Domingo, 31 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos
Férias no blogue, música em tom de nostalgia. Há para aí boas bandas que andam a ouvir coisas que não deveriam. Esta é uma delas. O vídeo é também excelente, um gozo aos nerds da era digital e uma evocação de um dos temas preferidos dos músicos dos anos 80: mulheres a dançar.

 

*Esta série é dedicada a bandas de agora que foram buscar inspiração aos anos 80. A ideia é colocar um dos nomes novos e a seguir um teledisco (como se dizia) de um original dessa década.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011
por Bruno Sena Martins

Há umas horas atrás: 

  

 

Resumo completo do jogo (Santos: 4 - Flamengo: 5): aqui.


por Bruno Sena Martins
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por Bruno Sena Martins

The Daily Show
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por Bruno Sena Martins
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

O ódio aos ricos não costuma ser produtivo, em termos de luta social. Mas quando, ano após ano, lemos notícias como esta, é necessário parar para pensar. Com o crescimento económico negativo e uma dívida pública incomportável, como é possível os 25 mais ricos de Portugal terem aumentado a sua riqueza em 17.8%? Mas depois basta olhar para os nomes que constam da lista para percebemos: Américo Amorim conseguiu ganhar mais, não à conta dos seus investimentos na área da cortiça, mas por ser um dos principais accionistas da Galp. E todos os sabemos por que é que a Galp teve um crescimento brutal em 2010. Pelo menos, todos os que têm carro próprio. E os que não têm e andam de transportes. Depois, vemos na lista algumas das figuras que estão à frente de empresas de distribuição e cadeias de hipermercados. E também sabemos o que sucedeu o ano passado: a reabertura das grandes superfícies aos Domingos, e em alguns casos sem haver a justa compensação monetária aos funcionários. De resto, as cadeias de hipermercados são o exemplo perfeito de como a economia é vista em Portugal. De cada vez que uma grande superfície abre, lá sai o artigo da praxe nos jornais a noticiar a criação de não sei quantos postos de trabalho. O departamento de comunicação da grande empresa fez o que lhe competia, passando a informação aos media, mas os media recebem a informação passivamente, não tentando perceber o que se perdeu. Quantas lojas de comércio tradicional fecharam. Quantas pessoas perderam empregos em consequência desse encerramento. Qual a média dos ordenados pagos pelas grandes superfícies. 

 

Quanto maiores forem as desigualdades sociais de uma nação, menos democrática ela é. Em 2011, Portugal é um país que caminha em direcção ao Terceiro Mundo. As classes média e baixa vão perdendo cada vez mais poder de compra; as classes mais altas vão acumulando mais riqueza. O capitalismo é isto, e é isto que troika quer, que a União Europeia prefere, que o Governo PSD/CDS vai incentivar. A velha história do Robin dos Bosques invertida. Roubar aos pobres para dar aos ricos. Até quando poderemos tolerar a situação?


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 26 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Andrea Peniche

 

Anda para aí uma má onda contra Nogueira Leite. Primeiro, tentam diminui-lo dizendo que ele só vai para administrador da CGD porque é do PSD. Ora, Fernandes Thomaz também só para lá vai porque é do CDS. E, pergunto, não foi sempre assim? Nada disto traz novidade. É apenas a inveja a falar mais alto.

 

Atacam-no também quando dizem que ele é um dos homens de mão do Grupo Mello e que a sua nomeação configura uma grotesca sobreposição dos interesses privados aos interesses públicos. Tudo isto porque o homem que colecciona cargos nas empresas do Grupo Mello vai para a CGD e esta vai vender a sua parte numa grande empresa de saúde? Pfff... já vi melhores argumentos.

 

Eu sou das que não só apoia como leva grande fé em homens providenciais como Nogueira Leite. É que não é qualquer pessoa que consegue viver num alfabeto de 14 vogais, uma vice-presidência e um conselho consultivo. Mais, Nogueira Leite ainda consegue retirar um tempinho à azáfama diária para ser vice-presidente do PSD e conselheiro de Pedro Passos Coelho. E, pasme-se, tudo isto em 24 horas. É de gente assim que o país precisa.

 

Nogueira Leite apenas coloca um problema que deve ser analisado com alguma delicadeza, uma vez que pode ferir susceptibilidades mais sensíveis. Com ele, a parangona Jobs for the Boys não faz muito sentido. O uso do plural não se aplica porque a extrema produtividade de Nogueira Leite pode conduzir ao acantonamento dos Boys no desemprego.

 

Esta é a constelação de afazeres que Nogueira Leite coleccionava em 2010:

 

Vogal do Conselho de Administração da Brisa Auto-Estradas de Portugal SA; Vogal do Conselho de Administração da CUF, SGPS, SA; Vogal do Conselho de Administração da CUF - Químicos Industriais, SA; Vogal do Conselho de Administração da CUF - Adubos, SA; Vogal do Conselho de Administração da José de Mello Saúde, SGPS, SA; Vogal do Conselho de Administração da SEC - Sociedade de Explosivos Civis, SA; Vogal do Conselho de Administração da EFACEC Capital, SGPS, SA; Vogal do Conselho de Administração da Comitur, SGPS, SA; Vogal do Conselho de Administração da Comitur Imobiliária, SA; Vogal do Conselho de Administração da Expocomitur - Promoções e Gestão Imobiliária, SA; Vogal do Conselho de Administração da Herdade do Vale da Fonte - Sociedade Agrícola, Turística e Imobiliária, S.A.;  Vogal do Conselho de Administração da Sociedade Imobiliária e Turística do Cojo, SA; Vogal do Conselho de Administração da Sociedade Imobiliária da Rua das Flores, n.º 59, SA; Vogal do Conselho de Administração da Reditus, SGPS, SA; Vice-Presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment, SA; Membro do Conselho Consultivo do Instituto de Gestão do Crédito Público.

