o seu começo e posso combatê-las. Posso aborrecer-me às vezes ou ficar triste, mas quem não o faz?

Profissionalmente sou conhecido pela minha objectividade e pela minha capacidade de análise, penso que mais desenvolvida devido a esta nova necessidade de estar centrado. Por isso:

- A avaliação que uma pessoa bipolar vai fazendo do seu próprio estado de saúde é muito boa.
- Um doente bipolar não necessita de interrupções de trabalho, a partir do momento em que aceita a doença e cumpre a medicação.
- Ser bipolar não impede o juízo e/ou a objectividade de ninguém, a partir do momento que é um estado conhecido do paciente e que este sabe quais os métodos de controle do mesmo.
- O stress permanente é um problema para qualquer pessoa. Confesso que hoje me deixo stressar menos porque sei que não posso fazê-lo. É como não gastar o dinheiro que não se tem.
- Quando é o próprio que se reconhece incapaz de cumprir as suas funções, não sei se isso será suficiente para cessar as funções. Há que provar se é um juízo altruísta (por auto-vitimização ou por desconhecimento de si enquanto pessoa bipolar com o distúrbio controlado) ou um juízo utilitário de quem quer ir para a reforma."

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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
4 de Julho de 2008: Águas de Portugal deu prémios de 2,3 milhões apesar de prejuízos
25 de Agosto de 2008: Preço da água vai subir para pagar investimentos

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por Daniel Oliveira



Entre o "jet set" internacional que desagua nas nossas praias já se fala de um tipo que jura que é ministro e que apanha vedetas desprevenidas para as obrigar a posar com ele para fotógrafos. Basta ver um notável e não se contém. Atira-se para piscinas, persegue actrizes em minas de sal e convida-as para jantar. Os hotéis de luxo já foram avisados: não deixem entrar o emplastro.

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Domingo, 24 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
No Expresso lemos a história de uma juíza mediática que sofre de doença bipolar. A própria, tenho consciência do seu estado de saúde, tentou afastar-se. Conta que num julgamento por negligência médica de que resultou a morte de uma criança se apercebeu do seu estado. Que odiava os arguidos e que não se conseguia concentrar. Acabou por pedir escusa e foi substituída. Os arguidos foram absolvidos pelo seu substituto e a juíza não tem dúvidas de que, consigo, independentemente de tudo, teriam sido com toda a certeza condenados. Por causa do seu estado. E por isso diz: "não posso arriscar voltar fazer outro julgamento". Quer reformar-se.

Perante esta atitude de cautela da juíza, apoiada pelo Conselho Superior da Magistratura, a Junta Médica da Caixa Geral de Aposentações confirmou o diagnóstico: a juíza tem de facto doença bipolar. Mas não a reformou. Considera que ela pode continuar a julgar. Como a doença se caracteriza pela alternância entre o estado depressivo e não-depressivo, a juíza pode trabalhar quando estiver bem e meter baixa quando se sentir deprimida.

Não sendo nem magistrado nem médico, ficam perguntas a quem aqui me poder responder:

- A liberdade ou o destino de várias pessoas podem estar dependentes da avaliação que uma pessoa com doença bipolar vá fazendo do seu próprio estado de saúde?
- Compadece-se a actividade de magistrado com interrupções frequentes de funções, com repercussões graves nos processos?
- Sendo claro que pessoas com doença bipolar podem trabalhar, a doença é ou não incapacitante na desenpenho da actividade de um juiz?
- Implicando situações de stress permanente (pelo menos para quem leve a profissão a sério) que devem ser evitadas pela doente, é ou não pior para o seu estado de saúde manter este tipo de actividade?
- Tendo em conta que é a próprio a reconhecer-se incapaz de cumprir as suas funções, não manda a cautela permitir a cessação de funções?

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por Daniel Oliveira
Não perder o dossier do Esquerda sobre a Primavera de Praga, onde se incluem alguns doumentos sobre a consternação de comunistas portugueses que viviam em Praga perante a posição de apoio do PCP à ocupação soviética de um país aliado.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"Todos os anos, a «newsletter» de Julho inclui uma nota sobre o calor e o traje. Recorda ela, basicamente, que as altas temperaturas não anulam o «dress code» do Clube, embora algumas atenuantes sejam concedidas"
Ontem, na coluna de João Carlos Espada, no Expresso

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira


Não gosto, como é notório, dos textos de Ferreira Fernandes. Mais pelo conteúdo do que pela forma. Mas quando tem de ser tem de ser. "Não gosto de uivar com os lobos e fui cúmplice", escreveu a propósito de um texto que publicara sobre Marco Fortes. Compreendo a frase. Também me irritam as alcateias ao ataque. É aliás essa a principal motivação do meu empenho nesta história dos Jogos Olímpicos. Sobretudo quando a presa está na mó de baixo e sabe pouco da caça.

Sei uma coisa, porque tenho obrigação de saber: se é difícil escrever todos os dias, é incomparavelmente mais difícil reconhecer um erro. Se em privado já não é pêra doce, imagine-se em público, para uns milhares pessoas que não conhecemos de lado nenhum. Não gosto do que Ferreira Fernandes escreve. Mas este texto foi de homem. E quando é assim tira-se o chapéu e pronto.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
Com a vitória de Nélson Évora Portugal consegue a melhor participação de sempre nos Jogos Olímpicos. Não me lembro de tamanha irritação das outras vezes. O que se passa para as nossas crises maníaco-depressivas estarem cada vez mais violentas?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"(...)e depois o rancor, vertido agora para cima dos atletas olímpicos, vindo dos milhares de iluminados que como se sabe escrevem nos melhores jornais do mundo, participam nos melhores fóruns do mundo, escrevem dislates nas caixas de comentários dos melhores periódicos online do mundo, fazem posts nos melhores blogues do mundo que, em podendo, ensacavam medalhas atrás de medalhas até vir a mulher da fava rica, e depois há os que trabalham nas melhores empresas do mundo onde campeiam os melhores empresários do mundo, triunfadores que se amontoam em castelinhos de seriedade e dedito acusador, agora é a vez dos judocas, nadadores e saltadores, sobretudo os que fazem graçolas, noutras ocasiões é rancor contra os alienados que vão para a praia, contra a silly season como se o resto do ano à portuguesa fosse ao nível dos melhores do mundo, contra as férias pagas que isto é um país de encostados à sombra da bananeira, contra os políticos que querem é roubar, contra os ciganos que são preguiçosos e ladrões e não gostam dos filhos, contra os pretos que atiram sobre os ciganos [valha-nos isso], contra o governo e as oposições, contra os brasileiros que gostam mais do bes do que farofa (...)"

Ler tudo de um só fôlego no Irmão Lúcia

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Aqui fica de novo uma reportagem que escrevi há exactamente dez anos (A República Checa mudou muito desde então), para a revista "Vida Mundial", sobre a Primavera de Praga (cidade onde vivi em meados dos anos 90). O título da reportagem, na capa da revista, foi "O buraco negro da memória". Como prometi, já transcrita e ficam as minhas desculpas por alguma gralha que resulte deste processo um pouco anorrecido. Depois da entrada, basta clicar no link para continuar a ler.

SÓ SE PERDE UMA VEZ

Em Janeiro de 1968, Dubcek subiu ao poder na Checoslováquia. Os oito meses que durou a chamada Primavera de Praga foram uma das últimas esperanças de renovação do socialismo. Com a chegada dos tanques soviéticos, essas esperanças morreram e morreu também o mais comunista dos países do Leste europeu. Mas foi o próprio povo checo que aceitou pagar o preço do mais alto nível de vida para lá da cortina de ferro. Agora, Praga já nem olha para trás, porque a história não se lembra dos que perderam.



