Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010
por Bruno Sena Martins
Após o mundial consolidou-se em mim a inevitabilidade da saída de Carlos Queiroz, não tanto pelos resultados, mas pela notória fragilidade da sua liderança, dado mais que patente nas declarações de descontentamento de vários jogadores - não é o descontentamento em si que surpreende, mas ter sido manifestado com tamanha desfaçatez. Fico com a sensação de que a ausência de carisma em Queiroz, bem como os surtos de agressividade com que tenta disfarçar essa mesma ausência, o condenam sem apelo perante alguns jogadores de selecção pouco dados a respeitar treinadores com menor estatuto mediático, como o condenam perante uma opinião pública que, num estranho apego ao "texto", valoriza desproporcionadamente o desempenho dos treinadores nas conferências de imprensa.

Hoje, em função dos processos que estão a ser movidos a Queiroz, seja por ter insultado Luis Horta por mãe interposta, seja por ter chamado a Amândio Carvalho, vice-presidente da federação, de "cabeça do polvo, começo a ficar convencido da inevitabilidade de lembrarmos o dia em que Sclolari deu um bofetão a um jogador sérvio, à frente das câmaras de todo o mundo, para assim pôr a nu os tentáculos da hipocrisia que grassa na Federação. Aquando do chapadão de Scolari, a Federação fingiu-se indignada e lá defendeu a sua dama com unhas e dentes. Hoje, a Federação finge indignações sucessivas para justificar o que toda a gente já percebeu: querem despedir Queiroz simulando um coração apertado. Para "razão atendível" teria bastado, após o mundial, uma decisão corajosa para a substituição do seleccionador. Para justa causa sobra-lhes hipocrisia. Uma decisão certa pelas razões erradas é uma decisão errada. Se Queiroz sair pela sensibilidade candente das virgens ofendidas, Luís Horta ou Amândio Carvalho, será tomada uma decisão errada: porque fora de tempo, porque movida a manigâncias de gente sem coragem. Depois da risível substituição de Hugo Almeida, as gentes da Federação realmente precisavam de ser muito torpes para nos obrigarem a defender a não substituição de Carloz Queiroz.

Publicado no Aparelho de Estado.

por Bruno Sena Martins
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por Pedro Sales
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por Pedro Sales
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
por João Rodrigues


LR do blasfémias anda embevecido com o sucesso do modelo asiático de crescimento. Miguel Madeira, do já imprescindível vias de facto, temperou a excitação com um pouco de bom senso empírico. Aliás, é com interesse, mas sem surpresa, que  tenho visto muitos “liberais” seduzidos pela combinação duradoura de autoritarismo político e de capitalismo em desenvolvimento na China. No entanto, creio que este entusiasmo é mais o produto de um mau esforço de propaganda do que o resultado de uma análise das características da formação social chinesa, uma opaca combinação de diversos modos de produção, ou do modelo asiático, assente na ideia do Estado desenvolvimentista. O que é que os liberais apreciam no original híbrido económico chinês? A complexidade e dispersão dos diversos direitos de propriedade, por exemplo da terra, ao arrepio de todas as cartilhas? A correspondente facilidade com que o Estado pode desenvolver as infra-estruturas do país? O controlo estatal quase total do sector bancário (a banca pública representa mais de 80% do total)? O controlo de capitais, típica política desenvolvimentista, que permitiu, por exemplo, escapar à turbulência financeira do modelo liberal? Os fundos de investimento soberanos, que andam por aí a comprar empresas e títulos da dívida pública, um instrumento de política industrial e de influência diplomática? As políticas industriais agressivas de inserção internacional, típicas do "Milagre Asiático", com muitos subsídios e exigências de transferência de tecnologia, que muito teriam orgulhado List e que são apontadas pela tradição do “mercado governado”, substituídas, depois da adesão à OMC, por uma política cambial deliberadamente calibrada, controlada publicamente para desvalorizar a moeda e assim aumentar a competitividade das exportações? A forma como a China sempre recusou o Consenso de Washington e de como replicou o modelo do Estado desenvolvimentista asiático? A recente política de estimulo económico, assente no investimento público e no aumento das despesas sociais, acompanhada, entre outros países, pela Coreia do Sul e que muito satisfaz os keynesianos? A lenta reconstrução da provisão, publicamente suportada, de saúde depois do desmantelamento da boa herança comunista nesta área, desmantelamento que muito contribuiu para a compressão do consumo interno de que agora muitos se queixam e para a relativamente medíocre evolução dos indicadores de saúde depois da década de oitenta? Talvez tenham apreciado os esforços teóricos para inserir a classe empresarial no partido único de vanguarda? Talvez os adeptos da pureza económica liberal se tenham convertido ao pragmatismo e experimentalismo económicos chineses, que muito agrada aos pragmatistas na economia política do desenvolvimento? Não. Talvez gostem mesmo é da repressão do movimento operário independente, mas que apesar de tudo se afirma, e que constitui uma grande esperança para todos os que acreditam nas virtudes da acção política autónoma das classes trabalhadoras?