 

Quem for capaz de fazer melhor, que atire a primeira consoante.

 


por Andrea Peniche
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por Sérgio Lavos

Mas eis que, shhh, uma mosca se ouve. Realmente, estes sacanas dos islâmicos, tsc, tsc.

 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

"Se a Noruega reconhecesse o direito de porte de armas, a chacina de sexta-feira dificilmente teria ocorrido com aquela dimensão, porque alguém estaria armado na ilha de Utoeya e ofereceria resistência ao criminoso. Refiro-me a vigilantes, seguranças e até simples cidadãos.
Quando este direito não é reconhecido, os cidadãos ficam indefesos, à mercê de criminosos. Criminosos que nunca têm qualquer dificuldade em deitar a mão às armas que pretendem."

 

E o Arroja tem um compagnon de route à altura no Jaquim. Andará ele entretido com jogos de vídeo tipo World of Warcraft ou o velhinho MDK? Se eu fosse um gajo com mau instinto, desejaria que ele fosse viver para uma utopia militarista. O Iraque, por exemplo. Ou o Afeganistão. Ou Ciudad Juarez, talvez. Aí sim, a posse de uma arma é verdadeiramente valorizada. Mas não sou. Por isso aconselho-o apenas a experimentar Detroit, onde pode à vontade adquirir uma caçadeira ou até uma AK-47 para se defender dos meliantes. De nada.

 

*Via Ana Cristina Leonardo.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2011
por Bruno Sena Martins

Contados os mortos e apreendida a dimensão do horrífico desastre que assolou a Noruega, seria inevtável que o atentado cometido por Anders Behring se oferecesse a interpretações sobre as suas implicações políticas. De facto, a atrocidade cometida por um partidário de valores xenófobos à luz de uma versão do fundamentalismo cristão - a que terá juntado a egomania que normalmente falhamos em reconhecer nos fundamentalistas islâmicos - desestabiliza profundamente os disrcursos que, sob a bandeira do combate ao terrorismo, solidificaram a ideia do terrorismo como o mal absoluto do nosso tempo (o sucessor do Holocausto como o mal cuja vileza, escala e visibilidade matiza os demais). E, na verdade, após o 11 de Setembro, a ideia de mal absoluto sedimentou-se na co-implicação forjada entre morte de inocentes como significante político e o fundamentalismo islâmico comprometido com a Jihad.

 

Demoraremos a perceber que não há mal absoluto, mas muitas formas de perfídia que coexistem em cada tempo, atentados à vida e dignidade humana que serão registados pela nossa história social em função da escala e da espectacularidade do evento, da proximidade vivida e da proximidade engendrada pelos média. A atenção que lhes damos depende também, do medo que ganhamos às raízes do ódio na sua origem, naturalmente esquecemos mais facilmente um acto individual de loucura do que aquele que nasce de um ódio cultural que se partilha e reproduz - e nisto o "nunca mais" em relação ao Holocausto foi também o horror ao anti-semitismo, o medo aos ímpetos totalitários de refundação radical próprios da modernidade, e a desconfiança perante a cientificidade racista das ciências eugénicas.

 

Mas, e aqui queria chegar, por muito que os acontecimentos da Noruega cubram de justo ridículo as leituras simplistas sobre o mal e sobre o terrorismo, produzidas por tantos cruzados do bem (laicos e cristãos) investidos em consagrar a jihad islâmica como a natural extensão de um credo particularmente afeito à violência, convém denunciar como patética a excitação de quem mal esconde o júbilo por ver na morte de 94 pessoas um argumento político. Quem não tem tempo para a consternação por indomável júbilo ideológico reduz a ideologia a uma egomania apostada no vício retórico.


por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos

 

Não acho que esteja a polir o revólver, caro Francisco, mas julgo que a expressão que usa facilmente pode servir para encostar alguém às cordas do preconceito. Atenção: esse tal "preconceito antropológico ocidental" pode até ser real em alguns casos. Contudo, a sua existência não impediu que esteja a ser feito o necessário para manter a ameaça do terrorismo islâmico sob controlo. É uma questão perfeitamente secundária, neste caso, e, devolvendo o brinde, a frase, no seu texto, é apenas usada em tom provocatório. 

 

A questão parece-me muito simples: o terrorismo deve ser tratado como aquilo que é, um acto criminoso. E as democracias devem evitar que aconteça, sempre (mas não recorrendo a qualquer meio, seja a tortura ou, mais grave, uma guerra preventiva). Seja de extrema-direita neonazi, de extrema direita islâmica ou de extrema-esquerda. Agora, tentar perceber as razões da existência de extremismos islâmicos violentos não me parece que seja consequência de um "preconceito antropológico ocidental". E certamente o Francisco concordará comigo se eu disser que a agressividade do mundo islâmico em relação ao Ocidente é, em parte, resultado directo da violência exercida sobre os países árabes. Violência em forma de ocupação territorial - como é o caso da presença de Israel na Palestina -; violência de guerras preventivas que pouco ou nada ajudam à pacificação do Médio Oriente - como é o caso do Iraque; e violência exercida indirectamente, por via do apoio que as democracias ocidentais dão às petroditaduras do Golfo. Pretendo com esta enumeração desculpar actos terroristas? De modo algum, porque um crime é sempre um crime, seja qual for a razão por detrás dele, e matar inocentes a milhares de quilómetros de distância é, definitivamente, um crime. Como também é crime a morte de civis em resultado de ocupações de países soberanos. E atenção, que não falo de guerras entre nações; falo de ocupações criminosas, nas quais a discrepância de poder entre as forças militares em combate não permite que se possa falar em guerra. 

