Uma direita órfã de representatividade politica, transferiu para a Presidência da República a expectativa de combate político com o Governo. São incontáveis os artigos e posts que se escreveram nos últimos meses a perscrutar cada suspiro, murmúrio ou declaração da presidência. Vinte e quatro horas. Foi esse o tempo que durou o seu último sobressalto, bruscamente interrompido com a promulgação sem espinhas do Orçamento de Estado. Não desesperem. Se não foi no OE é porque será no discurso de Ano Novo. Pois...Tão entretidos estão que nem se apercebem que o suposto protagonismo oposicionista de Cavaco Silva não é nenhum xeque ao governo, mas um xeque-mate ao PSD.
Enquanto o Manchester gasta milhões para manter o Ronaldo nas suas fileiras e o Chelsea faz o mesmo com metade da equipa, o desfecho da milionária liga inglesa de futebol pode muito bem estar preso pelo dente partido de um desconhecido disc jockey. As imagens de Steven Gerard a sair de uma esquadra da polícia, depois de uma noite de desacatos numa discoteca da moda, já correram mundo. O que poucos falam, e é pena, é na rara dignidade do momento que originou a sua detenção.
Segundo o relato algo incompleto do Guardian, tudo começou porque o brilhante capitão do Liverpool, que se mostrou um fiel ouvinte dos discos pedidos da Renascença, achou que podia ditar o set do DJ de serviço. O homem recusou-se até ao fim. No seu caso, foi no hospital com um dente partido. Para que se perceba bem a origem de tanta obstinação, talvez valha a pena lembrar que o disco preferido de Gerard é a colectânea de êxitos de Phil Collins. Uma pessoa lê esta história e fica a imaginar os dentes que o homem arriscaria para evitar um disco do Elton John no prato da discoteca...
Lounge Inn, não se esqueçam deste nome. É a derradeira prova de que existem pessoas dedicadas à sua profissão e que colocam a integridade profissional à frente da física. Lounge Inn. Se alguma vez passar por Liverpool não me esquecerei de dar um salto. Para transmitir os meus cumprimentos ao DJ de serviço e para lhe dizer, cara a cara, you´ll never walk alone.
Enquanto o Manchester gasta milhões para manter o Ronaldo nas suas fileiras e o Chelsea faz o mesmo com metade da equipa, o desfecho da milionária liga inglesa de futebol pode muito bem estar preso pelo dente partido de um desconhecido disc jockey. As imagens de Steven Gerard a sair de uma esquadra da polícia, depois de uma noite de desacatos numa discoteca da moda, já correram mundo. O que poucos falam, e é pena, é na rara dignidade do momento que originou a sua detenção.
Segundo o relato algo incompleto do Guardian, tudo começou porque o brilhante capitão do Liverpool, que se mostrou um fiel ouvinte dos discos pedidos da Renascença, achou que podia ditar o set do DJ de serviço. O homem recusou-se até ao fim. No seu caso, foi no hospital com um dente partido. Para que se perceba bem a origem de tanta obstinação, talvez valha a pena lembrar que o disco preferido de Gerard é a colectânea de êxitos de Phil Collins. Uma pessoa lê esta história e fica a imaginar os dentes que o homem arriscaria para evitar um disco do Elton John no prato da discoteca...
Lounge Inn, não se esqueçam deste nome. É a derradeira prova de que existem pessoas dedicadas à sua profissão e que colocam a integridade profissional à frente da física. Lounge Inn. Se alguma vez passar por Liverpool não me esquecerei de dar um salto. Para transmitir os meus cumprimentos ao DJ de serviço e para lhe dizer, cara a cara, you´ll never walk alone.
Enquanto o Manchester gasta milhões para manter o Ronaldo nas suas fileiras e o Chelsea faz o mesmo com metade da equipa, o desfecho da milionária liga inglesa de futebol pode muito bem estar preso pelo dente partido de um desconhecido disc jockey. As imagens de Steven Gerard a sair de uma esquadra da polícia, depois de uma noite de desacatos numa discoteca da moda, já correram mundo. O que poucos falam, e é pena, é na rara dignidade do momento que originou a sua detenção.