STEPAN recebeu uma chamada às 6.30 do tio a dizer-lhe que estavam a ser ocupados. «Ocupados por quem? Pela NATO? Pela Alemanha?», perguntou. O tio disse que era pelos soviéticos. O jovem Stepan duvidou. Stepan tinha 26 anos, acabara o curso havia pouco tempo e fizera depois a tropa. Era funcionário na estação central. Pouco tempo depois de Stepan entrar na estação chegou um comboio com vagões blindados, com os soldados russos. Mandaram fechar a estação. No seu gabinete, que ficava numa parte alta do edifício, o ferroviário viu soldados cercarem o edifício da Rádio Nacional. Ouviu tiros e afastou-se da janela. Poucos minutos depois, a rádio foi tomada. Ouviu-se pela última vez o locutor checo, «isto é o fim da Checoslováquia», seguindo-se o hino nacional.

Nas ruas, tinha começado a resistência passiva. Os jovens foram os mais combativos. Sobretudo através dos grafitti, que rapidamente encheram a cidade: «A União Soviética é o nosso modelo. Vamos invadir Moscovo»; «Até o Hitler veio de dia». «Qual é a nação mais neutral do mundo? A Checoslováquia, porque nem nos seus assuntos internos pode interferir». «Qual é o país mais seguro do mundo? Israel, porque está cercado de inimigos»; «Com irmãos como tu, vamos pedir à mãe Rússia para praticar contracepção»; «Ivan! Quantas vezes nos vais libertar?»; «Acorda, Lenine! Brejnev enlouqueceu!».

Stepan voltou para casa. Quando chegou à Praça de São Venceslau, uma alameda inclinada, agora cercada de hotéis e lojas, encontrou uma grande confusão. Havia tanques a arder e tiros. Correu o mais que pôde até conseguir atravessar a praça. Meteu-se por várias ruas estreitas e por passajes – o centro de Praga é como um queijo suíço, onde cada porta mais insuspeita dá para um labirinto de ruas, túneis e galerias. O ideal para a fuga. Chegou perto do rio, e ali também havia vários tanques. Mas a situação era diferente: os soldados russos estavam perdidos, perguntavam o caminho às pessoas, e elas davam-lhes informações erradas. Tinham tapado os nomes das ruas e as setas estavam trocadas. Havia uma que dizia Smicov e estava virada para o lado oposto. A mulher de Stepan, Vanacova, lembra-se de ver uma tabuleta à entrada de uma aldeia que dizia: Pequim. Vancova até teve pena dos russos, rapazes muito novos. Dormiam debaixo das pontes ao frio, bebiam água nos capacetes que tiravam do rio Vltava, andavam perdidos pela cidade.

No outro extremo do país, Eduard Goldstuken recompunha-se do encontro que tivera com a população de uma pequena cidade eslovaca. O professor, judeu e presidente da União de Escritores, era a cara dos intelectuais comunistas que pressionavam o regime para acelerar o processo de democratização. Foi uma das primeiras nomeações de Dubcek, duas semanas depois de ser eleito, e a sua aparição na televisão foi sinal de mudança.

Eduard Golstuken tinha tirado umas semanas para descansar, mas, na região, foi solicitada a sua presença em várias reuniões. Voltou tarde e dormiu até ao fim da manhã. Só então ouviu a rádio. Soube que a sua cidade estava tomada pelos russos. Significava que a sua vida iria mudar para sempre. Pela terceira vez era procurado. Depois dos nazis e dos estalinistas de Guttwald, Goldstuken não precisou de pensar muito para saber que não seria bem-vindo em Praga. Amigos eslovacos do partido esconderam-no num pequeno quarto.

Goldstuken ficou ainda durante doze dias escondido e depois avisaram-no de que era procurado. Há muito que tinha uma entrevista marcada na televisão austríaca, por isso possuía o visto necessário para passar a fronteira. Foi o que fez. A mulher foi ter com ele e começaram o período de um longo exílio. Ainda voltou duas vezes a Praga para participar em sessões do Parlamento, no qual era deputado. Depois o regime tirou-lhe o lugar. Foi para Inglaterra dar aulas de literatura comparada. Só trinta anos depois o autorizaram a regressar ao país.

Stepan voltou à sua vida, à estação. Em 72 teve a sua primeira e única filha, Stepanka. Ela cresceu sem se interessar pelo comunismo, fez o curso de Biologia e tornou-se investigadora. Em Novembro de 1989 estreou-se na actividade politica.

A Revolução de Veludo

Cai chuva miudinha na rua mal iluminada. Vamos ao laboratório de Stepanka. Passamos em Albertov, o mesmo lugar onde, a 17 de Novembro de 1989, se juntavam jovens de toda cidade para uma manifestação marcada por um grupo de estudantes críticos. Assinalava-se, mais uma vez, o assassínio vários estudantes pelo exército nazi, naquele que se tornou, em quase todos países de Leste, o Dia do Estudante. Mas todos sabiam que a manifestação tinha outro intuito.

A filha de Stepan tinha só 17 anos. «Eu era uma idiota, não sabia nada de política.» O pouco que tinha aprendido ensinara-lhe o seu namorado, estudante na faculdade e activista contra regime.

Juntaram-se ali, mas, um pouco à frente, um cordão policial impedia o acesso centro. Fugiram do percurso inicial e seguiram ao lado do rio Vltava. Quando passaram em frente à casa de Vaclav Havel o namorado escolheu um bom lugar para ver a multidão de mais de 40 mil estudantes. Stepanka não pensava ainda fim do comunismo, apesar de o muro Berlim ter caído há uma semana. «Nasci no comunismo, o meu pai era comunista, nem me passava pela cabeça que havia outras possibilidades.»

Na Narodni Trida (Avenida Nacional), no coração de Praga, a polícia cercou a manifestação e carregou contra estudantes como não havia memória. Um jovem ficou gravemente ferido e espalhou-se o boato de que teria morrido. Quando a notícia chegou à rádio foi a bomba que abalou definitivamente o regime. O governo passou vários dias a tentar desmentir a falsa informação. Mas era tarde. Tudo leva a crer que o boato não foi inocente.

Depois da manifestação e da violência sobre os estudantes, Stepanka integrou, na escola, uma comissão de estudantes para fazer frente ao director, que ameaçou de expulsão todos os alunos que fossem manifestações.

Alguns dirigentes começavam a organizar o movimento que nascera espontaneamente. Juntaram-se a eles intelectuais e oposicionistas da Carta 77, que formaram o Fórum Cívico. As primeiras exigências dos estudantes eram circunstanciais, mas com novos membros do movimento foram-se politizando. A greve nacional de uma hora marcada pelo Fórum Cívico foi o sinal que o movimento se generalizara.

O governo já estava demasiado debilitado para resistir e os órgãos de informação foram, pouco a pouco, dando cada vez mais notícias sobre o movimento. A manifestação do dia seguinte, no parque outrora dominado pela estátua de Estaline, teve um milhão de pessoas, numa cidade com milhão e meio de habitantes. A greve geral conseguiu uma adesão superior a 80 por cento.

O regime ainda tentou propor um novo governo, mas já era tarde. O ano de 1989, apesar das comparações da imprensa estrangeira, nada tinha que haver com o de 1968. Não se tratava de uma luta entre comunistas de diversas matizes. A queda foi negociada, sem ser preciso muito.

Mas só nas eleições, quando o Fórum Cívico conseguiu 55 por cento dos votos e os democratas cristãos 10 por cento, é que ficou claro o fim da via socialista para a Checoslováquia. Os comunistas não tiveram mais de 15 por cento. Dubcek foi nomeado presidente do Parlamento. Porque era eslovaco e não havia muito mais possibilidades, porque era ainda um símbolo para os mais velhos, mas, sobretudo, porque era um símbolo internacional. No princípio de 1990 toda a política checa estava normalizada. A política foi entregue aos políticos. Sem grande alarido.

