Sexta-feira, 23 de Abril de 2010
por Sérgio Lavos


Um ano depois de ter recebido o prémio de melhor longa-metragem no Indie Lisboa, Ruínas, de Manuel Mozos, estreou nas salas portuguesas, duas semanas antes de o mesmo acontecer com o novo de João Canijo, Fantasia Lusitana. Não será uma coincidência que os dois filmes estreiem tão próximos no tempo; os dois objectos aproximam-se, tanto a nível formal – são ambos documentários – como temático – reflexões sobre um Portugal passado, preferem à nostalgia bacoca a frieza do registo de um tempo, o primeiro, e o reconhecimento de uma portugalidade enraizada que não permite a mudança de mentalidades, no caso do segundo. Estas duas obras, em conjunto com Pare, escute e olhe, mostram a vitalidade do cinema português documental, ou melhor, do cinema português, ponto; os cães ladram e a caravana passe, e contra todas as vozes que questionam o financiamento estatal ou a qualidade do que se produz, a verdade é que o cinema se tornou, nos últimos quinze anos, um dos principais embaixadores do país. Os prémios em festivais, as presenças em listas dos melhores da década que passou, as regulares recensões nas melhores publicações da especialidade – Cahiers du Cinéma, Sight and Sound, New Yorker – transformam as vozes de burro em ruído de fundo, estéril e, sobretudo, ignorante.

O filme de Mozos é uma obra superlativa do actual estado de coisas. Documentário que conta uma história – ou várias – Ruínas parte do que se propõe – filmar edifícios em decadência enquadrados na paisagem actual – para reflectir sobre um século XX que chega a nós marcado pela destruição e a violência. O início é significativo para o que virá depois: um plano fixo da implosão das torres de Tróia, esse exemplo maior de todos os crimes urbanísticos cometidos em nome do “desenvolvimento nacional”. Mas este arranque acaba por inverter o rumo logo de seguida: passamos ao restaurante panorâmico de Monsanto, exemplo da arquitectura do Estado Novo que os lisboetas esqueceram. Os murais de Almada Negreiros são o testemunho de uma época perdida, os corredores cheios de entulho o que restou, a vista sobre o Tejo o sinal do que ainda poderia ser. O olhar de Mozos é mais melancólico que crítico: na maior parte dos casos, foi o chamado progresso que tornou os edifícios obsoletos. É esse o caso do sanatório das Penhas da Saúde, usado para curar os doentes tuberculosos, ou as minas de Aljustrel, abandonadas, como quase toda a exploração mineira em Portugal. Antes da sequência do restaurante em Monsanto, a câmara capta as únicas pessoas em todo o filme, numa cena filmada no cemitério do Prado do Repouso, no Porto; os espaços vazios, povoados de fantasmas – a voz-off a ler textos da época, os apontamentos sonoros espectrais, o pontual som ambiente que irrompe do nada – são precedidos pelo lugar onde a morte tem o seu reino, onde os vivos visitam os mortos. A pedra dos túmulos é igual à pedra das ruínas, nela estão gravados os murmúrios dos antigos vivos.

O filme é Portugal, aqui e agora, e os destroços que foi deixando para trás. Como os narradores de W. G. Sebald, mudas testemunhas da passagem do tempo, a câmara de Mozos fixa para memória futura o século XX. Século de avanço, oportunidade, optimista como a pessoa que se lembrou de construir instalações bem apetrechadas para os funcionários da Hidro-Eléctrica do Douro, uma promessa de modernidade que o Estado Novo nunca chegou a cumprir; mas século também de desilusão, que as últimas décadas firmaram de modo decisivo, as décadas que viram crescer Manuel Mozos e a nova geração de realizadores portugueses. Se há um tema que os una, é a vontade de filmar os espaços como prolongamento da vida das pessoas. O filme que antecede Ruínas, em complemento, Canção de Amor e Saúde, de João Nicolau, é outro exemplo disto. Ingénuo quanto baste, resgata a Nouvelle Vague e afirma-se devedor do cinema de João César Monteiro (Nicolau foi assistente do realizador em Vai-vem, a derradeira obra), ensaiando um upgrade geracional significativo. Enquanto Monteiro filmou os espaços de um certo Portugal pitoresco, Nicolau, nesta curta-metragem, interessou-se por mais um não-lugar do Portugal contemporâneo: o centro comercial. Centro comercial e juventude, se os juntarmos iremos falar de todas as expectativas defraudadas da minha geração. Nicolau, mesmo não tendo a intenção reflexiva que o tema merece (uma curta-metragem não chega), consegue realizar um charmoso exercício cinéfilo que tem o apelo do video-clip da geração Michel Gondry e alguns planos perfeitos e elegantes.