 

Do mesmo modo, reduzir o duplo atentado de sexta-feira a um acto de um alucinado é esvaziar a importância das motivações políticas de Anders Breivik. Mas é isso que estamos a ouvir diariamente: Anders é um louco solitário, e o facto de ter ligações à extrema-direita é apenas um pormenor. É um caso previsível de double standards: a loucura nunca é a causa primária para atentados perpetrados por terroristas islâmicos. Porquê? Porque um acto de loucura é um acto solitário; e sendo um acto solitário, é uma excepção, não nos vincula, enquanto sociedade, ao indivíduo que o pratica. Enquanto que um atentado terrorista, despojado da insanidade solitária do atirador que mata dezenas, vincula toda uma cultura. Excluímos os nossos loucos, diferenciamo-los do resto da sociedade, afirmando: "nós não somos assim, isto é uma excepção". Mas vinculamos milhões de muçulmanos à violência praticada por uma minoria (de loucos de Deus). De que lado está o "preconceito antropológico ocidental"?


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

Julian Assange e Slavoj Žižek à conversa num encontro recentemente organizado pela Democracy Now:

 

Parte 1

 

Parte 2

Parte 3

Parte 4


por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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Domingo, 24 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Até agora, apenas uma reacção nos principais blogues de direita ao duplo atentado na Noruega. Francisco Mendes da Silva sente-se satisfeito pela justiça não ir ser atrapalhada pelo "arrependimento antropológico ocidental". Não percebo muito bem o alcance da expressão, e provavelmente é melhor que não perceba, tão perto ela está de algumas ideias expressas em fórums neonazis e no testamento espiritual do terrorista norueguês. Mas percebo que ele se sinta satisfeito por a justiça poder actuar liberta de tais constrangimentos. Curiosamente, o tal "arrependimento antropológico ocidental" não tem impedido, desde o 9/11, que cada célula islâmica suspeita tenha sido vigiada e quase sempre desmantelada pelos eficazes serviços secretos dos países ocidentais. Bom trabalho, no que diz respeito ao terrorismo praticado pelos suspeitos do costume, os muçulmanos. Mas pelos vistos, têm-se esquecido de cultivar o mesmo zelo preventivo em relação aos grupos de extrema-direita que têm crescido exponencialmente nos últimos 10 anos. Eu, para além de ficar contente pela justiça poder agora funcionar liberta do "arrependimento antropológico ocidental" (como se até agora não tivesse conseguido julgar os suspeitos de conspiração terrorista por causa desses constragimentos - mas imagino que o escriba do 31 da Armada nunca tenha ouvido falar em Guantanamo), não fico nada contente por, até agora, estes grupos de enlouquecidos delinquentes, racistas e xenófobos, não terem sido devidamente controlados. Como não fico nada satisfeito por se aceitar tão alegremente que líderes europeus como Sarkozy, Merkel ou Berlusconi partilhem demasiadas vezes o discurso xenófobo com os grupos de extrema-direita. Talvez seja mesmo a hora de mudar de atitude, acabar com a benevolência com que temos olhado para o crescimento destas ideias políticas na Europa. O maior perigo pode não vir de fora, mas estar a germinar cá dentro. E não há qualquer "arrependimento antropológico ocidental" que nos impeça de actuar. O mais rapidamente possível.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 23 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Sobre o tratamento que alguns (a maioria, digamos) media deram, desde o início, aos atentados na Noruega, ler este post da Palmira Silva no Jugular. E ficam algumas perguntas: um islâmico que leva a cabo um atentado poderá sempre ser um fundamentalista islâmico? Poderá um cristão devoto ser chamado de fundamentalista cristão? Ou será apenas um louco, como tenho visto escrito? Se um cristão que mata dezenas de pessoas é apenas um louco, um terrorista islâmico também não deverá ser considerado apenas como tal? E não me falem em motivações ideológicas ou políticas; um bombista suicida islâmico é tão motivado politicamente como um neonazi que decide plantar uma bomba em edifícios civis. Estamos mais bem preparados para lidar e, no fundo, aceitar, a ameaça estrangeira, do que a ameaça interna, dos nossos "brancos", dos "noruegueses de gema" (como apareceu na declaração da polícia noruegesa). É nestas alturas, de pasmo perante o horror, que se revelam os preconceitos do mundo ocidental em relação ao "outro". Poderia servir de lição, mas sabemos que isso não vai acontecer. As pessoas não mudam.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos
Live fast, die young... no bullshit. Grande voz, o panteão dos 27 está mais rico; mas o mundo ficou a perder. Descanse em paz.
E mais: vejo repetida por todo o lado a expressão "desperdício de talento". Depois de morta, continua a ser recriminada por levar o estilo de vida que levava. Censurada por não ter feito outro disco desde Back to Black. Condenada pelas desastrosas actuações ao vivo. Não é justo. É egoísmo puro. Queremos que os nossos ídolos sejam perfeitos? Não, pedimos apenas que nos sirvam, como cantava outro perseguido pela fama, Kurt Cobain. Serve the servants - os artistas obrigados a servirem a sua arte. E nós, como vampiros, nunca nos cansamos, queremos sempre mais. Desperdício de talento, como se deus (ou alguém por ele) tivesse desperdiçado um dom em alguém que não o merecia. Amy Winehouse não era apenas um produto consumível. No fim de contas, o que lamentamos nós? A morte de alguém, ou o fim do nosso vício? Quem será, afinal, imperfeito?

por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Não sabemos ainda quem atacou a Noruega. Não sabemos quais as razões. Terão sido terroristas. Mas há já quem se regozije com a mortandade. Quando começamos a aplaudir a morte de inocentes, perdemos toda a humanidade, e sobretudo a legitimidade para criticar imperialismos e assassinatos alheios. Vergonhoso.

