Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
por Pedro Vieira

 

 

© rabiscos vieira

 


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

por Daniel Oliveira

Ainda o debate entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. Um dos poucos momentos que deu que falar foram as críticas do Presidente à Caixa Geral de depósitos na gestão que está a fazer do BPN. A comparação que fez com a situação inglesa, quando se está, em Portugal, a falar de um caso de polícia, deixa claro para todos que o suposto rigor técnico de Cavaco não tem correspondência com a realidade. Já tinhamos observado isso mesmo quando, com o maior dos descaramentos, explicava, no tom professoral do costume, que o negócio da ponte Vasco da Gama não era uma Parceria Público-Privado.

 

Quando os seus amigos andavam a brincar com o fogo no BPN, Cavaco Silva ficou calado. Quando o caso rebentou, ficou em silêncio. Quando o seu ex-ministro Dias Loureiro mentiu ao Parlamento veio em sua defesa para o tentar segurar no Conselho de Estado. Quando o BPN foi nacionalizado, deixando de fora a SLN, concordou e calou-se.

 

Quando resolve falar Cavaco Silva? Agora. Para criticar quem afundou o BPN num buraco de pelo menos cinco milhões de euros? Não. Para assumir que Dias Loureiro e Oliveira e Costa tiveram um comportamento vergonhoso? Não. O Presidente abre a boca pela primeira vez sobre o caso BPN para atacar quem, mal ou bem, recebeu o presente envenenado.

 

Cavaco Silva não consegue disfarçar a sua dificuldade em falar sobre este caso de mãos livres. O descaramento desta acusação - que demonstra também a sua irresponsabilidade institucional - prova que não é, nesta matéria, um homem livre. Um dia saberemos porquê.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (55) | partilhar

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

Bang, Bang, Bang, Mark Ronson com The Business Intl. Para além de ser produtor de Amy Winehouse, Ronsom vai criando mimos pop que são um pouco um prazer culpado. Este é um grande exemplo.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

Slow, Twin Shadow. A melhor música de 1984 editada em 2010. Morrissey do Caribe. Muito bom.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

Runaway, Kanye West (com Pusha T). Um gancho de piano dissonante é o suficiente para marcar território. O resto é um luxo hip-hop com uma curta-metragem a acompanhar (excerto de uma média-metragem de 30 minutos que se pode ver na íntegra no Youtube).


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

Cavaco Silva, o presidente que cedeu ao frete de ser candidato, perdeu claramente os quatro debates para as presidenciais. Se por acaso as televisões tivessem convidado José Manuel Coelho para a festa, também teria grandes probabilidades de perder. Alguém que não conhecesse o panorama nacional e o visse ontem frente a Manuel Alegre com o som do televisor em baixo poderia jurar estar perante um homem com um longo caminho a percorrer nas sondagens, alguém crispado, lutando furiosamente para se manter à tona de água no combate eleitoral. Alegre, em contraste, exibiu à vontade e uma calma surpreendente, soberana. Cavaco, o estadista lusitano, o homem da providência nacional, foi empurrando para o canto do ringue sucessivamente por Francisco Lopes, Fernando Nobre e, humilhação suprema, Defensor Moura. Manuel Alegre limitou-se a gerir os pontos fracos: os amigos no BPN e as acções que aqueles lhe venderam, o devaneio das escutas-fantasma, a tibieza perante chefes-de-estado de países com uma economia emergente. Alegre poderia, inclusive, ter ido muito mais longe: a insistência numa pose acima da sujeira da política é a principal característica de Cavaco, e é não por ter escolhido deliberadamente essa pose, mas por ser obrigado a isso, por não poder ser de outro modo. São evidentes as dificuldades na oratória, na exposição de ideias, na coerência do discurso. Poderíamos discutir a pertinência destas qualidades, se pensarmos no modelo do político moderno, brilhante na imagem e vazio nas ideias (Tony Blair será um dos melhores exemplos). O problema é que esta ausência de qualidades de tribuno nada esconde, nem o brilhantismo do técnico esforçado nem a competência do ordeiro burocrata; este brilhantismo é uma ilusão, uma crença infundada das almas torturadas dos seus apoiantes. O tempo que passou à frente do governo do país é a prova: um consulado de dez anos em que se limitou a aplicar o rio de fundos europeus em áreas de reduzida importância estratégica, a agravar o peso do Estado até se tornar incomportável para a dimensão do país, a lançar as raízes das dificuldades estruturais que temos sentido nos últimos anos. Cavaco Silva é o espelho da nossa alma: baço, aplicado mas sem rasgos, calando-se perante poderes mais fortes, um clone enfraquecido ou uma memória distante do português provinciano e poupadinho que tomou conta dos destinos do país durante quarenta anos, o Salazar do descontentamento da pátria e da alegria triste de muitos dos mais fervorosos adeptos desta pálida cópia. O silêncio de Cavaco, tantas vezes elogiado pelos seus apaniguados, não oculta uma qualquer sabedoria salvífica - nem os poderes do presidente lhe permitiriam isso, ao contrário do que ele nos quer fazer crer; o silêncio de Cavaco é uma máscara que cobre o vazio de ideias de quem nada tem de original para dizer. E basta um qualquer Defensor Moura (e escrevo isto com todo o respeito) para o expor. Mas sim, ele lidera as sondagens. E a única maneira de evitar uma maioria de direita, uma hidra bicéfala Passos Coelho/Cavaco, é não votar nele. Nós não o merecemos; muito mais, merecemos muito mais.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (32) | partilhar