Os novos dias de Praga

Para Stepanka, as coisas foram um pouco mais duras. O pai era militante comunista e não mudou de ideias. Foi claro quando soube das acções subversivas da adolescente: «ou paras, ou deixas de ser minha filha». Stepanka não parou. Foi viver para casa da avó.

Depois, começaram as privatizações e fizeram-se saneamentos por todo o país. Foi criada uma «Comissão dos Crimes do Comunismo» que pouca gente conseguiu levar a tribunal, por erros processuais constantes, mas que não deixou de incluir, nas suas acusações, os reformadores de 1968. Dos heróis da resistência, os de 68 e os de 77, pouco sobrou. Havel foi um dos poucos símbolos preservados. Os novos homens do regime, como Klaus, eram técnicos, economistas, liberais formados pelo comunismo, sem história de oposição, decididos a pôr a República Checa na União Europeia e a iniciar o processo de reestruturação económica. O país tornou-se um exemplo de estabilidade. Em 93, partiu-se ao meio sem qualquer discussão, referendo ou manifestação, apesar de não ser ainda claro qual seria a posição da maioria dos checos e dos eslovacos.

Longe iam os tempos do debate ideológico marxista de 68. Os temas eram outros: a pornografia, a droga, a criminalidade, as regras do mercado e o processo de privatizações. Praga, a cidade que participou com entusiasmo na tentativa de construção de um «socialismo de rosto humano», tomou-se um símbolo da construção de uma economia de mercado. Por todo o lado nasceram novos bancos, multinacionais do fast food, bares nocturnos e sex shops. Ao fim de três anos, a cidade das mil torres ficou irreconhecível. Ao centro histórico juntaram-se novos ícones, anúncios da Coca-Cola. Muitos Skodas foram substituídos por carros alemães, viram-se os primeiros engarrafamentos.

No laboratório, as notícias da rádio dão agora conta da demissão do primeiro ministro, liberal de direita, Vaclav Klaus. Só no final dos anos noventa é que os checos começaram a acordar para o reverso da medalha. Sem que lhes passe pela cabeça voltar para trás, são cada vez mais os que se sentem desconfortáveis nesta nova roupa. A queda do governo foi resultado de uma sequência de escândalos ligados ao processo de privatizações. Mas as razões são mais profundas e resultam do descontentamento social crescente e da situação desastrosa da economia. Dizem as sondagens que mais de metade da população acha que se vivia melhor no tempo do comunismo. Mas para esse tempo ninguém quer voltar. Mais governo provisório, menos governo provisório, todos sabem o que vem depois: os sociais-democratas.

Os filhos da derrota

Desde que saiu de casa, é a primeira vez em que Stepanka está a ouvir o pai falar de política. Desde 1989 que as relações são frias. Não é só a política. Nunca é só a política. Muito menos em Praga, muito menos em 1997. Mas ela diz muito sobre os dois e sobre o que os separa. A história pode ser mais dramática do que outras, mas, no fundamental, é igual a muitas na República Checa. Os jovens orgulham-se dos seus avós, comunistas do tempo da Segunda Guerra, e desprezam os seus pais, os homens do pós-68, os que desistiram.

Stepan queixa-se da anunciada privatização dos caminhos-de-ferro e diz-se comunista: «de uma certa maneira, continuo a ter as mesmas ideias, a defender, teoricamente, o mesmo. Mas não o comunismo que aqui tivemos. Não. Isso acabou». Apesar disto, votou ODS (o partido de Vaclav Klaus) nas primeiras eleições: «acreditava em que era gente competente e inteligente, já os conhecia do tempo do comunismo, achava que iriam saber governar o nosso país. Afinal, eram inteligentes, sim, mas para se governarem a si mesmos». Stepan acha que Klaus caiu porque a liberalização se fez sem regras nenhumas. Nas ospodas (cervejarias populares) fala-se de política e quase toda a gente com quem Stepan conversa diz que desta vez vai votar social democrata: “vão ganhar porque já há pouco para roubar, só sobram as forças armadas e a saúde”. Mas ele sabe que a vitória dos sociais democratas não vai travar as privatizações nem o processo de liberalização da economia. Acha que a única coisa vai mudar é que vai começar a cumprir-se a lei.

Tal como a maioria pessoas, Stepan pensa que vivia melhor no tempo de socialismo: «havia mais segurança». Mas, tal como a maioria das pessoas, ele não vai votar nos comunistas. Porque quer votar útil, dando a vitória aos sociais-democratas. À mesa do restaurante, em frente ao pai, Stepanka assiste a tudo calada. Até que ele conta o que se passou a seguir a 68.

Um ano depois, quando os russo foram embora, as tropas checas invadiram a cidade e fizeram uma demonstração força, para mostrar a Moscovo que eram capazes de dar conta do recado. Foi na mesma data da invasão, no primeiro aniversário. Nesse dia ficou claro para Stepan que já nada havia a fazer: «a partir daí começaram a aparecer os carreiristas, os inquéritos e as investigações para saber quem tinha estado em cada lado». Um dia o chefe da estação disse a Stepan e a um colega que iam ser chamados a depor numa comissão de inquérito. Queriam sabe se tinham sido contra ou a favor da invasão. Os dois jovens disseram que não eram capazes de dizer que tinham sido a favor. Ele respondeu que falaria por eles, que se responsabilizaria por eles. Tiveram medo e concordaram. E, assim, ficou no relatório que tinham apoiado a invasão. Mais uma vez aceitaram: «infelizmente tive medo e calei-me».

Pensa que a sua capitulação foi como a da maioria dos seus compatriotas: «os checos são um povo com medo, é uma característica nossa. Tiveram medo e aceiram o fim da Primavera de Praga. Da mesma maneira que depois de 89 aceitaram que fizessem tudo deste país e da sua economia. Não somos um povo muito corajoso».

Contrato de silêncio

Foi em 1968 que o comunismo checo teve a sua maior vaga de apoio, na esperança de uma regeneração. Mas foi também em 1968, depois da invasão, que todos esses sonhos morreram. Porque a invasão foi mais do que isso. Um colunista de direita escreveu num importante jornal checo: «Sejamos claros, não houve nenhuma ocupação, os checos aceitaram o que lhes aconteceu.»

Para Ivan Nalevka, professor de História Contemporânea da Faculdade de Filosofia de Praga, foi assinado um contrato entre Brejnev e a Checoslováquia: «Nós garantimos-vos um nível de vida superior e vocês não tentam subverter o sistema político.» A população checa aceitou. O contrato era simples: «As pessoas viviam nas suas casas com um bom nível de vida. Podiam ter as suas próprias ideias. O partido já não pretendia convencê-las dos ideais comunistas. Podiam até ler livros estrangeiros. Tudo, desde que não agissem contra o regime e deixassem os políticos governar.» Começou então a valer uma dupla moral: as pessoas recuaram para o seu mundo privado e o partido deixou de querer construir a sociedade comunista perfeita. Os checos tratavam das suas vidas na casa da cidade e nas suas casas de campo e não se tornavam activistas públicos contra o regime. Se o fizessem, aí sim, eram penalizados. Foi o caso dos que se envolveram na Carta 77.

Mas, desde então, cristalizou-se uma oposição que nunca desistiria. Nela estava Vaclav Havel. Os resistentes, que organizavam actividades contra o regime, seminários, editavam revistas e assinaram a Carta 77, eram um pequeno grupo, não passaria muito das duas mil pessoas.

