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Episódios anteriores:
1: Camaradas 1917-1945 ; 2: o Cortina de Ferro 1945-1947; 3: Plano Marshall 1947-1952; 4: Berlim 1948-1949; 5: Coreia 1949-1953; 6: Reds 1947-1953; 7: Depois de Estaline 1953-1956; 8: Sputnik 1949-1961; 9: O Muro 1958-1963
Depois de a vítima entrar, durante três horas e meia, socaram-no e pontapearam-no. Amarraram J. a uma cruz de madeira, deitaram-no dentro de uma banheira e verteram cera de velas acesas para o seu corpo. Rui Dias utilizou uma serra para o cortar em diversas partes do corpo, incluindo o pénis.
Este é um dos casos que serviu de base ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) para acusar sete de oito arguidos - Mário Machado, Rui Dias, Fernando Massas, Nuno Cerejeira, Bruno Ramos, Bruno Monteiro, Pedro Themudo e João Francisco Dourado (ver caixa ao lado). Segundo o DCIAP, organizavam-se para sequestrarem e roubarem potenciais compradores de estupefacientes, e os seus amigos, através de extrema violência e com recurso a diversas armas.
A acusação elaborada pelo DCIAP refere que o militante nacionalista Mário Machado tentou ainda impor no Algarve a liderança da organização de extrema-direita Hammerskins. Entre alguns relatos, os investigadores garantem que em Dezembro de 2008 Mário Machado, Nuno Cerejeira, Rui Dias e Fernando Massas atraíram J. a uma casa em Odivelas para lhe venderem droga. Depois da agressão, que incluiu requintes de sadismo, só terminaram depois de a vítima assinar um papel em que se comprometia a pagar 15 mil euros.
Noutro acontecimento relatado pela acusação, R. encomendou, juntamente com um amigo, 2500 euros de cocaína a Nuno Cerejeira. Este último avisou que um amigo o iria contactar. Segundo o DCIAP, Mário Machado combinou um encontro com R. a 20 de Janeiro deste ano, juntamente com Rui Dias e Fernando Massas no hipermercado Feira Nova em Alverca. Depois de irem buscar uma arma, passaram a agredir R. e a tentar que ele lhes dissesse a morada do amigo com quem ia comprar a cocaína. Segundo os relatos, Fernando Massas, enquanto socava R., avisava que ia matar-lhe a mulher, arrancar a cabeça da filha e jogar à bola com ela. Dentro do carro, Mário Machado deu uma coronhada na cabeça de R. e colocou o cano da arma na sua boca. R. conseguiu pedir ajuda, mas ficou sem dinheiro e sem o carro.
Segundo a investigação, os automóveis que o grupo de Mário Machado roubava iam parar a uma oficina em Lourel, Sintra, para serem desmantelados e vendidos às peças. (...)
Entre outros casos relatados na acusação, em Fevereiro deste ano, durante um sequestro, Rui Dias usava um colete com a palavra Polícia escrita, enquanto Mário Machado, Rui Dias, Fernando Massas e Bruno Ramos se identificaram como agentes da autoridade.
Ainda segundo o despacho de acusação, Nuno Cerejeira, já detido, telefonou a uma das vítimas avisando-o de que teria de retirar a queixa para acalmar o ódio de Mário Machado. Estes são alguns dos casos que serviram de base à acusação concluída a semana passada. Dos oito arguidos, cinco estão em prisão preventiva desde Março deste ano.
Do jornal "i"
Desde Janeiro:
Maria Graça, 82 anos. Morta à facada pelo seu companheiro na Quinta da Atalaia, Covilhã
Conceição, 47 anos. Baleada pelo marido em Alvélos, Barcelos.
Tânia, 30 anos. Morta a tiro pelo companheiro, um guarda prisional, de 44 anos, com a sua arma de serviço, em São Julião do Total, Loures.
Maria Manuela, 49 anos. Esfaqueada até à morte pelo ex-marido, de 53 anos, dentro do seu carro, quando se preparava para ir trabalhar, em Casais de Arega, Figueiró dos Vinhos.
Sandra, 36 anos. Esfaqueada mortalmente em Pouço do Mouro, Setúbal, pelo companheiro de 43 anos.
Sara, 26 anos. Morta em Portimão pelo marido, de 24 anos, com uma faca.
Laura, 42 anos. Morta a tiro pelo marido em Frazão, Paços de Ferreira.
Marília, 36 anos. Baleada mortalmente com uma espingarda pelo companheiro de 36 anos em A do Neves, Almodôvar.
Deolinda, 36 anos. Morta com uma caçadeira de canos serrados pelo companheiro de 47 anos, em Silves.