por Bruno Sena Martins

L'Avventura, 1960

 

Cavaco Silva repetiu ontem no debate aquele que parece ser um dos motes decisivos da sua campanha "Este não é o momento para aventuras." Quererá dizer, imaginamos, que os portugueses deverão votar na sua continuidade como garante de estabilidade num momento de crise. O argumento parece eficaz se tivermos em conta o apego das gentes à menor das incertezas em tempo de desesperanças. No entanto, não resiste a uma simples revisitação da própria ideia de aventura, para falarmos, por exemplo, da aventura que aqui nos trouxe. Nela Cavaco Silva assume papel de protagonista enquanto o mais decisivo responsável da política económica no Portugal democrático. Não será tempo para aventuras, pois sim, mas não existe nenhuma razão para que a aventura institucionalizada do cavaquismo nos ocupe mais dias e nos roube mais esperanças.


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Miguel Cardina

Quando Helena Matos não tem assunto para as suas crónicas no Público, resolve malhar na "geração de 60", designação que interpreta com uma finura sociológica semelhante a "pessoas que escrevem textos para jornais".


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

 

 

 

Cavaco Silva nunca põe o debate no campo da discordância política. Cada critica é um ataque que resulta de falta de caracter ou de ignorância. Todos, a não ser ele próprio, claro, padecem de um desconhecimento geral e absoluto da forma como "as coisas" funcionam. De como funciona a diplomacia, de como funcionam as instituições, de como funciona a economia, de como funcionam os mercados. Na realidade, as coisas são como são e Cavaco Silva limita-se a fazer uma leitura (sempre sem duvidas e sem enganos) de como as coisas são e a agir em conformidade.

 

Cavaco Silva sempre fez escolhas políticas. E sempre disfarçou essas escolhas com uma suposta neutralidade técnica. Tem sido esse o caminho da Cavaco desde o começo da sua longa carreira política: fingir que é um técnico nas opções políticas que vai fazendo.

 

Talvez um dos casos mais evidentes seja a sua reacção a qualquer crítica à desregulação dos mercados. Nessas críticas Cavaco vê insultos. E inventa uma fábula: transforma os mercados numa espécie de entidade dotada de personalidade própria e imagina que, a essas críticas, os mercados, ofendidos, reagirão com uma birra. Desta novidade na teoria económica resulta a interdição geral em ter posições políticas sobre a actual situação da Europa e da economia internacional. Restaria assim, ao Presidente, ficar calado. E agradecido a quem especula com a nossa dívida, claro.

 

Para além dos estilos diferentes, a grande diferença entre Manuel Alegre e Cavaco Silva, no debate de ontem, foi exactamente esta. Cavaco Silva nunca disse o que realmente pensa sobre coisa alguma. Resumiu tudo ao seu suposto superior conhecimento de tudo o que mexe. E perante o seu génio, nada merece realmente ser discutido. Manuel Alegre fez o que se espera de um candidato em campanha: deixar claras as suas posições políticas, sem pedir cheques em branco a ninguém.

 

Cavaco quer passar a ideia de que um cargo exclusivamente político é, na realidade, um cargo técnico. Como não tem os instrumentos constitucionais para aplicar nenhum dos seus supostos - mas raramente confirmados - méritos técnicos e não diz o que pensa politicamente sobre quase nada esvazia, aos olhos dos portugueses, o cargo do Presidente. Bom para transformar o dia 23 de Janeiro num plebiscito.

 

Na realidade, trata-se de um falso esvaziamento. Como se tem visto nas posições que tem tomado - sem no entanto usar os instrumentos que a Constituição lhe oferece -, quando discorda de uma lei, faz-lhe críticas públicas, fragilizando-a. E aí, toma uma posição política. É legítimo. O que é ilegítima é a ideia que tenta passar de que é politicamente neutro. Não é.