 

Adenda: também gostaria de ver a reacção de Renato Teixeira se se vier a descobrir que o atentado foi um acto praticado por grupos de extrema-direita.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Durante as férias, para não haver ondas, os transportes públicos vão aumentar 15 por cento. A medida é uma excelente metáfora do desnorte na gestão desta crise. É tudo ao contrário do que deveria ser feito. É injusto e é economicamente irracional. 

É injusto porque, como se sabe, os transportes públicos são usados maioritariamente por pessoas com menos rendimentos. Na prática, este aumento acaba por compensar o aumento de impostos que não se aplicou às pessoas com menores rendimentos. E sobrecarrega ainda mais os que vão pagar esse imposto e estão longe de ter uma vida desafogada.

 

É irracional porque aumenta os custos de trabalho. Torna, aliás, ainda menos vantajoso trabalhar quem ainda tem direito ao subsídio de desemprego. Ou os empregadores compensam no salário ou em subsídios de transporte este aumento ou as pessoas vão pagar para trabalhar. Num e noutro caso a economia fica a perder. É irracional porque desmotiva o uso do transporte coletivo, leva muita gente a continuar a usar o transporte individual e aumenta a nossa fatura energética e as nossas importações.

 

Já o disse várias vezes e repito: o barato sai caro. E, neste caso, sai caro ao País e sai caro aos que menos têm. Se há setor para onde os dinheiros públicos devem ser canalizados é para este. E digo sem receio: cada cêntimo gasto em transportes públicos vale muito mais do que cada cêntimo despendido com autoestradas de borla.


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

O governo baixou as indemnizações por despedimento. Dizer que, em tempo de crise, a medida serve para promover o emprego só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Tornar mais barato o despedimento é retirar um entrave a essa decisão. Retirar um entrave a essa decisão reduz o poder negocial dos trabalhadores. Se o despedimento é mais fácil, ele estará sempre à espreita. E perante esse fantasma, é mais provável que o trabalhador aceite tudo o que lhe é imposto.

 

Importa juntar a esta decisão uma informação desta semana: os trabalhadores que recebem um salário mínimo - 485 euros -, com o qual é impossível sobreviver com alguma dignidade, passaram, entre 2006 e 2009, de 222 mil para 402 mil. Ou seja, mais 180 mil trabalhadores a viver abaixo do limiar de pobreza. E 15 mil destes - mais do dobro do que há cinco anos - têm curso superior.

 

Com esta medida, que aumenta a pressão para que os trabalhadores com vínculo (cada vez menos) aceitem tudo o que lhe seja imposto, estou seguro que haverá ainda mais gente a trabalhar em troca desta esmola. Alguma vez conseguiremos competir com os nossos parceiros europeus se continuarmos a apostar em trabalho semi-escravo desqualificado e na mais desigual das distribuições de rendimentos em toda a Europa? Acho que a resposta é tão evidente que nem merece grandes desenvolvimentos.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
por Bruno Sena Martins

Incitado pelo exercício do Sérgio Lavos, decidi-me a tentar coligir os meus 25 filmes de eleição no IMDB. É um labor doloroso que nos compromete mais do que gostaríamos não obstante as mil ressalvas que tentemos amanhar. Ainda assim  aqui vão umas tantas: trata-se de uma lista provisória feita de um fôlego, pejada de desmemórias, e sob restrições auto-impostas (como a repetição de realizadores). A ordem é aleatória. Se fosse noutro dia estaria diferente: amanhã vou-me lembrar de omissões imperdoáveis, vou arrefecer anelos passionais. Posto isto, deixemo-nos de merdices, aqui vai: IMDb: 25 Best - a list by Bruno Sena Martins. (Se quiserem dar-se ao trabalho mandem-se as vossas listas que eu encarego-me de as reunir num post).

 

 

 


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

 

O Império do senhor Murdoch chafurdou, durante anos, na imundice, transformando o jornalismo numa profissão mais próxima do crime do que da digna função de informar. É verdade que, no meio do lixo de que é proprietário, estão jornais respeitáveis como o The Wall Street Journal. Mas nunca o direito à informação foi a motivação do Charles Foster Kane da atualidade. No Reino Unido, os seus tablóides fizeram o que quiseram sem que nunca ninguém lhes tivesse posto um travão. Nos Estados Unidos, a sua Fox dedicou-se à mais desbragada das propagandas, silenciando, humilhando e denegrindo todos os que se opunham à agenda neoconservadora. Duas coisas definem o comportamento deste empresário: falta de escrúpulos e promiscuidade com o poder político, seja o de Bush, o de Thatcher ou o de Blair. Rupert Murdoch sempre usou os seus jornais e televisões para ter poder e o poder para fazer dinheiro.

 

O único problema de gente como Murdoch é que a falta de limites acaba quase sempre por os fazer escorregar na sua própria lama. Só se espanta com a sórdida novela do The News of the World quem não se apercebeu da ténue fronteira que separava o comportamento de muitos dos profissionais que trabalhavam para o magnata e o crime.

 

A ideia de que o jornalismo deve dar às pessoas tudo o que as pessoas querem, tratando a informação como mera mercadoria, tinha de acabar onde acaba sempre a mercantilização de tudo: na criminalidade comum. Mas convenhamos que o Rupert Murdoch e os seus capatazes não inventaram a pólvora. Se os jornais que publicam têm compradores e leitores é porque não falta quem não se choque com o esgoto que produzem. Se quem escreve não tem limites é porque quem lê não os exige.