Maria, 61 anos. Vítima de um tiro de caçadeira disparado pelo marido de 63 anos, em Moitelas, Sobral do Monte Agraço.
Cláudia, 37 anos. Morta por três tiros disparados pelo marido, do qual se tinha separado há cinco meses, em Vila Pouca de Aguiar.
Liliana, 36 anos. Morta em casa dos pais pelo seu ex-companheiro, em Donelo, Sabrosa.
Otília, 45 anos. Assassinada com uma arma de fogo pelo marido, do qual se estava a divorciar e contra o qual já tinha apresentado várias queixas, em Arco da Calheta, na ilha da Madeira.
Sandra, 23 anos. Assassinada no posto de trabalho com um machado pelo ex-companheiro, de 26 anos, em Chão Duro, na Moita.
Linda, 37 anos. Assassinada pelo ex-companheiro, contra o qual já tinha apresentado várias queixas, no Seixal.
Helena, 42 anos. Assassinada pelo marido, um soldado da GNR, com uma pistola, em Lardosa, Castelo Branco.
Sandra, 39 anos. Morta com um tiro na cabeça pelo companheiro, de 42 anos, agente da PSP, em Belas, Sintra.
Margarida, 36 anos. Esfaqueada pelo companheiro (a esquadra de Mirandela conhecia os relatos de violência doméstica entre o casal).
Sandra, 23 anos. Violada e esfaqueada até à morte pelo ex-companheiro juntamente com a amiga Marinela, em Rio de Mouro, Sintra.
Carla, 28 anos. Assassinada à facada pelo ex-namorado, em Juncal do Campo, Castelo Branco.
Joana, 20 anos. Encontrada morta no carro do namorado de 22 anos, com um saco de plástico na cabeça.
Maria, 36 anos. Abatida a tiro ontem pelo ex-companheiro, em Santarém.
E mais três vítimas de identidade desconhecida: uma mulher de 41 anos mortalmente estrangulada em Raposeira, Chaves, pelo marido; uma mulher de 21 anos, atingida por vários golpes com uma arma branca, pelo namorado, na ilha de São Miguel, nos Açores; e uma jovem de 21 anos degolada pelo ex-namorado em Ponta Delgada.
E tantas que diariamente são vítimas de abuso, humilhação e espancamentos pelos seus companheiros.
O Santa Aliança é um agregador de blogues de política e cultura escritos por bloggers de esquerda organizado pelo Arrastão.
Indisponível de momento.

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Cada vez que surge uma investigação sobre corrupção não falta quem esteja disposto a trocar o rigor por facilidades. Por mim, só estou disponível para debater regras claras, previsíveis e eficazes. Primeira: levantamento do sigilo bancário. Não deixa de ser extraordinário que sejam os mesmos que tão facilmente aceitam a banalização de escutas telefónicas a mostrar tanto amor ao segredo das contas. Talvez porque o dinheiro nos diga muito mais sobre quem realmente manda neste país. Segunda: acabar com a distinção absurda entre corrupção para acto lícito e para acto ilícito. Tudo o que resulta da compra de favores ao Estado é ilícito. Terceira: criminalização do enriquecimento ilícito. A indignação com a possibilidade da inversão do ónus da prova é sonsa. Não é o que acontece quando somos obrigados a explicar ao fisco de onde vêm os nossos rendimentos? Quarta: mudança das formas de financiamento das autarquias, que são um autêntico convite à corrupção e à promiscuidade.
Vejam mais sobre a campanha "Save Miguel". Escusada era a musiquinha mexicana. Encontrado aqui.
Deram-me, entre outros, os nomes Ana Nunes, faço parte da prole de Lisboa, já vivi 35 verões, sou bloguista estreante, veterana borguista, licenciada em Ciências da Comunicação numa instituição privada-burguesa e não gosto de queijo. Nunca aprendi a andar de bicicleta porque desequilibro à esquerda e acabo por cair. Sofro de bipolaridade clubística da 2ª circular, há quem diga que sou vira-casacas. Ainda acredito que a cantiga é uma arma mesmo que a linha melódica não seja uma constante. Não acredito no pai natal, creio no Pai Coltrane, no Filho Sanders e no Espírito do Ayler. Acredito no poder das Palavras e do Trabalho. O único capital que reconheço é a Natureza Humana. Tenho a certeza que é possível Ter, Viver e Ser melhor. Deste dia e até deixar de o fazer, arrastarei.