Resumindo, sessão dupla que vale por muitas. Bom cinema português? Grande cinema, ponto final, parágrafo.
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por Sérgio Lavos
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por João Rodrigues


A selectiva pressão dos mercados financeiros ainda liberalizados reforça a posição dos que falam como se tivesse ocorrido um regabofe salarial nos últimos anos em Portugal. Isto diz muito sobre as pessoas que difundem esta tese e muito pouco sobre a economia portuguesa. Geralmente, quem fala sobre custos salariais “excessivos” e defende a necessidade de cortar salários faz parte da bem remunerada elite económica portuguesa e cai no erro de pensar a olhar para o umbigo. É que estamos num país onde cerca de 40% dos trabalhadores leva para casa 600 euros líquidos ou menos. Este discurso traduz o enviesamento, o autismo social, típico de sociedades desiguais e que se manifesta, como o Daniel Oliveira já várias vezes notou, noutras assimetrias discursivas: angústia opinativa pela limitação dos regressivos benefícios fiscais, que vai ser travada pelo bloco central em formação, e relativa indiferença face aos tectos, geradores de pobreza, para as prestações sociais.

Enfim, em Portugal, a  evolução geral dos salários reais tem andado alinhada com a evolução da produtividade, como é suposto, mas essa média disfarça o aumento do leque salarial, ou seja, o aumento das desigualdades salariais. Fragilizem os sindicatos e a negociação colectiva e aumentem a precariedade com pacotes laborais sucessivos e ficamos trancados nisto: “Uma medida da relação entre os 10% melhor e pior remunerados revela que os primeiros ganham 5,3 vezes mais que os segundos em 2006. Portugal era o segundo país da UE onde este desnível era mais acentuado, vindo depois da Letónia. Em comparação, na Dinamarca (o país com maior igualdade) este indicador era de 2,3.” Os resultados económicos destes “incentivos” são magníficos, já se vê.

De resto, o estudo da CGTP –  Os salários, as políticas macroeconómicas e as desigualdades – é um exemplo de sensatez: a economia sacrificial que se reforça, assente na compressão do poder de compra dos salários, reduz a procura interna. Esta tarefa é facilitada pelo aumento do desemprego, pelo discurso dominante e pelas modificações previstas no subsídio de desemprego e nas políticas sociais. Dado que este fenómeno é comum aos países europeus, numa verdadeira economia de baixa pressão salarial e de erosão do Estado social, o resultado perverso está à vista num ciclo vicioso que junta estagnação económica e regressão social: é a economia que corta pernas, para recorrer à apta expressão de Rui Tavares. O mercado interno europeu não parece grande saída para as nossas exportações. A UE está institucionalmente desenhada para favorecer esta desgraça. Isto não é teoria da conspiração, mas o resultado de uma análise crítica das estruturas de constrangimento que foram criadas e que têm de ser reformadas.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


No mesmo momento em que o Parlamento, cheio de frases bondosas e pias intenções, aprovava um pacote anticorrupção, o Tribunal da Relação de Lisboa anunciava a absolvição de Domingos Névoa.

Para que não haja confusão: o tribunal deu como provados todos os factos essenciais. Dá-se o pormenor dos juízes considerarem que um empresário tentar pagar a alguém com responsabilidades políticas para que este mude publicamente de posição sobre um negócio em que está envolvido não consiste um acto de corrupção. Apenas porque não há, na consequência desse pagamento, nenhum acto administrativo da competência do político.

O que o tribunal disse a todos os corruptores (e a todos os portugueses) é que é legal comprar posições públicas dos decisores que nós elegemos. Que a nossa democracia está à venda, disponível para os caprichos dos domingos névoas desta Pátria.

Ricardo Sá Fernandes, o homem que denunciou a tentativa de corrupção, acabou por não ver a justiça feita e ainda pagou 10 mil euros ao dono da Bragaparques. Já o empresário saiu satisfeito e ainda se fez de vítima de calúnias. Apesar de, como já disse, tudo ter ficado provado.

O que o tribunal disse a todos os que sejam abordados por um corruptor (e a todos os portugueses) é que a luta contra a corrupção não é um dever de cidadania. É uma carga de trabalhos sem qualquer consequência. Mesmo que todas as provas estejam lá.

O problema não são as leis. O problema não é apenas a falta de meios de investigação. O problema é um país complacente com a corrupção. Em que quem a denuncia é tratado com desconfiança e quem corrompe com indiferença e até, por vezes, admiração.

Não sou dado a discursos catastrofistas. Mas há dias em que se perde a esperança de dar a este País alguma dignidade. Em que se começa a acreditar que a nossa sina é viver num eterno atraso onde só os chicos-espertos podem vingar. Há dias em que pensamos que não vale a pena. Que a única forma de mudar é sair daqui e entregar isto aos névoas, aos ruis pedros soares , aos godinhos. Há dias em que sentimos que não temos direito à esperança de deixar um país decente aos nossos filhos e só nos resta esperar que eles consigam ir embora à primeira oportunidade.