Para Nalevka, não foi este grupo que fez cair o regime: «O agente mais importante foi Gorbatchov. Ele acreditava, como acontecera a outros no passado, que era possível reformar o comunismo, ao estilo da Primavera de Praga. Mas os homens que estavam à frente da maioria dos regimes da Europa de Leste não eram propriamente os ideais para essas reformas . Gorbatchov queria ir buscar os seus homens para este empreendimento. Mas este esforço desestabilizou o sistema comunista de toda a região. Sabemos que, na Alemanha, os agentes do KGB se mexeram para derrubar as posições de Honecker e formar uma nova equipa. O mesmo sucedeu na Bulgária. Gorbatehov, em Praga, foi também buscar novos líderes, como Mlimar, o estratega das reformas políticas de 68, para ser candidato presidencial».

Sementes vermelhas

Foi durante o período pós-invasão que o povo mais comunista dos países comunistas e o mais pró-soviético de Leste se tomou anticomunista e profundamente anti-soviético. Os checo aceitaram o contrato, mas ao assiná-lo não só morreram para a política como mataram qualquer possibilidade de renovação do comunismo.

A história de Eduard Gülstuk é a história da Checoslováquia do pós-guerra. Saiu do país três meses e meio depois da ocupação nazi. Não queria sair. Foi um amigo eslovaco que o lembrou da sua ascendência judia e dos seus antecedentes nos movimentos estudantis: “se resolveres ficar, resolves-te pela morte”. Partiu para Londres com a sua mulher. Estudou em Oxford e foi trabalhar para o governo checoslovaco no exílio, primeiro no Departamento de Educação, depois Departamento dos Negócios Estrangeiros.

Dentro do seu país, o Partido Comunista era já forte antes da Segunda Guerra. A Checoslováquia era uma das poucas democracias parlamentares do que viria a ser o bloco de Leste. O governo de Masarik tinha um forte pendor social-democrata. Segundo o professor Nalevka, os checos têm enraizado um forte sentimento igualitário, resultado do facto da nobreza ter sido sempre quase exclusivamente alemã, e a identidade nacional se ter construído entre camponeses. Mesmo depois dos checos terem chegado às cidades esse sentimento manteve-se. Com uma forte industrialização, a estrutura social checoslovaca tomou-se propícia ao crescimento dos movimentos de esquerda. A histórica russofilia dos checos também ajudou à implantação dos comunistas. No século XIX, um escritor nacional escrevia: “só estaremos bem quando o cavalo cossaco beber das águas do Vltava”.

Os acordos de Munique, em 1938, causaram um forte sentimento de traição em relação ao Ocidente e ajudaram ainda mais à aproximação à União Soviética. Em 1946, as eleições deram uma esmagadora vitória à esquerda, com 38 por cento para os comunistas e 13 por cento para sociais-democratas.

Até 48, Guttwald, o líder comunista infligiu vários golpes contra os seus aliados internos – sociais democratas e democratas eslovacos. Benès, o presidente, acabou por se demitir e morreu pouco tempo depois; Jan Masarik, ministro dos Negócios Estrangeiros e filho do fundador da democracia checa, suicidou-se de forma pouco clara. Até 1953, Klement Guttwald ocupou o poder checo com mão de ferro e forte apoio de Estaline. Só então foi substituído por Antoni Novotny. Apesar de alguma abertura e das boas relações com Krutschov, a Checoslováquia não seguiu o caminho dos seus aliados no processo de desestalinização.

Quando os comunistas chegaram ao poder, Goldstuken continuou a sua carreira diplomática. Logo depois da guerra, foi convidado por Rudolf Slânsky, secretario-geral dos comunistas, para ser seu secretário. Recusou. Alguns anos depois, Slânsky foi enforcado. Goldsutuken salvou-se por sorte, pela segunda vez. Até 1951 passou pelas Nações Unidas, Londres, Paris e Telavive.

Em 1951, nas perseguições de Guttwald, foi preso, e, em 1952, condenado à morte, acusado de traição, subversão da república e espionagem. As suas antigas amizades com dirigentes caídos em desgraça e, mais uma vez, o facto de ser judeu, foram elementos contra si. Mas, no Natal de 1955, já com Novotny no poder e depois da morte de Estaline, foi libertado. Pela terceira vez, Goldsutuken sobrevivia.

Dubcek, um amigo dos russos

Em 1958, Goldstuken consegue começar a dar aulas. Só nos anos sessenta se inicia uma abertura muito tímida, mas as poucas portas abertas foram corroendo o aparelho de Novotny.

Em meados dos anos sessenta começara uma liberalização que envolvia sobretudo a cultura, a ciência e as artes. Foi o momento da nova vaga do cinema checoslovaco, e, na filosofia, discutiam-se novos temas. Apareceram os romances de Vaculik, Skvorecki, Sekira e Kundera. O suplemento literário dos comunistas, o Literani Noviny, tornara-se um importante defensor de reformas. A par desta ebulição cultural, existia também o problema nacional dos eslovacos, que criticavam o centralismo de Praga. Mas Novotny sabia que Brejnev se orientava para a elite eslovaca e resistia à descentralização. Surgiram, ao mesmo tempo, graves problemas económicos. Em 1962, a Checoslováquia teve o mais lento crescimento económico em toda a Europa, países de Leste incluídos.

A tudo isto juntavam-se as más relações entre Brejnev e Novotny. Brejnev nunca perdoou a Novotny o seu apoio a Krutschov. O novo homem forte do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) foi criando uma clientela própria que passava ao lado de Novotny, composta sobretudo pela elite política eslovaca.

Os intelectuais foram desenvolvendo paulatinamente uma guerra pela liberdade, que teve o auge no IV Congresso dos Escritores, em 1967. Retomando um tema já discutido em 63, Franz Kafka foi o cavalo de batalha contra o realismo socialista e a teoria marxista da alienação. Diziam os detractores de Kafka que este não era relevante para os países socialistas, por não haver ali qualquer forma de alienação. A polémica saltou para o Literani Noviny: «um homem pode ser um trabalhador tão alienado na Skoda como na General Motors», escrevia um colunista. Nesse congresso foram ferozes os ataques às arbitrariedades do regime e ao clima anti-semita reinante no país. O suplemento chegou a uma tiragem de 600 mil exemplares. Novotny acabou por afastar os redactores e retirar o jornal das mãos da União dos Escritores.

Depois disso, bastou uma manifestação de 1500 estudantes contra as más condições das residências e a sua brutal repressão, a 31 de Outubro, para abrir a crise política. Foi neste cenário que Novotny perdeu, em 5 de Janeiro, o apoio do Comité Central e da URSS. Quando Novotny pediu ajuda aos amigos russos, Brejnev respondeu-lhe: «esse problema é seu.» Continuou como presidente, mas para primeiro secretário foi eleito o eslovaco Dubcek, resultado da aliança, no Comité Central, de economistas reformadores, intelectuais e dirigentes eslovacos.

Dubcek era o homem que os soviéticos queriam. Estudara na URSS e sabia bem russo. Brejnev considerava-o um homem fortemente pró-soviético e tinha razão. O erro de cálculo de Brejnev foi não prever que a Checoslováquia era uma autêntica panela de pressão. Brejnev acreditava que se tratava apenas de uma troca de cabeças, não temia o descontrolo que veio a suceder.

Um dos primeiros sinais de que Dubcek era diferente foi a nomeação de Goldstuken, o homem que reabilitara Kafka, como presidente da União dos Escritores, a 21 de Janeiro. Goldstuken foi à televisão, a 1 de Fevereiro, com propostas de maior liberdade e democracia, exigindo que o Literani Noviny voltasse para as mãos da União. O país esperou pela punição habitual. Nas fábricas houve resoluções contra Goldstuken, mas nada aconteceu. Então muitos perceberam que poderiam ir mais longe.

