Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

"Gostaria de ver os arautos dos "mercados" que moralizam que "as dívidas são para pagar" (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.

 

Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês "Les Echos", a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos "mercados", entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).

 

A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.

Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, "prioridade absoluta ao pagamento da dívida."

Aqui.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

Confesso que há coisas que não esperava assistir na minha vida. 65 anos passados do fim da II Guerra, do perdão europeu e americano ao criminoso expansionismo alemão, de todas as concessões para garantir a paz, da construção do que viria a ser uma União Europeia baseada na boa relação e solidariedade entre os europeus, do enorme apoio que a Alemanha recebeu da Europa para a sua reunificação e da ajuda que o euro significou para a sua economia, a proposta de uma segunda "ocupação" de Atenas, através do sequestro da sua soberania orçamental por Berlim, é mais do que um insulto à memória coletiva da Europa. É um ato hostil contra um país da União.

 

Na Grécia, segundo sondagem recentes do semanário Epikaira, os partidos contra o acordo com a troika representam já quase 40% dos votos. Os dissidentes de esquerda do PASOK têm 13% e os comunistas do KKE e a esquerda do Syriza (o BE lá do burgo) 12,5% cada um. A direita fica abaixo da soma destes partidos (Nova Democracia com 30,5% e os extremistas do Laos com 6%) e os antes poderosos socialistas com uns humilhantes 12% (arriscam-se a transformar-se na quinta força política). A reação à loucura de Bruxelas já se sente na Grécia e o governo de "tecnocratas" começa a ter pouca margem de manobra. E isto explica a frase do ministro das finanças grego, Evangelos Venizelos: "quem põe um povo perante um dilema entre a ajuda financeira e a dignidade nacional ignora as lições da históricas fundamentais". Ponham muitas aspas em "ajuda" e têm a verdade nua e crua do que está em causa.

 

E não, não me venham de novo com a falta de paciência dos alemães para o mau comportamento do Sul. Socorro-me das palavras de Anatole Kaletsky no "The Times": "A verdadeira causa do desastre do euro não é a França, a Itália ou a Grécia. É a Alemanha. O problema fundamental não reside na eficiência da economia alemã, embora tenha contribuído para a divergência dos resultados económicos, mas no comportamento dos políticos e banqueiros centrais alemães. O Governo alemão não se limitou a vetar permanentemente as únicas políticas que podiam ter colocado a crise do euro sob controlo - garantias coletivas europeias para dívidas nacionais e intervenção em grande escala do Banco Central Europeu. Para piorar a situação, a Alemanha tem sido responsável por quase todas as políticas erradas postas em prática pela Zona Euro, que vão desde subidas loucas da taxa de juros no ano passado pelo BCE até exigências excessivas de austeridade e perdas bancárias que agora ameaçam a Grécia com uma bancarrota caótica."

 

O melhor retrato da cimeira de ontem é este: enquanto, nos salões, os governantes continuam cegos ao que se passa na Europa, Bruxelas estava paralisada por uma greve geral, o que obrigou os chefes de Estado a deslocarem-se para a cimeira de helicóptero e a usarem bases militares. O caos que a medíocre classe política europeia está a criar na Europa poderá vir a ter um preço bem mais alto do que se imagina.

 

À peregrina ideia dos alemães aconteceu o que tinha de aconteceu: morreu. Foi até aprovado um pacote pelo emprego e até ouvimos umas frases redondas sobre o crescimento. E segue, através do "pacto orçamental", a imposição de défices burocráticos à custa da ruina das economias que só garantem um ainda maior desequilíbrio nas contas públicas (que, vejam bem, dependem da saúde económica dos países).

 

Casar a austeridade com o crescimento, é o que se defende. Parece que vai demorar algum tempo até que se perceba que austeridade e crescimento, em plena crise económica, é um matrimónio sem futuro. Mais esta aspirina, sem as medidas que são defendidas por Kaletsky no "The Times", terá o mesmo efeito que as medidas decididas nas anteriores cimeiras. Está, portanto, tudo na mesma. Ficamos à espera de saber qual a sentença para os gregos. Provavelmente ficarão mais tempo ligados à máquina, sem a esperança de sobreviver a esta criminosa "cura".

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
por Bruno Sena Martins

Perdoarás o moralismo, Sérgio, mas se alguma coisa a blogosfera parecia trazer de fresco à discussão futebolística não seria certamente a clubite larvar sobre árbitros e arbitragens. Rebater-te seria convocar a tua desrazão para uma razoabilidade que pareces ter abjurado, seria, sobretudo, encetar um jogo que não me merece - e que, a meu ver, não te merece. Para facciosismos insanos, para especialistas do habitus arbitral, há painéis de sobra numa TV perto de si.

 

Falemos de futebol se é disso que se trata. Por exemplo, fala-me do sumptuoso Aimar que eu respondo-te com a utopia de um regresso: 

 

 

"Que razões há para postular que já existe o futuro?"

Jorge Luis Borges, Outras Inquirições.


por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos

 

Por apenas 6 votos, o Arrastão venceu as forças do lado negro obscurantista representado pelos saudosistas monárquicos do 31 da Armada. Ganhámos na categoria "Actualidade Política - colectivos" na votação promovida pelo blogue Aventar. Estamos todos de parabéns. Obrigado pela preferência.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Ninguém pode negar o que, em 25 anos de liderança, Manuel Carvalho da Silva fez pelo sindicalismo português e pela CGTP. Não conseguiu estancar o refluxo que o sindicalismo vive em Portugal, semelhante ao que conhecem muitos países do Ocidente. Especialmente grave num País onde, depois de meio século de ditadura, os sindicatos livres se implantaram tardiamente. Mas deu à organização com mais filiados em Portugal um outro papel político.Credibilizou a CGTP e garantiu-lhe, com todos os constrangimentos inevitáveis, algum grau de autonomia e decapacidade agregadora. Uma organização com dezenas de uniões e federações e centenas de sindicatos não vive do seu líder. Mas, pelo menos na imagem pública da Intersindical, Carvalho da Silva conseguiu muito mais do que, há duas décadas, poderíamos esperar.

 

Esperemos que o novo coordenador, muito mais dependente da direção do PCP, muito mais marcado na sua imagem e muito menos consensual na central, consiga aproveitar este legado. Espero que Arménio Carlos saiba que a "unidade na ação" depende mais de práticas quotidianas do que de apelos públicos. Tem como primeira tarefa conseguir o consenso dentro de casa. Acredito sinceramente que se consiga moldar à enorme responsabilidade que tem pela frente. Perante a violência do ataque que os trabalhadores portugueses estão a sofrer, o vergonhoso colaboracionismo de João Proença e a fragilidade dos restantes movimentos sociais, não me posso dar ao luxo de ser pessimista nesta matéria.

 

Eletricista e sindicalista, Carvalho da Silva não descurou, nos anos em que liderou a CGTP, a sua formação académica e ideológica. Não se trata de um pormenor biográfico. Também foi esse seu empenhamento pessoal, a que não parecia obrigado, em garantir que o seu peso intelectual e político não dependeria exclusivamente do lugar que ocupava, que lhe valeu uma crescente simpatia, mesmo fora dos círculos sindicais. Isso, a heterodoxia e abertura do seus discurso e um sentido tático muito apurado.

 

Da sua clarividência táctica foi exemplo o encontro que teve com os senhores da troika, para lhes dizer, olhos nos olhos, aquilo que defendia e aquilo que não aceitava. Ao contrário do que alguns pensavam, esse gesto deu-lhe mais, e não menos, autoridade para se opor ao que veio depois. Carvalho da Silva percebeu que entre a capitulação e a cegueira há um espaço de luta que procura maiorias sociais. Penso que não exagero se disser que é hoje o ativista político à esquerda mais respeitado em Portugal. Por os que, como eu, se consideram próximos da sua tradição política, e por outros bem mais distantes do seu percurso.

 

Depois de 25 anos de liderança da CGTP e tantos outros de sindicalismo, Carvalho da Silva entrará numa outra fase da sua vida pessoal, pública e política. Caberá apenas a ele decidir o que fazer com a sua vida. No entanto, quem leu as suas entrevistas com atenção terá percebido que não tenciona desperdiçar este património. Faz bem. A esquerda, no estado comatoso em que se encontra, não pode desperdiçar a sua experiência e o seu capital de simpatia. Sem messianismos ou cultos de personalidade (dispensam-se sempre, e Carvalho da Silva nem sequer tem, felizmente, esse perfil), o seu espaço de influência ultrapassa largamente a organização de que é militante e é transversal a todos os partidos e movimentos sociais de esquerda. Não me recordo de mais nenhum ator político capaz de recolher apoios e simpatias em franjas importantes do PCP, do BE e do PS, em abstencionistas e descontentes, em sindicatos tradicionais e movimentos mais ou menos espontâneos de contestação.

 

Não sei o que Carvalho da Silva quer fazer depois de terminada esta longa fase da sua vida. Acredito que não tencione reformar-se da vida pública ou procurar um refúgio confortável. Não sei se esperará por umas eleições presidenciais, o que me pareceria pouco e demasiado distante para o estado de emergência em que nos encontramos. Sei que, seja qual for o papel que reserve para si próprio, não deve desperdiçar a sua capacidade de construir pontes entre todos os que convictamente olham para o caminho deste país com indignação e desespero.

 

Repito: a esquerda não precisa de messianismos nem de homens providenciais. Isso é mais apanágio da direita portuguesa e nem ela hoje os encontra. Mas precisa da experiência e da militância cidadã deste homem. Não por ele. Mas pelas experiências e pela cidadania que ele pode mobilizar. E pela tolerância, espírito unitário e inteligência política que tem demonstrado. Como cidadão, espero que a política possa vir a contar com ele.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos


Dá-me um certo gozo ver os adeptos portistas queixando-se da arbitragem no jogo que deixou o FC Porto a cinco pontos do 1.º lugar.O André Azevedo Alves, por exemplo, até colou a etiqueta "double standards" no seu curto comentário à derrota. Só que a memória não é curta para todos, e por coincidência o resultado da primeira volta no FCP-Gil Vicente foi também 3-1. Com uma arbitragem também polémica, mas que estranhamente Vítor Pereira - e o resto da turba portista - não considerou "vergonhosa". Até o Público, como sempre, entra no bailinho: na crónica da partida da primeira volta, fala-se de "um encosto de Vilela" aproveitado por Hulk que o árbitro "considerou" penalty (caso não se tenha percebido, sim, estamos a falar daquele belo salto de carpa de Hulk dentro da área). Mas nem sequer é mencionado o vermelho que ficou por mostrar a Otamendi quando provocou o penalty marcado pelo Gil. Pudera. Já em relação a esta "polémica partida", o inefável Bruno Prata chama a título um estrondoso "FC Porto tinha perdido até com uma arbitragem competente" e continua por ali fora, "esquecendo-se" de dar o mesmo benefício da dúvida a Bruno Paixão que o seu colega tinha dado a Rui Silva na primeira volta. Para Prata - e para o resto da amnésica falange azul e branca - há, para além de qualquer dúvida razoável, dois penalties por assinalar a favor do FCP e um fora-de-jogo que Paixão não "anulou" - o sacana. Tanta clareza é certamente louvável. É pena que tal clarividência apenas surja de tempos a tempos, quando valores mais altos se levantam. 

 

"Vergonhosa", disse ele. A arbitragem. A indignação que o assaltou na primeira volta é capaz de ter sido mais discreta - tentei a sério, mas não encontro em lado algum ecos de tal coisa. Devem ser os tais double standards do André Azevedo Alves. Há quem diga que deveremos ser racionais na análise destas coisas. Concordo. Bruno Paixão é, e sempre foi, um péssimo árbitro - mesmo que em tempos o sr. Pinto de Costa o tenha querido para arbitrar um jogo do clube que dirige. Mas tem de haver limites para a tolice. Caramba, o FC Porto não tinha qualque remate à baliza aos 53 minutos do jogo de ontem, quando o Gil Vicente marca o seu terceiro golo. Assim, nem a boa vontade dos árbitros ajuda. Mas enfim, estou em crer que Vítor Pereira é um grande treinador, ainda que incompreendido. Renovem-lhe o contrato. Já.

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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

Esta notícia, "soprada" pelos assessores e arregimentados do Presidente Cavaco ao Público e ao Expresso, parece ser um golpe decisivo na deriva ensandecida de Gaspar, Coelho e C.ª. Parece. Na realidade, não é. É apenas a forma que o staff presidencial encontrou para permitir que Cavaco possa novamente sair à rua sem que seja assobiado. Não há melhor lixívia para a imagem do que um ataque ao "ultraliberalismo" do Governo. Jogada demasiado previsível dos spin doctors de Belém. Brincadeira de crianças. O país é outra coisa; e dará a sua resposta nos próximos meses: a eleição de Arménio Carlos para líder da CGTP é o próximo passo nesse sentido.

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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

A melhor equipa do mundo é boa em quase tudo.

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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Grécia exclui hipótese de ceder a sua soberania orçamental à UE.

 

Esperemos que a resistência grega seja duradoura. Mas a questão aqui é: o que irá acontecer quando Merkel se virar para o controlo da nossa soberania? Teremos um Governo à altura das suas, das nossas, responsabilidades? Ou continuará Passos Coelho a ser o caniche do directório franco-alemão?

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

 

O que é mau para Portugal é mau para a Madeira. O aumento do IVA, prazos de pagamento muito curtos e uma redução do investimento público (talvez na Madeira bastasse alguma razoabilidade) terão efeitos na economia da Madeira e, a curto prazo, nas suas contas públicas. Maus efeitos, claro está.

 

Há algumas diferenças em relação à situação nacional. Agora que conhecemos finalmente as contas de 2011, ficámos a saber que o "desvio colossal" se deveu sobretudo à queda das receitas. Ficaram mais de 2.300 milhões de euros abaixo do previsto. Já a despesa ficou 440 milhões abaixo do que se contava. Ou seja, não foi, ao contrário do que insistentemente se diz, a despesa galopante que desequilibrou as contas públicas, mas a perda de receitas, sobretudo nos descontos para a segurança social e no IVA. Foi a crise, muito mais do que despesismo. Na Madeira, pelo contrário, as despesas, sobretudo em ano de eleições regionais, foram sempre astronómicas.

 

Ainda assim, o resultado da austeridade (e não da disciplina, que, com ou sem dinheiro, nunca acontecerá com Jardim a governar) será o mesmo que no Continente: mau para a economia, mau para as receitas, mau para as contas públicas.

 

Só que Jardim pretende fazer um paralelo inaceitável com o conjunto do País (que inclui, recorde-se, a Madeira). Quer parte das receitas da privatização da TAP, da ANA e dos CTT. Algumas perguntas: porque hão de os madeirenses receber duas vezes pela mesma coisa (como portugueses e como madeirenses)? Quanto dinheiro o governo regional da Madeira investiu nas duas últimas empresas (a primeira não pode receber fundos do Estado)? Que participação teve na sua valorização financeira? Ou Jardim defende a solidariedade nacional na hora de receber quando ela nada lhe diz na hora de pagar?

Resta então a questão política. Há uma grande diferença entre a "negociação" com a troika e esta. A primeira aconteceu com um governo demissionário. E que assim ficou por se ver obrigado a pedir uma intervenção externa e a assinar um memorando desastroso para o País. Ainda antes de pedir este dinheiro José Sócrates considerou que tinha de voltar a ver sufragada a sua legitimidade. Perdeu as eleições. Alberto João Jardim esperou para depois das eleições para acordar medidas de austeridade. Os madeirenses foram a votos sem saber ao certo o que lhes esperava. E isso é inaceitável. Houve quem defendesse, na Madeira, durante a campanha, que as eleições deviam ser adiadas para depois deste acordo - que se saberia que acontecia. Assim não aconteceu.

 

Se Alberto João Jardim pensasse em mais do que a sua própria sobrevivência política - que explica, em grande parte, o estado das contas públicas madeirenses - faria o mesmo que anterior primeiro-ministro fez. Faria o mesmo que ele próprio fez quando Sócrates mudou as regras de financiamento da Madeira. Precisava então de legitimidade reforçada? E agora, não precisa? A resposta é simples: antes podia acusar o governo da República pelas suas desgraças, agora teria de assumir as suas responsabilidades.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

 

Wall Street Journal diz que Portugal terá de receber um segundo "resgate". Se o fizer, digo eu, quer dizer que a sua irresponsabilidade ultrapassou os limites da normalidade e alguém, de alguma forma, terá de pôr um travão nesta loucura. Não podemos continuar a pedir emprestado para pagar dividas e juros absurdos e, ainda por cima, em troca de medidas recessivas que tornam o pagamento dessa dívida numa miragem.

 

Na Grécia este filme já vai mais avançado. O que é uma vantagem para nós. Foram "resgatados" e só agora, com a economia definitivamente em ruínas, estão a renegociar a dívida. Tarde demais, para dizer a verdade. Já de pouco serve. Só mesmo porque já não há onde ir sacar mais é que fizeram o que há muito deveriam ter feito. Agora é provável que já só lhes reste preparar a saída do euro.

 

Perante estas duas noticias - o artigo no WSJ e a renegociação grega - Passos Coelho, a braços com um risco de bancarrota acima dos 67%, diz que "não pediremos tempo nem dinheiro". Ou Passos é ainda maisinconsciente do que parece ou é mentiroso. Espero que seja mentiroso. Sempre é menos trágico para o futuro do país do que sermos governados por um lunático.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

O Arrastão está nos cinco finalistas da votação que está a decorrer no Aventar na categoria de "Actualidade Política". Do que é que está à espera para votar?


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Em Iquitos, na Amazónia peruana, os magalas, afetados pelo clima e pela abstinência, andavam com os nervos em franja. De todos os povoados chegava a mesma queixa: os soldados dedicavam-se ao estupro indiscriminado (se é que há outro), manchando a honra da mulher amazónica e o bom nome da instituição militar.O Exército, alarmado, decidiu tomar medidas radicais. Garantir um serviço de prostituição capaz de chegar aos mais isolados aquartelamentos da selva. Um bordel castrense e nómada, por assim dizer. Para dirigir tão delicada tarefa chamaram um dos mais organizados, discretos, disciplinados e regrados dos seus oficiais: Pantaleão Pantoja. Um homem sem mácula para uma missão sensível.

 

Em poucos meses, a operação estava montada com milimétrica precisão militar, escapando, até ao último momento, ao obstinado Pantoja o absurdo da sua função. "Panta" tinha, ao serviço da Nação, um dedicado grupo de civis. As suas "visitadoras". Não era apenas um eufemismo. Elas partiam em embarcações e, ao longo do rio Amazonas, onde houvesse soldadesca aflita, as suas necessidades seriam satisfeitas em troca de parte do seu pre, que revertia para o SVGPFA (Serviço de Visitadoras para Guarnições, Postos de Fronteira e Afins). A bem da Pátria, Pantaleão montara um eficaz serviço de prostitutas ao domicilio. A mais bem estruturada das divisões das Forças Armadas peruanas.

 

A deliciosa história de Vargas Llosa tem um paralelo nacional. O primeiro a defender a necessidade de um serviço visitadoras português foi um oficial de baixa patente mas, ainda assim, um estratega visionário: João Duque. O oficial a quem foi entregue esta tarefa, o nosso Pantaleão Pantoja, chama-se Miguel Relvas. Visitadoras, por enquanto, só temos uma: a Rádio e Televisão de Portugal. Ainda assim, a missão confiada por Relvas à sua primeira recruta não pecou por falta de ambição. O primeiro destino não foi um pequeno aquartelamento do rio Amazonas, mas uma capital africana no extremo sul do Atlântico, onde um insaciável e exigente cliente a esperava. Relvas mostrou a visitadora, ela fez o serviço e agora espera-se que o visitado compre definitivamente o produto. Outros do ramo, no sector privado, já tentaram este expediente para resolver os seus problemas de tesouraria. Mas nunca com tanto arrojo como o nosso Pantaleão Relvas.

 

Como a coisa aconteceu aos olhos de todos (Relvas simpatiza com a filosofia holandesa da exibição em montra), todos testemunhamos este momento. Ficámos, apesar da libertinagem, com uma sensação de ter entrado numa máquina do tempo. Vendo o programa especial "Reencontro" (16 de Janeiro), organizado pela RTP e transmitido em direto de Luanda, pudemos sentir o velho odor da televisão pública do Estado Novo. Nem no período em que era a única televisão disponível se atingiu tais níveis de pornografia. Aliás, desde a escandalosa transmissão do "Império dos Sentidos" em canal aberto que o país não assistia a uma coisa que tão facilmente chocasse as almas mais sensíveis.

 

Confesso: o voyeurismo é o meu pecado. E se a nossa democracia oferece as suas vergonhas ao primeiro mafioso disposto a pagar, que ao menos o faça à frente de todos. E fez. Tal como as visitadoras, a entrega foi ao domicílio. E o nosso Pantaleão assistiu, ao vivo, ao estimulante momento.

 

Por ali desfilaram corruptos engravatados e mafiosos bem falantes. Com o pudor de estreante no submundo de Relvas, Fátima Campos Ferreira, quase pedindo desculpas, ainda fez uma leve e cuidadosa referência à corrupção. Mas todo o programa aconteceu como se em Angola houvesse democracia, sociedade civil livre e empresas detidas por gente que não seja do MPLA ou ligada às forças armadas.

 

O serviço foi completo e fez-se com toda a higiene e segurança. Não houve, ao contrário do que costuma acontecer por esta espelunca, espaço para opositores, críticos ou indignados. Naquele estabelecimento o ambiente foi o melhor. O cliente estava visivelmente satisfeito e parece-me que vai voltar. No fim, quase posso garantir, vai ficar-nos com a primeira visitadora. Mas Pantaleão Relvas não terá descanso. Ainda há tantas pedacinhos da nossa democracia para vender. A liberdade de imprensa é só o primeiro. Tal como Pantaleão, Relvas dá o seu melhor pela Nação. Tal como Pantaleão, escapa-lhe a incompatibilidade da função de governante com o lenocínio.

 

A coisa foi há mais de uma semana, é verdade. Mas venho a este tema porque só ontem se soube como o que era, teoricamente, defendido por João Duque (a censura a quem ponha em causa os negócios deste governo), é já política oficial na RTP. Pedro Rosa Mendes - jornalista e escritor, que conhece bem Angola - fez uma violenta  crítica àquele programa no seu espaço de opinião na Antena 1. Foi despedido dias depois. Por essa razão. É esta a lei de Relvas.

 

Espero agora a reação de alguns jornalistas mediáticos que, nos últimos cinco anos, fizeram um justo combate contra a asfixia democrática. Estou seguro que Rosa Mendes contará com a sua solidariedade empenhada. Aquela que se rege por valores democráticos e deontológicos sem olhar a cores partidárias.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Alguém sabe se a censura a Pedro Rosa Mendes está a ser noticiada nos canais televisivos, sejam eles privados ou públicos?

 

O silêncio e o assobio para o lado reinam para as bandas dos indignados com a "asfixia democrática" socratista. Nem o Crespo porta-voz do Governo, nem os monárquicos Vaders. Bem podemos esperar por uma manifestação em frente à assembleia. Sentados, como os assessores do Relvas que denunciam crónicas de jornalistas e produzem comunicados para abafar a censura. No pasa nada.

 

Adenda: a última crónica de Raquel Freire, uma das cronistas do programa, a quem estão a ser dirigidos os mais soezes ataques de carácter, o habitual argumento dos fracos.

 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

É oficial: a censura foi reimplementada em Portugal. Com uma ajudinha dos nossos amigos angolanos, que percebem muito da poda. A brincadeira do Prós e Contras em Angola não foi um acidente de percurso.


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

A Vera (o nome é fictício, a pessoa e os factos aqui relatados não o são) trabalhou durante três anos numa empresa, tendo uma função qualificada e criativa. Acabado o período máximo de duração do contrato e esgotadas as renovações a termo foi, como é habitual nestes casos, dispensada. A empresa não a queria no quadro. Pediu o subsídio de desemprego a que tinha direito. Recebeu-o por um período de 18 meses.

 

Enquanto o recebia procurou emprego. Em meados de 2007 foi a uma entrevista de trabalho numa empresa de trabalho temporário. Começou a trabalhar como administrativa. Passados 15 dias enviou um fax à segurança social informando da sua nova condição e solicitando a suspensão do subsídio de desemprego. Pouco tempo depois, recebeu de volta uma carta da segurança social, informando-a que poderia solicitar subsídio social de desemprego desde que os seus rendimentos mensais fossem inferiores a 80% do valor da retribuição mínima mensal garantida. Logo depois, uma outra carta informando-a que teria recebido indevidamente 638,87€ e solicitando a restituição do mesmo.

 

Perante a confusão, foi ela mesma à segurança social, numa Loja do Cidadão, com toda a documentação. Aí, foiinformada que não se deveria preocupar, pois o mais certo seria que, quando o seu contrato de trabalho temporário acabasse voltaria a receber subsídio desemprego e, nessa altura, o valor recebido a mais seria descontado. Vera achou aquilo pouco ortodoxo e enviou uma carta registada à segurança social explicando o sucedido. E aí pedia, porque o seu salário era baixo, para começar a restituir o dinheiro já, mas em prestações. Nunca recebeu nenhuma resposta. O tempo passou sem que a situação se resolvesse.

 

A resposta veio este mês, quase cinco anos depois. Dava à Vera trinta dias para pagar o que ela sempre quis pagar. E ameaçava-a com uma cobrança coerciva.

 

A Vera não compreende porque pediu um pagamento a prestações, há cinco anos, e nunca teve resposta. A Vera não compreende porque tentou, como cidadã cumpridora que é, pagar o que devia, e não a deixaram. A Vera não compreende porque a tratam agora, cinco anos depois, como uma caloteira, a ameaçam e dão-lhe um prazo tão curto para pagar o que nunca quiseram receber. Perante a falta de resposta, a Vera julgou que a sua situação estava esclarecida e que a segurança social a tinha encerrado. A Vera cometeu o "erro" de pensar que estava a lidar com uma pessoa de bem, o Estado, e que não tinha de dedicar a sua vida a persegui-lo para lhe pagar o que lhe devia.

 

A Vera, como milhares de portugueses, é agora tratada como alguém que viveu à conta do Estado, pendurada nos seus subsídios. Serve para o discurso populista deste governo, sempre implacável com os mais fracos e benevolente com os mais fortes. Um governo que trata os erros dos serviços que dirige como responsabilidade dos cidadãos. Um Estado que trata todos os cidadãos como suspeitos, mesmo quando o seu único crime foi não terem conseguido chegar ao fim de um insuportável labirinto burocrático. A Vera é uma das pessoas de quem falava Marco António Costa, numa amena cavaqueira de um "clube de pensadores", em Vila Nova de Gaia. Um número para parangonas. Um "sound bite" para o mais rasteiro dos populismos sobre a "subsidiodependência" dos trabalhadores. A Vera é mais uma das cidadãs que este governo não merece. E que não merece este governo.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins

"Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1. (...) O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações ao PÚBLICO, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na quarta-feira, será a última da sua autoria. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista, por telefone, a partir de Paris."


por Bruno Sena Martins
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Pedro Sales

 

Cavaco Silva é olhado com desdém pelos seus vizinhos da Quinta da Coelha. É desprezado pelos ex-administradores do BPN. Os que foram para a EDP não o respeitam. Para cavaquista, Cavaco Silva é um pelintra. Vamos auxiliar este pobre reformado. Dia 24 de Janeiro, às 17h30, em frente ao Palácio de Belém, participa numa "flash mob" solidária. Traz uma moeda para o Presidente.

 

Arrastão.org


por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira

 

Há seguramente existem alguns portugueses que não estão na situação do Presidente da República. Haverá quem não acumule duas reformas. Acredito que até haja quem não receba cerca de mil euros por mês. Apesar dele não saber bem quanto ganha. Provavelmente alguns invejosos não sofreriam muito se tivessem de dispensar o salário de Presidente da República em troca das suas reformas. Alguma gente mal intencionada pensará que, ao comparar-se com os restantes reformados a quem têm sido pedidos sacrifícios, o Presidente denuncia um total alheamento da realidade nacional.

 

Compreendo estes argumentos mas acho que resultam de um erro de perspetiva. Sou uma pessoa de esquerda, por isso um incorrigível relativista. Sei que não há meninos maus. É o meio que molda os seus comportamentos. Por isso, sei que temos de olhar para o contexto em que vive e viveu, nos últimos anos, Aníbal Cavaco Silva. Sem isso, não compreendemos as suas palavras.

 

O presidente Cavaco Silva dá-se, como cada um de nós, com os seus amigos. Gente com um percurso de vida semelhante ao seu. É aí que faz a sua socialização. É essa a realidade que ele melhor conhece. E o que vê Aníbal à sua volta? Vê os seus vizinhos e velhos amigos da Quinta da Coelha com dachas maiores que a sua. Vê os seus ex-companheiros de partido saírem de um banco falido melhor do que entraram. Talvez com a exceção de Oliveira e Costa, outro injustiçado. Vê os seus ex-ministros espalhados por empresas privadas e públicas. Todos com salários e rendimentos que fazem dele um reles pelintra.

 

Será justo que as criaturas vivam melhor que o criador? É aceitável que Eduardo Catroga, Mira Amaral, Ferreira do Amaral, Dias Loureiro, Braga de Macedo e tantos outros vivam como uns nababos e ele ande aos caídos com míseros dez mil euros mensais? Cavaco Silva, que está para os políticos espertalhões como Júlio Isidro esteve para os novos talentos musicais (foi ele que descobriu quase todos), tem ficado para trás. E é agora obrigado a socorrer-se das suas poupanças.

 

Aqui vai um apelo: vamos auxiliar Aníbal Cavaco Silva. É pegar no que vos sobrou do 13º mês (ou já estouraram tudo?) e entregar-lhe em mão. Vamos fazer dele o mais rico dos cavaquistas. É um objetivo ambicioso, bem sei. Mas se tomarmos isto como um desígnio nacional, iremos conseguir.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Cavaco diz que as reformas dele não chegarão para pagar despesas.

 

Palavras para quê? É um artista português. Pode-se bater mais fundo? Todos os dias se confirma que sim.

 

Adenda: para quem acredita ainda em fadas. As reformas de Cavaco totalizaram 10042 euros por mês em 2009. Portanto, mentiu descaradamente. Outra coisa extraordinária na declaração de Cavaco é ele ter sugerido que abdicou de forma benemérita do seu salário de presidente, sendo apenas um mísero reformado. A expressão popular adequa-se: parem de gozar com a cara das pessoas.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Diz Gaspar.

 

Juros das obrigações a dez anos continuam a bater recordes nos mercados secundários.

 

Actividade económica e consumo com queda recorde no mês do Natal.

 

Superintendentes da PSP em revolta.

 

O Economist avisa que a austeridade não é solução.

 

 

Um tipo que agora estuda em Paris também anunciou várias vezes "pontos de viragem" e o "fim da crise". Foi o que se viu. Pena é que o delírio desta gente vá ter como resultado a destruição do país. Mas enfim, vivemos no melhor dos mundos. 


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

A constitucionalista e deputada independente pelo PS Isabel Moreira, os deputados do Bloco de Esquerda e pelo menos nove deputados do PS, a que se deverão juntar os deputados do PCP e do PEV, vão requerer a verificação sucessiva da constitucionalidade do Orçamento de Estado. A iniciativa conta com a oposição de Seguro. A alguma coisa o homem se há de opor, bolas!

 

Esta é uma excelente notícia, pela substância e pela forma.

 

Qualquer pessoa atenta não duvida que a Constituição da República está a ser violada quotidianamente e que o Orçamento também a desrespeita. Como o Tribunal Constitucional é também o órgão político, muito vulnerável ao ambiente que se vive no País, é provável que decida ignorar as suas funções. Não seria a primeira vez. Parece ter-se instalado um estado de emergência não declarado, em que a lei e o Estado de Direito foram suspensos.

 

Ainda assim, a iniciativa não é meramente simbólica. Ela obriga a um debate e devolve às instituições democráticas a sua função, em crise ou fora dela.

 

Por outro lado, o facto de uma parte do PS, o BE e o PCP se conseguirem juntar para qualquer coisa de útil dá algum sinal de esperança. Quer dizer que os partidos à esquerda do PS aceitam que o ataque sem precedentes ao Estado Social exige todas as convergências necessárias e que a construção de uma oposição democrática à ditadura da mais bárbara das austeridades os obriga a ultrapassar as muitas discordâncias que têm. E quer dizer que há, no PS, mesmo que poucos, quem não aceite a degradante submissão dos socialistas à agenda mais violenta que alguma vez a direita tentou impor ao País. Uma posição que contrasta com a "abstenção violenta" impõe ao PS e a vergonhasa rendição de João Proença.

 

Independentemente do resultado final desta iniciativa, é bom, pelo menos por uma vez, saber que está a acontecer alguma coisa à esquerda. Esperemos que sirva de lição para o que tem de ser feito na oposição. Todos são poucos para resistir a esta gente.

 

Actualização: ao contrário do que é dito, o PCP não se associou à inicativa. É pena. A notícia deixa de ser tão boa.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

«Serviços de internamento cheios obrigam a pôr doentes nos corredores do Sta. Maria.

 

Uma fonte próxima da principal unidade do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) disse mesmo ao PÚBLICO que “o Hospital de Santa Maria virou um autêntico hospital de campanha” nos serviços de internamento, “porque é o cenário que mais se assemelha à realidade vivida nestes serviços nos últimos tempos”

 

 “Além dos 21 utentes que podem receber em camas no internamento, quase todos os serviços estavam com 10 utentes internados ao longo do corredor numa maca”

 

José Pinto da Costa apontou ainda a crise como outra razão para o excesso de afl uência ao hospital, que levou a que muitas pessoas deixassem de ter um seguro de saúde.» 

 

 

De realçar o falhanço da estratégia do antigo gestor da Medis, Paulo Macedo, para convencer os utentes a recorrerem aos serviços de saúde privados, destruindo assim o SNS. Por causa da crise, e mesmo com um agravamento brutal das taxas cobradas pelos serviços de saúde públicos, não há dinheiro para CUF's ou Hospitais das Luzes. Só os ricos continuam a poder ter esse privilégio. Em tempos de acelerado empobrecimento, as desigualdades sociais crescem ainda mais no país mais desigual da UE.

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por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
por Bruno Sena Martins

É uma injustiça o que estão a fazer ao João Proença. Chamarem-lhe sindicalista. Não se faz.

por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira

Charles Taylor, antigo senhor da guerra da Libéria, trabalhou para a CIA


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

 

Ao abandonar o navio Costa Concordia antes de pôr a salvo tripulação e passageiros, o comandante Francesco Schettino não se limitou a violar um código de honra sagrado nos mares. Entregou à sua sorte milhares de vidas. É por isso acusado de homicídio involuntário múltiplo. O que leva um adulto que tem à sua guarda milhares de homens, mulheres e crianças a fugir do navio e a esconder-se num rochedo? E garantir ao indignado responsável pela capitania de Livorno que regressaria ao barco sem no entanto o fazer?

 

Confesso que me fascinam as fraquezas do Homem. Só por isso me espanto com as suas grandezas. E entre todas as fraquezas, a que mais me perturba é a cobardia. O que leva um homem a ser um cobarde - até ao rastejante comportamento deste comandante - é fácil de imaginar: o medo. Esse bicho estranho que nos toma conta do corpo e da alma e desfaz num sopro todo um edifício ético que julgávamos sólido. Quem leia relatos das atrocidades cometidas contra civis em cenário de guerra percebe isso mesmo: acossado pelo medo, um homem moralmente são pode transformar-se na mais vil das criaturas.

 

Na verdade, a pergunta é a oposta: de que é feita a nossa coragem? O que nos leva a arriscar a nossa vida (ou até a aceitar a morte certa) pela vida, a liberdade ou a dignidade de outros? Ou apenas por valores que julgamos transcenderem a nossa própria sobrevivência? Pode ser, claro está, a inconsciência, o fanatismo ou até o pouco apego à nossa própria vida. Mas, na maioria das vezes, será a vergonha. E a vergonha é um importantíssimo regulador moral. A insuportável vergonha de sermos vistos como este comandante é agora visto por todo o mundo. Vergonha de como a comunidade nos vê, aqueles de quem gostamos nos veem, nós próprios nos vemos. Vergonha da nossa memória, mesmo depois de mortos, viver para sempre na lama. É por isso que temo seres pouco sociais. Daqueles que dizem não se interessar (e que realmente não se interessam) pela opinião que os outros fazem de si. É por isso que temo os irremediavelmente solitários. É por isso que temo os que se têm em tão baixa estima que nada de heróico esperam de si próprios. É por isso que me assusta o individualismo e o pragmatismo extremo que levam alguém a querer viver sem propósito, um dia de cada vez.

 

Regressando ao Costa Concordia, que também eu abandonei neste texto. Tenho, perante o comandante Schettino, sentimentos contraditórios. Os mesmos que tenho perante a cobardia. Talvez por ser o defeito que mais me repugna num ser humano. Aquele que mais gosto de imaginar longe dos meus atos passados e futuros. E, ao mesmo tempo, um dos mais compreensíveis. Quando o medo vence a vergonha, olho para o cobarde com nojo e compaixão: nojo pela sua cobardia, compaixão pela solidão que carregará na única vida que terá. E até depois dela. Haverá quem, depois de um ato hediondo, não a sinta? Claro. Assim se comportam os sociopatas, diagnosticados ou não. Mas pelo que sabemos do comportamento do homem que se escondeu, acocorado, num rochedo, não parece ser o caso. Schettino já sentia vergonha. Mas, na hora da verdade, o medo foi mais forte. Carregará para sempre o insuportável peso da solidão. Que nunca a vida me ponha de tal forma à prova. Porque poderia descobrir, enojado comigo próprio, que não sou quem julgo ser.

 

Publicado no Expresso Online

 


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

Esta quarta-feira, às 18h30, na Almedina do Saldanha (Lisboa), apresentarei o livro "Desigualdades em Portugal", coordenado por Renato Miguel do Carmo.


por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

 

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

"Isto dá que pensar! Eu deixei a política ativa há cerca de 8 anos. Porque será que se continua a achar que, estando fora da política ativa, estou na política. Deve haver um fenómeno qualquer, que eu desconheço e não compreendo, para se continuar a laborar neste erro. Mas enfim...como dizia uma pessoa minha amiga, ser mulher em Portugal ainda é difícil...!" Foi isto que Celeste Cardona escreveu no seu facebook, a propósito das críticas à sua nomeação para a EDP, talvez irritada com o incómodo do senhor que lhe fez companhia, Eduardo Catroga.

 

Numa entrevista ao "Expresso", Eduardo Catroga foi claro: "Eu nem sou do PSD". Voltou a insistir, numa entrevista à RTP, que era "independente".

 

Lê-se, numa notícia do Expresso online, que o nome de Maria Celeste Cardona aparece como vogal da Comissão Política Nacional do CDS na página oficial do partido. Das três uma: ou há duas marias celestes cardonas no CDS, ou a girl honorária do partido considera que ser eleita para uma comissão política não é estar na política ativa ou está a mentir. Deixemos de lado a vitimização que só pode dar a volta ao estômago a qualquer verdadeira feminista.

 

Recordava-se, numa notícia do "Público" recente, que, para comemorar mais um aniversário do PSD, o então líder do partido, Marques Mendes, tinha anunciado a adesão de 33 vários novos e notáveis militantes. Entre eles, Eduardo Catroga. Das três uma: ou o anúncio foi falso e Marques Mendes filiou Catroga à revelia, ou Catroga abandonou, entretanto, o partido, ou está a mentir.

 

O problema mais grave já nem é a mentira. O mais grave nem chega a ser o insulto aos partidos de que fazem parte e perante os quais, na hora de receber o prémio, demonstram tão grande ingratidão. O mais grave é esta gente achar que a promiscuidade entre empresas privadas e os partidos políticos se resume à existência de um cartão partidário. E que ela se resolve com a sua entrada na clandestinidade. Ou seja, que a indignação perante as suas nomeações resulta de um ódio geral aos partidos políticos e não lhes diz diretamente respeito.

 

Que fique claro: sou militante de um partido. Levo isso a sério e a ideia de alguma vez o negar parece-me tão absurda, desonesta e sintomática da pouca seriedade com que certas pessoas se envolvem na vida partidária, que tudo isto é incompreensível para a minha cultura política. Sendo militante de um partido, mesmo que sem qualquer responsabilidade de direção (de topo ou intermédia), nunca me passaria pela cabeça dizer que estou fora da vida política ativa. Ainda mais se fosse membro de uma comissão política.

 

Mas o problema é outro: a rede de influências e o tráfico de lugares (seja no Estado, seja nas empresas privadas) não se resume à existência de um cartão partidário. A razão porque as pessoas continuam a achar que Celeste Cardona está na política não tem nada a ver com a sua atividade partidária. Uma pessoa envolver-se na vida da sua comunidade, através da militância num partido, só pode merecer respeito. É porque Celeste Cardona está ligada ao pior da política: aquela que dá aos que nela se envolvem uma carreira que o seu currículo não justifica.

 

O problema não é Eduardo Catroga ter o cartão do PSD. É ter, em nome do PSD, negociado com a troika o memorando que assinámos e ter eito o programa eleitoral do partido (as duas coisas comprometem-no muito mais com o PSD do que o simples pagamento de quotas), onde constava a privatização da parte do Estado da EDP e, no fim, lucrar pessoalmente com isso.

 

O problema, caros Eduardo e Celeste, não é serem ou não militantes ou dirigentes de partidos políticos. É darem tão pouco à política que nem a vossa militância levam a sério. E, no entanto, não se esquecerem de cobrar à política o sucesso das vossas carreiras.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina
A UGT acabou de inventar uma figura de estilo: o proencismo. É quando se diz detestar uma coisa que se acaba por aprovar. Por exemplo: "Dona Lourdes, este seu carapau sabe um bocado a podre mas está que é uma maravilha!". Ou então: "oh corpo disforme e repelente que frémitos anseios me impelem a adorar." E ainda dizem que nos faltam talentos.

por Miguel Cardina
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

Mário Crespo, uma das vergonhas do jornalismo (?) nacional, é demolido pelo sindicalista Arménio Carlos. Ou como a inteligência e, sobretudo, a razão derrotam por KO a untuosidade bolorenta destas criaturas que apenas existem para servir quem está no poder.

 

Adenda: o primeiro vídeo publicado não era o correcto. Agora sim, o debate entre o "jornalista" e o sindicalista.

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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

7 dias. 56 horas. De trabalho escravo por ano. Mais a possibilidade do empregador escolher quando são as férias do empregado. E uma maior flexibilização dos despedimentos, permitindo na prática que o patrão possa despedir quando muito bem entender. Foi isso que o Governo ofereceu aos patrões, com a conivência activa da UGT. O desplante do Álvaro, deslumbrado por ter ido além da troika, significa na prática um retrocesso de algumas décadas no que diz respeito a direitos dos trabalhadores. O sorriso do empreendedor do pastel de nata é cínico e revoltante. Quem esteve bem foi Costança Cunha e Sá: a CGTP teve razão ao abandonar as negociações com o Governo. Antes isso do que fazer como João Proença, que, apesar de ser contra todas as medidas acordadas - deve ser isto, a tal "abstenção violenta" de que falava Seguro -, emergiu como parceiro deste ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores.

 

À margem: mais um senador do regime a pedir trabalho como na China. Daniel Bessa, antigo ministro de Guterres, "admira a persistência" do Álvaro e a "coragem da UGT". Mas de que buraco sai esta gente? Mais importante, não se poderá exportá-los para uma qualquer instituição parceira em Angola?


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Os jornais dão conta de mais uma proposta do governo: os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao seu subsídio poderão manter até 50% desta prestação social nos primeiros seis meses de trabalho e até 25% durante os seis meses seguintes. À primeira vista a proposta parece boa. O desempregado regressa ao mercado de trabalho sem reduzir os seus rendimentos, o desemprego reduz-se e, no fim, o Estado até é capaz de poupar. Mas não é.

 

O subsídio de desemprego, que pertence por direito ao trabalhador, já que para o receber descontou enquanto trabalhava, tem duas funções. A primeira é óbvia: socorrer o desempregado num momento de aflição. Deste ponto de vista, sendo a aceitação desta proposta voluntária (isso ainda não é claro nas notícias), estamos perante uma solução aceitável. Mas o subsídio de desemprego tem outro objetivo: impedir que o aumento do desemprego resulte numa redução geral de salários. O Estado, através dos descontos para a segurança social, garante que o trabalhador desempregado não é obrigado a aceitar salários cada vez mais baixos. O trabalhador desconta para, se perde o emprego, não se transformar numa insuportável e imediata pressão para a redução do salário dos que trabalham e dele próprio, no futuro.

 

Ou seja, impede que o desemprego sirva para uma redistribuição dos rendimentos ainda mais injusta entre o trabalho e o capital. Vai contra a mera lógica do mercado? Claro que vai. Mas é essa é uma das funções das leis laborais ou do Estado Social: contrariar a dinâmica intrinsecamente injusta das regras do mercado para a parte mais fraca.

 

O que faz esta proposta? Usa o dinheiro da segurança social para financiar a redução dos salários. Não sendo, a curto prazo e para cada um dos desempregados, negativa, ela é péssima para o conjunto dos trabalhadores. Retira ao subsídio de desemprego a sua função reguladora do mercado. Ajuda a uma pressão geral para a redução salarial. E fá-lo usando os descontos dos próprios trabalhadores. Ou seja, põe os trabalhadores a subsidiar a sua própria desgraça. Faz mais do que isso: convida, através deste subsídio à redução do salário, o empregador a baixar a média salarial que pratica.

 

Quem olhe para o Estado Social como um mero instrumento de caridade e quem acredite que o mercado garante um equilíbrio virtuoso, dificilmente entende este ponto de vista. Quem, pelo contrário, defenda que o Estado Social deve ser um regulador do mercado não pode aceitar esta proposta. É que ela será paga com um empobrecimento geral dos trabalhadores e um aumento da desigualdade na distribuição de rendimentos. Que é, devo recordar, a principal doença deste país.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Hoje, às 21h00, numa RTP1 perto de si.

 

Juro que quando vi o post do Gabriel Silva pensei que fosse uma piada. Mas não, é verdade. Miguel Relvas e o seu séquito de invertebrados irão estar em directo no principal canal público, lambendo cus a empresários amigos do ditador de Luanda, patrocinados pela inenarrável Fátima Campos Ferreira. Está bonito, isto.


por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

 

15 de Fevereiro de 2011: "Ministério do Trabalho nomeou 41 'boys' do PS para cargos de chefia, acusa o CDS."

 

16 de Janeiro de 2012: "Saem boys do PS, entram os de Direita."

 

A Cinderela da Vespa que se transformou em Audi A7 no seu melhor.

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

O canal Discovery pediu ao cineasta Werner Herzog um documentário sobre a Antártida. Espantado, este aceitou mas avisou: "não vou fazer um documentário sobre pinguins". O aviso fazia sentido. Depois do sucesso de "A Marcha dos Pinguins" e do "Happy Feet", não queria participar na corrida para o filão de mais um documentário delico-doce. Mas, apesar de "Encounters at the End os The World" se concentrar nas estranhas personagens humanas que ali trabalham, Herzog dedica alguns minutos aos pinguins. Entrevista o cientista marinho David Ainley. Ele conta que alguns pinguins, desorientados mas não enlouquecidos, fazem caminhadas intermináveis para o interior do vasto continente. Aí encontrarão morte certa. Mas a perturbação é persistente. Mesmo que um cientista pegue no animal e o devolva à sua colónia, para que ele sobreviva, ele de novo se dirige para as montanhas. As vezes que for necessário. Até encontrar o suicídio mais do que certo. Herzog pergunta: "Mas porquê?" Não há resposta.

 

Esta é a melhor imagem que me vem à cabeça para descrever o comportamento do nosso País e da Europaperante a crise que enfrentamos. Já não há, neste momento, ninguém que, no seu perfeito juízo, não perceba que a austeridade é um erro. E, no entanto, por mais que se insista em contrariar esta "caminhada suicida", nenhuma evidência a trava.

 

O Banco de Portugal apresentou as previsões para o próximo ano. Elas são esclarecedoras sobre os efeitos económicos e financeiros desta opção. Mas nem precisávamos de tanto. A mesma receita, na Grécia, destruiu qualquer otimismo que pudesse existir sobre os efeitos da "ajuda" que lhe foi dada. Agora, a Sandard & Poor's estima que a probabilidade de recessão na zona euro é de 40% e prevê uma contração da economia em 1,5%. Quanto a Portugal, a sua dívida é "lixo" (já me perdi, de tantas vezes que esta novidade nos foi dada). Os que antes viam as agências de rating como meros "mensageiros" tratam-nas agora como opositores políticos da Europa. E concluem:Portugal tem continuar o caminho que foi definido. Como os pinguins de Herzog.

 

Ao contrário dos senhores que agora nos governam, não mudei de opinião sobre estas agências. Não são analistas, são atores de um processo especulativo e de um ataque ao euro e às dívidas soberanas. Já o eram antes e continuam a sê-lo agora. Mas é a Europa, e não S&P, que define as regras do euro e o deixa vulnerável aos especuladores e às agências que os servem. Mas é Portugal, e não a S&P, que teima num caminho sem futuro.

 

O discurso da inevitabilidade é o discurso da irracionalidade política. O poder destas agências, a fragilidade do euro e a opção pela austeridade e emagrecimento do Estado em plena crise não resultam de qualquer cataclismo natural. São as escolhas de políticos - e daqueles que os elegem - que poderiam, se assim o quisessem, inverter a situação.Não sei se enlouquecemos ou estamos desorientados. Sei que a nada nos parece desviar desta caminhada para a morte. Mas porquê? Não tenho uma resposta evidente. Talvez as vésperas da segunda guerra e talvez ali esteja a resposta. Nunca devemos desprezar a irracionalidade humana e a sua extraordinária capacidade autodestrutiva.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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