Sexta-feira, 9 de Abril de 2010
por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010
por João Rodrigues
“Governo encaixaria 545 milhões de euros se aplicasse taxa especial de 0,15% aos bancos.” Luís Ribeiro no i. Se. Leiam o PEC: os bancos podem estar descansados. Afinal, estamos no país dos espíritos santos, onde os bancos têm poder político nos “mercados” e fora deles.  Basta ver o perfil das onerosas vantagens fiscais que o governo diligentemente lhes faculta, sem paralelo no resto da UE, ou a facilidade com que se argumenta que os bancos passariam os custos adicionais para os seus clientes. O silêncio do empresarialmente correcto em relação ao poder dos bancos é mesmo ensurdecedor. É por estas e por outras que é importante investigar a financeirização do capitalismo português ou a economia política da expropriação financeira operada pelos bancos.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira


Estreia hoje. Já vi e vale a pena. Um documentário sobre a ignorância de uma elite incapaz e sobre um povo que foi deixado para trás. É sobre o abandono, a megalomania e a incúria. É sobre Portugal, um país falhado nas mãos de patos bravos. Desanima. Fica-se com poucas esperanças.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010
por João Rodrigues


“Em face disto, porque é que em certos países há tanta corrupção e noutros tão pouca? Há pouca corrupção quando se verificam três condições: cultura de distinção entre o público e o privado e prevalência do público sobre o privado; prevenção por via de uma cultura de transparência e de mecanismos de acompanhamento a par e passo dos processos onde pode ocorrer corrupção; combate eficaz ao crime quando ocorre e punição rápida e exemplar. A presença de qualquer destas condições implica leis, instituições e meios; mas implica sobretudo cultura pública de prioridade do bem comum e do Estado como principal garante dele. No nosso país não se verifica actualmente nenhuma destas condições. Nos últimos trinta anos dominou uma cultura-armadilha de instrumentalização do Estado através do discurso anti-Estado (…) O PSD e o PS contribuíram por igual para a cultura da prostituição do Estado, servidos por uma bateria de comentadores e analistas conservadores que, com uma intensidade sem paralelo na Europa, foram convertendo diariamente a realidade do Estado a menos na ficção do Estado a mais. Inverter este processo durará décadas, e não há sinais de que tenha começado.”

Boaventura de Sousa Santos, O Crime Compensa, Visão.

Acrescentava apenas, repetindo esta crónica, que num dos países mais desiguais da Europa, numa "democracia dual", este argumento parece ser corroborado por investigação sociológica recente: os países com maior desigualdade económica são também aqueles onde é maior a corrupção. A injustiça social torna a comunidade política uma miragem, dificultando a existência de movimentos cívicos robustos e de uma cidadania atenta e interventiva, uma das melhores formas de traçar e de legitimar as linhas morais e legais que dificultam a expansão do dinheiro para além da sua esfera própria, ou seja, a corrupção. A legitimidade das instituições, a confiança, as virtudes cívicas e a boa administração são hoje sobretudo erodidas pelo que o filósofo Michael Walzer apodou de "imperialismo de mercado", em que um número crescente de esferas da vida social passa a ser regido pela lógica da compra e da venda promovida pelas incensadas empresas e pelos seus pouco escrutinados gestores. Os mercados, construções políticas que dependem sempre do Estado, têm de ser contidos para funcionarem decentemente. As desigualdades que estes geram também.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira
O que impressiona nas imagens do Iraque que conhecemos ontem não é a violação de todas as regras, a ligeireza, as mentiras e a perseguição aos que as divulgaram. É a frieza tecnológica que mata a consciência. Ler no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 6 de Abril de 2010
por João Rodrigues




debate da CULTRA sobre lutas estudantis, que se realiza amanhã em Coimbra, é muito oportuno. Deixo-vos um excerto do artigo da Sandra Monteiro – ex-dirigente estudantil, actual directora do Le Monde diplomatique  - edição portuguesa e uma das oradoras no debate – sobre equidade no ensino superior, um dos objectivos de todas as lutas estudantis para lá da universidade, Lda.: “Do preço simbólico de 1200 escudos (cerca de 6 euros) antes da nova lei, as propinas passaram a ter um valor médio de 300 euros em 1995 e de 900 euros em 2005. Hoje, quase todos os estabelecimentos públicos, confrontados com um crónico subfinanciamento estatal que põe em causa o normal funcionamento das instituições, aplicam a propina máxima (972,14 euros), uma das mais altas da União Europeia (só dois países praticam valores mais elevados e sete não cobram qualquer montante). O modelo de financiamento com propinas, além de não ter contribuído para melhorar a qualidade do ensino, promoveu o recurso ao crédito bancário por parte de muitos estudantes que, não podendo agora cumprir com os pagamentos, são forçados a desistir do ensino superior.”