por João Rodrigues
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos


Na semana passada, havia uma data escolhida pela FIFA para jogos de preparação das selecções nacionais. Apenas duas não a aproveitaram. Foram elas São Marino e Portugal. Certo. Curiosamente, a ausência deste jogo de preparação, numa data aproveitada por todos (incluindo os adversários do nosso grupo), não chegou a ser notícia nos jornais da especialidade e nas secções de desporto dos diários generalistas. Carlos Queirós aguardava, com toda a tranquilidade, o resultado do inquérito instaurado pela Federação. Hoje, soube-se que será suspenso por um mês, falhando os dois primeiros jogos de qualificação. A pergunta que se impõe deveria ser esta: mas está tudo louco? Como é possível achar-se normal esta sequência e ninguém reclamar a sério, para acabar de vez com o regabofe liderado por esse ícone da incompetência e do carrerismo que é Gilberto Madaíl? Antes do Mundial começar, eu achava que o pior que podia acontecer à selecção era chegar aos oitavos-de-final e perder com a Espanha. Porque assim, haveria sempre a desculpa de termos perdido com os melhores e a força para empurrar Queiroz seria quase nula - e este nunca se demitiria, nem que perdesse os três jogos da primeira fase. Assim sucedeu. O pretexto que tentaram arranjar para o mandar embora está ao nível da pessoa responsável (Gilberto Madaíl) pela manigância: baixo, muito baixo. E o ridículo espectáculo montado na sede da federação - o desfile dos representantes do sistema (Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira) acompanhados do amigo Ferguson e do pesetero e aficionado de pequenos-almoços institucionais Luís Figo - foi adequado à pífia ópera bufa a que temos assistido. Portanto, está tudo bem, estamos bem servidos por mais uns anos, com a conivência dos untuosos jornalistas desportivos do costume e a anuência obesa dos comentadores do rescaldo da jornada. É apenas bola? Não, é o país que temos. É muito.
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por Sérgio Lavos
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por João Rodrigues


Estive a ler alguns artigos do livro “Socialismo no século XXI”. Uma iniciativa do economista Duarte Cordeiro, até há pouco tempo secretário-geral da JS e actual director da campanha de Manuel Alegre. Num dia em que se confirma que o desemprego de longa duração atingiu máximos históricos e em que sabemos que o consumo de antidepressivos não pára de aumentar, esta passagem do primeiro capítulo do livro, escrito por Arons de Carvalho e Duarte Cordeiro, parece-me particularmente pertinente: "O mundo parece ter aprendido pouco com esta crise financeira, económica e social, e as soluções de austeridade apresentadas na generalidade dos países aumentarão ainda mais a recessão, o desemprego e as desigualdades sociais. São necessárias novas soluções e os Partidos Socialistas e Social-Democratas devem liderar esse caminho”. O problema é que nos poucos países europeus onde estão no poder estão mas é a liderar o caminho oposto. O contributo de João Ferreira do Amaral, em meia dúzia de páginas, ajuda ajuda a explicar porquê e merece destaque: a social-democracia abandonou a ideia keynesiana de que “o essencial para a obtenção do pleno emprego é manter um alto nível de procura agregada”. Depois de apresentar e descrever os eixos de uma política económica de “esquerda democrática” (como se pudesse existir outra esquerda…) – redução das desigualdades sociais, valorização do trabalho, produção de bens públicos e subordinação do poder económico ao poder político –, Ferreira do Amaral coloca o dedo nas feridas da social-democracia europeia, em especial na grande armadilha em que a social-democracia caiu – a integração europeia realmente existente depois de Maastricht: “Muito mais que um instrumento de regulação da globalização, a União tem-se transformado, pelo contrário, num veículo de transmissão da globalização desregulada até nossas casas. Por isso, não é hoje possível fazer uma política de esquerda na União. Não é possível valorizar o trabalho, porque todo o ajustamento macroeconómico incide negativamente sobre ele. Não é possível regular a maior parte dos mercados de acordo com as necessidades de cada economia (…) Daí também a grande tragédia dos líderes socialistas que se vêm obrigados a seguir políticas à revelia das concepções dos partidos que lideram”. A tragédia é ainda maior: as estruturas europeias e globais favorecem a mutação das próprias concepções dos partidos social-democratas. Pior: há quem chame “modernização” a esta desgraça. A neoliberalização, o esvaziamento em curso, da social-democracia é um problema para toda a esquerda.

por João Rodrigues
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por Bruno Sena Martins
Uma academia de futebol é isto:

Jorge Costa: Treinador da Académica
Domingos: Treinador do Braga
Villas-Boas: Treinador do Porto
Mourinho: Treinador do Real Madrid
Fernando Couto: Director Desportivo do Braga
Costinha: Director Desportivo do Sporting
Pedro Emanuel: Treinador Adjunto do Porto
Vítor Baía: Futuro Presidente do Porto.

por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos


Antecipando com satisfação a torrente de comentários com alusões a Salvaterra de Magos, a Sintra e ao aborto de "criancinhas" que vai inundar este post (e que eu vou olimpicamente ignorar), deixo aqui um link para uma petição contra um dos últimos resquícios de bestialidade primitiva que ainda restam no nosso mundo: a tourada. Para acabar, sim, com a barbárie, mas também com a ideia de que um espectáculo que celebra a violência da lei do mais forte tem alguma coisa a ver com cultura.

por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos


Olha, olha, Pedro Santana Lopes a dizer uma coisa sensata, pertinente e contumaz - e, de passagem, a acertar contas antigas. Pedro Passos Coelho, o salvador da pátria laranja (e, por arrasto, do partido da trela do poder, o CDS-PP), em pleno Pontal, lado a lado com Mendes Bota, ameaçando o Governo - uma bela imagem que os adversários internos do PSD (os mesmos que elogiaram a ausência de Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite no passado) se esqueceram de criticar. Já cheira a Poder, não é?

(Via 31 da Armada - agora não se esqueçam de me chatear por fazer um link para um blogue perigosamente direitista.)

por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins
"Terá de existir a propriedade privada de grandes obras de arte, acompanhada de tudo aquilo que essa propriedade acarreta de riscos materiais, de cobiça, de exclusão das correntes do pensamento e do sentimento gerais? A interrogação torna-se ainda mais premente quando o quadro, a escultura ou produção de arquitectura em causa foram concebidos tendo em vista antes do mais a exposição pública como é, evidentemente, o caso da maioria das obras da Idade Média, do Renascimento e dos séculos XVII e XVIII. Dizer que os coleccionadores privados, sobretudo nos Estados Unidos, têm sido generosos por permitirem que alguns convidados eruditos dêem uma olhadela aos seus tesouros (nem sempre o fazendo, na realidade), não é resposta. Deverá a simples riqueza ou a especulação febril do investidor determinar a localização e o acesso a algumas produções do legado humano, universais e sempre insubstituíveis? Há ocasiões em que penso que a resposta deve ser categoricamente negativa: as grandes obras de arte não são, não podem ser, propriedade privada. Mas não tenho a certeza."

George Steiner, "O Sacerdote da Traição", George Steiner em The New Yorker.

por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos


Aqui há uns dias, jmf1957 espevitou-se com uma notícia que indicava serem os portugueses quem mais gasta com a Saúde na Europa. Cerca de 8% do orçamento familiar vai para esse tipo de despesas. Ora, com estes números, seria de esperar que jmf1957 se indignasse com o preço dos tratamentos nos hospitais e clínicas privadas, com o excesso de auto-medicação (especialmente nos idosos) ou, sobretudo, com a ridícula fatia que os genéricos têm no mercado português. Seria de esperar que ficasse irritado com os hábitos da maioria dos médicos portugueses, que continua a recusar autorizar genéricos quando passa uma receita. jmf1957 sabe isto, e sabe que, num país onde tal acontece, é natural que as despesas de saúde levem grande parte do orçamento das famílias. E a percentagem (é disso que falamos) ainda se agrava mais porque é claro que o ordenado médio em Portugal é bastante inferior aos outros países europeus analisados, e portanto basta fazer as contas (explicitando: o preço dos medicamentos em Portugal não difere muito dos outros países europeus, portanto o peso deste bem no orçamento mensal das famílias é, evidentemente, maior). jmf1957 sabe tudo isto (e eu sei que ele sabe) mas preferiu insurgir-se contra o Serviço Nacional de Saúde e a sua tendencial gratuitidade. Agora, jmf1957 tem mais uma oportunidade para perceber o peso que o lobby farmacêutico tem na economia da Saúde em Portugal. Para além das pessoas, as empresas - que os hospitais também começam a ser. Talvez o coração "liberal" de jmf1957 bata mais forte. Ou não. Na verdade, jmf1957 tem razão numa coisa: "há mentiras que, repetidas muitas vezes, até parece que são verdades".

por Sérgio Lavos
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por João Rodrigues


Os milionários norte-americanos andam numa azáfama filantrópica de milhares de milhões de dólares. O sucesso dos seus negócios convence-os de que podem aplicar as fórmulas empresariais para resolver a questão social. Bill Gates e outros exibem a típica arrogância que o dinheiro concentrado e a adulação geram.

E, no entanto, parece evidente que, a existirem capitalistas milionários, é melhor tê-los filantropos. Acontece que escolher entre duas alternativas dadas não implica consentir com a estrutura que gerou escolhas tão limitadas.

O resto da crónica no i pode ser lido aqui.

por João Rodrigues
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
por Pedro Vieira
Paulo Portas com mais fãs do que Louçã no Facebook até 31 de Agosto!




Até 31 de Agosto, convidem os vossos amigos para se tornarem fãs de Paulo Sacadura Cabral Portas, o presidente do CDS-PP e para deixarem de ser fãs de Francisco Louçã. Em nome da democracia, da liberdade e do rigor, vamos fazer Paulo Portas ter mais fãs do que Louçã!

por Pedro Vieira
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Domingo, 15 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos
Um belo exemplo da plenipotência do comentarismo publicista nacional: Pacheco Pereira acusou uma jornalista, Teresa Canto Noronha, sua colega na SIC (o que, para o caso, é pouco relevante), de "preconceito", "asneira" e "ignorância", numa peça em que aquela se refere ao Vaticano como sendo uma monarquia absoluta. Ela mostra a sua indignação e a redacção dá-lhe razão, até porque a classificação de "monarquia absoluta" aparece na página oficial do Vaticano. Pacheco Pereira irá continuar calado, mas entretanto quem viu a peça (felizmente, tirando uns quantos comentadores de blogues e outros apaniguados intermitentes da blogosfera, serão poucos os que assistem à homilia semanal pachequiana) terá ficado, quem sabe, chocado com tal "preconceito" e, sobretudo, mal-informado. Um exemplo, apenas um, do enviesado poder que estas sinecuras detêm na actual democracia mediática.