 

O mesmo tipo de dissimulação foi feita por Cavaco Silva, no debate de ontem, em relação a todos os reparos ao seu mandato. Sobre o humilhante caso dos insultos do presidente da República Checa a Portugal e sobre a rocambolesca novela das falsas escutas a Belém não esclareceu coisa nenhuma. Fez o que tem feito sempre: mandou ler o site da Presidência da República onde nada é na realidade esclarecido. Sobre o caso BPN conseguiu a proeza de criticar a actual administração do BPN depois de ter passado meses a defender o seu amigo Dias Loureiro, um dos principais responsáveis por o que aconteceu à SLN. Digamos que quem andou a defender o responsável pela doença tem pouca legitimidade para criticar o médico.

 

Acabados os debates, há pelo menos um ponto em que Cavaco Silva leva o troféu: um dos políticos mais arrogantes que a nossa democracia conheceu. Nesta matéria, talvez só seja mesmo acompanhado por José Sócrates. O que não deixa de ser interessante: com duas pessoas tão iluminadas e autosuficientes à frente dos destinos deste país, porque estamos como estamos?


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (92) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

This Too Shall Pass, OK Go. Como sempre nos OK Go, a música nem é má (média, vá). Mas o vídeo é qualquer coisa. Contudo, não é o melhor do ano; isso veremos lá mais para a frente.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

Flash Delirium, MGMT. O anti-single no anti-álbum da década. O que quer que seja que isto queira dizer (e agora me lembro que prometi a mim próprio que iria finalmente ouvir com atenção a discografia completa dos Pink Floyd - fica para 2011).


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

 

 

 

A propósito das suas relações com o BPN, que depois de meses ignoradas são tema de debate, Cavaco Silva diz que não responde a "campanhas sujas". Ja ouvimos isto de um primeiro-ministro que, de cada vez que o rigor dos seus procedimentos esteve em causa, se fazia de vítima. Nada de novo. Sobre o tema, escreverei um dia destes: dizer que fala verdade vale pouco quando muitas coisas ainda estão por explicar.

 

Falemos então de "campanhas sujas". É que neste país ainda há quem tenha memória. Não foi há muito tempo que lemos, num jornal, a descrição de um encontro entre o assessor de imprensa da Presidencia da Republica e um jornalista numa pastelaria de Lisboa, em que o primeiro tentava convencer o segundo de que o governo estava a espiar o Chefe de Estado. Quando a acusação, sem qualquer fundamento comprovado, se soube, Belém fez uma insinuação ainda mais grave: que a Presidência estaria sob escuta. O absurdo acabou numa comunicação estapafúrdia de Cavaco ao País em que estava deixava cair mais uma suspeita: estariam os computadores de Belém seguros? Fernando Lima passou para os bastidores mas nunca foi demitido, ficando evidentes as responsabilidades de Cavaco Silva neste episódio surreal.

 

A gravidade das acusações era enorme. Um órgão de soberania fazer constar que o governo escutava e espiava o Chefe de Estado não é coisa pouca. Num país normal levaria ou à demissão do governo, se fosse verdade, ou do Presidente, se se tratasse de uma acusação sem fundamento. No caso, percebemos todos de onde vinha a delirante paranóia.

 

Por isso, se Cavaco Silva quer falar de campanhas sujas seria bom olhar para a sua própria casa. É que não precisamos de nascer duas vezes para perceber que, mesmo com o seu talento para representar o papel de sonso do regime, não lhe faltam credenciais na matéria. Para saber que não hesita em criar um grave incidente institucional para tentar lançar suspeitas sobre o vizinho do lado. Assim, em vez da vitimimização, pode começar a explicar, com uma resposta que se entenda, a relação da sua candidatura de há cinco anos com o banco que nos afunda e a tão pouco ortodoxa compra e venda de acções da SLN. É que quem não se quer sujar tem cuidado com as companhias que escolhe.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (90) | partilhar

Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

O livro Ideias Perigosas para Portugal, organizado por João Caraça e Gustavo Cardoso e publicado pela Tinta-da-China, é um excelente exemplo de como a sociedade civil pode contribuir para o debate público. Para que se possa fugir ao discurso mediático, dominado por um pensamento que permite poucas nuances e se funda num discurso que espelha quase sempre ideias dos partidos políticos. As 60 personalidades convidadas a escrever para o volume tiveram de propor uma ideia perigosa para Portugal - perigosa no sentido de ser revolucionária, mas não só - propostas de mudança que podem ter tanto de original como de visionário. Na revista Alice, podemos conhecer melhor o conceito do livro e espreitar o debate ocorrido na livraria Bulhosa de Campo de Ourique entre João Caraça e Nuno Artur Silva, um dos convidados.

tags:

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

On Melancholy Hill, Gorillaz. Mas um excelente álbum, Plastic Beach, do projecto paralelo de Damon Albarn que se tornou uma das mais importantes bandas do momento. E agora com dois ex-Clash (Mick Jones e Paul Simonon) a comporem o ramalhete de grandes músicos. E a animação de Jamie Hewlett é, como sempre, um primor.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Miguel Cardina

Afina-se o ouvido nesta estação do ano e descobrimos que existem muitos Vascos Pulidos Valentes em potência. Com menos talento literário mas com o mesmo discurso entre o "estou farto da piolheira" e "a culpa é dos políticos". Isto faz-nos lembrar que a função da esquerda nestes tempos também tem de ser pedagógica. Ou "sensata" e "defensiva", como escreveu Tony Judt no seu último livro. Porque, não obstante alguns pressupostos distintos, entre a social-democracia e o socialismo existe sobretudo uma diferença de intensidade. Na demissão dos social-democratas (que em Portugal estariam num partido dito "socialista") compete à restante esquerda defender as conquistas materiais trazidas pela social-democracia histórica. Pode não parecer, mas elas são um pozinho de socialismo numa sociedade cada vez menos solidária. O resto - fazer com que o socialismo não seja apenas um remake da social-democracia histórica - é importante e é preciso ir reinventando a cada momento, a cada proposta. A par da defesa dos serviços públicos é preciso coragem para elaborar desenhos fiscais que não deixem de fora sectores que acumulam lucros avultados (como os bancos, que pagam em média 5% de IRC). A par da defesa das políticas de solidariedade (subsídio de desemprego, rendimento social de inserção, pensões) é preciso clamar por uma mais justa repartição da riqueza. A par da defesa da legitimidade da democracia representativa é necessário pugnar pelo alargamento das esferas de participação. A questão dos tempos é que o retrocesso a que assistimos (e que tem condições para crescer) faz com que tenhamos de fazer as coisas exactamente assim: "a par". É que perder a batalha ideológica sobre a sensatez do "mínimo" trará tudo menos vitórias.

tags:

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira

Em frente a mim, um amigo com uma longa carreira almoça. Percebo que não o faz há dias. Demasiado novo para se reformar, demasiado velho para começar de novo, vive no limiar da sobrevivência. Mantém-se bem vestido para tratar das aparências. Tenta manter aquela dignidade que sempre me mereceu admiração.

 

No chat, converso com um amigo emigrado. Excelente no que faz, quando chegou a Lisboa parecia que a sua carreira não encontraria grandes entraves. Até que, cansado de viver de recibos verdes mal pagos em ateliers que tratam o talento como coisa irrelevante, decidiu partir. Sem nada que o esperasse no destino. Lá se está a safar. Mas, apesar disso, quer sabes como isto vai porque ainda não perdeu a esperança de voltar.

 

Olho em volta e vejo os meus amigos mais promissores a dar aulas em universidades estrangeiras, com condições que aqui seriam virtualmente impossíveis. Outros a trabalhar em call-centers ou a viver de biscates, com as suas vidas adiadas para sempre. Vejo os pais deles a carregarem até à velhice o fardo de garantirem a sua sobreviência. E a dos netos, quando os filhos tiveram coragem para tanto.

 

Diariamente cruzo-me com a angústia de vidas impossíveis, onde tudo é contado. De trabalhadores menos qualificados aos melhores quadros que o nosso sistema de ensino produziu. Tanto desperdício de talento que perco a esperança neste país.

 

Isto é o que vejo. Depois leio textos de colunistas e economistas. Vivemos acima das nossas possibilidades. Habituámo-nos ao bem bom. Perdemos a ética do trabalho. Já não sabemos o que é o sacrifício. Fico agoniado e assalta-me uma dúvida: sou eu que conheço demasiados azarados ou esta gente que escreve nos jornais e fala na televisão vive num País diferente do meu?

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (90) | partilhar

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

São Sete Voltas P'rá Muralha Cair, Tiago Guillul. Rock cristão num blogue de esquerda? Se for Guillul, absolutamente. Grande música e um vídeo ainda melhor.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

Giving Up the Gun, Vampire Weekend. A melhor música de um álbum a meias-tintas, inferior ao primeiro. E o vídeo tem estilo, a fazer lembrar as experiências geek de Wes Anderson.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Sérgio Lavos

Parece que Edite Estrela se terá precipitado. Podemos então esperar uma reedição do duelo entre a imprensa suave e o animal feroz, nos próximos tempos. Uma mão leva a outra, claro; mas só até certo ponto. Afiam-se as facas. É a este triste fado que parecemos estar destinados. A nossa vidinha é um pormenor da história.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

 

 

 

No debate com Defensor Moura - em que o actual presidente, sem estar protegido por discursos escritos, demonstrou até onde pode ir a sua arrogância -, coube a Cavaco Silva o minuto final. Dedicou-o às mulheres, que nesta quadra festiva estão em destaque. Não fosse a virgem Maria modelo para todas as senhoras sérias e a família o centro das suas vidas.