Exactamente dois meses antes da chegada da revolução de Abril, aparecia eu, Andrea Peniche. Foi parto natural e em hospital público, lá para os lados de Vila do Conde.Escapei por um triz aos Pioneiros e à JCP. Dei por mim nas lutas contra a PGA e depois contra as propinas. Fui presidente da AE de Letras do Porto. Militante do PSR desde os 15 anos, desemboquei com esperança no Bloco de Esquerda. Descobri-me feminista e fiz disso militância. Pelo meio cursei filosofia e defendi uma dissertação de mestrado que virou livro: Elas somos nós. O direito ao aborto como reivindicação democrática e cidadã, publicado em 2007 pela Afrontamento. Para ganhar a vida, trabalho na editora que me publicou. Aventurei-me na blogosfera com a Minoria Relativa, onde está parte de mim. Vivo no Porto e tenho sotaque. Gosto de tripas e do FCP.
Outro blogue: Minoria Relativa
Nasci em Coimbra, por alturas de 1978 sob a designação Bruno Daniel Gomes de Sena Martins (vá, Bruno Sena Martins). Fiz a licenciatura em Antropologia na Universidade de Coimbra onde também concluí o mestrado em Sociologia. A dissertação de mestrado que depois se verteu no livro E se eu fosse cego, publicado em 2006 pela Afrontamento, recebeu o Prémio do Centro de Estudos Sociais para jovens cientistas sociais de língua oficial portuguesa. Actualmente concluo uma tese de doutoramento que, a partir de um trabalho de comparação etnográfica entre Portugal e Moçambique, tenta analisar situações. Sou investigador associado no Centro de Estudos Sociais na Universidade de Coimbra onde actualmente integro alguns projectos de investigação. Atraído pela moda dos solitários dados a insónias, juntei-me à blogosfera no longínquo verão de 2003 por via do blogue avatares de um desejo, espaço onde ainda hoje explano disfunções para adormecer. Mais recentemente, abracei a causa das colectividades blogosféricas e integrei a equipa do Blogue de Esquerda da Sábado, a do 5 dias e a do Aparelho de Estado do Expresso. Enquanto independente, fui duas vezes candidato nas listas do Bloco de Esquerda (legislativas e autárquicas), mandou o bom senso que não fosse eleito (ou sequer elegível). O FCP é a minha nação.
Outro blogue: Avatares de um Desejo
De minha graça Daniel João Figueiredo de Oliveira, Daniel Oliveira para os conhecidos e apenas Daniel para os amigos, nasci em 1969 na freguesia de São Jorge de Arroios, na incomparável cidade de Lisboa. Na política, fui, ainda petiz, da Juventude Comunista Portuguesa, de onde saí em 1989. Passei pela felizmente defunta Plataforma de Esquerda e pela Política XXI, acabando por desaguar no Bloco de Esquerda, de que sou fundador e onde fui assessor de imprensa, membro da Mesa Nacional e da Comissão Política. Agora sou militante de base e não desgosto.
Jornalista desde 1988, com magros 18 anos, trabalhei no “Século”, “Diário de Lisboa”, “Já”, “Vida Mundial”, “Diário Económico” e vários programas da RTP como jornalista, editor e autor. Recebi o Prémio Revelação Gazeta de 1998. Tive uma breve passagem pela publicidade. Na blogosfera cheguei na pré-história: passei pelo Blogue de Esquerda, Barnabé, Aspirina B e Arrastão. Fui colunista na “A Capital” e sou agora no “Expresso” e “Record”, além de participar no programa “Eixo do Mal”, da SIC Notícias. Regressado aos estudos nos últimos anos, depois de uma experiência em sociologia, dedico o tempo que me sobra a uma tese de mestrado algures entre o jornalismo e a política. Quando estiver pronta digo sobre quê. Sou sócio do Sporting.
Chamo-me João Rodrigues. Nasci, em 1977, em Coimbra, onde vivo actualmente. Sou licenciado em Economia e mestre em Economia Monetária e Financeira pelo ISEG-UTL. Fui investigador no DINÂMIA-ISCTE e dei aulas de Economia no ISCTE e na Universidade Lusófona. Vivi doze anos em Lisboa. Estou a concluir o doutoramento na Universidade de Manchester com uma tese intitulada Onde pára o mercado? Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Karl Polayni. Tenho escrito artigos académicos e capítulos de livros nas áreas da história das ideias económicas e dos debates sobre a construção dos mercados e os seus limites. Escrevo uma crónica semanal para o jornal i e faço parte do conselho editorial do Le Monde diplomatique – edição portuguesa. De vez em quando faço umas traduções. Comecei a blogar no Ladrões de Bicicletas, do qual continuo a fazer parte, há coisa de três anos.