Segundo o relato algo incompleto do Guardian, tudo começou porque o brilhante capitão do Liverpool, que se mostrou um fiel ouvinte dos discos pedidos da Renascença, achou que podia ditar o set do DJ de serviço. O homem recusou-se até ao fim. No seu caso, foi no hospital com um dente partido. Para que se perceba bem a origem de tanta obstinação, talvez valha a pena lembrar que o disco preferido de Gerard é a colectânea de êxitos de Phil Collins. Uma pessoa lê esta história e fica a imaginar os dentes que o homem arriscaria para evitar um disco do Elton John no prato da discoteca...
Lounge Inn, não se esqueçam deste nome. É a derradeira prova de que existem pessoas dedicadas à sua profissão e que colocam a integridade profissional à frente da física. Lounge Inn. Se alguma vez passar por Liverpool não me esquecerei de dar um salto. Para transmitir os meus cumprimentos ao DJ de serviço e para lhe dizer, cara a cara, you´ll never walk alone.
"A 4 de Novembro deste ano, Israel assassinou seis membros do Hamas, violando uma tahdiyeh ou trégua, que estabeleceu (mas nunca reconheceu publicamente) com o movimento islâmico, sob mediação egípcia, a 17 de Junho." (Público) Israel prepara esta operação há seis meses.
No El Periodico: Um navio da Armada israelita atacou um pequeno barco activistas internacionais que transportavam ajuda para a Faixa de GazaO pequeno barco levava 16 activistas de 11 nacionalidades com quatro toneladas de medicamentos doados por cipriotas.
Acontecem muitas coisas graves neste país e no Mundo. Um político mede-se pelas batalhas que decide ter como prioritárias. Cavaco falou duas vezes ao país pela televisão. As duas sobre o mesmo assunto e o assunto não foi a crise económica ou crise de confiança nas instituições políticas e financeiras. Para Cavaco, é o peso simbólico do seu estatuto o centro de todas as preocupações. Cavaco tem, então, a dimensão de Cavaco. Nem mais um centímetro.
É verdade que a Igreja se preocupa com a miséria e ajuda muita gente. Mas não se assusta com ela porque ela não põe em causa o seu poder. É o conforto, que traz com ele a autonomia e a escolha, que o Papa teme. Por isso escolheu a Europa como seu campo de batalha.
Os mortos em Gaza já vão em 364. Metade do Mundo pede a Israel que pare a carnificina. Não parará. Porque o governo israelita sabe que o Mundo nada fará.
Em Tel Aviv, confundindo aqueles que usam, como forma de impedir qualquer debate, a repugnante acusação de anti-semitismo contra todos os que se atrevam a criticar qualquer ataque do governo israelita, um milhar de israelitas manifestaram-se contra a barbárie. São poucos, mas gente que tem a coragem de remar contra a maré.
"This massive destruction of Palestinian life will not protect the citizens of Israel. It is illegal and immoral and should be condemned in the strongest possible terms. And it threatens to ignite the West Bank and add flames to the other fires burning in the Middle East and beyond for years to come.
The timing of this attack, during the waning days of a US administration that has undertaken a catastrophic policy toward the Middle East and during the run-up to an Israeli election, suggests an opportunistic agenda for short-term political gain at an immense cost in Palestinian lives. In the long run this policy will benefit no-one except those who always profit from war and exploitation. Only a just and lasting peace, achieved through a negotiated agreement, can provide both Palestinians and Israelis the security they want and deserve." Jewish Voice for Peace
A Orquestra Sinfónica West-Eastern Divan, constituída por músicos egípcios, israelitas, jordanos, palestinianos. Um projecto de Edward Said e Daniel Barenboim. Não, não eram neutrais. Sabiam os dois que no conflito de que hoje falamos não estavam todos em igualdade de circunstâncias. Tomaram os dois o mesmo lado, por uma questão de justiça. Procurar a paz não exige cegueira. Exige sentido de justiça. Mas também sabiam que tomar partido não é entrar na espiral do ódio. E que a paz se faz com pontes, não com demissões. Via 5 Dias
Enquanto os habituais guerreiros de sofá lusos salivam com a ofensiva militar israelita em Gaza, vale a pena ver o que se escrevendo no mais conceituado jornal israelita.