Ora Sik começa a desenvolver reformas económicas, numa perspectiva mista. Queria introduzir regras de mercado na economia socialista, privatizando as pequenas actividades e criando um modelo autogestionário com incentivos aos trabalhadores e aos administradores e alterando os métodos de gestão centralizada. Sik acusava: "A Checoslováquia foi o único país que liquidou a iniciativa privada, por razões dogmáticas, até ao último sapateiro.»

Na política, Mlinar avançava com reformas constitucionais, ainda longe do multipartidarismo puro, mas com maior abertura da Frente Nacional, liderada pelo PC, aos não comunistas e à frágil sociedade civil, e com garantias legais de todas as liberdades fundamentais. Outra das grandes alterações na vida checoslovaca foi a possibilidade de viajar.

A partir da nomeação de Dubcek, na prática, a censura desapareceu. Em 5 de Março foi oficialmente abolida. Os jornalistas iam testando os limites. Na televisão e na rádio discutia-se tudo: a democratização, a economia, a liberdade de expressão, as histórias mal contadas de 1948, o suicídio de Masarik, o papel dos soviéticos na história checa, a abertura do sistema político a outros partidos. A discussão chegou a um ponto em que até o ministro da Agricultura, apoiante de Dubcek, protestou contra os media, prevenindo que estes estavam a «adoptar os métodos das democracias burguesas». Os protestos não paravam, oriundos sobretudo das células operárias do partido. Mas, ao mesmo tempo, a imprensa ganhava uma notoriedade completamente nova.

A repressão dos estudantes, em Dezembro, voltou a ser discutida. Goldstuken, mais uma vez ele, exigiu responsabilidades: quem mandara espancar os «filhos do comunismo»? Alguns dias depois, o chefe da Polícia de Praga fez o “mea culpa” em plena televisão.

A exigência seguinte tardou pouco: a saída de Novotny da cena política. A 30 de Março perdeu o cargo de presidente e foi expulso do partido. A Assembleia Nacional substitui-o por Svoboda, um general comunista bastante popular. Outros “liberais” ocuparam os cargos fundamentais: Oldrich Chernik, como primeiro-ministro; Jiri Hajek, como ministro dos Negócios Estrangeiros; o general Dzur, como ministro da Defesa; Joseph Smrkovsky, como presidente da Assembleia Nacional.

Estes “liberais” tinham uma história de «bons comunistas». Svoboda dera, em 48, como ministro de Defesa, um apoio incondicional do exército ao ultra-estalinista Guttwald, sendo também verdade que, depois disso, foi perseguido pelo mesmo. Smrkovsky, nesse mesmo período, mobilizou as milícias populares para apoiar o líder comunista. Cernik fora sempre um homem do aparelho. Mesmo Dubcek fora privilegiado pelo regime: enquanto os líderes eslovacos, como Husák e Clementis, eram perseguidos, Dubcek foi enviado para a Escola Superior Política de Moscovo.

Para Goldstuken estavam criadas todas as condições internas para a democratização socialista: o povo era já entusiasta das reformas e apoiava mais do que nunca o Partido Comunista. Apesar de Guttwald e Novotny, parecia claro, mesmo para a oposição, que os checoslovacos continuavam, na sua maioria, a apoiar uma via socialista para o país.

Vizinhos nervosos

Dentro do partido, as lutas internas começaram rapidamente. Dubcek tinha pouco espaço de manobra e estava em minoria no Presidium.

Em Maio, começou a preparar-se o Congresso de Setembro, que poderia ter marcado a mudança definitiva. O programa elaborado pelos homens de Dubcek em o sinal do rumo que o país queria tomar. Propunha a implementação de todas as liberdades constitucionais de reunião, associação, expressão e de movimentos; indemnização de todos os que tenham sido prejudicados pelo Estado socialista; igualdade para os eslovacos; e uma relação de mutuo entre os aliados.

A 13 de Abril, o Pravda denunciava “os elementos anti-socialistas” que, na Checoslováquia, atacava o partido. Na RDA e na Polónia, Ulbricht e Gomulka preveniam que se estava a ir longe demais. Uma das boas desculpas para os detractores das reformas era a existência do KAN (Clube dos Não-Membros do Partido) que exigia espaço politico aos opositores do comunismo e um sistema verdadeiramente multipartidário. Este grupo agia e falava livremente em Praga, mas Dubcek nunca chegou a legalizar o movimento.

Em Abril, Gomulka, da Polónia, Ulbricht, da RDA; Jivkov, da Bulgária, e Janos Kádár, da Hungria, encontram-se em Moscovo com Brejnev. O assunto era a Checoslováquia. Só Janos Kádár, amigo de Debcek, lhe poupou criticas. A partir daí sucederam-se as pressões e as reuniões. Dubcek foi recuando e garantiu aos aliados dar os lugares cimeiros aos comunistas, impedir a existência de partidos de oposição, consultar Moscovo sobre qualquer relação com o Ocidente e permitir manobras do Pacto de Varsóvia no território checoslovaco.

Estas manobras militares tremer os mais avisados. O clima de hostilidade era permanente. Os cinco, reunidos em Varsóvia em 14 de Julho, foram claros: «Não podemos aceitar que forças estrangeiras desviem o vosso pais do socialismo e exponham a Checoslováquia ao perigo de abandonar a comunidade socialista». Os sinais de uma intervenção estavam ali, mas Dubcek acreditar no seu aliado Bresnev.

Nos países vizinhos crescia o medo que estas reformas pudessem criar uma crise em todo o bloco de Leste. Dentro do PCUS, Bresnev não era um dos falcões e no princípio não defendia a intervenção militar. “Havia rapazes com o dente bem mais aguçado”, garante o historiador Ivan Nalevka. Houve, na União Soviética e fora dela, pressões para parar as reformas na Checoslováquia.

A reunião definitiva foi nos finais de Julho, em Cierna-nad-Tisou, na fronteira entre a Checoslováquia e a União Soviética. Toda a nata política soviética foi ao encontro. A solenidade da reunião fazia temer o pior, mas Dubcek saiu de lá optimista e com mais cedências no bolso.

Segundo o que se sabe hoje, graças à abertura dos arquivos da União Soviética, os agentes do KGB na Checoslováquia prepararam a invasão e tiveram a colaboração de generais e agentes militares checos. Sabe-se também que os Estados Unidos foram, tal como sucedera na intervenção de 56 na Hurgria, informados antecipadamente da invasão e que deram luz verde aos soviéticos, visto tratar-se de um assunto interno da área de interesse de Moscovo. «Na verdade, os americanos reconheciam a divisão da Europa e não lhes convinha que houvesse naquela zona de fronteira uma situação de instabilidade», defende Nalevka.

Depois da invasão, Praga resistiu menos do que uma semana. O período de normalização foi gradual. Dubcek ainda se manteve no cargo. Foi ele, com - Svoboda, quem assinou os Acordos de Moscovo, que marcam o princípio da “normalização”. A cedência foi completa . Tropas soviéticas puderam finalmente ter uma base fixa na Checoslováquia. Só depois da cedência total é que Dubcek abandona a liderança do partido, em Abril de 69, acabando por ser expulso, em Junho de 1970. Svoboda mantém-se presidente até à sua morte, em 1975.

Para substituir Dubcek foi escolhido homem que apoiara as reformas, eslovaco, como convinha. Husák tinha todas características para garantir o novo momento: era ambicioso, não tinha ligações ao novotnismo, não criaria mal-estar entre os eslovacos. Os eslovacos, uns dos principais motores da Primavera, foram os que mais beneficiaram do apoio soviético durante a «normalização».