 

No Reino Unido, a investigação parece não poupar ninguém e até o senhor Murdoch teve de ir a uma comissão parlamentar de inquérito para dar explicações. E isto é a parte fascinante da cultura anglo-saxónica. Nada é sagrado. Nem a privacidade dos familiares das vítimas de um atentado terrorista, nem a pose intocável dos poderosos. Se em Portugal não assistimos à devassa da vida privada que é tão comum no Reino Unido, também nunca alguém do calibre de Murdoch seria apertado por deputados no Parlamento. Se ingleses e americanos não hesitam em espiolhar a vida de todos para que a turba julgue os pecadilhos privados das figuras públicas, também são capazes de ser severos com os poderosos. Se nós respeitamos, regra geral, a vida privada dos cidadãos, também temos, como disse um presidente satisfeito, "uma imprensa muito suave" com o poder. A contenção e a reverência podem, muitas vezes, ser primas direitas. Assim como a coragem e a ausência de limites. Como conseguir uma sem a outra? Não sei. É ir tentando.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Na semana em que a direcção da mui beata e piedosa Universidade Católica decide ensaiar um regresso à primeira metade do século XX, instituindo um código de vestimenta que faria as delícias de Diácono Remédios, ao aconselhar o uso de "formas de vestuário dignas e convenientes, adequadas ao local de trabalho próprio de uma universidade e de uma instituição da Igreja", o excelentíssimo abominável César das Neves, professor nessa instituição, soltou mais umas encarniçadas diatribes a favor do ultraliberalismo, ainda por cima dando como exemplo a Saúde - a velha história, falsa, de que gastamos mais e temos um pior Sistema Nacional de Saúde - e defendendo que os países europeus em risco deveriam simplesmente falir (como a Califórnia - a sério, foi deixada falir pelo governo americano???). A velha aliança entre o liberalismo económico e o conservadorismo nos costumes no seu melhor. Deus não joga aos dados com o cosmos, é bem verdade.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Ontem falei da ligeireza com que Passos Coelho tratou da nomeação e "desnomeação" de Bernardo Bairrão. Deixei de fora (e trato hoje) um "pormaior": a utilização do SIS. Começando por isto: é indiferente se a coisa foi feita formalmente ou informalmente e um desmentido, sem mais nenhuma investigação, não me chega. Os serviços secretos servem, supostamente, para defender o Estado português. Têm instrumentos que nem a polícia tem. São muito menos fiscalizados. Pode-se discutir se são ou não necessários. O que ninguém poderá negar é que, se usados com menos escrúpulos, são um instrumento político demasiado perigoso para deixar à solta. Suficientemente perigosos para pôr em causa os direitos cívicos e a liberdade dos cidadãos.

 

Acho por isso estranho que se olhe com ligeireza para a sua utilização na investigação da vida de um cidadão, como tira teimas das escolhas políticas do primeiro-ministro. Se as dúvidas eram sobre a sua idoneidade, a coisa era simples: não o nomeava. Antes prevenir do que remediar. O que não é admissível é que se usem os serviços secretos como se fossem assessores políticos primeiro-ministro quando este recebe SMS de gente despeitada. Havia a suspeita de que qualquer atividade presente ou passada de Bernardo Bairrão punha em causa a segurança do Estado? Se não, o uso do SIS é um abuso e um atentado ao Estado de Direito. Para tudo o resto existem as polícias de investigação e os tribunais, que garantem o direito à defesa de todos.

 

Fica agora uma inquietante pergunta: usou este ou outro primeiro-ministro os serviços secretos para investigar a vida de adversários políticos? É que se os usa, sem sequer ter o cuidado de manter a coisa discreta, para investigar possíveis aliados, temos todas as razões para suspeitar que se trata de um gesto banal.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales

"This is not a crisis of a small country at the edge of the eurozone. Nor is this a crisis brought on by rating agencies or speculators. This is a systemic crisis of a monetary union that refuses to be a fiscal union".  Wolfgang Münchau, 18 Janeiro 2011.

 

Ao mesmo tempo que no Financial Times se fala na crise do euro, por cá, o ministro das Finanças diz que temos uma "crise da dívida soberana de alguns países". Já nem é uma questão de alguém lembrar a Vítor Gaspar que já não trabalha para o Banco Central Europeu, mas de ter alguém no Governo que abra os olhos. Se não importunar muito, claro.


por Pedro Sales
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
por Bruno Sena Martins

Quem ouve e quem canta a música POP (desde os anos 1980 até hoje): aqui.

 

 

 


por Bruno Sena Martins
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por Ana Mafalda Nunes

‎"We can change the world and make it a better place. It is in your hands to make a difference."

 

Pode até ser que, por arrasto, consigamos mudar o nosso país.


 


por Ana Mafalda Nunes
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por Daniel Oliveira

 

Manuela Moura Guedes tinha problemas antigos na televisão onde deixou de ser locutora de continuidade com um senhor que ia ser secretário de Estado. Mandou um sms ao primeiro-ministro, conhecimento recente, sobre uns boatos a propósito do senhor. E chegou isso para o primeiro-ministro mandar as secretas investigar Bernardo Bairrão. As secretas não chegaram a nenhuma conclusão a não ser a de que os boatos, de facto, existiam. E assim um governante deixou de o ser ainda antes de tomar posse.

 

Em alguns países, como os EUA, há um escrutínio prévio aos governantes antes de serem nomeados. Tudo na sua vida é passado a pente fino. Não sei se adoro o sistema, que pode dar excessiva relevância ao acessório, deixando para segundo plano a política. Mas tem duas vantagens: evita escândalos mediáticos futuros e é transparente.

 

O que não é sério é esta forma de fazer as coisas. Se há uma denúncia, ela não se faz em sms para o primeiro-ministro. Isto ainda não é uma sociedade filarmónica. É um País. Se há uma investigação ou ela é absolutamente secreta ou é transparente e com conclusões claras. O que é indecente é fazer-se uma seminvestigação e passar para os jornais semiconclusões, lançando sobre alguém que apenas foi convidado para o governo suspeitas difusas de que não se pode defender.