Acordamos, no dia seguinte, e tentamos acreditar que, com muita persistência, a democracia, ainda sequestrada por gente sem valores nem escrúpulos, acabará por se impor. E conseguiremos estancar a sangria de recursos que a corrupção provoca. Temos de ser optimistas. Mas há dias em que custa acreditar que alguma vez vai ser diferente.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira


Podem ver aqui os momentos mais importantes do segundo debate para as eleições no Reino Unido.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Rui Pedro Soares é arguido no caso Taguspark. E, por isso, acha que tem direito a não responder a perguntas sobre o caso TVI/PT, num caso flagrante de desobediência qualificada a uma comissão com poderes judiciais. E eu, como cidadão, tenho direito a concluir que não fala porque nos quer esconder a verdade.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


Evo Morales explicó, ante una audiencia de 20.000 personas, que la homosexualidad y la calvicie son consecuencia del consumo de pollo.


via albergue espanhol




por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Ricardo Rodrigues (ver estes dois posts) é um dos deputados escolhidos pelo PS para o debate sobre o pacote anticorrupção. E acabou de explicar que não recebe lições em matéria de corrupção.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
A imagem que vêem em baixo não é a de um post idiota num qualquer blogue. É uma pergunta num teste de Direito Constitucional II, na Faculdade de Direito de Lisboa, da autoria do professor Paulo Otero. Nela, como podem verificar na imagem, compara-se a relação entre dois homossexuais à relação entre dois animais vetebrados domésticos da mesma espécie e entre um homem e um animal. E, mantendo o paralelo, pede-se para argumentar a constitucionalidade e inconstitucionalidade da bestialidade.



Que um professor se dedique a estas barbaridades num teste a que os alunos têm de responder diz muito do estado em que está a FDL. Que um constitucionalista pareça desconhecer que os animais não têm personalidade jurídica, logo não têm capacidade para celebrar negócios jurídicos, como o casamento, diz alguma coisa sobre as personagens que formam os futuros juristas, advogados e juízes deste país. Claro que se pode dar o caso de se tratar de uma piada. E isso diz como o senhor leva a sério a sua função de ensinar.

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues
"Não seria mais vantajoso para estes países organizarem-se e apresentar à Alemanha uma proposta de saída do euro, em bloco e na mesma data? Só o facto de o fazerem obrigaria a Alemanha a pensar duas vezes se seria do seu interesse manter a actual arquitectura do euro. É que não faltam ideias sobre o que deve ser mudado."

Jorge Bateira

"O FMI lançou um apelo ao G20 no sentido da introdução de dois novos impostos sobre as actividades financeiras: um que se aplicaria de forma transversal a todas as empresas financeiras, outro que incidiria sobre empresas com lucros e prémios excessivos."

Ricardo Paes Mamede

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira
Se é verdade, como diz o "Público" de hoje, que, tal como a de Famalicão, a câmara de Salvaterra de Magos tem em vigor um regulamento que, aplicando uma lei caduca aprovada por Mário Soares em 1976, impede a compra de habitação social por imigrantes, a presidente só tem uma coisa a fazer: mudar já uma norma inaceitável ou sujeitar-se à mesma critica que foi feita ao presidente da autarquia minhota, só que vinda do partido que a apoia. Porque em Salvaterra e em Famalicão os imigrantes não podem ser seres humanos de terceira.

O Bloco de Esquerda e Câmara de Salvaterra já esclareceram que o "Público" se baseou num regimento que há muito não está em vigor. Fica então mal, na fotografia, o jornal.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
“Quando alguma sportinguista tiver a infelicidade de casar com um benfiquista, tem o dever de fazer com que o filho continue a ser sportinguista"
José Eduardo Bettencourt

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O último Presidente da ditadura militar argentina (1976-1983) foi condenado a 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Todos temos uma reforma da educação na cabeça e com ela uma escola ideal. Aquela onde gostaríamos de ter estudado. Os professores ficam doentes com esta especialização democrática. É o preço que pagam por terem escolhido trabalhar numa área que nos diz respeito a todos.

Outro dia conheci uma escola que se aproximava da que sempre idealizei. Sendo privada, não lhe vou fazer publicidade. E tenho de ter em conta que, ao contrário da escola pública, ela só lida com os problemas que quer. Embora muitos teimem em ignora-lo quando, por exemplo, olham para rankings, faz toda a diferença. Ainda assim, só as instalações e o ambiente chegavam para perceber que tinha as prioridades certas: salas de aula vividas, um ambiente informal, apesar de não ser barata estava despida dos luxos que dizem muito aos pais e nada aos miúdos, sem, no entanto, deixar de ter uma excelente biblioteca.

Os adolescentes tomavam conta de todos os espaços e respirava-se liberdade. Essas coisas sentem-se. Percebia-se que estavam bem ali. E, no entanto, não se sentia aquela inconfundível tensão da indisciplina. Pelo contrário. Numa sala de aula, durante o intervalo, uns miúdos tocavam guitarra e cantavam para passar o tempo. Mas no corredor muitos estudavam. Tudo tão natural como numa casa onde se quer estar.