Em 16 de Janeiro de 1969, cinco meses depois da invasão, um jovem estudante, Jan Palach, dirigiu-se à Praça de São Venceslau, regou-se com benzina e acendeu um fósforo. Deixou uma nota: «Verificando que o nosso país está no limiar do desespero decidimos expressar o nosso protesto e acordar o povo.» O povo acordou, chocado. Um dia depois da morte do jovem, 200 mil pessoas juntaram-se na Praça de São Venceslau. No dia 24 de Janeiro, fez-se um minuto de silêncio, os soldados e os polícias saudaram o herói nacional. Foi o último suspiro da Primavera. Depois disso, a oposição manteve-se num pequeno grupo de intelectuais.

A Revolução sem sonhos

Quase 30 anos depois, uma pequena notícia do jornal Právo faz lembrar Jan Palach: um homem de 50 anos, desempregado, imolou-se em Kladno, uma cidade industrial, a meia hora de Praga. A mulher do suicida contou à polícia que o marido tinha sido despedido e que nunca se conformara com o facto.

No mesmo dia em que Klaus se demitiu, foi anunciada a falência da empresa metalúrgica Polikladno, que, no tempo do comunismo, empregava cerca de vinte milhares de trabalhadores. Para a cidade, foi uma catástrofe que ainda parecia evitável. O fecho da empresa esteve ligado aos vários escândalos de fuga de capitais praticada pelos novos senhores da economia checa. Com esta falência é previsível o fecho de outras pequenas empresas na cidade. Na televisão, um trabalhador diz que lhe resta um contentamento: «Fiquei desempregado na mesmo dia que Klaus.»

Na artéria principal de Kladno fazem-se compras e a cidade parece ainda não ter interiorizado a crise em que está mergulhada. Na paragem de autocarro, um velho reformado da empresa desabafa: «O Klaus e os seus ministros querem destruir a Polikladno porque o Ocidente não quer concorrência.» Pepík Kalat, de 70 anos, esclarece que não é saudosista. Foi preso em 1948, por ter tentado sair do país, mas não está satisfeito com os novos tempos: “Isto é muito pior. Este regime que temos agora é horrível. No tempo do comunismo, a Polikladno exportava muito para o Ocidente e tinha mais de 22 mil trabalhadores. Em oito anos sobram mil, o resto está no desemprego.”

Num edifício amarelo, perto da paragem de autocarro, várias pessoas amontoam-se em frente a uma vitrina. É a lista de empregos disponíveis. Bulinova, uma mulher de 40 anos, procura pacientemente. A loja de roupas onde trabalhava foi comprada pelos alemães, que fizeram uma reestruturação da empresa. Foi despedida e agora é mulher a dias. «Os tempos não estão bons para nós, é aos novos que este tempo pertence.»

Este tempo é o de todas as oportunidades de enriquecimento, mas é também o da ausência de regras. O processo das privatizações foi coberto de escândalos, descapitalizações e favores governamentais. A inflação estrangulou os checos, que perderam bastantes direitos sociais herdados do comunismo.

O desencanto de Havel

Depois da demissão do governo, Vaclav Havel, o presidente, falou aos deputados: «Muitas pessoas se admiram com o facto de depois de oito anos de construção de uma economia de mercado, a nossa economia estar num estado deplorável. Temem os pacotes de austeridade. Espantam-se quando nos afogamos no smog, apesar de se dar tanto dinheiro para fins ecológicos; quando sobem os preços de tudo sem que, paralelamente, aumente o apoio social; quando temos de ter medo de andar à noite nas nossas cidades; quando não se constrói quase nada, a não ser bancos e vivendas para ricos. Cada vez mais pessoas se cansam da política. Nós todos, apesar de termos sido eleitos livremente, nos tomámos suspeitos, antipáticos.»

Havel lembra que muitos outros países vizinhos, para onde os checos olhavam sem respeito, estão hoje melhor que a República Checa. E ataca a corrupção: «O proclamado ideal do sucesso e do lucro foi posto a ridículo quando se chegou a uma situação onde os mais imorais se transformam nos de maior sucesso, e quando o maior lucro é obtido por criminosos impunes. O Estado, que parece que devia ser pequeno e forte, é grande e fraco.»

O sentimento de insegurança é aquilo que Zeman, o líder do centro-esquerda, terá de vencer. Mas as principais linhas programáticas da esquerda não diferem substancialmente das de Klaus. A entrada na NATO e na União Europeia a isso obrigam. Jan Urban, um jovem colunista que esteve envolvido na Revolução de Veludo, defende que o centro-esquerda tem poucas razões para estar animado: «Grande parte da liberalização está por fazer e o governo vai ter enormes restrições orçamentais. Não pode aumentar o défice, terá de desregular os preços das rendas, vai tomar medidas muito impopulares. A diferença vai ser sobretudo o estilo e a possibilidade de poder desenvolver uma operação “mãos limpas”. De resto, o corredor de opções politicas é bastante estreito.”

Dos fracos na reza a história

O Partido Comunista Checo e Moravo obteve 10 por cento nas últimas eleições, mas tal como os republicanos, de extrema-direita, é completamente desprezado. Havel foi contra a proibição do partido, por considerar que não fazia sentido imputar culpas colectivas, mas recusa-se a receber os seus representantes, apesar de terem acento parlamentar.

Ao contrario de outros países de Leste, os comunistas não se reformaram nem mudaram de nome. E a explicação deste facto está sempre na mesma data: 21 de Agosto de 1968. O jornalista Jan Urban resume assim a encruzilhada dos comunistas: “A partir de 1968, com a confrontação dentro do partido, foi para sempre bloqueado o potencial criativo dos comunistas, a possibilidade de qualquer reforma. O partido cristalizou-se nos velhos nostálgicos. Antes das segundas eleições, depois de 1989, o bloco de esquerda, onde estavam integrados os comunistas, partiu-se ao meio. Para lado foram os reformadores; para outro foram os mais ortodoxos do Partido Comunista Checo e Moravo.

Enquanto os sociais-democratas continuarem a ser um catalisador do descontentamento, os comunistas permanecerão neste gueto, pelo menos nos grandes centros urbanos, como Praga.

A antipatia atinge também todos os que, com mais protagonismo, estiveram envolvidos na Primavera de 68. Uns e outros foram perseguidos pela nova classe política. O dedo acusador foi também apontado, mais uma vez, ao professor Goldstuken: «Eu devo ter um vírus qualquer, para nenhum regime gostar de mim».

Perdoados foram os militantes comunistas que se mantiveram na sombra e que eram, antes de 89, mais de dois milhões. Alguns estão no partido de Klaus. Entre eles, o próprio Klaus.

Para Jan Urban, «a especificidade da sociedade checa é a de não querer ter passado. Não são só os 48 anos de comunismo, é também a ocupação nazi, o transporte de alemães para fora do país, o desaparecimento de cinquenta mil judeus com o apoio de polícias checos. São os buracos negros que as pessoas não querem lembrar. Esta é a incapacidade que os checos têm de se sentir normais, de sentir que, tal como qualquer nação, têm os seus heróis e os seus criminosos.»

Os homens da Primavera de Praga foram esquecidos porque levavam consigo o fantasma da culpa de um país que aceitou calar-se. E porque representaram a terceira via entre capitalismo e socialismo. E, em Praga, já quase ninguém acredita em terceiras vias. Nem esse assunto se discute.