A million and a half human beings, most of them downcast and desperate refugees, live in the conditions of a giant jail, fertile ground for another round of bloodletting. The fact that Hamas may have gone too far with its rockets is not the justification of the Israeli policy for the past few decades, for which it justly merits an Iraqi shoe to the face.Yossi Sarid, Haaretz.
"What began yesterday in Gaza is a war crime and the foolishness of a country. History's bitter irony: A government that went to a futile war two months after its establishment - today nearly everyone acknowledges as much - embarks on another doomed war two months before the end of its term. (...) Israel did not exhaust the diplomatic processes before embarking yesterday on another dreadful campaign of killing and ruin. The Qassams that rained down on the communities near Gaza turned intolerable, even though they did not sow death. But the response to them needs to be fundamentally different: diplomatic efforts to restore the cease-fire - the same one that was initially breached, one should remember, by Israel when it unnecessarily bombed a tunnel - and then, if those efforts fail, a measured, gradual military response. But no. It's all or nothing. The IDF launched a war yesterday whose end, as usual, is hoping someone watches over us". Gideon Levy, Haaretz.
Israel's violation of the lull in November expedited the deterioration that gave birth to the war of yesterday. But even if this continues for many days and even weeks, it will end in an agreement, or at least an understanding similar to that reached last June. Hamas' terms for calm have not changed: a cessation of the attacks on Gaza and the organization's activities in the West Bank, a reopening of the Gaza border crossings, and a release of Palestinian prisoners. Israel's demands will also remain as they were: a halt to rocket attacks on its towns. Editorial do Haaretz.
Fotografia: Mohammed Abed/Agence France-Presse — Getty Images
Uma breve passagem pela imprensa e blogosfera nacional dá para perceber o estranho consenso que se tem levantado sobre a ofensiva israelita que já matou mais de 300 palestinianos. Não existem "bons" nem "maus" em nenhum conflito e as culpas têm que ser repartidas sem nos esquecermos, nunca, que Israel é uma democracia que procura um interlocutor credível do lado palestiniano e só encontra o Hamas, uma organização terrorista.
Este argumento desfaz-se a si próprio. Desde quando é que uma democracia encontra o crivo legitimador do uso indiscriminado do seu poderio militar na natureza também indiscriminada dos ataques de uma organização que classifica como terrorista? Acreditar que esta acção pretende decapitar o Hamas, supostamente para permitir o aparecimento de uma linha moderada e credível dos vizinhos das vítimas e dos escombros de Gaza, desafia não só todas as regras da lógica como a própria natureza humana. Como se da humilhação e revolta nascesse outro sentimento que não a sede de vingança. Um desejo de retaliação que não começa com a desproporção do ataque e dos meios militares em presença, mas com as indignas condições em que um milhão e meio de palestinianos, enclausurados num palmo de terra, luta para sobreviver a um violento estrangulamento económico.
Pode ser verdade que, entre a corrupção endémica da autoridade palestiniana e o fanatismo radical do Hamas, Israel não tenha hoje interlocutores credíveis na região, mas não é menos certo que Israel é o principal responsável por que se tivesse chegado a este ponto. Vale a pena lembrar que foi em nome da emergência de uma liderança mais responsável que o exército israelita cercou Arafat e a Fatah em Ramala. As eleições legitimaram, como seria de esperar, os mais entre os duros e fragilizaram os moderados. Depois veio o muro, a sistemática recusa em aceitar um território palestiniano que não seja um pontilhado de terrenos sem comunicação entre si, a retenção do dinheiro dos impostos palestinianos e um bloqueio que tem mergulhado Gaza na miséria mais abjecta. Tentar que alguém acredite que, a partir deste caldo de opressão económica e quotidiana humilhação, possa emergir uma linha moderada disposta a negociar é o mais risível dos argumentos. De resto, a posição que Abbas tem tido em todo este conflito - concentrando-se mais na luta interna entre os palestinianos do que no sofrimento dos seus compatriotas em Gaza - só o fragiliza ainda mais aos olhos dos palestinianos que o encaram como um traidor. Ao mesmo tempo que diz defender a paz, Israel tudo fez para criar as bases uma liderança palestiana fraca. Como tem a obrigação de saber, não se faz a paz entre os fracos.