O currículo desta escola estrangeira em Portugal deixaria os nossos profetas da desgraça de cabelos em pé. Não porque a escola seja laxista. É o oposto. Mas por, não sendo preguiçosa, estar muito longe do modelo de ensino dos anos 40 e 50. Aposta nas artes, na criatividade, no debate, na liberdade e na responsabilização. Aposta (pecado!) no prazer de aprender e de ensinar, sabendo que, se o prazer exige muitos sacrifícios, os sacrifícios também exigem prazer no que se faz. Não promete aos pais mão pesada para os seus filhos. Promete empenho. Não promete mais disciplina do que a necessária, promete que eles saberão pensar e argumentar o que pensam. Não tem, que eu tenha reparado (não posso garantir), quadro de honra. Mas tem um programa exigente e estimulante.

A escola pública que imagino, por ser para todos, incluindo para os que não têm famílias que valorizem a formação ou têm apenas poucas condições para o estudo em casa, nunca poderia ser exactamente assim. Mas podia ter isto como ideal.

Se os portugueses conhecessem alguns dos melhores sistemas de ensino público por esse mundo fora perceberiam que os mais ferozes críticos da nossa escola vivem num atraso doloroso. A resposta aos problemas no nosso ensino não está na velha escola fria e implacável. Não perdemos nada com a sua morte. Porque era preguiçosa não inovava. Porque era defensiva não se expunha à criatividade dos alunos. Porque não promovia a liberdade desresponsabilizava. Porque era mais castradora criava cidadãos acríticos. O problema não é o que perdemos, é o que ainda não temos. Ainda não chegámos à nova escola. Aquela onde se aprende a aprender. E a gostar disso.

O meu problema com a nossa escola pública não é ter perdido o velho gostinho do atingamente. É ainda sobrar nela demasiado desse sabor.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Enquanto a Europa continuar a olhar para os doentes sem perceber a epidemia, enquanto achar que pode ter uma moeda sem ter política económica, enquanto não perceber que ataques especulativos a economias do euro são ataques ao euro vão suceder-se as vítimas. A Grécia terá sido salva. É provável que deixem cair Portugal. Talvez acordem quando chegar a Espanha ou à Itália. Mas a Europa continua a falhar no essencial: moeda única sem política e uma fraqueza, não uma força. Uma coisa é certa: nem o nosso PEC nem mais do que ele podem realmente qualquer coisa contra o que aí vem.

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins
O que faz o génio de Mourinho vê-se nos detalhes. E, na noite de ontem, os detalhes estiveram no evoluir das declaração a propósito do caso Balotelli. A história conta-se depressa: mais uma vez Balotelli entrou em campo de forma displicente e, ao ser apupado pelos adeptos, fartos dos seus comportamentos mimados, passou o tempo que esteve em jogo a mandá-los foder. Não contente, findo o encontro atirou a camisola do Inter ao chão (vídeo) e saiu do campo a praguejar. Como reagiu Mourinho? Conforme se vê neste vídeo, foi absolutamente cáustico com o comportamento do miúdo de 19 anos, explicando que onde os jornalistas queriam ver um problema de relação pessoal entre um treinador e um jogador está, isso sim, uma criança estúpida da qual qualquer treinador já teria desistido. Fim da história? Não.

Nas declarações à TV italiana, porventura ciente que, ao ser agredido por Materazzi, Balotelli, apesar da sua cagança crónica, estaria numa situação de fragilidade irreversível, voltou a repetir a crítica ao comportamento de Balotelli, mas desta feita deixou de lado a sua própria vitimização perante os jornalistas  italianos e acrescentou um pequeno detalhe: é bom que ele se prepare para jogar a titular no sábado. Ou seja, reunido o consenso anti-Balotelli, numa situação que qualquer treinador teria aproveitado para se livrar de um problema,  Mourinho decide dar-lhe (mais) uma derradeira oportunidade.



Com  Paulos Bentos e outros treinadores armados em líderes disciplinadores, Balotelli já estaria há anos num campo de trabalhos forçados (que se lixe o capital desperdiçado).  Já Mourinho é um disciplinador demasiado sério para perder um jogador cujo futebol vale dinheiro e vitórias. Na evolução das declarações de Mourinho percebemos como soube tirar partido da inédita fragilidade de Balotelli, não meramente para o salvar, mas para estabelecer com ele uma relação de dívida que, em última instância, o possa salvar.  Deus está nos detalhes. No que ao génio de Mourinho diz respeito, o jogo de ontem foi um pormenor. O detalhe veio depois.

Publicado também em Avatares de um Desejo.

por Bruno Sena Martins
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por Bruno Sena Martins
Se queríamos perceber o que faz de Mourinho um grande treinador, valia a pena esperar pela conferência de imprensa.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira
O parecer do auditor jurídico da Assembleia da República considerou que Inês de Medeiros, eleita pelo circulo de Lisboa, tem direito ao pagamento de viagens semanais para Paris. Jaime Gama, que pediu este parecer, diz que ele não faz jurisprudência, o que, convenhamos, é absurdo. De cada vez que pedir um parecer para casos análogos estará a perder tempo. A resposta será sempre a mesma. Logo, não podia fazer mais jurisprudência.