 

Ao falar às mulheres, Cavaco fez-lhes um elogio. Pela sua participação cívica na vida em comunidade ? Não. Pelo papel crescente que vão tendo nas empresas, na Academia, na cultura, na política? Menos ainda. O elogio foi para as mães, esposas e donas de casa. Por cuidarem das crianças e fazerem milagres com o apertado orçamento familiar.

 

Quando Cavaco Silva fala o tempo anda para trás. Revela-se o líder paternal, que trata, com a serenidade dos homens ponderados, das coisas do Estado. Vigilante, protege-nos dos excessos. Nunca debate, porque o debate poderia dar a ideia de que ele navega nas águas sujas da polémica democrática. Ele é o consenso. Apesar de tudo o que sabemos, representa a honestidade no seu estado mais virginal. E para ser mais honesto do que ele qualquer um teria de nascer duas vezes e, supõe-se, duas vezes escolher Dias Loureiro como seu principal conselheiro político. A cada acusação responde sem resposta, porque ele está acima da crítica. A crítica a Cavaco é, ela própria, uma afronta à Pátria.

 

Mas o tempo volta para trás não apenas no olhar que tem de si próprio, mas no olhar que tem do País. Nesse País está, no centro de tudo, a família. E no centro da família está a mulher. Não a mulher que tem uma vida profissional relevante e é uma cidadã activa e empenhada. Mas a esposa e a mãe. É ela - quem mais? - que cuida dos filhos e gere as finanças domésticas.

 

Cavaco Silva não se engana. Esse país modesto e obediente - onde o chefe de família confia no líder que trata das finanças da Nação e na mulher ponderada que trata das finanças da casa - ainda existe. Ao lado de um outro, feito por uma geração que nasceu numa democracia cosmopolita. Onde os cidadãos têm sentido crítico e as mulheres têm vida fora do lar. Onde os homens também cumprem o seu papel nas coisas comezinhas da educação dos filhos e a gestão da economia doméstica também é obrigação sua. Onde os cidadãos não pocuram homens providenciais que os protejam do Mundo. O problema de Cavaco não é viver divorciado do País real. É haver uma parte desse país que lhe escapa.

 

Cavaco Silva recorda o que fomos: provincianos, medrosos, conservadores, ordeiros. E nós, como todos os povos, carregamos no que somos um pouco do nosso passado. O cavaquismo representa um Portugal que demora a dar-se por vencido. É o último estertor do nosso atraso. E o seu último minuto teve aquele cheiro insuportável a nefetalina. Aos mais velhos, que o reconhecem, dá segurança. Aos mais novos, a quem diz tão pouco, parece tão inofensivo como um avô que vem de outro tempo.

 

Há quem ache que Cavaco não é de direita. Engana-se. Cavaco é a única direita que realmente existe em Portugal: conservadora, tacanha, provinciana, caridosa e estatista. A outra, liberal, cosmopolita e tão pouco latina, se não se adaptar terá de esperar muito tempo pela sua vez. Passos Coelho, que representa tudo o que Cavaco despreza, irá descobri-lo muito mais cedo do que julga.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (106) | partilhar

Domingo, 26 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

Born Free, M.I.A. O vídeo-choque do ano.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

Constellations, Darwin Deez. O descendente bastardo dos Strokes.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Miguel Cardina

Um cidadão egípcio veio a Portugal e raptou o filho de 4 anos, que vivia cá com a mãe portuguesa. José Manuel Fernandes acha que esta história justifica a tirada de D. José Policarpo, que há dois anos atrás disse que "casar com um muçulmano é meter-se num monte de sarilhos". Desconheço se o egípcio é adepto do islamismo e quais os contornos específicos deste caso dramático (para além do que é apresentado na reportagem da SIC). A verdade é que isso também não parece importar a José Manuel Fernandes: basta-lhe ter como bússola o anátema "civilizacional". Quando se der um caso inverso, ou um português matar a sua companheira estrangeira, será a vez de em coerência aplaudir o líder religioso que disser "casar com um cristão é meter-se num monte de sarilhos". Acontece que isso é coisa que pode agradar aos pregadores do "choque de civilizações" mas que não traz nada de bom aos cidadãos. Que são sempre mais complexos e mais plurais do que o rótulo externo que lhe querem colar.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (22) | partilhar