Que o recurso a esta demonstração musculada de poderio militar aconteça menos de dois meses antes das eleições - nas quais todas as sondagens apontam a mais que previsível derrota do partido no governo para os falcões do Likud - prova bem como não é só o Hamas que não tem nenhum interesse no diálogo. Daqui a uns dias, como aconteceu no Líbano, as tropas israelitas regressarão, deixando atrás de si um pesado rasto de mortes e mais uns quantos milhares de palestinianos dispostos a trocar a sua vida pela de um qualquer israelita que vá apanhar o autocarro ao sair de casa. E todas as opções políticas para este eterno conflito ficarão um pouco mais distantes. A insensatez continua. Como tem sido apanágio da última década.
Fotografia: Mohammed Abed/Agence France-Presse — Getty Images
Uma breve passagem pela imprensa e blogosfera nacional dá para perceber o estranho consenso que se tem levantado sobre a ofensiva israelita que já matou mais de 300 palestinianos. Não existem "bons" nem "maus" em nenhum conflito e as culpas têm que ser repartidas sem nos esquecermos, nunca, que Israel é uma democracia que procura um interlocutor credível do lado palestiniano e só encontra o Hamas, uma organização terrorista.
Este argumento desfaz-se a si próprio. Desde quando é que uma democracia encontra o crivo legitimador do uso indiscriminado do seu poderio militar na natureza também indiscriminada dos ataques de uma organização que classifica como terrorista? Acreditar que esta acção pretende decapitar o Hamas, supostamente para permitir o aparecimento de uma linha moderada e credível dos vizinhos das vítimas e dos escombros de Gaza, desafia não só todas as regras da lógica como a própria natureza humana. Como se da humilhação e revolta nascesse outro sentimento que não a sede de vingança. Um desejo de retaliação que não começa com a desproporção do ataque e dos meios militares em presença, mas com as indignas condições em que um milhão e meio de palestinianos, enclausurados num palmo de terra, luta para sobreviver a um violento estrangulamento económico.
Pode ser verdade que, entre a corrupção endémica da autoridade palestiniana e o fanatismo radical do Hamas, Israel não tenha hoje interlocutores credíveis na região, mas não é menos certo que Israel é o principal responsável por que se tivesse chegado a este ponto. Vale a pena lembrar que foi em nome da emergência de uma liderança mais responsável que o exército israelita cercou Arafat e a Fatah em Ramala. As eleições legitimaram, como seria de esperar, os mais entre os duros e fragilizaram os moderados. Depois veio o muro, a sistemática recusa em aceitar um território palestiniano que não seja um pontilhado de terrenos sem comunicação entre si, a retenção do dinheiro dos impostos palestinianos e um bloqueio que tem mergulhado Gaza na miséria mais abjecta. Tentar que alguém acredite que, a partir deste caldo de opressão económica e quotidiana humilhação, possa emergir uma linha moderada disposta a negociar é o mais risível dos argumentos. De resto, a posição que Abbas tem tido em todo este conflito - concentrando-se mais na luta interna entre os palestinianos do que no sofrimento dos seus compatriotas em Gaza - só o fragiliza ainda mais aos olhos dos palestinianos que o encaram como um traidor. Ao mesmo tempo que diz defender a paz, Israel tudo fez para criar as bases uma liderança palestiana fraca. Como tem a obrigação de saber, não se faz a paz entre os fracos.
Que o recurso a esta demonstração musculada de poderio militar aconteça menos de dois meses antes das eleições - nas quais todas as sondagens apontam a mais que previsível derrota do partido no governo para os falcões do Likud - prova bem como não é só o Hamas que não tem nenhum interesse no diálogo. Daqui a uns dias, como aconteceu no Líbano, as tropas israelitas regressarão, deixando atrás de si um pesado rasto de mortes e mais uns quantos milhares de palestinianos dispostos a trocar a sua vida pela de um qualquer israelita que vá apanhar o autocarro ao sair de casa. E todas as opções políticas para este eterno conflito ficarão um pouco mais distantes. A insensatez continua. Como tem sido apanágio da última década.