O que o grupo parlamentar do PS, o presidente da Assembleia da República e a própria Inês de Medeiros não parecem perceber é que a questão é política. Os cidadãos não compreendem que lhes saia mais caro ter um deputado que não é do circulo pelo qual concorre do que outro que vem de fora. Note-se: eu não acho que um deputado tenha de residir no círculo pelo qual é eleito. Os eleitores, em cada caso, avaliarão se isso é ou não relevante. O que me parece um pouco demais é que um grupo parlamentar não compreenda o absurdo do Estado pagar aos deputados para eles, quando não estão no Parlamento, se afastarem dos seus eleitores.

Não é populismo ou demagogia ter em conta a crise em que vivemos, o PEC que este mesmo grupo aprovou e agir em conformidade. Se o PS tem este compromisso com a deputada Inês de Medeiros, que tem a sua família em Paris, que lhe pague as viagens sem aumentar as despesas do Parlamento. E, acima de tudo, sem dar esta imagem da Assembleia da República aos cidadãos. Bom senso, era o que fazia alguma falta.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Voltar a estar sentado em frente a praia do Porto Santo, a comer o bolo do caco quente com a manteiga de alho a derreter. Voltar a caminhar nas levadas. Voltar a passear na baixa do Funchal e acabar no mercado dos Lavradores. Voltar a perder o fôlego com a vista panorâmica da baía. Voltar a São Vicente e a fazer de carro a esmagadora Costa Norte até Porto Moniz. Voltar a dormir lá. Voltar a sentir a estranheza do Paul de Serra. Voltar à Madeira, as minhas origens nunca vividas. É este ano, seguramente.

Estas são as minhas razões para ir de férias à Madeira, este ano. As de tantos outros estão neste site, numa iniciativa de cidadãos que assim mostram, com uma campanha que faz todo o sentido, a sua solidariedade. Uns são madeirenses. Outros descendentes, como eu. Outros apenas portugueses que gostam da ilha.

Ir à Madeira de férias é o gesto que a Madeira precisa para se reerguer. Vale mais do que mil palavras e qualquer donativo. Porque põe a economia da ilha a funcionar e devolve optimismo aos madeirenses.

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos


Ora bem, parece que ainda há quem duvide do génio de Mourinho ou ache que o pacto que fez com o Diabo passou de prazo desde que foi para Itália. Quem viu o jogo de hoje, pode comprovar que duvidar de Mourinho é um sacrilégio e que o Diabo continua do seu lado. O Barcelona teve para aí 65 % de posse de bola (não vi as estatísticas finais) e passou o jogo a tratar a bola com paninhos quentes, habitual, como se uma meia-final da liga dos campeões se pudesse equivaler a uma peladinha, começando os ataques (não sei se podemos aplicar a tradicional taxonomia futebolística às ideias de Guardiola) sempre da mesma maneira, no cepo Puyol passando para o Busquets e chegando sempre, mas sempre, ao grande Xavi, o homem que vê mais além numa equipa de baixinhos. Mas - e este é o "mas" essencial - tudo isto assim aconteceu porque Mourinho assim quis que acontecesse; o ar sereno ensaiado quando "celebrou" o golo inaugural de Pedro deve ter deixado Guardiola com a pulga atrás da orelha (parece-me não haver dúvidas de que, neste momento, ele é o segundo melhor treinador do mundo) e cedo se começou a perceber porquê; a táctica de Mourinho é antiga: "brinquem, brinquem, que no fim falamos". Depois de dez, onze, quinze toques, a bola chegava a Messi e este via um corredor à sua frente que rapidamente era bloqueado por dois ou três adversários, um truque fantástico que lhe vai certamente provocar pesadelos - a ilusão da passividade, apesar de ser uma velha táctica transalpina, nunca terá sido tão bem interpretada. A bola ainda passou por Xavi na primeira parte (sempre com classe), mas na segunda parecia perdido no meio do carrossel do Barcelona, deixou de ser o homem que põe aquilo a andar e passou a ser mais um alegre passageiro na viagem - e assim se encravou a engrenagem. Balotelli tentou atrapalhar a vida a Mourinho (como é possível ele ter passado os últimos dez minutos a mandar vir com o público?); mas não conseguiu. Podemos especular sobre os efeitos que o vulcão islandês teve nos jogadores do Barcelona - parece que a viagem foi longa - mas a verdade é que foi Milito quem saiu com cãibras, depois de uma partida exemplar (será que Maradona o vai deixar de fora do Mundial?). Podemos falar desse maravilhoso conceito que os treinadores medianos tanto gostam de invocar - a Sorte do Jogo -, mas julgo que, numa partida deste nível, essa "coisa" nunca deverá sequer ser equacionada. Podemos até falar do grau de imponderabilidade que existe de cada vez que um árbitro português apita, mas parece-me que Benquerença esteve à altura. O que eu vi - o resto do mundo também - foi um Barcelona a brincar na areia e o Inter a ter as melhores oportunidades; vi um Messi entretido com um vaivém inútil no meio campo adversário, sempre em busca de um espaço, reduzido quanticamente a quase nada, e um Xavi que raramente soube encontrar quem estivesse disposto a receber um daqueles passes que costuma inventar. Bem, é a vida, a melhor equipa do mundo parece que também pode ser derrotada em toda a linha, mas ainda há a segunda mão, e quem sabe se então Ibrahimovic joga os noventa minutos. Coisas mais estranhas já aconteceram.
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por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 20 de Abril de 2010
por Pedro Sales
SEGREDO DE JUSTIÇA E LIBERDADE DE IMPRENSA, vão estar em debate no Chapitô, na próxima quarta-feira às 22 horas.