por João Rodrigues
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por Pedro Sales


Julho de 2007. Iraque. Helicópteros norte-americanos abrem fogo e atingem mortalmente 12 civis, entre os quais dois jornalistas da Reuters. Na operação, cujos vídeo foi ontem divulgado através de uma fuga de informação colocada no Youtube pela wikileaks, foram também feridas com gravidade duas crianças. O Pentágono sempre afirmou tratar-se de uma acção contra forças hostis, mas o filme menciona as sucessivas afirmações dos responsáveis militares dos EUA que são categoricamente desmentidas pelas imagens. Não só o alvo principal dos pilotos são dois jornalistas, que nunca demonstram qualquer atitude hostil, como, violando todas as regras internacionais, abatem um a um os feridos que se arrastam no terreno depois do ataque inicial.

A forma como, depois da notícia correr mundo, o Pentágono finalmente publicou toda a informação sobre esta operação, considerando que todos os passos foram justificados – incluindo o assassinato dos feridos que agonizavam no terreno – é a melhor indicação que não estamos perante mais um caso dessa moderna forma de cinismo semântico que dá pelo nome de danos colaterais ou fogo amigo, mas antes diante do modus operandi das tropas americanas no Iraque ou Afeganistão.

A wikileaks, uma organização de jornalistas, advogados e activistas dos direitos humanos que colige e coloca online documentação classificada e incómoda para vários governos e multinacionais, já afirmou ter em sua posse o vídeo do ataque aéreo que resultou na morte de vários civis afegãos num casamento. Talvez isso ajude a perceber porque razão o Pentágono colocou esta organização na lista de inimigos que ameaçam a segurança dos EUA ou tem vindo a estudar uma forma para a silenciar definitivamente.

Documentos como estes, na sua estúpida brutalidade, são o instrumento mais poderoso para desmistificar a ideia de que os “jogos de guerra” que vemos na televisão são uma versão asséptica e cirúrgica das guerras de outrora, tornando cada vez mais difícil organizar a próxima campanha de desinformação para vender a próxima guerra às opiniões públicas (não por acaso, outro documento revelado pelo mesmo site).

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
Pais do Amaral acaba de explicar que não deu qualquer valor à opinião de um antigo administrador da TVI, João Van Zeller, que alertou para a possibilidade de perda de independência do canal. Porquê? Porque era um protegido seu que lá estava por simpatia. E que um problema dos protegidos é que nunca sabem que são protegidos e julgam que lá estão por serem profissionais. Mais uma lição sobre a forma como as empresas portuguesas são geridas.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Da notícia de ontem do “Público”, resultado de uma investigação a documentos oficiais do Estado e não de fugas de informação da justiça, ficámos a saber que das três uma:
Ou Sócrates fez mais de vinte projectos à borla para amigos, onde se inclui um pavilhão industrial de grandes dimensões, quando recebia um subsídio por exclusividade na actividade de deputado e, sendo ilegal, demonstra uma generosidade sem fim.
Ou Sócrates fez mais de vinte projectos e recebeu por eles ao mesmo tempo que recebia pela exclusividade e então burlou o Estado.
Ou Sócrates não fez os projectos mas assinou-os e cometeu uma ilegalidade grave.

Quem acredite na primeira hipóteses, pode continuar, se for tão generoso como Sócrates, a sua vida como se nada fosse. É ilegal, mas não chega a ser muito grave. Prova-se apenas que não somos muito exigentes.

Quem não acredite na primeira hipótese não pode continuar a aceitar que este Chico esperto governe o país e a aprove leis que supostamente todos temos de acatar.

Haverá ainda os que acreditam numa quarta hipótese: é tudo mentira, uma campanha, uma cabala. Tendo em conta que o trabalho do "Público" está muito bem documentado, não tenho esperanças em fazer com que quem opte por esta possibilidade mude de opinião. Quem não quer ver nunca verá.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O PSD tem mais dívidas do que todos os outros partidos políticos juntos. No final de 2008, o partido liderado por Manuela Ferreira Leite devia 10,1 milhões de euros, quando os restantes 15 partidos políticos em Portugal deviam globalmente 6,2 milhões de euros.