Fotografia: Mohammed Abed/Agence France-Presse — Getty Images
Uma breve passagem pela imprensa e blogosfera nacional dá para perceber o estranho consenso que se tem levantado sobre a ofensiva israelita que já matou mais de 300 palestinianos. Não existem "bons" nem "maus" em nenhum conflito e as culpas têm que ser repartidas sem nos esquecermos, nunca, que Israel é uma democracia que procura um interlocutor credível do lado palestiniano e só encontra o Hamas, uma organização terrorista.
Este argumento desfaz-se a si próprio. Desde quando é que uma democracia encontra o crivo legitimador do uso indiscriminado do seu poderio militar na natureza também indiscriminada dos ataques de uma organização que classifica como terrorista? Acreditar que esta acção pretende decapitar o Hamas, supostamente para permitir o aparecimento de uma linha moderada e credível dos vizinhos das vítimas e dos escombros de Gaza, desafia não só todas as regras da lógica como a própria natureza humana. Como se da humilhação e revolta nascesse outro sentimento que não a sede de vingança. Um desejo de retaliação que não começa com a desproporção do ataque e dos meios militares em presença, mas com as indignas condições em que um milhão e meio de palestinianos, enclausurados num palmo de terra, luta para sobreviver a um violento estrangulamento económico.
Pode ser verdade que, entre a corrupção endémica da autoridade palestiniana e o fanatismo radical do Hamas, Israel não tenha hoje interlocutores credíveis na região, mas não é menos certo que Israel é o principal responsável por que se tivesse chegado a este ponto. Vale a pena lembrar que foi em nome da emergência de uma liderança mais responsável que o exército israelita cercou Arafat e a Fatah em Ramala. As eleições legitimaram, como seria de esperar, os mais entre os duros e fragilizaram os moderados. Depois veio o muro, a sistemática recusa em aceitar um território palestiniano que não seja um pontilhado de terrenos sem comunicação entre si, a retenção do dinheiro dos impostos palestinianos e um bloqueio que tem mergulhado Gaza na miséria mais abjecta. Tentar que alguém acredite que, a partir deste caldo de opressão económica e quotidiana humilhação, possa emergir uma linha moderada disposta a negociar é o mais risível dos argumentos. De resto, a posição que Abbas tem tido em todo este conflito - concentrando-se mais na luta interna entre os palestinianos do que no sofrimento dos seus compatriotas em Gaza - só o fragiliza ainda mais aos olhos dos palestinianos que o encaram como um traidor. Ao mesmo tempo que diz defender a paz, Israel tudo fez para criar as bases uma liderança palestiana fraca. Como tem a obrigação de saber, não se faz a paz entre os fracos.
Que o recurso a esta demonstração musculada de poderio militar aconteça menos de dois meses antes das eleições - nas quais todas as sondagens apontam a mais que previsível derrota do partido no governo para os falcões do Likud - prova bem como não é só o Hamas que não tem nenhum interesse no diálogo. Daqui a uns dias, como aconteceu no Líbano, as tropas israelitas regressarão, deixando atrás de si um pesado rasto de mortes e mais uns quantos milhares de palestinianos dispostos a trocar a sua vida pela de um qualquer israelita que vá apanhar o autocarro ao sair de casa. E todas as opções políticas para este eterno conflito ficarão um pouco mais distantes. A insensatez continua. Como tem sido apanágio da última década.
Entre o cerco e os bombardeamentos israelitas, o fanatismo do Hamas, a corrupção e docilidade da Autoridade Palestiniana, a traição e cumplicidade das nações árabes e o silêncio do Ocidente, os palestinianos não podiam estar mais sozinho.