Também para Stepanka os homens do 68 são coisa do passado: «é história, não tem nenhuma importância para os checos. Os homens da Primavera criaram uma esperança, depois as coisas ficaram ainda piores». A República Checa fechou esse ciclo. E, dos que perderam, a história não quer falar.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira


Nada na lei do divórcio corresponde aos principais argumentos expostos no comunicado da Presidência da República para justificar o seu veto político: há participação de um juíz na avaliação das razões do divórcio e a violência doméstica, independentemente de qualquer lei do divórcio, é crime público e é como tal que será sempre tratada. Das duas uma: ou Cavaco se limitou a repetir o que mulheres em acção e os movimentos "pela vida" lhe disseram ou o veto tem apenas a função de preencher o silêncio de Manuela Ferreira Leite na oposição a Sócrates.

A verdade é que a razão da posição da Igreja e de Cavaco não é seguramente a defesa dos direitos da mulher (olha quem!), mas a defesa de uma determinada visão do que deve ser uma vida a dois: um contrato para a vida, mesmo que se transforme numa penitência. É a defesa do casamento indissolúvel, não a defesa de um casamento entre iguais.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"O Arnaldo Abrantes já é para aí a 15ª vez que vai aos Jogos Olímpicos", disse Guilherme Aguiar para criticar o atleta pela justificação que deu para a sua eliminação.

Imaginando que este comentador desportivo não está a afirmar que este rapaz participa nos Jogos Olímpicos desde 1948 (o que seria um fenómeno digno de registo e explicaria o resultado menos feliz) ou que esteja a confundir Arnaldo Abrantes com o seu pai, que esteve em Seul há 20 anos (e com uma aparência um pouco mais envelhecida), suponho que se trata apenas de uma hipérbole. Mas a hipérbole é estranha, já que Abrantes não participou em cinco, quatro, três ou dois Jogos Olímpicos. Nem num. Foi a sua estreia. Aos 21 anos. Por isso, como a exigência não é apenas para os atletas, ou este comentador se informa ou revê as suas hipérboles que neste caso são um pouco absurdas.

Devo dizer que evito ver o programa em causa. Sou sportinguista e não gosto de me sentir envergonhado.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"O Arnaldo Abrantes é a 15ª vez que vai aos Jogos Olímpicos"
Guilherme Aguiar, na SIC Notícias, criticando o facto do atleta ter dito que ficou nervoso com tanto público.

Ou seja, Arnaldo Abrantes vai aos Jogos Olímpicos desde 1948 (Londres, pós-guerra). Sem nunca falhar um. Não é apenas extraordinário que continue a correr. A sua aparência é quase um milagre. E as suas declaraç\oes podem ser atribuidas a alguma senilidade.

Ok, eu sei que a frase é apenas uma imagem. Uma imagem asburda, pois não tendo ido a 15 Jogos Olímpicos, também não foi a cinco, a três ou a um. Arnaldo Abrantes está a participar nos seus primeiros Jogos Olímpicos. Foi uma estreia. Como a exigência não é apenas para os atletas, talvez seja bom o senhor Aguiar informar-se ou dar algum sentido às suas hipérboles.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira
É impressão minha ou a comunicação social está mesmo a discutir a ameaça de Alberto João Jardim de criar um novo partido? A falta de assunto chegou a este ponto?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Na SIC diz-se que a participação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos demonstrou pouca ética. Na RTP fala-se de falta de honra. Está tudo doido? Acordam de quatro em quatro anos para um desporto que não seja o futebol e depois querem ser inundados em medalhas? Sabem quanto gastam as potências do desporto nestas modalidades? Sabem quanto gastam em desporto escolar? Sabem quanto investem em cada atleta de alta competição? E sabem quantos destes recebem medalhas?

Fica esta pergunta: porque não me dão a SIC e a RTP tantos directos de guerras e tantas cachas internacionais como a CNN ou a BBC? Não me venham com a desculpa da falta de meios. Só pode ser por falta de ética e de brio profissional.

No fundo, trata-se de um país frustrado com o seu rumo que espera sempre uns heróis vindos de nada para lhe salvar o dia. Maldita megalomania que não corresponde a nenhuma ambição!

Vale a pena ler os posts de Pedro Sales: este, este, este, este e este. E ficar com esta frase do melhor atleta de vela português Gustavo Lima: “para andar a ouvir frases como "os portugueses andam a gastar o dinheiro dos contribuintes" eu prefiro sair fora e sair de consciência tranquila”.

PS: o secretário de Estado do Desporto esteve muitíssimo bem no que disse hoje. O anúncio de demissão do presidente do Comité Olímpico a meio dos jogos é de uma incompreensível falta de solidariedade para com os atletas e os atletas foram aos jogos para competir, não para prestar declarações. E é no desporto que são bons, não é a fazer declarações.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Na SIC diz-se que a participação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos demonstrou pouca ética. Na RTP fala-se de falta de honra. Está tudo doido? Acordam de quatro em quatro anos para um desporto que não seja o futebol e depois querem ser inundados em medalhas? Sabem quanto se gasta nas potências do desporto nestas modalidades? Sabem quanto gastam em desporto escolar? Sabem quanto investem em cada atleta de alta competição? E sabem quantos destes recebem medalhas?

Fica esta pergunta: porque não me dão a SIC e a RTP tantos directos de guerras e tantas cachas internacionais como a CNN ou a BBC? Não me venham com a desculpa da falta de meios. Só pode ser por falta de ética e de brio profissional.

No fundo, trata-se de um país frustrado com o seu rumo que espera sempre uns heróis vindos de nada para lhe salvar o dia. Maldita megalomania que não corresponde a nenhuma ambição!

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Só a sociedade de consumo poderia ter criado um produto magnífico que não faz mais do que criticar a sociedade de consumo. E sempre com imensas referências a uma empresa (a Apple) e uma multiplicação de produtos paralelos ao filme para vender: merchandising, jogos de consola... Como se sabe, a critica ao consumo tem, como produto, imensa saída.

Não podem perder Wall-e. Um dos melhores filmes de animação dos últimos anos.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


É uma boa metáfora que o regresso de Sócrates às suas funções tenha sido a inauguração de um call-center para mostrar empenho na criação de emprego. A autarquia de Santo Tirso cedeu os terrenos à PT, uma área total de 3700 metros quadrados (uma mama que empresas sem qualquer dificuldade financeira arranjaram, esta de receberem terrenos pagos pelos contribuintes). Em troca, a PT diz que vai privilegiar a estabilidade no emprego. Vai contratar pessoas? Não queriam mais nada? Vai recorrer a empresas prestadoras de serviços. Mas há mais: diz a imprensa, repetindo o que lhe foi dito, que se trata de criação de "emprego qualificado". Porquê? Porque será dada prioridade a candidatos que tenham o 12º ano. Sim, leram bem: call-center agora é "emprego qualificado". Basta que os "colaboradores" tenham o 12º ano. Se tiverem licenciatura, como muitos têm, suponho que serão quadros superiores.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Pequeno-almoço de Michael Phelps durantes os Jogos Olímpicos:
3 sanduiches de ovo, queijo, alface tomate, cebola e maionese
1 omoleta de cinco ovos
1 tigela de batatas fritas
3 rabanadas
3 panquecas de chocolate
2 chávenas de café

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Atrasada, aqui fica a minha homenagem ao grande Dorival Caymmi, o homem que esteve no centro de todos os momentos que deram fama internacional à música brasileira: de Carmen Miranda até hoje, passando pela Bossa Nova.

Cantada por João Gilberto e Caetano Veloso, Doralice, de Caymmi:


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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira


O ditador que era aliado dos americanos depois de ter sido amigo dos taliban caiu. Uma excelente notícia, num país onde, graças as estas boas relações com os EUA,  os radicais ganhavam força todos os dias. Mas a acompanhar com cautela. O Paquistão - que apesar de ser mais instável do que o Irão não preocupa tanto o Mundo - tem armas nucleares. Pervez Musharraf acabou. Felizmente. Mas nada garante que depois dele virá melhor.