 

Assustam, neste episódio, duas coisas. A primeira: a vulnerabilidade de um primeiro-ministro que, por causa de umas bocas despeitadas, vê abaladas as suas convicções em relação à honestidade de alguém que julgou tão sério que até convidou para dirigir as polícias. A segunda: a ligeireza de procedimentos, com investigações rapidinhas, conclusões que não o são e fugas para os jornais com matéria não provada. Andam a brincar com coisas sérias. Que Manuela Moura Guedes o faça, não espanta. Que o primeiro-ministro vá na cantiga é mais grave.

 

Não conheço Bernardo Bairrão. Não sei se o que dele foi dito e escrito é verdade ou mentira. Mas acho que, nesta matéria, tem razão: as conclusões do relatório que foi feito sobre ele devem ser públicas para ver o seu nome limpo. É que as secretas não podem ser o que foi o telejornal de Moura Guedes. Do Estado, exige-se algum rigor e seriedade.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Ana Mafalda Nunes

...o país do futebol.

 

 


por Ana Mafalda Nunes
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Domingo, 17 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Noah Lennox nasceu nos EUA, no estado de Maryland. No início da década passada, formou um dos projectos musicais mais inovadores da pop dos últimos 15 anos. Conheceu Lisboa numa digressão desta banda, os Animal Collective. Gostou da cidade a ponto de se apaixonar por uma portuguesa, casar com ela (e ter dois filhos). Tornou-se num dos mais ilustres moradores da cidade. Até aqui, tudo bem. Mas a cereja no topo do bolo é a sua conversão à mais mística religião portuguesa: o benfiquismo. Adepto fervoroso, sócio, deslumbrou-se com os cânticos, com o barulho, do Estádio da Luz e gravou-os* para usar na faixa do seu mais recente álbum, Tomboy, lançado em Abril passado. Tudo somado, um homem com todas as qualidades (e nenhum defeito público). Panda Bear é o nome que usa na música. E esta, se não é melhor canção do álbum, é certamente a minha preferida. Chama-se Benfica, e é grande.

 

Letra:

 

Some might say that

To win's not all that it's about

It's just not something to say

But there is nothing more true

Or natural than wanting to win

 

There's nothing more to life

Nothing more to life

 

*Seria mais interessante se ele tivesse gravado o barulho do estádio, mas parece que não (segundo informação de comentadora); simplesmente sacou da net o som e usou-o como sample. Ainda assim, o deslumbre deve ter acontecido.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 16 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Como todos sabem, Cavaco Silva é o meu Bartleby favorito. Desta vez, preferiria (ou gostaria, e nunca gostava, como ele disse, dado que neste caso é o condicional, e não o imperfeito, que deverá ser usado)* que o dólar fosse mais forte - ou o euro mais fraco, não se percebe muito bem - para que os países da Europa fossem mais competitivos. Portanto, Cavaco defende algo que o Bloco de Esquerda já defende há algum tempo. Muito bem. Só acho que gostar pode não ser suficiente, é uma espécie de amor que não convence. Quer dizer, a confissão de um desejo é algo vago, é como uma virgem sonhando com o príncipe encantado sem ter coragem de ir engatar ao Bairro Alto. Mas enfim, e como sei que o nosso presidente não é suficientemente temerário para, digamos, sugerir isso a quem decide - sabemos como a timidez é um problema que grassa entre as altas esferas do país - aconselho-o a tentar outras tácticas: rezar a Deus Pai Todo-o-Poderoso, prometendo uma via crucis de joelhos em Fátima, seria uma hipótese; também poder-se-ia pensar em macumba contra o Euro, mas o bruxo de Madrid, o tal que lesionou e tornou impotente Cristiano Ronaldo, já não está entre nós. Mas julgo que o professor Karamba ainda não se reformou. Que tal um olho gordo lançado ao Euro? Entretanto, pode-se ir entretendo com a santinha padroeira da moeda única; quem sabe se alguns dias de penitência e jejum de bolo-rei não comoverão a Santa Angela?

 

*Afinal Cavaco disse bem, "gostaria". Na notícia do Público (via Lusa) é que estava mal, "gostava". Transcrever uma declaração correctamente, será assim tão difícil? 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

O Joseph Stiglitz também é de extrema-esquerda?


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Em tempos, no meu outro blogue, respondi a uma daquelas correntes que andam de vez em quando pela blogosfera. Na altura, pediram-me cinco filmes da minha vida. Para tornar o desafio mais aliciante, escolhi cinco cujo título em inglês começasse pelas letras do meu apelido. Como estamos no Verão, tempo de reprises, retomo o texto, começando pelo L:

 

Lost Highway, de David Lynch - não é o meu preferido dele, mas Lavos não contém um M. Se tivesse de dizer apenas uma razão para estar nesta lista, é o facto de, passados 10 anos, muitos visionamentos e alguns textos teóricos depois, ainda não ter entendido o filme no seut todo. Há pistas, claro, e quase que percebo por que razão o Mistery Man aparece em dois lugares ao mesmo tempo. Não é isso o mais importante, de resto. A ideia dos duplos estabelecendo pontos de contacto entre tempos e camadas de consciência é apenas um pretexto. Acima de tudo, o tema é a elegante esquizofrenia do desejo masculino. Soberbo.
Apocalypse Now, de Francis Ford Copolla: o melhor do bando à parte do cinema americano dos anos 70 (com milhas de avanço em relação a Scorcese) realizou aquele será, durante os séculos vindouros, o melhor filme de guerra de sempre. E o problema para a concorrência é que o filme nem sequer é de guerra - é uma majestática ópera sobre a natureza humana (as Valquírias não estão lá por acaso).
Vertigo, de Alfred Hitchcock: cada mulher é sublimação, arquétipo, na cabeça de um homem. Todas as mulheres são uma só. E cada mulher repete-se em cada nova mulher que se ama. Misoginia? Uma condenação, uma miserável deficiência ditada pelo gene Y que partilhamos. E Madeleine/Kim Novak (a Scarlett Johansson de Hitchcock) sabe tudo, desde o início. Trágico destino da inferior raça masculina, o engano.
On The Waterfront, de Elia Kazan: podia ter aqui a primeira parte do Padrinho, só para falar da cena da morte de Don Vito Corleone e da improvisação do outro mundo de Marlon Brando. Mas como tem de ser um filme começado por "O" (e poderia ser também "On Connait la Chanson" ou "One Flew Over the Cuckoo's Nest"), falo do gingar e do rodopiar do estivador Brando em volta da loura pálida Eva Marie-Saint, na rua, a caminho da imortalidade. Assentemos nisto: James Dean era um menino chorão que deitou fora cedo de mais o pouco talento que tinha. Marlon Brando era grande. Enorme. Maior do que alguma vez o seu ego aguentou - e sempre sem fazer caso disso, em esforço. O Maradona da representação.