Têm muita razão os que exigem democracia nos países árabes. Fossem o Egipto ou a Jordânia democráticos e nunca os seus governos seriam cúmplices do cerco a Gaza. É porque são ditaduras corruptas que se vendem com facilidade e que não acompanham a indignação dos seus povos. Tivessem os palestinianos um líder forte e não dois líderes péssimos e os israelitas teriam de negociar. Assim, resta a guerra. Quem achou que o melhor seria vergar os palestinianos e comprar os seus líderes e os seus aliados não se pode queixar. Assim, a paz é uma miragem. E quem paga é o povo de Gaza.
"o acordo compreendia, para além do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e um compromisso do Egipto em abrir a passagem de Rafah. Ora, não só Israel violou o acordo de cessar-fogo lançando um ataque que matou várias pessoas no dia 4 de Novembro, como os pontos de passagem não foram reabertos senão parcialmente, e o bloqueio foi mesmo reforçado nas últimas semanas. A população, que era largamente favorável ao acordo em Junho, exige hoje uma clarificação: ou a guerra ou a abertura incondicional dos pontos de passagem e o fim da chantagem permanente que permite a Israel matar lentamente à fome (e privar de cuidados de saúde) a população." Gaza: «choque e pavor», por Alain Gresh. Ler artigo completo no Le Monde Diplomatique Para ler testemunhos em Gaza ir aqui
Como diz Carlos Vidal, a única e a última voz avisada
Primeiro vídeo: Edward Said sobre Conflito e Paz, numa leitura pública na Universidade de Montreal (10 minutos) Quatro vídeos seguintes: Leitura de Edward Said sobre o ensaio de Samuel Huntington, "Clash of Civilizations", na Universidade Massachusetts (cerca de 40 minutos) Último vídeo: entrevista a Edward Said e Daniel Barenboim no Charlie Rose (57 minutos)
Em que momento da história um povo confinado a uma pequena parcela do território que legalmente lhe estava destinado foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que, mesmo quase sem terra, teve de ver o que lhe restava ocupado por colonos foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo cercado por um muro de betão foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo controlado, nos mais pequenos pormenores do seu quotidiano, por um dos mais poderosos exércitos do Mundo foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que não tem direito a ter forças armadas, que não pode recolher os seus próprios impostos, que está proibido de ter porto e aeroporto, que está isolado de todo o Mundo e que depende a da boa-vontade do vizinho foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que depende da ajuda internacional e que tem pedir autorização ao vizinho para exportar e importar seja o que for, para receber medicamentos e para levar os seus velhos ao hospital e as suas crianças à escola foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que morre às centenas como resposta a cada morte do outro lado (ou quando há campanha eleitoral) foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que perdeu as casas para elas serem entregues a recem-chegados, graças a um qualquer direito divino, que perdeu as suas terras, que foi roubado em tudo o que tinha, dos recursos naturais à sua própria identidade, e que depende da esmola para sobriver foi considerado um agressor?
Até onde terá de ir a humilhação dos palestinianos para que o Mundo olhe para ele vendo o que ele é: um prioneiro na sua própria terra? O que faz com que o Estado de Israel possa fazer tudo o que não é permitido a mais estado nenhum no Mundo? O que faz com que o povo da Palestina não possa resistir, como faria qualquer povo no Mundo?
É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido, É a economia, estúpido.
Morreram ontem 282 pessoas no Médio Oriente. É mais um record que se bateu. Não, não se assustem os políticos, não se indignem os comentadores, não se comovam os jornalistas. São apenas palestinianos. Israel prepara uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza. Trata-se, como sabemos, de um direito adquirido, este de abrir as portas do gueto para fazer as "limpezas" necessárias. E não, não chamamos a isto de terrorismo.
Alguém me explica como ganham candidatos cem votos em cinco minutos e, mais estranhos, há os que perdem votos? Foi fácil dar por isso porque enquanto preparava os Em todos os inquéritos. Estão encerrado. Como a aldrabice começou este fim-de-semana, teve um efeito pequeno nos resultados.
Para não variar, há quem tenha pouco que fazer e tente aldrabar os inquéritos. Até há candidatos que perdem votos, o que é um fenómeno. E outros que conseguem mais votos em 10 minutos do que o número de visitantes.