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins


Na passada Quarta-feira, o país acordou para ir ver os dados da Marktest: importava saber quem teria sido o vencedor da noite. Ao que parece, a entrevista de Pinto da Costa a Judite Sousa na RTP1 teve o dobro de audiências daquela que Luís Filipe Vieira concedeu a Miguel Sousa Tavares na SIC. Pinto da Costa não deslumbrou, mas, valha a verdade, ao dar a Judite de Sousa a honra de uma entrevista ao fim de 3 anos tinha meio caminho para conquistar a complacência da entrevistadora. Ademais, Judite de Sousa terá sentido que devia provar que o trôpego benfiquismo do marido, reputado comentador desportivo, em nada a inibia de se enlevar pelo trovador do Norte.

Luís Filipe Vieira também se saiu de forma airosa aproveitando-se, talvez, da inusitada simpatia de Miguel Sousa Tavares (Miguel Sousa Tavares simpático, credo). Desta feita o viés jornalístico resultou num  Sousa Tavares apostado em provar que o seu portismo havia ficado em remanso à espera de novas crónicas para A Bola.

Mas vamos ao que interessa e nada interessa que Pinto da Costa tenha esmagado nas audiências um Luís Filipe Vieira. Os factos mais pertinentes trazidos pelas entrevistas definem uma outra disputa da qual Jorge Jesus é o insigne vencedor e Rui Costa o enxovalhado de serviço.

Tanto Pinto da Costa como Luís Filipe Vieira admitiram ter equacionado a contratação de Jorge Jesus na época passada. Imaginem o ego do senhor. Luís Filipe Vieira adiantou ainda que já desejava Jesus há dois anos e que foi a sua acção directa que permitiu garantir o treinador da presente época: “se eu não apareço hoje o Jorge Jesus estava no Porto”. Leia-se: "dei as fichas todas a Rui Costa e ele gastou-as com o tal do Quique Flores". Pior, como se percebeu no fim da época passada, Rui Costa terá feito oposição à contratação de Jesus em favor da continuidade de Quique Flores, porventura ciente de que a saída de Quique representaria a total capitulação da sua aposta pessoal. Resultado: Luís Filipe Viera impôs-se e hoje fala directamente com Jorge Jesus (ao que consta falam ao telefone todos os dias e Jesus até pede jogadores de madrugada). Compreende-se assim que Luís Filipe Viera tenha dito que Rui Costa -  pelos vistos o único ser humano que na época passada não equacionou Jesus - tem muito que aprender (com o próprio Vieira, presume-se). Não custa especular sobre a cena paradigmática: enquanto Luís Filipe Viera e Jesus falam ao telefone, antes de adormecer, Rui Costa é sucessivamente reencaminhado para o atendedor de chamadas.

Temos assim que o sucesso de Jesus é, por ora, a glória do sistema presidencialista que Luís Filipe Vieira adoptou para prevenir os desmandos principiantes de Rui Costa. Assim, curiosamente, o sucesso de Jesus é, de algum modo, a suprema derrota do Rui Costa de fato e gravata. Enquanto Jesus continuar a viver tempos de glória no Benfica, para Rui Costa Estádio da Luz será um irónico campo de reeducação. Porém, glorioso.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira
António Mexia sempre defendeu menos Estado e mais sacrifícios para garantir o futuro do País. Estado nunca lhe faltou. Sacrifícios é coisa que não parece conhecer. Ler no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira


Todos os dias, até sexta-feira, o Expresso publica no seu site postais sobre os bastidores de Bollywood. Escritos por Bernardo Mendonça e com fotografias de Paulete Matos, uma amiga aqui da casa. Um cheirinho do que virá a sair como reportagem no Expresso. Hoje: a história de um homem que aguarda pacientemente pela sessão da tarde de um filme que está há mais de 14 anos em cena.

Foto de Paulete Matos

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues


As contas estão feitas: as empresas que o governo quer privatizar geraram, no ano passado, resultados líquidos positivos de 350 milhões de euros, o que representa mais do dobro do montante que o governo quer poupar no PEC com o pagamento de juros da dívida pública. Os seis mil milhões de receitas previstas, quando nem um cêntimo estava inscrito no programa eleitoral do PS, contribuirão para uma redução insignificante, de pouco mais de 2%, do peso da dívida pública no PIB.

Será que isto justifica a destruição talvez irreversível de qualquer possibilidade de um Estado estratego capaz de garantir o interesse público em sectores sensíveis da economia, tal como Manuel Alegre bem denunciou, ou a violação do contrato eleitoral com os cidadãos, a base de uma democracia sã? Não creio. Sabe-se que a redução sustentável da dívida só pode vir de um novo modelo de crescimento que prescinda de receitas neoliberais fracassadas. A experiência internacional vem mostrando que o controlo público de sectores estratégicos da economia, nomeadamente no campo das infra-estruturas e dos serviços de rede - da rede eléctrica aos serviços postais -, indispensáveis para a coesão social e territorial de uma comunidade política digna desse nome, é mais eficiente e eficaz do que a mera e sempre ligeira regulação de actores privados.

O resto da minha crónica no i pode ser lido aqui.

por João Rodrigues
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por Pedro Sales


Sócrates mentiu! Como é óbvio, não pode ter feito estas casas a "pedido de amigos". Há coisas que não se fazem aos nossos piores inimigos, quanto mais aos amigos.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira




Este criminoso, este ser abjecto, foi assassinado. Quem o matou tem de ser julgado e condenado. Exemplarmente, para que o Estado da África do Sul mostre ao Mundo e aos seus cidadãos que a justiça não tem côr. Para que mostre que há uma grande diferença entre Terre'Blanche e aqueles que felizmente o venceram. E quando a justiça for feita poderemos dizer que não morreu um herói. Não morreu um mártire. Morreu um canalha. E que os canalhas, nas sociedades que defendemos, têm direito a viver.

Os vídeos são de "The leader, his driver, and the driver's wife", um documentário sobre Terre'Blanche.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


O discurso desta deputada não me encheu tanto as medidas como ao João Galamba. Não me entusiasma o estilo. Mas deu-me uma ideia: o Galamba fazer o mesmo exercício na sua bancada e no partido pelo qual foi candidato. Pode, como propõe o Luís M. Jorge, começar por se informar sobre o senhor que, em nome do seu grupo parlamentar, ocupa o lugar na comissão parlamentar sobre corrupção (sim, esta mesma). Dele (ler aqui e aqui) se poderá dizer que tem uma "reputação ilibada"?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Os ataques à Igreja Católica por causa do encobrimento dos casos de pedofilia fazem lembrar "os aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo", disse, na presença de Bento XVI, o padre franciscano Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia. A frase causou estupefacção e revolta entre judeus (e não só), a começar pelo rabi da principal sinagoga de Roma. Mesmo com a desculpa de que se estão a criticar os ataques colectivos por comportamentos individuais, o "anti-semitismo" (a expressão correcta seria anti-judaísmo, já que nem todos os semitas são judeus) tem uma história tenebrosa com séculos de conversões forçadas, perseguições, expulsões e genocídios que tornam a comparação de um profundo mau gosto.

E ainda pior por ser feita por uma Igreja que não só participou activamente na perseguição aos judeus, como se manteve em silêncio durante o Holocausto. E ainda pior por ser feita perante um Papa de origem alemã que tem, mais do que qualquer outro, obrigação de ser portador de uma memória que não permita este tipo de frases.

No entanto, poucos são os que se podem queixar da banalização desta expressão. Na verdade, o Estado de Israel e os seus principais aliados recentes têm sido muito lestos no uso e abuso deste tipo de afirmações. Todos os que criticam, mesmo que de forma moderada, a política dos sucessivos governos israelitas têm recebido, sem apelo nem agravo, esta odiosa acusação. Nem os judeus que se atrevem a fazê-lo se safam, merecendo o absurdo selo de "self-hating jews".

A verdade é que quem confunde críticas políticas a um Estado com os abjectos sentimentos que levaram ao Holocausto esteve, durante décadas, a contribuir para o branqueamento do que foi a história da perseguição aos judeus. Um branqueamento que torna possível fazer este tipo de analogias idiotas.

O padre em causa acabou por pedir desculpas. Fez bem. Espero, no entanto, que aqueles que têm o "anti-semitismo" sempre na ponta da língua para impedir um debate livre e sem chantagens sobre a situação política no Médio Oriente também aprendam qualquer coisa com este episódio. Há acusações demasiado graves, há expressões demasiado fortes, para serem usadas como arma de arremesso contra quem de nós discorda. O anti-semistismo ou a islamofobia, o racismo ou a xenofobia, existem. Não fazem parte do passado. Mas eles não se confundem com posições fundamentadas sobre um conflito que é, antes de mais, territorial e do domínio do Direito Internacional e dos direitos humanos. Esperemos que a partir deste episódio a sua utilização como argumento passe a ser menos banal. A bem da nossa memória e do respeito pelas vítimas.