Some Like it Hot, de Billy Wilder: já vi vezes suficentes este filme para conhecer todas as cenas de cor e ter deixado de lhes achar piada. Mas isso não aconteceu ainda. A melhor comédia de sempre (para alguns - eu diria que está a par de Monty Python e o Cálice Sagrado) continua tão eficaz como da primeira vez. E claro, Marilyn Monroe mostra que consegue mais do que ser, simplesmente, a da espécie. Sabe representar. Gozar com a imagem que o mundo tem de si. A mão de Wilder seria certeira mais vezes; mas nunca com o estado de graça deste filme. Há alguns que conseguem ser perfeitos.

 

*Por sugestão de um comentador, a corrente pode ter continuação na caixa de comentários. Deixem as vossas escolhas aqui em baixo.

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Finalmente, uma medida revolucionária do novo Governo. Assunção Cristas, a ministra que prometeu estudar a fundo tudo o que tivesse a ver com o seu gabinete - dado que a sua formação nada tinha a ver com o que está a fazer - decidiu assinar um despacho que dispensa o uso de gravata no seu ministério, por razões de poupança de energia. Não poderia estar mais de acordo. Acho mesmo que deveria ir mais longe e, nesta altura de calor e apertos orçamentais, aproveitar para promover o nudismo nos gabinetes do ministério; para além de se poupar a energia gasta pelo ar condicionado, também se pouparia água na lavagem de roupa e não se poluiria o ambiente com os químicos libertos pelos detergentes. Ninguém quer iniciar uma petição pública por esta nobre causa?


por Sérgio Lavos
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por João Rodrigues

 

Sem querermos decretar convergências precipitadas ou anular a diversidade de registos, julgamos que alguns pontos comuns podem ser identificados e que essa identificação permite algum optimismo intelectual e quiçá político. Em primeiro lugar, os artigos deste livro tomam partido na divisão que marca o condicionado debate económico nacional. De facto, temos, por um lado, os que fingem que os problemas do nosso país podem ser pensados sem considerar as consequências da perda de instrumentos de política económica à escala nacional, que resultou de uma integração económica e financeira que não os compensou com novos instrumentos à escala europeia. Sabem que esta estratégia intelectual favorece o seu programa de orientar as políticas públicas para a redução directa e indirecta dos custos laborais (...) Por outro lado, temos os que, como os autores deste livro, reconhecem que a generalidade dos problemas económicos nacionais – da integração económica dependente, traduzida em perdas de competitividade, à formação de grupos económicos que operam essencialmente nos sectores de bens não-transaccionáveis e que pretendem capturar serviços públicos, passando pela instituição de uma economia desigual e de baixa pressão salarial – não podem ser pensados fora de uma Zona Euro que juntou, em pé de igualdade, economias com níveis de desenvolvimento muito distintos e que deu demasiado espaço a forças de mercado em detrimento da criação de mecanismos de solidariedade (...) Em segundo lugar, os economistas que participam neste livro tendem a convergir na constatação de que o liberalismo económico tende a destruir os mercados porque não consegue vislumbrar os seus limites, nem pensar em políticas e instituições que contrariem a miopia dos interesses da especulação financeira (...) Em terceiro, e último lugar, os economistas que aqui escrevem podem convergir na ideia de que Portugal tem de abandonar a atitude de “bom aluno” e, em aliança com as restantes periferias em dificuldades, pressionar o centro europeu a adoptar soluções decentes para a crise europeia.

 

Excertos da introdução


por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira

 

 

Apesar de não conhecermos hoje forma de viver sem ele, nem tudo é mercado. Se olharmos para a Internet percebemos isso mesmo. Na blogosfera ou na Wikipedia milhões de pessoas produzem e consomem sem que recebam ou paguem por isso. A criatividade veio quase sempre antes de alguém imaginar como ganhar dinheiro com ela. Na arte, na ciência e em tudo o resto.

 

O voluntariado, a participação cívica, o mutualismo e tantas outras coisas provam o mesmo: apesar de vivermos numa economia capitalista há, ao lado dela, muitas experiências que seguem outra lógica e, mesmo quando não é isso que as motiva, desafiam-na.

 

Recentemente recorri a mais uma. Curiosamente, vive do excesso. Num grupo virtual (Freecycle ), quem se quer livrar de coisas - roupas, brinquedos, móveis, electrodomésticos - oferece-as e quem as quer só tem de tratar do transporte. Não é caridade, porque nem sabemos à partida se quem recebe não pode comprar. Não é troca por troca, porque nem sempre quem dá recebe. É apenas vontade de não mandar fora o que outros ainda podem usar.

 

Não é um manifesto político. Mas é o oposto ao consumismo, porque reduz a necessidade quando tudo na sociedade a alimenta. É apenas um ato natural. E essa é a razão porque acho que aqueles que pensam que o capitalismo corresponde à natureza humana (e por isso será o fim da história) estão enganados. As sociedades não se organizam nem pelo altruísmo nem pelo negócio. Caminham pelas duas coisas. E quem vê na ganância a explicação de todos os atos humanos é tão cego como quem acredita que uma sociedade se pode regular apenas pelo desejo do bem. Uns e outros amputam parte do que é ser humano.