(Via Jugular.)

por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos
Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt recebem Leopardo de Ouro em Locarno.
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por Sérgio Lavos
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Sábado, 14 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos


Adam Kohn, sobrevivente do Holocausto, decidiu celebrar em Auschwitz e outros lugares da sua via sacra (o gueto de Varsóvia, o museu que Hitler quis criar para assinalar o extermínio dos Judeus) a sua sobrevivência. O vídeo, ideia da filha, mostra Kohn e a sua família dançando nestes lugares ao som de "I Will Survive", de Gloria Gaynor - e também de Leonard Cohen, no final. Uma celebração, sem dúvida, da resistência à morte e à mais absurda violência, uma espécie de riso na cara do destino, contra todas as probabilidades e contra - também -  as críticas dos zelotas, os de sempre, quem julga deter o exclusivo do sofrimento e reclamou de tal sacrilégio. Um exemplo.

(Notícia aqui.)

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira


Omar Khadr, um menino-soldado obrigado pelos pais a passar pelos campos de Ben Laden e que foi preso com 15 anos pelos americanos, está a ser julgado por um tribunal militar. Foi ilegalmente interrogado, ilegalmente mantido, durante oito anos e sem acusação, numa numa prisão ilegal e está a ser ilegalmente julgado por um tribunal que só pode ser ilegal em qualquer Estado de Direito.

O responsável da secção do Canadá da Amnistia Internacional (Omar tem nacionalidade canadiana) resume bem a coisa: "Este não é um caso que levante apenas uma questão de direitos humanos. Ele demonstra todos os problemas potenciais que existem aqui. Ou seja: a questão do julgamento injusto, a questão das crianças-soldado, a questão da detenção prolongada antes do julgamento, a questão dos depoimentos obtidos sob tortura. Está tudo aqui."

Tudo neste processo é uma vergonha para os Estados Unidos e para Obama, que prometeu acabar com esta farsa que se tenta fazer passar por justiça. As crianças envolvidas em conflitos militares são vítimas, nunca culpadas. E Omar Khadr já é vítima há demasiado tempo. Tem 23 anos. Depois de uma infância em cenário de guerra, são oito anos a servir de brinquedo político para cobardes.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Omar Khadr tinha 15 anos quando foi preso. Ou Khadr não fez nada ou Khadr foi

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010
por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos
De casas preservadas na infância
eis o que eu sei das coisas, para além do tempo:


organizam o porte e a trajectória
na consentida face do silêncio.
Petrificam-se mansas, no interior da pedra
e o abandono é nelas, já vencido
a hesitação que habita as coisas móveis.



Assim se lhes constrói a face
e amadurece
uma presença alheia que as revela.


in A Decisão da Idade, Sá da Costa, 1977

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira
Este post de Helena Matos podia entrar no anedotário do pensamento político. Indigna-se por o Estado querer regulamentar a actividade das amas por conta própria. Pior: por querer cobrar impostos. Tenta, no caminho, pintar a ideia que se trata de uma actividade meramente informal. Coisa de vizinhas, suponho. Tenho ideia de que, quando vizinhas ficam com os filhos de outras por solidariedade ou amizade, o Estado não faz questão de regulamentar coisa nenhuma. E não terá sequer nada para cobrar. Mas se esse trabalho é remunerado, então estamos, aqui e em qualquer parte, perante uma actividade económica e profissional.

Há mesmo quem, nos comentários a este post de Helena Matos, compare as amas às avós. O primeiro que pagou à sua mãe para ficar com o seu filho que levante o dedo. Mas fez bem tal comentador em fazer esse paralelo. Porque é isso que vai na cabeça de Helena Matos. Acontece que nas sociedades modernas (em todas), as actividades profissionais – ainda mais tratando-se da guarda de crianças – são regulamentadas. Quanto mais não seja para os clientes saberem que direitos têm.

Da vontade de “definir as regras de funcionamento”, “características do espaço (casa da ama)”, “qualificações necessárias para o acesso à profissão” e “regime contra-ordenacional, nomeadamente quanto às questões relacionadas com a responsabilidade civil” Helena Matos retira que “os pais ainda vão acabar a ser processados por discriminação já que escolhem as amas simplesmente porque lhes disseram bem ou mal delas e não por concurso público” e “as criancinhas irão para a ama que lhes calhar numa lista de colocação organizada por critérios definidos pelo ministério”. Não sei se Helena Matos sabe, mas quase todas estas exigências existem nas outras actividades económicas: os restaurantes ou os bares têm regras para o espaço, as clínicas ou os infantários têm exigências quanto à qualificação dos seus profissionais e todas elas dão aos consumidores a possibilidade de responsabilizarem quem lhes fornece um serviço por algum dano. Não consta que por isso o Estado obrigue a concurso público para escolher onde se vai jantar ou decida onde, com o seu próprio dinheiro, os pais põem os filhos. A não ser que seja ele a fornecer o serviço, o que não é o caso destas amas (as que trabalham para o Estado têm a sua actividade regulamentada).