Texto escrito no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 3 de Abril de 2010
por Pedro Sales


O nome do documentário não deixa muito espaço à imaginação. Sunday in Hell acompanha o desenrolar da edição de 1976 do Paris Roubaix, também conhecido como o Hell of the North. Juntamente com a Volta à Flandres, que é disputada amanhã, estas duas provas centenárias, separadas por uma escassa semana, são as mais prestigiadas e duras clássicas de um dia da temporada ciclistica. Grande parte da segunda metade destas maratonas de mais de 250 quilómetros é percorrida em estradas rurais cobertas por paralelepípedos que, decididamente, não foram feitas para bicicletas com pneus finos e sem suspensão. Nos raros dias em que não chove a poeira cobre todos os participantes, quando chove é o inferno de lama e pedras escorregadias que dificulta a progressão. Ainda hoje, com os avanços tecnológicos nos materiais e com bicicletas feitas à medida para suavizar a brutalidade do percurso, Lance Armstrong afirma que estas provas são para loucos e Hincapie diz que, após um dia nestas estradas, o seu corpo fica como se tivesse corrido as 3 semanas da Volta à França.

O documentário é realizado por Jorgen Leth (autor do melhor filme sobre a volta à Itália, Stars and Watercarriers) e acompanha o desenrolar da prova e dos principais nomes - como Eddy Merckx, Freddy Maertens, e Francesco Moser - mas detém-se também nos pequenos pormenores dos bastidores da corrida e no ambiente que a rodeia. O vento, a chuva, a lama, a dureza do percurso e a vontade de ganhar uma prova que enche uma época ou mesmo uma carreira concorrem para o seu dramatismo, mas são as ruas inundadas por uma multidão de centenas de milhar de espectadores (entre 500 mil a 1 milhão, todos os anos) que lhes trazem a emoção e cor que as faz únicas durante toda a temporada. Como bónus, Sunday in Hell ainda nos permite ver a forma absolutamente demolidora como Merckx encarava todas as provas em que entrava.

O documentário completo pode ser descarregado, aqui, durante os próximos 10 dias.

(*) hoje, particularmente, ao sábado. A série com os documentário sobre a guerra fria continua na próxima semana

Amanhã: das 12 às 16. Transmissão da Volta à Flandres no Eurosport. À mesma hora, no próximo domingo, transmissão do Paris Roubaix.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
...que depois dos cavaquistas terem ajudado, em 1991, a reeleger Mário Soares, os soaristas estejam tão empenhados em reeleger Cavaco Silva.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"Estou solidário com Manuela Ferreira Leite, mas convém lembrar que eu não fiz parte da direcção de Manuela Ferreira Leite."
José Pacheco Pereira, quinta-feira na Quadratura do Círculo

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 2 de Abril de 2010
por João Rodrigues


“Este pacote de medidas de austeridade [PEC] é apresentado como o necessário ajustamento para cumprir os limites, arbitrariamente definidos pela UE, para as finanças públicas. Estas medidas não fornecem qualquer perspectiva de crescimento sustentável num contexto de crescente desemprego e de uma economia global estagnada. Partindo de um equivocado princípio - as privatizações conduzem a espontâneos aumentos da produtividade -, o Governo esquece que os actuais problemas da economia global impedem qualquer crescimento impulsionado pelas exportações. Assim, o cenário mais provável é o da continuação da recessão, com correspondente aumento do desemprego. Portugal, um dos países mais pobres e desiguais da UE, verá agravada a sua situação". Costa Lapavitsas, Eugénia Pires e Nuno Teles, Uma tragédia que não é só grega.

"A crise grega é terrivelmente reveladora das contradições da construção europeia (…) Um processo de convergência teria podido ser sustentado por uma política de harmonização das condições fiscais e sociais da actividade económica e pela aplicação de ferramentas adequadas, por exemplo um orçamento europeu que financiasse as transferências necessárias a essa harmonização. Mas a escolha de um modo de construção liberal privilegiando a concorrência "livre e não falseada" excluía à partida essa orientação. A escolha da moeda única não foi motivada pelas suas supostas vantagens. A estabilização das taxas de câmbio teria podido ser obtida por dispositivos menos rígidos que permitissem reajustamentos periódicos. O euro serviu sobretudo para impor a disciplina salarial: como daí em diante era impossível jogar com a taxa de câmbio, o salário tornou-se a única variável de ajustamento". Michel Husson, Europa: A refundação ou o caos.