 

Não usei o Freecycle por querer praticar o bem. Não o usei porque queria que que me levassem as coisas - a Câmara Municipal faria o mesmo com menos trabalho para mim. Usei-o porque o instinto de partilhar é, como a ganância, dos mais humanos de todos.

 

E é esta, e não a falsa dicotomia entre igualdade e liberdade (como se uma não dependesse da outra), a grande clivagem entre a esquerda e a direita (deixemos de fora a direita conservadora, que é apenas anacrónica e que virá a ser, quando os ultraliberais desregularem tudo, aliada natural da esquerda). Uma acredita na comunidade, a outra no lucro. Uma tem mais fé na partilha, a outra tem mais fé na ganância. Mas todos sabem que qualquer dos dois instintos está sempre à espreita. Porque também eu, que partilho, compro e vendo. E quem compra e vende também gosta de partilhar. A questão é apenas o que pesa mais na forma como imaginamos as nossas utopias. Já na vida real, há ilhas de socialismo no capitalismo, como sempre houve ilhas de capitalismo no socialismo.

 

Claro que se o Freecycle se tornar popular vai haver quem queira ganhar dinheiro com a coisa. Mas ele nasceu antes disso. Como quase todas as ideias. Forçando a nota: o socialismo precede sempre o capitalismo. A partilha precede sempre a ganância. A criatividade precede sempre o negócio. E é por achar isto, e, claro, não por usar o Freecycle, acrescentar informação na Wikipédia ou escrever em blogues, que sou de esquerda. Porque sei que é em comunidade que evoluímos. A ganância apenas tira partido disso, dividindo desigualmente o que todos nós construímos.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

Pois, bem me parecia. Um desvio colossal afinal não é um "desvio colossal". Contem-me histórias, que eu gosto: é claro que o Governo PSD/CDS não está interessado numa auditoria às contas públicas. Porque, se isso fosse feito por uma entidade independente (estrangeira, obviamente) - vamos dar asas à mais delirante das hipóteses - descobrir-se-ia que o buraco já vem de longe, de muito longe, de outras frentes PSD/CDS, quem sabe (submarinos, disse? Sobreiros, o quê? casa da Coelha, quantos?). O centrão serve para isto mesmo: agora fico calado eu, agora ficas calado tu. Os interesses têm de continuar a fluir como água suja debaixo da ponte. E o nosso dinheiro, o que vem do aumento de impostos, também, para as contas em paraísos fiscais que bancos e empresas que ganham contratos com o Estado mantêm. A máquina funciona tão bem... para quê o grão de areia na engrenagem? 


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

"Jardim só aplicou 29,5% das verbas recebidas na reconstrução Madeira: O governo regional utilizou pouco mais de um quarto das verbas que recebeu em 2010 do governo da Republica para a reconstrução das zonas afectadas pelo temporal de Fevereiro de 2010."


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

Em reunião do Conselho Nacional do PSD, Pedro Passos Coelho disse que há um "desvio colossal" nas contas públicas. Disse que não se queixaria da herança mas, pelo sim pelo não, um conselheiro fez passar para os jornais a queixa da "herança".

 

Começa assim o segundo episódio de uma novela que se repete sempre. Durão prometia em campanha não aumentar impostos, chegou ao governo, descobriu que o País estava de tanga e aumentaram-se os impostos. Sócrates prometeu em campanha que não aumentava os impostos, chegou ao governo, descobriu que o défice era maior do que se julgava e aumentou os impostos. Passos disse que não aumentava os impostos, chegou ao governo, descobriu que um "desvio colossal" e aumentou os impostos. Em todos os casos os futuros governantes deixaram claro na campanha eleitoral que não acreditavam nos números oficiais. Em todos os casos fingiram logo de seguida que tinham sido surpreendidos pelos números verdadeiros. Em todos os casos deram o dito por não dito.

 

A pesada herança é o clássico da política nacional. Cada mentira em campanha é justificada por uma mentira herdada. E uma mão lava outra. A coisa é de tal forma repetitiva que já ninguém liga nenhuma. Nem às promessas que se fazem, nem às promessas que não se cumprem, nem aos números que são falsos, nem ao falso espanto de saber que eles são falsos. A falta de respeito pela palavra dada passa de governo para governo. Essa sim, é a pesada herança de que não nos conseguimos livrar.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Na minha terra, um "desvio colossal" é sempre "um desvio colossal". Não estamos falar de uma "diferença brutal"; ou sequer de um "buraco orçamental". Não, esperai; se calhar, estamos. É isso? Aquele buraco que o presidente Cavaco tapou bem tapadinho, impedindo - certamente em nome do "interesse nacional" (essa santa panaceia para a curiosidade natural dos cidadãos) - que fosse feita uma auditoria às contas portuguesas? Isto há menos de quatro meses? Um desvio colossal, disse? E não poderia, sei lá, ser menos específico? Esperamos resposta, até porque a tal auditoria às contas públicas - o mínimo que seria exigível perante o descalabro dos últimos anos - é uma utopia, um sonho cerceado em nome do "interesse nacional". Agora sem desculpas, cá esperamos ansiosos para saber exactamente o que significa "desvio colossal". E uma explicação para esse desvio; que seja cabal. 


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

 

Hoje, no Telejornal da RTP, foi possível assistir a uma detalhada reportagem sobre uma dupla de meliantes que tentou assaltar sem sucesso uma turista na praia. Logo de seguida, uma notícia sobre "insegurança" dava conta de um aumento imediato do dispositivo policial, anunciado pela voz grave do nosso novel Ministro da Administração Interna. Se coincidência não é, o que chamar a isto?


por Miguel Cardina
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