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por Daniel Oliveira
Sá Fernandes votou contra o novo edifício no Largo do Rato, ao lado da oposição

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Os artigos do Expresso desta semana já estão num link d coluna da direita e aqui. Sobre o caso do BES e da criança morta e sobre a Geórgia. Os da semana anterior estão na página do costume.

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por Daniel Oliveira
O desporto sempre foi usado por ditaduras como uma das mais eficazes formas de propaganda. Foi assim com os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, assim voltou a ser com o Mundial de Futebol de 1978, na Argentina, repetiu-se em Moscovo, em 1980, e volta agora a acontecer em Pequim. A China aproveitará este momento para se mostrar moderna e poderosa aos olhos do mundo. E para esconder as suas mazelas.

Um dos argumentos em defesa da entrega da organização dos Jogos à China era o de que ela poderia ajudar a uma abertura política. Doce ilusão. A mesma que leva a pensar, de forma um pouco determinista, que a economia de mercado levará a China à democracia. As organizações de direitos humanos são quase unânimes: em nome da segurança e da eficácia do acontecimento o regime aumentou a repressão e a arbitrariedade. Tendo, desta vez, todo o mundo como cúmplice.

Estes Jogos Olímpicos foram utilizados para esmagar forças oposicionistas, com a mesma desculpa usada por tantas democracias para limitar as liberdades civis: o perigo terrorista. Activistas e defensores dos direitos humanos foram mantidos em prisão domiciliária ou em campos de trabalho forçado para impedir que, nas próximas semanas, protestem aos olhos do mundo. Mais de um milhão de migrantes que trabalharam para construir magníficas obras de arquitectura foram obrigados a abandonar a cidade. Para reduzir, por uns dias, os calamitosos níveis de poluição, foram encerradas centenas de fábricas em Pequim, mandando, de um dia para o outro, milhares de trabalhadores para o desemprego. 300 mil câmaras foram espalhadas pelas ruas e 400 mil voluntários fiscalizam cada bairro para identificar qualquer sinal de distúrbio político. Quem foi expropriado das suas terras ou despejado das suas casas por causa dos Jogos Olímpicos e se atreve a protestar é exemplarmente reprimido.

A escolha de Pequim é a confirmação simbólica da nova potência do Capitalismo Global. Só que esta confirmação tem um preço: de cada vez que virmos um atleta a subir ao pódio saberemos que muitos pagaram bem caro cada medalha.
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por Daniel Oliveira
O Comando Marítimo do Sul avançou com a possibilidade de proibir massagens nas praias. Diz o comandante que "toda a gente sabe como começa uma massagem, mas ninguém sabe como vai acabar". Já o presidente da Região de Turismo do Algarve defende que os massagistas têm de ser "pessoas devidamente credenciadas para o efeito". Não queremos entregar a viril fama latina às mãos de simples curiosos.

Mas ninguém pode acusar o comandante, com o adequado nome de Reis Ágoas, de falta de coerência. Esta semana continuou a sua cruzada e resolveu ir directo ao pecado original: proibiu a distribuição de maçãs nas praias, promovida por uma dissimulada Fundação Portuguesa de Cardiologia - o chifrudo esconde-se sempre atrás das melhores intenções. Ao contrário do que acontece com as massagens, sabemos, desde o início dos tempos, como começa e acaba esta história das maçãs.
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O ouro era excelente, a prata foi óptima. Ou, como disse um mítico Venceslau Fernandes, pai da atleta, "foi uma grande vitória para Perosinho".

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por Daniel Oliveira
Custódia. Elsa cuida da irmã desde a morte da mãe e pediu a sua guarda ao Tribunal de Menores de Braga, devido ao desinteresse do pai na criança. Pedido foi rejeitado pela juíza. A decisão acabou por ser revogada pela Relação de Guimarães, que aconselha os magistrados a serem flexíveis nestes casos.

O pedido da irmã foi justificado com a ausência do pai da criança em parte desconhecida, "além de não pagar a pensão de alimentos e não revelar qualquer interesse por aquela filha menor". Argumentos que não convenceram a magistrada encarregada de ajuizar sobre o caso. Com base no artigo 1094 do Código Civil, a juíza decidiu que, "com a morte da progenitora, o poder paternal será exercido pelo progenitor", até porque, ainda segundo o mesmo despacho, Elsa "não é requerente do processo de regulação paternal".

Inconformada, a irmã da criança recorreu para o Tribunal da Relação de Guimarães (TRG), que, pela voz do seu presidente, lhe deu razão. Embora António Gonçalves admita que a lei não reconhece a um irmão a guarda de um menor, o princípio de atribuir a custódia a um dos pais vivos não pode ser rígido. "Neste tipo de processos, o juiz tem liberdade para escolher o meio que reputa como sendo o melhor para alcançar o fim que se propõe, em vez da obediência a regras rígidas."

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Sábado, 16 de Agosto de 2008
por Daniel Oliveira


A meia-final dos 100 metros de hoje foi a última corrida da carreira de Francis Obikwelu que vai abandonar o atletismo. O anúncio foi feito pelo próprio aos jornalistas, pouco depois de ter falhado a passagem a final. Aos portugueses pediu desculpa por nao ter conseguido e lembrou o apoio incondicional que sempre lhe deram.

"Quero agradecer aos portugueses, porque toda a gente vê as minhas provas e quero pedir desculpa, porque estão a pagar para eu estar aqui e não consegui chegar à final. É um momento mau, porque esse é o meu trabalho. Queria dar pelo menos a final. Sinto-me na obrigação de pedir desculpas, porque esse é o meu trabalho e pagam-me para fazer isto. Deixei o meu país ficar mal."

Francis Obirah Obikwelu nasceu na Nigéria. Veio trabalhar para Portugal com 16 anos. Depois de ser rejeitado pelo Benfica e pelo Sporting, foi trabalhar para a construção civil no Algarve e aprendeu português com uma professora que o ajudou nos primeiros contactos com o Belenenses. Viveu por baixo das bancadas do Estádio do Restelo. Obikwelu pede desculpas porque lhe pagam. E agradece ao seu país, que acha que, apesar de tudo o que já deu, deixou ficar mal.

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No distrito de Harrold, no Texas, os professores vão poder andar armados nas escolas. (Aqui)
Hartford, no Connecticut, decreta recolher obrigatório depois das 21 horas para menores de 18 anos. (Público de ontem)

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Nem vou discutir o argumento de que já vinha no Génisis nem a extraordinária distinção entre casais estruralmente estéreis e casais acidentelmente estéreis. Dadas vinte voltas o argumento deste senhor chega ao fim como começa: a única união aceitável é a de duas pessoas de sexo diferente porque a única união aceitável é a de duas pessoas de sexo diferente. E diz o senhor: O casamento não é uma criação do Estado. Este limita-se a reconhecer uma instituição que lhe é anterior. Pois muito bem: as uniões entre pessoas do mesmo sexo não são uma criação do Estado. Este limita-se a reconhecer uma realidade que lhe é anterior.

Argumentos religiosos, como os que estão presentes neste texto, valem para quem é religioso e os queira rebater ou aceitar. Eu não sou, pago impostos e faço parte desta comunidade. Obedeço às leis do Estado se ele for laico. Se não fosse, excluia-me e eu estaria moralmente isento do cumprimento das suas leis.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"Cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na caminha"
Marco Fortes, lançador do peso, depois de ser eliminado.

por Daniel Oliveira
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