Todas as actividades económicas têm um enquadramento legal e todos os que trabalham e recebem por isso estão sujeitos a um regime fiscal. Quer a Helena Matos fazer uma lista das profissões que não devem pagar impostos?  É que quase todas as actividades que hoje são regulamentadas já foram informais. Até a medicina. Às actividades económicas sem regras nem qualquer registo financeiro damos o nome de economia informal ou paralela. Nela, nem os profissionais nem os clientes têm qualquer direito escrito. É o que acontece em grande parte da economia de países africanos e asiáticos. Tem alguma beleza poética, é verdade. Mas ainda não tinha visto ninguém olhar para eles como modelos económicos a seguir.

Este “neoliberalismo” ("neo", no sentido em que se tratam de liberais recentes) chegou ao seu ponto caramelo. Já não defendem menos Estado. Defendem uma espécie de capitalismo primitivo. Tenho uma ideia para uma próxima batalha: lutar contra a existência de moeda, essa intromissão inadmissível do Estado na economia. Voltemos à troca directa. Tudo deve ser informal.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010
por Daniel Oliveira
Para quem o usou não será novidade. Mas hoje, por razões familiares, recorri pela primeira vez ao Saúde 24. Fiquei impressionado com duas coisas: com a competência, rigor, cuidado e atenção dos profissionais que ali trabalham e com o facto de, num País onde cada falha do Serviço Nacional de Saúde merece um enorme (e justo) destaque, não ter lido muitos e rasgados elogios a este excelente serviço. Pouparam-me uma viagem ao centro de saúde ou urgência e pouparam aos serviços mais um a encher, sem qualquer necessidade, uma sala de espera. É assim, e não com cortes cegos e degradação dos serviços, que se poupam recursos.

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins
"Com o PS na oposição o SNS está mais bem defendido. Porque o PS na oposição é de esquerda." António Arnaut, Diário Económico

por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues


Podem ler um excerto do último livro de Tony Judt (1948-2010), uma bem argumentada defesa moral de uma “social-democracia do medo”, na New York Review of Books: “A natureza materialista e egoísta da vida contemporânea não é inerente à condição humana. Muito do que hoje consideramos natural data dos anos oitenta: a obsessão com a criação de riqueza, o culto da privatização e do sector privado, as crescentes disparidades entre ricos e pobres. E, acima de tudo, a retórica que as acompanha: a admiração acrítica pelos mercados sem limites, o desprezo pelo sector público, a ilusão do crescimento sem fim.”

Actualização. Simpática mensagem da Edições 70: "Este livro terá tradução portuguesa por Edições 70 no início de Novembro, com o título 'Um Tratado sobre os nossos Actuais Descontentamentos'"

por João Rodrigues
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Terça-feira, 10 de Agosto de 2010
por João Rodrigues


Na minha última crónica no i tentei mostrar a falta de senso das duas principais propostas do PSD: reduzir impostos e salários. Noutra crónica tinha tentado contrariar a tese patusca, de um dos ideólogos do PSD, de que os impostos “elevados” são o caminho para o autoritarismo. Regresso as estes temas por causa de jcd do blasfémias, que já antes tinha mostrado os seus pergaminhos intelectuais ao criticar um artigo que tínhamos escrito sobre o neoliberalismo sem se dar ao trabalho de o ler (já agora, este livrinho é bem bom). Talvez isto explique alguma da confusão sobre um conceito que já é incontornável na história das ideias económicas e na economia e filosofia políticas. Como já defendi, citando Hayek, o peso do Estado não é critério para nada. No entanto, desta vez jcd deu-se ao trabalho de ler primeiro e de criticar depois. Estamos a melhorar. É claro que nem sempre consegue escapar à lógica do insulto pessoal. Acontece quando os argumentos escasseiam. A diferença entre a legítima crítica pessoal e o insulto pessoal é que a primeira parte de factos. Apesar disso, vamos lá extrair os argumentos e tentar responder. Comecemos pelos salários. É com satisfação que reparo que jcd nem sequer tenta defender a “proposta” de corte salarial de 15%, feita pelo gestor Pedro Reis do PSD. Será que uma parte da direita intransigente já reparou na aldrabice que circula por aí nesta matéria? Se sim, então continuamos a melhorar. jcd acha que é uma “palermice” dizer-se que “aumentar ainda mais a precariedade é uma das melhores formas de reduzir salários”. No mundo da fantasia “liberal” de jcd, os factos são uma palermice: um estudo encomendado pelo governo indica precisamente que, em Portugal, os trabalhadores precários auferem, em média menos 25%, do que os trabalhadores com contrato sem termo. O que Passos Coelho pretende, tudo o resto constante, é alargar a precariedade: razões atendíveis. Aqui chegamos à Dinamarca, terra do “despedimento livre”, onde a desigualdade salarial é mais de duas vezes inferior à portuguesa. Será que jcd ignora que a Dinamarca tem das cargas fiscais mais elevadas do mundo e dos mais elevados impostos sobre o rendimento? Será que ignora que o Estado social dinamarquês é dos mais robustos, por exemplo em matéria de formação profissional e de apoio aos desempregados? Será que ignora que os arranjos institucionais que favorecem a negociação colectiva centralizada e uma das mais elevadas taxas de sindicalização são responsáveis pela menor desigualdade salarial antes de impostos? Será que jcd alguma vez leu alguma coisa sobre variedades de capitalismo e sobre as complementaridades institucionais que dão coerência aos sistemas económicos e permitem combinar, segundo o economista Richard Freeman de Harvard, igualdade e eficiência? Duvido. Isto são coisas que não se aprendem naquelas faculdades de economia que tendem a não perturbar as jovens mentes com as complexidades dos capitalismos reais e da impureza económica. Agora, será que Passos Coelho ou Sócrates querem fazer reformas no sentido do modelo da chamada “flexigurança”? A avaliar pelos planos de austeridade, com os brutais cortes no nosso relativamente frágil Estado social, duvido. Poul Rasmussen, um dos artífices da coisa, um dia veio a Portugal e lançou o alerta: “Se em Portugal decidem de um dia para o outro cortar a protecção laboral, arriscam-se a que tudo o resto não se chegue a realizar. E os empregos precários tornam-se na regra da economia”. Foi o que aconteceu. Acabo nos impostos. Eu usei os resultados da excelente investigação do jornalista João Ramos de Almeida. Não acho que se deva aumentar o IRC no actual contexto, embora haja margem para aumentar alguns impostos sobre a riqueza. Isto é muito diferente de se pactuar com a fraude organizada. O meu ponto é simples e passa pela aplicação da liberal “rule of law” em matéria de fiscalidade sobre as empresas. A complacência neoliberal com a fraude diz-nos muito sobre as práticas políticas e intelectuais do “liberalismo” a que temos direito no nosso país.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira
O Ministério da Educação (ME) decidiu fechar a Escola Móvel (EM). O projecto foi criado em 2005/2006, a pensar nos filhos de profissionais itinerantes, do circo e das feiras, que nunca estão muito tempo no mesmo sítio, não podendo frequentar a mesma escola todo o ano lectivo.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Às vezes, as lutas laborais forjam alianças contra-natura. Que pessoas de esquerda tenham trabalhado com este professor, que representa o que de mais medíocre e atrasado existe no nosso ensino, só pode resultar de um desses acidentes da vida cívica. Mas a verdade é que, ao fazê-lo, deram a este boçal taxista (e ele dá aulas!) um protagonismo que o debate sobre o ensino, que diz respeito a toda a sociedade e não apenas aos professores, dispensava.

por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos


Não há férias que resistam a uma onda de calor - calma, dizem os meteorologistas, ainda é cedo para isso - principalmente quando se decidiu há muito não procurar o Sul. A água fria, revolta, o vento a bater o areal, belas praias que julgamos ainda manterem uma virgindade clandestina, horas suportáveis que terminam com algumas imperiais e petisco a acompanhar, uma esplanada sobre o mar. A alternativa é ficar em casa, e aqui o único consolo é uma ventoinha, mais ice tea e muita televisão. Filmes atrás de filmes, integral de Clint Eastwood nos canais TvCine - estranha época para descobrir as obras-primas perdidas dos primeiros tempos (The Outlaw Josey Wales, Honkytonk Man) e saber que o realizador não é apenas o último dos clássicos, essa frase para vender qualquer coisa que transcende a ideia que os publicistas querem passar. É o descendente mais fiel de John Ford, é certo, mas é sobretudo o depositário de uma tradição do cinema feito em Hollywood que privilegia a palavra e o trabalho dos actores, a história e as personagens que a transcendem. A câmara está ali, rigorosa, elegante, capturando e evidenciando esse material de base, a essência do cinema clássico.

Filmes e séries, dieta rigorosa de Top Gear (e The Ultimate Survivor como aperitivo), ao fim da tarde e à noite, tentando recuperar as temporadas perdidas de uma das melhores séries de humor da última década. O programa de Jeremy Clarkson (devidamente acompanhado por James May, Richard Hammond e o incomparável Stig) é um achado, umas das mais vertiginosas reviravoltas a que um conceito pode ser submetido: como fazer um programa sobre carros? Se olharmos para os exemplos nacionais, o deserto: test drive bocejantes, raparigas talentosas, mas não no trabalho que fazem, comparações de preços e outras peças convencionais e sensaboronas que me fazem lembrar o tempo todo que eu nem conduzir sei. Verdade absoluta de que me esqueço quando vejo Top Gear.