Vale a pena ler também o artigo, mais longo e detalhado, de Husson sobre a perda dos rendimentos do trabalho a favor dos rendimentos de capital na Europa, num contexto em que as desigualdades salariais não cessaram de crescer (o sítio deste economista francês é uma mina). Enfim, como disse um dia o realista milionário norte-americano Warren Buffet, a luta de classes existe e a minha classe ganhou-a. Quando isto ocorre à escala europeia, a crise económica é mais do que certa. Contradições do capitalismo que têm de ser resolvidas com reformas que superem o regime económico instituído em Maastricht e a economia da chantagem criada pela actual configuração da globalização.

por João Rodrigues
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Israel lançou mais um ataque, o maior desde Janeiro do ano passado, a Gaza, deixando muito claro que a construção dos colonatos em vésperas de visita americana não era um equívoco, era um recado: Israel não quer a paz se ela passar por qualquer tipo de cedência. Os bombardeamentos a Gaza são apenas a continuação de um ritual macabro em que o país dominante mostra que não manda apenas na Palestina. Manda em toda a comunidade internacional, a começar pelo seu aliado principal. A Páscoa na Terra Santa será igual a tantas outras.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Numa recpção à comunidade portuguesa radicada em Moçambique a embaixada definiu o "dress code". Na comunidade há mulheres hindus e muçulmanas, como é natural naquele país. Qual era a vestimenta exigida? Traje de gala para os homens, saia curta para as mulheres.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2010
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues


No seguimento da notícia sobre as remunerações que os gestores no controlo de empresas naturalmente monopolistas ou oligopolistas atribuem a si próprios, perante a habitual passividade dos accionistas (é assim no regime neoliberal que erodiu os verdadeiros contrapoderes dentro e fora da grande empresa), deixo um excerto de uma crónica que escrevi no i há pouco menos de um ano:

A força do empresarialmente correcto, mais poderoso do que o chamado politicamente correcto, ficou demonstrada com uma cambalhota do PS. Em Abril, este partido tinha aprovado, na generalidade, uma proposta do BE que, entre outras coisas, tributava fortemente os prémios auferidos pelos administradores de empresas. Tratava-se de uma proposta sensata num país onde as desigualdades salariais, das mais elevadas do mundo desenvolvido, não param de crescer. Tratava-se de uma proposta expressiva que iria remover alguns dos privilégios dos gestores de topo, um poderoso e pouco escrutinado grupo de interesse. Na semana passada, o PS decidiu chumbar, na mais discreta especialidade, a proposta anteriormente aprovada.

Esta atitude mostra como o PS continua preso à ideologia económica liberal responsável pela crise. Uma ideologia que ofusca alguns factos essenciais. A perversa cultura dos milionários bónus em função dos resultados inscreveu a ganância, a fraude e a miopia no coração do sistema económico. Basta lembrar os acontecimentos recentes no sistema financeiro que todos os contribuintes vão ter de pagar. O que se passa nas empresas é antes de mais o resultado de decisões políticas que estabelecem as regras do jogo. Estas definem o recorte dos direitos e obrigações dos seus diferentes actores - trabalhadores, gestores ou accionistas - e influenciam a definição de quem tem poder para se apropriar do quê e a transparência com que o faz. A política nunca pára à porta da empresa, seja ela pública ou privada. O que aí se passa tem impactos sociais e diz respeito a todos.

por João Rodrigues
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por Bruno Sena Martins
"De acordo com informação enviada pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, António Mexia recebeu em 2009 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos).
A estes valores junta-se um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros, que entra nas contas de 2009 e que corresponde a 600 mil euros por cada um dos três anos.
Assim, o CEO da eléctrica portuguesa irá receber este ano um total de 3,1 milhões de euros, quando a assembleia geral de accionistas, marcada para 16 de Abril, aprovar as contas de 2009."

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira
Agora que os alemães pegaram na história e que o sonoro nome Barroso aparece a ele associado nos jornais europeus talvez fiquemos a saber qualquer coisa sobre o negócio dos submarinos. Ler no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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