Sábado, 25 de Dezembro de 2010
por Bruno Sena Martins
Estou a promover no meu cantinho uma votação que não interessa a ninguém mas que deve ser levada muito a sério. Está na altura dos leitores do Arrastão se juntarem ao sufrágio. Votem em consciência. Blog Polls

por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

por Daniel Oliveira

Renato Texeira chama a atenção para o grave facto de eu ter elogiado o governo e "o governo" me ter elogiado a mim. Isto a propósito do desvio de recursos públicos para as escolas privadas. Quando alguém lhe chama a atenção para um pormenor - o conteúdo do que estava em debate -, o Renato tem resposta pronta: "não quis debater o tema específico (...) Tudo, rigorosamente tudo, o que venha do actual governo deve ser considerado matéria a abater. Não te parece simples?" Lá simples é, que isto de pensar e ter opinião sobre qualquer assunto, tentando manter uma posição ideológica coerente, é demasiada trabalheira quando se pode definir o inimigo e ter sempre a posição oposta a ele. Mesmo que para isso tenhamos de ser aliados dos que querem destruir tudo aquilo que defendemos. O que interessa é vigiar os desvios de cada um, mesmo que para isso nos desviemos tanto daquilo que dizemos defender que já nem sabemos bem de que lado estamos. O título do post do Renato é "jogo de espelhos". A minha dúvida é se, quando chegar ao fim a luta contra o único inimigo que lhe interessa e com tantos estranhos aliados que vai escolhendo, o Renato ainda se vai reconhecer em frente ao seu.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (40) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

 

When I'm With You, Best Coast

 

(É de 2009, mas o álbum é deste ano. E foi este ano que eu a ouvi.)


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

 

One Life Stand, Hot Chip

 

(Um sortido de Natal com as minhas vinte canções de 2010. Boas Festas.)


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
por Pedro Sales

True Grit, dos irmãos Coen. Já estreou nos EUA, mas, por cá, só no início do próximo ano.

 

The Tree of Life, de Terrence Malick (estreia Maio de 2011)

tags:

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Ana Mafalda Nunes

por Ana Mafalda Nunes
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Miguel Cardina

Hoje há distribuição de prendas. Merkel enviou previamente pelo correio chocolates do LIDL. Cavaco trouxe o bolo-rei e Alegre as perdizes. O vinho de produção nacional é por conta de Jerónimo. Sócrates entregará a Portas um submarino por desembrulhar. Louçã trará uma piñata com um “mercado financeiro” no lugar do animal colorido. Sócrates oferecerá vendas bem opacas porque a piada é não ver onde se deve bater. Passos Coelho fornecerá almofadas para os cacetes. Teixeira dos Santos já passa sonhos pela fritura num canto da cozinha, ao mesmo tempo que assina vales-desconto de dez euros. Cavaco quer entregá-los à porta. Rui Pereira começou a chorar pelos carrinhos que não teve, ameaçando processar o Pai Natal. A todos, good night and good luck.

tags:

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

por Daniel Oliveira

23 de Dezenbro de 2010.

 

Na Irlanda, o Estado gasta 3,7 mil milhões de euros dos contribuintes para cobrir os prejuízos da irresponsabilidade privada. Nacionaliza o segundo maior banco do País. Para o poder fazer, endividou-se ainda mais - a juros usurários, graças à apatia de uma Europa sem líderes - , cortou nas prestações sociais e comprometeu o futuro da sua economia.

 

Em Portugal, uma agência de ranting volta a cortar na cotação da dívida portuguesa. Apesar de todos os disparates que estas agência já fizeram sem que ninguém lhes tivesse pedido responsabilidades, os especuladores continuam a ligar ao que elas dizem. É natural. Elas são um instrumento da própria especulação. A Fitch não acredita na capacidade de recuperação da economia portuguesa e prevê recessão para o próximo ano, o que impedirá a consolidação das contas públicas. Tem razão. As medidas que estas agências achavam indispensáveis tomar só podem ter o efeito oposto ao que se defendia. A austeridade exigida não serviu de nada.

 

Na Grécia, o Parlamento aprova um orçamento suicidário que estrangulará a sua própria economia e tornará a recuperação ainda mais distante. Querem poupar 14 mil milhões e para isso aumentam impostos e cortam salários de forma selvagem. Prevê-se que a economia caia a pique e o desemprego se aproxime dos 15 por cento. O caos volta às ruas, com uma greve dos transportes. A Fitch ameaça acompanhar as outras agências e descer a cotação da dívida grega. Compreende-se: também ali a receita imposta pelo FMI e pela UE não está a servir para nada. Só mesmo para piorar ainda mais a situação.