E pouca leitura, que o calor não deixa. Há cerca de quinze anos que não lia Vergílio Ferreira, se descontarmos uma tentativa que se ficou pelo início, há uns tempos. Um dos autores que li com maior espanto, por volta dos vinte. Aparição foi a revelação que se seguiu a Na Tua Face, o primeiro que li dele, o que eu mais gostei, que isto dos gostos pouco tem a ver com cânones e unanimidades críticas. Para Sempre a meio, e houve qualquer coisa que se perdeu pelo caminho. Certamente não foi Vergílio, fui eu. As belíssimas frases aparecem, aqui e ali, parágrafos exemplares, e aquele vaivém temporal, ao ritmo incerto da memória. Mas - os capítulos cheios de um rancor indefinido, o narrador que se deixa tomar pela voz do autor (imagino) e uma certa imprecisão no tom da narrativa. É a história de um amor, uma recolha do que se foi perdendo, o relato de um fim que se aproxima?

Julgo não ser o único a ler com atenção as primeiras frases, parágrafos, dos livros, e a admirá-los por si só, independentes do que vem a seguir. Frequentemente, obrigam-me a continuar a leitura, e raras são as vezes em que me arrependo - um escritor terá de investir tudo nestas primeiras palavras, convencer o leitor a acreditar no que escreve, ir com ele. Começa assim:

Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta - sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio. Nada mais terás que aprender? Nada mais. Tu e a vida que em ti foi acontecendo.

Uma tarde de Verão, o calor de Agosto. É  por aqui.
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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos
Uma das áreas em que a demagogia aparece mais vezes como arma de arremesso é, estranhamente, algo que é meno

por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos
A história que se repete a cada Verão é conhec

por Sérgio Lavos
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por João Rodrigues


“Tanto o aumento do desemprego e a degradação geral da situação social como o centenário da República, ou mesmo a entrada no terceiro milénio, poderiam ser boas razões para que se justificassem balanços, ajustamentos, renovações, rupturas. Sob este ponto de vista, não é surpreendente que a sensação de mudança ande no ar. Mas o que pode ter ares de insólito é o facto de que, muito para lá do senso comum da verdade publicada, os agentes da mudança parecem ser aqueles que o mesmo senso comum diria serem os agentes da conservação da situação.”

Fernando Ramalho

“No entanto, para que este caso tentacular arruinasse a reputação da oligarquia francesa, seria necessário, no mínimo, que ele conduzisse ao fim das passagens entre o público e o privado, já sem falar dos «arranjos» dos jornalistas que contratualizaram a sua conivência com o dinheiro. Em contrapartida, o zunzum do último mês não terá servido para nada se a esperança de purificar este ambiente de decadência de império acabar por fazer com que chegue ao Eliseu um irmão siamês de Nicolas Sarkozy. Como, por exemplo, o director-geral do Fundo Monetário Internacional. As grandes fortunas iriam celebrar a vitória de um socialista de negócios num qualquer outro Fouquet’s. E tudo começaria de novo.”

Serge Halimi

Sumário completo do número de Agosto aqui.

por João Rodrigues
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por João Rodrigues


O PSD tem apenas o mérito de dizer às claras o que o PS, em parte, tem vindo a fazer às escuras: favorecer, através de cortes nos programas de apoio ao emprego e aos desempregados e nas políticas sociais, o desespero entre os mais pobres e vulneráveis, para os obrigar a aceitar eventuais salários ainda mais baixos, num contexto de desemprego de dois dígitos, ajudado pela política económica de austeridade com escala europeia. O resto da minha crónica no i pode ser lido aqui. Entretanto, Luís Reis Ribeiro sintetiza no i o que se vai sabendo sobre os efeitos macroeconómicos das políticas de austeridade: "Retoma termina em Portugal por tempo indefinido".

por João Rodrigues
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por Sérgio Lavos


Cândida Almeida não achou importante ouvir Sócrates.

Procuradores com "falta de confiança"em Cândida Almeida.

Cândida Almeida travou equipa mista liderada pela PJ para investigar o Freeport.

(Obrigado aos leitores Johny Boss e Pedro Lourenço pela dica da foto.)
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por Sérgio Lavos
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Domingo, 8 de Agosto de 2010
por Bruno Sena Martins


(...) Na medida em que muito do que se jogou nesta supertaça é a continuação da época passada - com as óbvias nuances decorrentes das transferências -, a ter que destacar um treinador pela positiva os meus pensamentos estão com o mais influente autor da equipa que ganhou o jogo de Aveiro: Jesualdo Ferreira.
O problema de Jesualdo, apesar dos tantos títulos que ganhou no Porto, é que nunca foi aquele treinador que os adeptos gostariam de convidar para um rodízio. Já Villas-Boas tem a vantagem do carisma, facto que lhe poderá vir a garantir muita picanha à pala. (ler mais)

Publicado na Liga Aleixo.

por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira



Tony Judt, 1942-2010



por Pedro Vieira
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por João Rodrigues
Concordo com o Daniel Oliveira: a existirem capitalistas bilionários, é melhor tê-los generosos e filantropos. No entanto, escolher entre duas alternativas dadas, não implica necessariamente consentir com a estrutura que gerou estas escolhas. E é sobre a estrutura que gera o filantrocapitalismo que temos de falar. Comecemos pelo gráfico acima. Impressionante, não é? O conhecido bilionário e filantrocapitalista Warren Buffet afirmou com realismo que a luta de classes existe e que a sua classe a tinha ganho nos últimos tempos. Um dos efeitos do filantrocapitalismo, ou talvez mesmo um dos seus objectivos, é o de legitimar as modificações estruturais que geraram as terríveis desigualdades económicas, uma das principais causas, segundo inúmeros estudos empíricos, dos problemas sociais.