O debate contará com a presença de Francisca Van Dunen, Procuradora Geral Distrital de Lisboa, de António Cluny, magistrado do Ministério Público no Tribunal de Contas, José António Barreiros, Presidente do Conselho Superior da Ordem dos Advogados e Alfredo Maia, Presidente do Sindicato dos Jornalistas.

O debate Segredo de Justiça e Liberdade de Imprensa é um debate organizado pelo Sindicato dos Jornalistas e o Chapitô e realiza-se no dia 21 de Abril às 22 horas, no Chapitô, Rua da Costa do Castelo 1, 1100 Lisboa.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
Novo treinador do Sporting: Paulo Sérgio Bento Brito.

Currículo: dois anos a treinar na primeira divisão. Uma boa razão para correr com Carvalhal, que, supreendentemente, não conseguiu pegar numa equipa desfeita a meio de uma época e dar-lhe o título. Desisto de compreender a direcção do meu clube.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Fotos National Geographic

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales

por Pedro Sales
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por Pedro Vieira


um mc que morre devido a problemas cardíacos, vítima do seu próprio estereótipo. lá diz a sociologia.

por Pedro Vieira
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por Bruno Sena Martins
"Sporting confirma a contratação de Paulo Sérgio."


por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues


“O problema é evidente, mas a lentidão e a debilidade da resposta põem em causa a sobrevivência do euro. Os mercados não são propriamente uma fonte de sabedoria: são predadores, muitas vezes são estúpidos, são completamente imprevisíveis, se a Alemanha e a Europa não encontrarem soluções, podem provocar estragos.”

Joseph Stiglitz em entrevista ao El País. Qual é o problema? É simples de descrever, mas muito difícil (impossível?) de resolver politicamente no actual contexto: basta ver o que acontece às mais modestas propostas de taxação da banca para que esta internalize parte dos custos sociais das crises financeiras. E, no entanto, vale a pena repetir, até porque nem todos os defensores da integração europeia partilham do europeísmo feliz que deu origem a este desastre institucional: não há moeda única segura sem orçamento federal redistributivo com peso, sem dívida pública europeia (euro-obrigações), sem convergência na fiscalidade e na regulação robusta do sector financeiro e com um BCE que pode ajudar os bancos, mas não pode ajudar os Estados que tiveram de segurar as economias no contexto de uma crise financeira global causada pelos bancos (estatutos…). Não há moeda única segura enquanto o financiamento dos Estados em crise depender dos humores dos mercados financeiros liberalizados, do turbilhão da especulação ou de linhas de crédito público a taxas de juro elevadas e com condições de ajustamento geradoras de depressão (isto é pior do que os desastrosos planos do FMI dos anos oitenta e noventa porque nem sequer existe a hipótese da desvalorização cambial). Não há moeda única segura enquanto coexistirem excedentes e défices exagerados nas relações comerciais como resultado da aposta da burguesia alemã na competitividade obtida por via da compressão salarial. Na Alemanha, onde os salários já são elevados e onde existe um Estado Social robusto, esta estratégia de promoção das exportações à custa dos défices das periferias é mais fácil de aceitar pelos trabalhadores (a ameaça de deslocalização empresarial para leste também ajuda à “persuasão”: sempre a economia do medo), mas, mesmo na Alemanha, esta estratégia não tem gerado grandes resultados em termos de crescimento. Em Espanha ou em Portugal, com níveis salariais absolutos tão baixos – cerca de 40% dos assalariados portugueses ganha 600 euros líquidos por mês ou menos –, com desigualdades salariais bem mais elevadas e com um Estado social mais fraco, imitar a Alemanha é utópico. De qualquer forma, esta estratégia deprime o mercado interno europeu (para onde vão as nossas exportações?), esmaga os países mais fracos, sem instrumentos de política para transformarem as suas economias, e aprofunda a crise europeia geral. Enfim, não há moeda que sobreviva sem mecanismos de solidariedade construídos com alianças políticas. Estamos todos juntos nisto - países credores e devedores - ou então vai cada um para seu lado. E este cenário não será bonito para ninguém. Para ninguém.

[Publicado, em simultâneo, no Ladrões de Bicicletas]

por João Rodrigues
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por Sérgio Lavos


Um excelente post de Alexandre Andrade, no blogue verde republicano, a propósito de pedofilia e desse ofício das trevas em que alguma gente de direita se tem empenhado: a prestidigitação em benefício dos crimes da Igreja Católica.
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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010
por Sérgio Lavos



O Ricardo Gross escreve sobre um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, e que não vai ter estreia nos cinemas por cá. Já aconteceu antes - grandes filmes que as distribuidoras parecem esquecer, mas este caso é flagrante: até agora, de Wes Anderson tinha estreado tudo em Portugal. Para além disso, este é um filme de animação, que podia chamar outro tipo de público; e adapta um livro de Roald Dahl, autor lido nas escolas, presente no Plano Nacional de Leitura (e um dos grandes escritores para crianças, mas isso é outra história). Fantastic Mr Fox é um exercício de coolness em animação stop motion, tradicional,melancólico e neurótico, Andersoniano quanto baste, com um cast impecável, um mimo que evoca Vento nos Salgueiros, a série dos anos 80 que adapta outro clássico da literatura infantil escrito por Kenneth Grahame (quem não se lembra do genérico da Thames Television?). Se o queremos ver, é arranjar uma cópia daquelas que circulam por aí; e, já agora, ler este texto de Harry_Madox, no blogue Duelo ao Sol, que fornece pistas para contornar as decisões dos distribuidores portugueses.
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por Sérgio Lavos
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por Arrastão
Ou como dizia o Lewis Black: "In my lifetime, we've gone from Eisenhower to George W. Bush. We've gone from John F. Kennedy to Al Gore. If this is evolution, I believe that in twelve years, we'll be voting for plants"

Ana Cristina Leonardo

por Arrastão
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por João Rodrigues


O objectivo do "tributo solidário" desta novilíngua é claro e não passa por políticas de criação de emprego ou de combate às desigualdades. O economista Miguel Frasquilho, actual vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, numa intervenção considerada inconveniente, fixou o objectivo final de todos os esfarelamentos dos direitos sociais: reduzir salários.

Os pronunciamentos ideológicos de Passos Coelho revelam um paradoxo com consequências políticas maiores: as medidas de austeridade assimétrica permanente inscritas no PEC e tributárias da actual configuração da UE e da globalização, nas quais PS e PSD no fundo convergirão, obrigam Passos Coelho a uma fuga discursiva para os braços da extrema-direita parlamentar, também ilustrada pela aposta na revisão constitucional. Perdendo as referências socialistas, o PS de Sócrates favorece estes passos para um país ainda mais fracturado.

O resto da crónica no i pode ser lido aqui.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira


No dia 22 de Abril, um grupo de cidadãos vai juntar-se nos Restauradores, para enviar uma carta ao Primeiro Ministro, a explicar-lhe porque é que é um erro crasso privatizar os CTT. A ATTAC pede a todos que participam e tragam a sua carta escrita e endereçada ao Gabinete do Primeiro-Ministro: Rua da Imprensa à Estrela, 4, 1200-888 Lisboa. Esta inicativa tem blogue, espaço no Facebook. Mas só vale a pena se o máximo de pessoas escrever a sua carta, com os seus argumentos, e for no próximo dia 22, às 18h15, aos Restauradores, em Lisboa. Antes disso, podem enviar as vossas cartas para o mail que está na página do blogue para que os promotores as publiquem.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Se alguém escrevesse num guião de um filme apocalíptico que uma erupção na Islândia deixariam turistas imobilizados por esse mundo fora, chefes de Estado retidos noutros países ou políticos e homens de negócios obrigados a atravessar meia Europa de autocarro provavelmente ninguém encontraria grande verossimilhança no absurdo. Se alguém dissesse que uma nuvem de cinzas chegaria para pôr em perigo milhares de empresas não faltaria quem se risse do alarmismo.

E, no entanto, quase todos conhecemos alguém que está perdido em algum lugar à espera de poder voltar para casa. Todos sabemos de reuniões desmarcadas, negócios por fazer, trabalhos suspensos, famílias que esperam. E isto multiplicado à escala global.

A coisa assusta pela sua pequenez e pela sua grandeza. Pela pequenez da causa e pela grandeza dos efeitos. Sem qualquer juízo de valor, que seria absurdo, a verdade é que parecendo quase sempre extraordinariamente vantajoso que estejamos todos ligados, os perigos desta rede são imensos. O efeito borboleta, que prosaicamente é explicado através da ideia de que o bater de asas de borboleta na China pode causar um tufão na América, é hoje facilmente verificável.

Ligada em rede, a comunidade global pode dividir conhecimento, arte, tecnologia. Mas também a tragédia e as desgraças. As cinzas islandesas podem falir empresas, assim como o incumprimento bancário de proprietários de casas nos Estados Unidos pode rebentar com a economia mundial. Potencialmente, tudo afecta toda a gente.