 

E para terminar o dia com uma imagem que ilustre tudo isto, um homem atira-se das galerias do parlamento romeno, em protesto contra as medidas de austeridade decididas pelo governo. Diz-se que o seu desespero resulta de assuntos mais pessoais. É provável. Mas a estranha imagem bate certo com o que vemos à nossa volta.

 

23 de Dezembro de 2010. Guardem este dia, em vésperas de Natal, para memória futura. Dele se dirá que era mais um dia de uma Europa à deriva, liderada por gente cega, incapaz de perceber que não era apenas a economia europeia que matavam. Era a própria Europa como projecto político.

 

Publicado no Expresso Online.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
por Daniel Oliveira

No debate, Cavaco Silva disse que nada tem a ver com o que os seus ex-ministros fizeram depois. Que nem depois dos filhos sairem de casa podemos saber o que eles andam a fazer. É verdade. Só que todos nos lembramos como o Presidente da República fez tudo para que o seu filho pródigo, Dias Loureiro, não saísse de casa.

 

Foi interessante ouvir Cavaco Silva a dirigir-se às mulheres, elogiando o seu papel na lida da casa. O tempo parece voltar para trás de cada vez que o nosso Presidente abre a boca.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (37) | partilhar

por Daniel Oliveira

É que os candidatos mostram, sem a protecção do discurso escrito, o que realmente são. E Cavaco Silva exibiu, com Francisco Lopes e, ainda mais hoje, com Defensor Moura, a sua incorrigível falta de educação e de cultura democrática. Há pessoas incapazes de viver com o contraditório. E muitos terão de nascer duas vezes para serem tão insuportavelmente arrogantes como este homem.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Pedro Vieira

 

 

 

 

rabiscos vieira

 

 

Pacotes armadilhados explodiram nas embaixadas da Suíça e do Chile em Roma


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Bruno Sena Martins

 

Publicado na Liga Aleixo

 

Mesmo se a capital do móvel se deslocalizou para Matosinhos com o advento do Ikea, jogar em Paços de Ferreira é sempre complicado. Três elementos concorrem para as dificuldades habitualmente sentidas pelos treinadores dos grandes.

 

Primeiro, as exíguas medidas do campo: quando um avançado se desmarca nas costas dos centrais dá por si ao pé da roulotte das bifanas – é muito difícil voltar a entrar em jogo depois de experimentar aquele cheiro a louro e alho frito.

 

Em segundo, o clima temperado mediterrânico que ali se verifica, um clima em que as amplitudes térmicas são duramente refreadas pelas condições singulares do planalto da Chã de Ferreira: enquanto a adaptação a condições extremas de calor ou frio lembra os jogadores que não estão em casa, motivando-os para o trabalho, a mesura mediterrânica da Mata Real tende a convidar o adversário à ronha propiciada pelo aconchego dos lençóis polares.

 

Em terceiro lugar, os chapéus usados pelos treinadores nativos: não custa concluir a insigne força de carácter forjada pelos treinadores do Paços pelo simples facto de tentarem mostrar que são mais do aquele chapéu apalhaçado – veja-se o Paulo Sérgio, por exemplo, que abdicou de expressões faciais lúdicas como o riso desde essa altura (depois viria o Sporting e o riso deixou de fazer sentido, também, ao nível metafísico).

 

Ao contrário das pessoas que vêem a deslocação à Mata Real como um jogo menor, julgando a qualidade do jogo pela cotação em bolsa dos patrocinadores da equipa da casa, eu respeito aquele estádio. Aliás, não deixa de ser estranho que se fale tanto do Ernst Happel (Viena), do Veltins-Arena (Gelsenkirchen), do Sánchez Pizjuán (Sevilha) como sedes memoráveis do esplendor portista e se esqueça a Mata Real. Em 2006 o Porto ganhou o campeonato na última jornada como um golo de Adriano depois de na primeira parte estar a perder o campeonato para o Paulo Bento – que tenha sido com a canela, a mim que importa. Creio que as pessoas valorizam demasiado o encaixe entre o sentimento de glória e os espaços ilustrados em postais para turistas. Quantos casais lembram a épica tarde em que se passearam pelos Campos Elísios esquecendo ostensivamente de como foram felizes na casa de banho da estação de serviço de Salvaterra de Magos. Apesar de apreciar França, eu nunca me esqueço da Mata Real.


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Andrea Peniche

Não é sobre o livro de Margarida Rebelo Pinto que quero falar, mas antes do veto da Alemanha e da França à adesão da Bulgária e da Roménia ao espaço Schengen.

Merkel e Sarkozy acham que a Roménia e a Bulgária têm demonstrado muitas debilidades na luta contra a corrupção e o crime organizado.