Os Estados devem taxar os ricos e criar regras que protejam os contrapoderes na esfera da economia, caso dos sindicatos. Decidir sobre as prioridades sociopolíticas e socioeconómicas, como resultado de um debate democrático entre cidadãos, que escrutine os valores em disputa, é melhor do que deixar que as preferências não escrutinadas dos mais ricos determinem cada vez mais, dentro e fora das fronteiras, muitos dos problemas que são considerados prioritários. Sobre isto, que é provavelmente o mais importante, o Daniel já escreveu o essencial.

Apenas um exemplo ilustrativo para os países ditos em vias de desenvolvimento e subdesenvolvidos, para os quais o filantrocapitalimo tem grandes planos: o Estado indiano de Kerala. Um Estado de desenvolvimento intermédio no contexto indiano, em termos do estreito rendimento per capita. Um Estado pobre. E, no entanto, um Estado com indicadores de desenvolvimento humano, nas áreas da saúde e da educação, típicos dos países desenvolvidos. O segredo? A mobilização política e social das classes subalternas é uma parte substancial da explicação, segundo Amartya Sen. Uma sociedade civil activa e contra-hegemónica. Um Estado governado durante décadas por uma coligação de esquerda dirigida por comunistas. Reformas na estrutura fundiária e serviços públicos básicos. Na realidade, custa pouco, mas dá um trabalhão político. Recentemente, Kerala decidiu promover o software livre. A Microsoft prefere andar a financiar cursos na Índia para promover o software proprietário. Filantropia, dizem eles.

Como indica alguma investigação na área dos determinantes sociais da saúde, não há melhor do que governos apostados na expansão dos serviços públicos e na redução das desigualdades: quanto maior é a percentagem da despesa pública nas despesas de saúde, melhores são os resultados nestas áreas. Construir infra-estruturas públicas coerentes é bem melhor do que cooptar técnicos e recursos para esforços privados descoordenados com boa imprensa, mas com pouco escrutínio.

Especular ou criar e gerir rendas de monopólio, não é o mesmo do que gerar soluções políticas para a questão social. Gates e outros exibem a típica arrogância que o dinheiro concentrado e a adulação geram e que Marx tão bem descreveu em 1844.

Precisamos mas é de instituições públicas internacionais bem financiadas. E de cooperação internacional. E de relaxamento das patentes e dos direitos de propriedade intelectual. E de criação de oportunidades para o desenvolvimento, da reforma agrária ao proteccionismo comercial selectivo e temporário, este último exigindo modificações das regras da OMC, feitas para cristalizarem as vantagens dos países já desenvolvidos. Há muito para fazer nas estruturas. Eu confio sempre mais na criação de movimentos políticos pelos grupos sociais interessados, e geralmente subalternos, do que no esforço filantrópico que tende a reproduzir abjectas hierarquias sociais. Lutar contra a estrutura que gera o filantrocapitalismo é bem capaz de ser, afinal de contas, parte da solução…

por João Rodrigues
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Sábado, 7 de Agosto de 2010
por Daniel Oliveira
A fuga de Peniche de Dias Lourenço. "O Segredo", da RTP2

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Eles são contra as obras públicas, mas apenas se elas acontecerem em democracia. Eles são contra o Estado, mas apenas e só se o Estado não der às obras pagas pelos contribuintes o nome do governante do momento. Eles chamam a quem lutou pela liberdade de falarem "soldadesca embriagada". Eles são a nossa direita moderna, mas em tudo se parecem com a direita de sempre.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Via Vida Breve

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010
por Daniel Oliveira
Um dos problemas de muitos países muçulmanos é que, na ausência de Estado Social, são as instituições religiosas que garantem o apoio social. E, ao garantirem esse apoio, elas acabam por ganhar um poder desmesurado. E ao terem esse poder podem impor códigos de conduta ao resto da sociedade. E isto mina a possibilidade da construção de uma democracia laica.

Para que serve este post? Para responder a este, do Insurgente. Porque quem diz instituições religiosas diz milionários ou outra coisa qualquer. O Estado Social é condição para a existência de uma democracia plena. Porque é a sua existência que impede que o poder se concentre em quem não está dependente do escrutínio democrático. Sim, é verdade que "os mecanismos de solidariedade estatal são também um mecanismo de poder de quem redistribui". A diferença é que, no caso do Estado, pelo menos em democracia, podemos mudar quem redistribui e retirar-lhe esse poder. Não podemos fazer o mesmo com um ímã, um bispo ou um milionário.

Quem quer substituir o Estado Social pela caridade - seja ela religiosa ou empresarial - quer afastar a "populaça", que passa a depender de favores e não de direitos, do poder. A subsitiuição do papel social do Estado por o de instituições privadas levaria à redução da autonomia dos indivíduos, obrigando-os a retomar dependências do passado. É esse o desejo de ultraconservadores e ultraliberais, que são, nesta como noutras matérias, primos direitos. No caso do Insurgente, são até as mesmas pessoas.

por Daniel Oliveira
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