Não estou nada convencido que o capitalismo, mesmo que se reconheça a sua diversidade e plasticidade institucionais, deva ser o fim da história. O socialismo só pode ser um humanismo que se faz e desfaz na “economia moral da multidão” e nas políticas públicas que mudam as regras do jogo: democracia sem fim numa comunidade política decente e nas instituições da economia, construção legal e social das liberdades e criação das condições para uma igualdade substantiva. Só escrevo sobre economia, política, economia política e política económica.
Outro logue: Ladrões de Bicicletas
Miguel Cardina. Nasci na Nazaré em 1978 e instalei-me em Coimbra ainda no século passado. Depois de uma passagem fugaz por um curso de Comunicação Social, estudei aplicadamente Filosofia para depois me dedicar à História Contemporânea. Fiz a dissertação de mestrado – publicada pela Angelus Novus em 2008 – em torno dos movimentos estudantis durante o marcelismo, e estou neste momento à espera de defender a tese de doutoramento, sobre o maoísmo em Portugal entre 1964 e 1974. Publiquei em 2010 um pequeno livro de capa azul sobre a esquerda radical nas décadas de 1960 e 1970. Sou investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Ando pelos blogues desde 2004 e já foram tantos que tenho medo de enumerá-los e esquecer-me de algum. Por agora escrevo no Arrastão e no Aparelho de Estado. Sou militante de várias agremiações, entre as quais o Bloco de Esquerda. Toco bateria e percussão nos dias inúteis.
Pedro Sales. Nascido em 73, comecei a dar os meus primeiros passos ainda estavam frescos os cravos do 25 do 4. Frequentei a licenciatura de Estudos Portugueses na Universidade Nova, mas uma propensa aversão a línguas mortas levou-me a deixar a Avenida de Berna com meia dúzia de cadeiras penduradas. Activista contra as propinas, fiz parte da associação de estudantes da FCSH durante três anos e escrevi umas coisas para o jornal da mesma. Trabalhei –ou, como se diz agora, colaborei – para o portal educativo da Porto Editora, antes de enveredar pelo mundo da burocracia parlamentar, primeiro na área da educação, actualmente com a assessoria de imprensa do Bloco de Esquerda. Comecei a minha participação na bloga pela porta dos fundos, entrando para o Barnabé escassos meses antes da sopa entornar. Escrevi no Zero de Conduta e agora, quando não ocupo o meu tempo a andar de bicicleta, vou dando novidades no Arrastão.
Chamo-me Pedro Vieira e nasci em Lisboa no verão quente de 1975, cidade onde vivo até hoje. Fiz o ensino secundário na escola António Arroio e a licenciatura em Publicidade e Marketing na Escola Superior de Comunicação Social. Actualmente trabalho para o Canal Q das Produções Fictícias e sou ilustrador freelancer. Na blogosfera criei e enterrei o agridoce, passei pelo 5 Dias e faço parte do Arrastão desde Setembro de 2008; continuo a ser ditador absoluto no irmaolucia. Sou adepto do Fóculporto e o meu cartão partidário é o Lisboa Viva.
Outro blogue: Irmão Lúcia
Chamo-me Sérgio Lavos. Nasci em 1975, numa aldeia perto de Leiria, e vim para Lisboa licenciar-me em Estudos Anglo-Portugueses na FSCH. De seguida, para não ser mais um professor no desemprego, e para confirmar a ideia de que os estudos nem sempre compensam, dediquei-me aos livros, na sua vertente menos intelectual – tornei-me livreiro. E assim tem sido desde então, mas entretanto descobri o maravilhoso mundo do semi-anonimato blogosférico. O primeiro blogue foi um nado-vivo – não me lembro sequer do nome – o segundo está em coma – Arquivo Fantasma – e o terceiro continua calmamente como o blogue menos polémico das redondezas – o Auto-retrato. Se o trabalho quase sempre evidencia a minha coluna vertebral com inclinação para a esquerda, em descanso prefiro dar lugar à minha costela burguesa – a comida, a bebida, as viagens, muito cinema e alguns livros a sério. Será sobretudo disto que vou falar.
Outros blogues: Auto-retrato
"A deterioração das relações laborais avança em Portugal a um ritmo avassalador, com perda de direitos e erosão das condições de vida para sectores cada vez mais vastos da população. A par do aumento do desemprego, há hoje cerca de 2 milhões de pessoas em situação de precariedade, sujeitas à arbitrariedade dos patrões, obrigadas a aceitar os baixos salários e a incerteza, à margem do enquadramento legal, da protecção social e das garantias mínimas. A chantagem social individualiza as relações laborais para enfraquecer a parte mais fraca: os trabalhadores/as.
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