Nada pode suster a sucessão de acontecimentos quando cai a primeira peça da fileira de dominós em que vivemos. A dimensão da sucessão de acontecimentos provocados por um pequeno episódio torna os efeitos de cada decisão ou acontecimento imprevisíveis e incontroláveis pela pequenez humana. E é isto, de que as cinzas islandesas são apenas um exemplo, que cria nas sociedades modernas uma ansiedade colectiva permanente em que o ser humano nunca viveu na sua história durante tanto tempo.

Dito isto, algumas coisas podemos fazer para dar segurança à nossa existência: não deixar que nenhuma tecnologia domine todos os aspectos da nossa vida. Não podemos depender exclusivamente dos aviões - acho que qualquer português pode agora perceber a importância de estarmos ligados à rede de alta velocidade -, ou do petróleo, ou dos computadores, ou até dos transportes. Ou seja, a imprevisibilidade dos tempos de modernos, que resulta da globalização e da tecnologia, obriga a não abandonarmos totalmente os instrumentos dos velhos tempos. Aqueles que sobrevivem sempre que o castelo de cartas em que vivemos ameaça desmoronar.

Nem sequer podemos dispensar a proximidade física. Porque não está escrito em lado nenhum que o Mundo continuará a ser tão pequeno como agora nos parece. Sobre isto, vale a pena ler o livro de James Howard Kunstler, "O fim do petróleo", em que, num tom catastrofista mas estimulante, nos explica como a globalização pode ser destruída com uma crise energética de larga escala. E como o local, se isso acontecesse, voltaria a ser o centro da nossa existência, mudando tudo o que hoje nos parece indiscutível: da organização das cidades à dimensão dos Estados, da globalização económica à forma como nos alimentamos. Suspeito que iríamos ter saudades desta ansiedade em que vivemos.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos


Isto não é um post sobre a relação de Carlos Vidal com os químicos.

(Na imagem, um vislumbre das ligações neuronais vidalianas num sublime momento de êxtase estético).

por Sérgio Lavos
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Domingo, 18 de Abril de 2010
por Arrastão
À pergunta "o que lhe desagrada mais no PEC apresentado pelo governo?" a maioria dos leitores escolheu "as privatizações, incluindo os CTT, a REN, a EDP e os seguros da CGD" (64%, 489 votos). Quanto às restantes possibilidades os resultados foram os seguintes: "a redução do direito ao subsídio de desemprego" 45% (339 votos); "a redução das deduções em saúde e educação" 42%, (322); "os cortes Rendimento Social de Inserção" 32% (245); "o congelamento dos salários da Função Pública 30% (227); "a criação do novo escalão de IRS de 45%" 12% (91); "o adiamento de algumas obras públicas" 8% (61). Apenas 9% (69 votos) responderam "nada de fundamental me desagrada neste PEC".

Novo inquérito: O Partido Socialista deve apoiar Manuel Alegre?

por Arrastão
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por João Rodrigues

por João Rodrigues
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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Sábado, 17 de Abril de 2010
por Sérgio Lavos


Com o caos instalado pela Europa fora, regressa o velho Sud Express na próxima segunda-feira, ligando Lisboa a Hendaya. Em Santa Apolónia, a fila de turistas desolados espera por um bilhete que os leve para fora do território nacional. Nos outros países europeus, a situação é igual: as ligações ferroviárias foram reforçadas e a procura, provavelmente, manter-se-à por tempo indefinido, enquanto a nuvem emitida pelo vulcão islandês não se dissipar. Enredo de ficção científica? Não, a realidade actual, caótica, mostrando a vulnerabilidade de um mundo que depende, talvez em demasia, do avião, essa bela invenção que revolucionou os tempos modernos, aproximando países e pessoas, reduzindo o tamanho do planeta. O que destoa também, nesta história toda? Portugal, como sempre na cauda da Europa, sem poder oferecer a quem o visita alternativas ao avião. Somos como uma ilha sem escapatória, neste momento - há poucas viagens de longo curso por estrada e não há ligação rápida ao resto da Europa, ao contrário do que acontece na maior parte dos países da União Europeia. As linhas de alta velocidade, eficazes, alternativa mais segura, mais barata e mais ecológica, ligam as grandes cidades europeias. Em Itália, o exemplo pessoal mais recente, de Roma a Florença é uma hora e meia, de Florença a Veneza (sensivelmente a mesma distância que vai de Lisboa ao Porto) são duas horas. E há ligações de Roma e Milão a outras cidades não italianas. Para além da politiquice que desde o início envolveu esta questão, a decisão da alta velocidade ferroviária (apesar da crise) foi acertada. Pode-se - deve-se -  questionar um segundo aeroporto em Lisboa, ainda mais agora que, devido à crise internacional, o fluxo de passageiros de avião diminuiu drasticamente; mas o comboio de alta velocidade, que tanta impressão fez ao provincianismo de Manuela Ferreira Leite, tem de se aplaudir. É pena que venha com demasiado atraso - o TGV já existe há vinte anos; é só fazer as contas.

por Sérgio Lavos
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