Um argumento destes, vindo de um país que há meses está atolado no folhetim Woerth-Bettencourt e nas suas sequelas, é, no mínimo, estranho. Que este veto e a condenação, nacional e internacional, das políticas de expulsão de ciganos, romenos e búlgaros, de França não estejam relacionados é a tal coincidência que me parece não existir.


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por João Rodrigues

 

O Nuno Serra recorda explicitamente alguns traços centrais da economia política do cavaquismo: a ‘revolução da casa própria’, o endividamento das famílias e o rentismo fundiário. O Ricardo Paes Mamede recorda implicitamente outro: Portugal é um dos países com maiores desigualdades económicas e com menor mobilidade social. As duas coisas estão ligadas, claro. Quando é que as desigualdades mais aumentaram? Precisamente numa economia política a que os governos seguintes só acrescentaram discretas notas de rodapé dissonantes: “ao longo da primeira metade da década de noventa assistiu-se a um modelo de crescimento que beneficiou os indivíduos e as famílias de maiores rendimentos, penalizou os indivíduos dos escalões inferiores da distribuição, acentuou fortemente as desigualdades sociais e manteve os níveis de pobreza extremamente elevados; na segunda metade dos anos 90, como consequência da implementação de novas políticas sociais dirigidas aos sectores da população mais carenciados (como o Rendimento Mínimo Garantido), foi possível conter a tendência anterior mas não se conseguiu a sua inversão” (Carlos Farinha Rodrigues, Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza - Portugal nos anos noventa, 2008, p. 307).


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por João Rodrigues

 

O neoliberalismo pode ser definido como a ideologia da hegemonia do capital financeiro sem trela e da subordinação do Estado às suas necessidades: “As ajudas aprovadas em 2009 pelo Governo para combater os efeitos da crise internacional em Portugal foram absorvidas pelos bancos e pelas empresas. Segundo o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado desse ano, ontem divulgado, 61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.” Entretanto, através de João Ramos de Almeida, também se confirma o que os moralistas das finanças públicas e os que inventaram um governo de intenso activismo anti-crise nunca quiseram encarar: “O défice saltou de 2,9 por cento do PIB em 2008 para 9,3 por cento no final de 2009. Mas, desse agravamento de 6,4 pontos percentuais, apenas 22,4 por cento se deveram à aplicação das ajudas. O maior contributo veio da quebra das receitas, em resultado de uma travagem da actividade económica às quatro rodas.”


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Andrea Peniche

 

Foi assim que, segundo o Tribunal de Contas, o Governo PS aplicou 2.2 mil milhões de euros para combater a crise: 61% para a banca, 36% para as empresas e 1% para o apoio ao emprego. Esta distribuição é tão justa e tem surtido tanto efeito que ainda o ano não acabou e já se anunciam mais 500 milhões de euros para continuar esse desígnio nacional de salvar o BPN. Na verdade, o BPN não deveria sequer ser colocado no mesmo saco dos outros bancos. Afinal, quando um banco nos custa cinco mil milhões de euros a gente acaba por se afeiçoar a ele. Além do mais, este é o banco em que Cavaco Silva nunca meteu um único dedo. E por isso disse de peito feito: «Nunca comprei nem vendi nada ao BPN». É a chamada verdade da mentira. Cavaco Silva nunca comprou nada ao BPN, mas o mesmo não se pode dizer relativamente à SLN, que por acaso até era proprietária do BPN e administrada pelo seu amigo e Conselheiro de Estado José Dias Loureiro. Mas isso são pormenores sem importância nenhuma, assim como os 147.500 euros que realizou em mais valias. Há que ser esperto e saber vender a tempo. E deve ser motivo de orgulho ter um presidente esperto. 

 

Está visto que os apoios às empresas foram insuficientes. Só isso justifica que estas não tenham conseguido realizar esse esforço inimaginável de aumentar o salário mínimo para 500 euros. E por isso é que nesse enorme esforço de concertação social foi conquistado um aumento de 33 cêntimos por dia, ou 10 euros por mês, para os trabalhadores e trabalhadoras que ganham o salário mínimo. Feitas as contas, dá para garantir que, numa casa de orçamento mínimo, este salário consiga cobrir o aumento anunciado do pão e que aí se continue a consumir, como se crise e amanhã não houvesse, até 16 moletes por dia.

 

As políticas de apoio à criação de emprego tiveram direito a 1%. É não só justo como suficiente. Afinal, Sócrates apresentou-se ao país anunciando que iria recuperar 150 mil empregos, nada tendo dito sobre aqueles que iria perder. O facto de haver 600 mil desempregados e desempregadas é apenas um pormenor. E, como se sabe, com esta gente todo o cuidado é pouco. Não se pode habituá-los a viver à gola do subsídio de desemprego porque para subsidiodependentes já nos basta o BPN.


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (36) | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador