Sábado, 31 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Graças à pressão de dezenas de movimentos sociais, o concerto que o rapper Sizzla ia dar em Portugal foi cancelado. Os tais movimentos sociais que muitos sectores da sociedade, incluindo alguma esquerda, não querem perceber, mostram a importância que podem ter e que nem tudo passa se o número suficiente de pessoas se juntar e protestar. 

A polémica surgiu depois do cancelamento de concertos em Estocolmo e Barcelona. O rapper é conhecido pelo seu discurso homofóbico e pelo incitamento à violência contra homossexuais. 

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por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

Olhando para as edições on-line dos jornais portugueses e vendo os telejornais e serviços noticiosos nos canais por cabo, no pasa nada. O tratamento dado à Greve Geral no país vizinho é um excelente exemplo da relação dos media com os interesses do poder. Ainda existirá liberdade de imprensa em Portugal?

 

(Quem estiver interessado no que se passou, pode ir aqui. Mas não digam nada ao corta-Relvas, shiuuu...)


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

O Governo PSD/CDS bem pode dar pulos de alegria (uma consolação) por causa da descida das taxas de juro, descida que nada tem a ver com políticas do executivo, mas sim com a injecção de capital na economia europeia pelo BCE; tudo o resto é sinal do descalabro das suas políticas:

 

- Portugal deverá perder 170 mil postos de trabalho só este ano.

 

Fitch admite desvio nas contas e novas medidas para Portugal cumprir o défice.

 

- Banco de Portugal admite a possibilidade de mais austeridade para se cumprir a meta do défice.

 

- Banco de Portugal revê em baixa previsões de crescimento para 2012 e 2013.

 

 

 Mas que estas previsões não atrapalhem o optimismo de Passos Coelho. Quem são estes senhores para virem dizer que o último trimestre do ano não será o início do prometido ponto de viragem da economia nacional?


por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

Para sair das trevas da austeridade: uma fonte luminosa por 88 mi euros (via Má Despesa Pública).  


por Bruno Sena Martins
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Quarta-feira, 28 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

A Comissão Europeia até pode autorizar a venda do BPN ao BIC por um valor irrisório. A comissão de inquérito constituída pelos partidos do centrão até pode servir de cortina de fumo para todo o processo do banco do cavaquismo. Mas quer-me parecer que a procissão ainda vai no adro, a julgar por este post no Câmara Corporativa.

 

"A fazer fé no que se dizia no Jornal de Negócios (artigo reproduzido na íntegra aqui) de 26 de Janeiro de 2011, “a Finertec é detida pelo Banco Fiduciário Internacional, constituído em 2002 em Cabo Verde. Do conselho de administração da Finertec fazem parte algumas personalidades ligadas ao PSD, como António Nogueira Leite e Miguel Relvas.

Hoje, o Jornal de Negócios relata que um dos investigadores do BPN disse em tribunal o seguinte:




Aliás, parece que as autoridades de Cabo Verde se depararam com o mesmo problema, tendo instaurado processos de contra-ordenação a administradores do Banco Insular, detido pelo BPN, e do Banco Fiduciário Internacional.

Em face do exposto, ainda que mal pergunte:

        • Miguel Relvas, que é agora ministro da propaganda, e Nogueira Leite, que faz parte da actual administração da CGD, continuam a integrar o conselho de administração da Finertec, grupo que é detido, segundo o 
Jornal de Negócios
      , pelo Banco Fiduciário Internacional?
      • No âmbito da investigação ao BPN (e, segundo o investigador ouvido em tribunal, ao Banco Fiduciário Internacional), Miguel Relvas e Nogueira Leite serão chamados a depor na comissão parlamentar de inquérito acabadinha de nascer (e, se não for muita maçada, igualmente em tribunal)?"

por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

"Violência. Polícias atribuem responsabilidade a quem deu ordem de actuar"

 

 

Quando alguém justifica os seus actos dizendo que se limitou a cumprir ordens sabemos o essencial: o funcionário obediente e o facínora estão à distância de uma ordem.

 

 


por Bruno Sena Martins
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por Miguel Cardina

 

Sobre o assunto, ler o Ricardo Noronha, a Joana Lopes, o Party Program e o José Vítor Malheiros.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

Há uma espécie (não assim tão) rara de analfabetos funcionais que gosta de opinar sobre a sabedoria das novas gerações e de falar do que em geral não sabe e em concreto não consegue descortinar. Para além dessa distorção da realidade, ainda conseguem viver num mundo fora do mundo. São os saudosistas da escola salazarista. Note-se: não falo dos saudosistas de Salazar; são grupos diferenciados, apesar de por vezes se cruzarem. Os saudosistas da escola salazarista são muito especiais: tecem loas ao método tradicional daquele tempo, à memorização matraqueante de datas, nomes de rios até ao Ultramar e de serranias de Portugal e das colónias. Ah, e claro, as tabuadas. A criança chegava ao fim da 4.ª classe a saber maravilhas: como vivia o povo português, que era preciso cuidar dos pobrezinhos, e até o nome do ramal que servia a nossa querida e saudosa Nova Lisboa, onde os pretinhos generosamente trabalhavam para a riqueza e glória da pátria. Ah, belos tempos, esses. Os meninos sentadinhos nas carteiras, todos enfileiradinhos, recitando a tabuada. E os madraços, os que não queriam estudar, levavam com o pau de marmeleiro até aprenderem - sangrando das mãos, até enrijecia. Chegava-se ao fim da 4.ª classe, e os meninos faziam o exame nacional e saiam preparados para um ofício - que essa coisa de continuar os estudos era apenas para o filho dos doutores, os outros, aos dez anos, estavam mais do que preparados para se tornaram aprendizes de sapateiro, de torneiro, de marceneiro, enfim, ofícios dignos que encarreiravam logo as crianças na vida e evitavam que o Estado português gastasse dinheiro em inutilidades como o ensino Superior, bolsas ou carreiras científicas. Era um país feliz, aquele: doutores havia poucos e eram todos filhos de doutores, mas assim é que deveria ser, cada um no seu lugar que Nosso Senhor Jesus Cristo também era filho de um carpinteiro.

 

 

 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

E pela calada da noite lá se confirmou o indecente pagamento dos dividendos relativos a 2011 aos novos accionistas da REN e da EDP. Foi o "rigoroso" Vítor Gaspar, no sábado passado, enquanto as televisões se entretinham com o congresso do PSD e os blogues com as agressões da polícia a jornalistas, quem fez o anúncio: 180 milhões de euros - os 4,4 milhões que a Lusoponte ainda não devolveu ao Estado são uma ninharia perto disto - para o Estado chinês e para o sultanato de Omã relativos aos exercícios de um ano em que estes ainda não detinham acções das duas empresas nacionais. Mas é tudo perfeitamente normal: o português mastigado e drunfado de Gaspar explica: "se o efectivo pagamento dos dividendos ocorrer antes da efectiva transferência de titularidade das acções objecto de venda directa para o respectivo comprador, os dividendos são recebidos pela Parpública, sendo o montante deduzido ao preço final a entregar pelo comprador, e, se ocorrer após a efectiva transferência da titularidade das acções, o preço é pago integralmente e o novo accionista receberá o valor dos dividendos directamente da sociedade". Perceberam? Eu também queria não perceber, mas entendi simplesmente que o Estado português - isto é, todos nós - acabou por prescindir de um valor que é:

 

- Cerca de um quarto do valor arrecadado pelo fisco no Natal passado com o corte nos subsídios de Natal.

 

- Pouco mais de duas vezes o que se arrecadou o ano passado com os cortes no RSI.

 

- Mais de um décimo do que foi cortado em despesas com Saúde em 2011.

 

- Pouco menos de metade do valor que previsivelmente se irá arrecadar com o aumento das receitas do IVA em 2012.

 

- Cerca de um vigésimo do total recebido pelo Estado pela alienação da sua participação nestas empresas.

 

Esta venda a preço de saldo, altamente lesiva para o Estado português, é o exemplo perfeito da política de privatizações ao desbarato prosseguida pelo Governo PSD/CDS. E mais se seguirão. Vale-nos que as privatizações da EDP e da REN irão levar à liberalização do mercado de Energia e portanto a uma redução dos preços da electricidade...


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 26 de Março de 2012
por Pedro Vieira

 

 

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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Domingo, 25 de Março de 2012
por Miguel Cardina

 

Portugal também é isto. Com a taxa de desemprego galopante ("oportunidades para todos"), com o efeito terrível da precariedade ("flexibilidade laboral") na vida de tantos jovens e menos jovens, com uma crescente desigualdade económica ("empreendedorismo"), com a classe média a minguar, com 11% dos trabalhadores a receber salário mínimo (485 euros!) e o salário médio colocado entre os 700 e os 800 euros, com a criminalização do protesto, com a adopção de uma espiral austeritária de resultados claros ("novas soluções"), com os bancos salvos à custa do erário público, com a destruição do Estado social e com o efeito disso na vida dos mais vulneráveis, por um lado, e na própria ideia de coesão democrática, por outro, com tudo isto, uff..., temos também a JSD. Estes moços são o espelho do que nos espera e o rosto da política como distopia.

 

(A imagem desapareceu entretanto do facebook da JSD. Esta veio do facebook do Rui Bebiano. Fiquei também a saber, via Maria João Pires, que a imagem é a capa da moção da JSD ao congresso do PSD.)


por Miguel Cardina
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Sábado, 24 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Ainda estou para ouvir as explicações de Arménio Carlos e da CGTP sobre a agressão por sindicalistas ao grupo dos Precários Inflexíveis na chegada à Assembleia. E já agora também gostaria de saber o porquê da demarcação que o líder da intersindical fez das outras manifestações do dia da Greve. Se as agressões policiais e as declarações sucessivas da direcção da PSP e de Miguel Macedo são expectáveis - ninguém espera de gente com tendências salazarentas que algum dia consiga ser sincera ou que tenha vergonha na cara - da CGTP eu - e muitos outros - esperaria um repúdio claro das declarações do MAI e da violência da PSP*. Até agora, nada. Triste, e a confirmação de que CGTP é, cada vez mais, parte do problema e não da solução. A intersindical caminha a passos largos para se tornar o rosto da institucionalização da contestação. Mais importante que os direitos dos trabalhadores ou a miséria dos desempregados parece ser a posição de demarcação dos movimentos sociais que foram aparecendo. Quando uma intersindical esquece desta maneira os direitos dos mais desprotegidos e dos trabalhadores que é suposto defender, quem ganha será sempre quem detém o poder, quem está a destruir o país. Enquanto sindicalizado num sindicato que pertence à CGTP, sinto-me muito pouco representado. E, sobretudo, revoltado. O silêncio da CGTP é ensurdecedor. E inadmissível.

 

*O Pedro Viana tem razão: a CGTP não se incomoda com os elogios de um proto-salazarista como Miguel Macedo?


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Os participantes hoje na comemoração dos cinquenta anos do início em Lisboa da "crise de 62" aprovaram um texto onde manifestam preocupação sobre a actuação desproporcionada da polícia na passada quinta-feira. Como se diz no texto, disponibilizado pela Joana Lopes, «os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura.» Segue a moção na íntegra:

 

MOÇÃO
Há 50 anos, a indignação perante uma carga policial sobre estudantes que pretendiam comemorar o Dia do Estudante deu origem ao luto académico que hoje aqui evocamos. 
Há dois dias, vimos nas televisões as imagens de polícias carregando de novo sobre jovens, com uma violência desmedida e desproporcionada. Mais vimos o espancamento de jornalistas, pondo em risco a isenta cobertura da carga policial. 
Os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura. Assim, os participantes na Crise Académica de 1962, reunidos na Cantina da Cidade Universitária em 24 de Março de 2012, decidem: 
- Manifestar o seu repúdio pelos actos de violência policial verificados em Lisboa e no Porto a 22 de Março de 2012; 
- Dar conhecimento desse repúdio a Suas Excelências o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro; o Ministro da Administração Interna, o Inspector-Geral da Administração Interno e o Sr. Provedor de Justiça, assim como aos órgãos de Comunicação Social. 
Cantina da Cidade Universitária 
24 de Março de 2012

por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina

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por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

“na greve de 24 de Novembro detivemos um homem que estava a dar pontapés nas grades frente à Assembleia da República, mas quando já estava algemado disse que pertencia às brigadas de investigação criminal da PSP”

 

O ministro Miguel Macedo sempre negou que estivessem agentes provocadores na manifestação de 24 de Novembro. Os testemunhos de quem lá esteve sempre afirmaram o contrário. Os agentes provocadores não são admissíveis por lei, e são também um sinal claro de que a violência durante as manifestações interessa muito mais ao Governo do que aos manifestantes, que estão ali apenas a protestar - mesmo que haja alguém mais exaltado. Se esta revelação - a que se acrescenta a confirmação de que a ordem para os polícias agressores veio de cima -, feita por uma fonte do corpo de intervenção da PSP, não é grave, não sei o que poderá ser. Afinal, este é ainda um Estado de direito, ou não? A Miguel Macedo, depois das contradições, das mentiras e depois do que aconteceu na quinta-feira - manifestantes e jornalistas agredidos com uma brutalidade de cão danado - apenas resta um caminho: o da saída. Obviamente, demita-se.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 23 de Março de 2012
por Miguel Cardina

Diz a Joana Lopes:

 

Quem anda às voltas com os factos ligados ao 50º aniversário do Dia do Estudante, e passou a tarde de ontem em manifestações nas ruas de Lisboa, não pode deixar de associar cargas policiais, separadas por cinco décadas, mas que nem por isso se tornaram menos brutais e desproporcionadas.

 

Do Castanheira de Moura ao Chiado vão poucas dezenas de quilómetros e, pelos vistos, ligeiras diferenças de comportamento. Não foi para aqui chegarem que muitos lutaram contra a ditadura e o que está a acontecer é absolutamente inadmissível em democracia.

 

E quem cala consente, agora como há cinquenta anos.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

José Goulão, fotojornalista da Lusa, foi empurrado e agredido, e, já no chão, identificou-se como jornalista. Mas nem isso evitou que continuasse a levar bastonadas do polícia que todos nós, contribuintes, pagamos.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 22 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

por Pedro Vieira
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Quarta-feira, 21 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Défice do subsector Estado quase triplicou.

 

- 191%, repito, 191% mais do que no mesmo mês de 2011. 

 

- A receita diminui 4,3%, sobretudo devido à queda de 5,3% nas receitas fiscais. Estranhamente, parece que a austeridade provocou uma coisa chamada retracção do consumo e outra chamada fuga ao fisco. Ninguém estava à espera que isto acontecesse. Sobretudo Vítor Gaspar.

 

- Mas o mais curioso nesta notícia é o crescimento da despesa. Não é que o Governo rigoroso nas contas, que iria cortar a eito nas gorduras do estado e salvar o país no mesmo passo, ainda gasta mais do que o anterior? Será que Gaspar falhou porque não estudou bem a lição?


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

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por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins
A greve não é o caos ritualizado, uma maçada escusada, é antes um raro momento em que se percebe um vislumbre de ordem social entre os dias funcionários da selvajaria capitalista.

por Bruno Sena Martins
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por Miguel Cardina
Amanhã é dia de greve geral. O Portugal que trabalha e o que quer trabalhar vai mostrar que não aceita o roubo nos salários, a perda de direitos e a desigualdade crescente. Gesto difícil para muitos/as, para quem o salário de um dia pode fazer diferença, que trabalham sob a chantagem do despedimento fácil ou para quem a própria ideia de parar de trabalhar um dia é de difícil execução. Gesto fundamental, contudo, porque sem resistência a ofensiva austeritária continuará. E porque lutar, ao contrário do que nos dizem diariamente, dá resultados e a história está cheia de exemplos. Amanhã é greve mas é mais do que isso: é dia de indignação geral. No Porto prepara-se uma recepção a Passos Coelho. Em Lisboa haverá manifestação. No país todo é o dia em que podemos tomar um gesto que concretize o queixume de sofá, a insatisfação legítima, a raiva latente. É amanhã e diz respeito a cada um/a de nós. Calados/as teremos o mesmo destino que a nêspera do poeta. (com um agradecimento especial à Vera Santana que a este texto acrescentou a pequena mas fundamental dica do "quer trabalhar".)

por Miguel Cardina
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Terça-feira, 20 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

"Este é o valor que o governo não quer transferir para as autarquias para que paguem as suas dívidas, o que fará com que micro/pequenas/médias empresas com viabilidade e facturação continuem a falir e despedir.
Este é o valor que o governo quer dar à banca privada e aos seus accionistas para que mantenham os seus rácios. Não se traduzirá directamente na criação de um único posto de trabalho e/ou dinamizará a economia.

Não há dinheiro… só para alguns."

Tiago Mota Saraiva.

 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Quando José Sócrates era primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho indignava-se com o preço dos combustíveis e pedia uma descida urgente do imposto sobre os mesmos. Agora que Passos Coelho é primeiro-ministro, está preocupado mas acha que pouco pode fazer, porque o mercado dita as regras e o Governo não pode intervir. Parece impossível, mas os dois Passos - o candidato a primeiro-ministro e o primeiro-ministro - estão errados.

 

A proposta do candidato para resolver o problema da cartelização e especulação das gasolineiras - baixar os impostos - não colhe na realidade. Em meados de Janeiro deste ano, Portugal estava apenas no 11.º lugar entre os países da UE em termos de percentagem de imposto por cada litro de gasolina, com 55%, e em 9.º lugar ao nível do preço por litro deste combustível. No que diz respeito ao gasóleo, a discrepância é ainda maior: 17.º lugar nos impostos cobrados - 44% - e 10.º no preço por litro. Se cruzarmos estes dados com o o rendimento médio dos cidadãos da EU, aí deveremos estar muito mais acima, apenas ultrapassados pela... Grécia, curiosamente. Pagamos muito mais do que a média da UE pelos combustíveis e certamente mais do nos países mais ricos. Culpar o peso da carga fiscal no preço final dos combustíveis é pura ideologia, nada mais do que isso.

 

A escalada desde a liberalização dos preços dos combustíveis não tem paralelo. A autoridade da concorrência é um fantoche das gasolineiras, não existe: a cartelização é evidente; a autoridade afirmar o contrário é gozar com a cara dos portugueses. Como afirmou ontem o presidente do ACP, em 2008 o preço do barril do petróleo era 160 dólares; agora, está nos 125 dólares*. No entanto, os combustíveis neste momento estão muito mais caros do que há 4 anos. Quem é que ganha com isto? Sobretudo a Galp, que tem o monopólio da refinação, através da Petrogal. De ano para ano, apresenta lucros brutais, lucros esses que são distribuídos pelos accionistas. Mas o problema não é haver lucro, isso não me incomoda, o problema é estes lucros serem conseguidos à custa do empobrecimento dos portugueses e da destruição da economia nacional - há cada vez mais empresas em dificuldades por causa do agravamento destes custos, sobretudo empresas de camionagem.

 

A segunda mentira de Passos Coelho está portanto na afirmação de que nada pode fazer para mudar este estado de coisas. Pode, a Galp é, maioritariamente, uma empresa pública. E não é necessário descer os impostos - e assim o Estado obter menos receita fiscal. Basta repôr o controle dos preços. Se as leis da concorrência não funcionam neste sector, se os preços não baixam quando o valor do crude desce, acabe-se com o mercado livre. Ponto final. Mas esperar que um Governo forte com os fracos e fraco com os fortes avance com esta medida é sonhar demasiado alto. Quem votou neles, que os aguente.

 

*Fui induzido em erro pela declaração de Carlos Barbosa. Os preços não têm em conta a evolução dólar face ao euro. Neste post está estão mais esclarecimentos. Mas isto não significa que não seja incompreensível a discrepância em relação à média europeia dos preços dos combustíveis antes de impostos.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Mas descansemos, que por cá também há crimes de ódio. Nada de mortes, ainda, mas intimidação, ameaças e destruição de propriedade privada, à boa maneira da cosa nostra. Se estão a pensar na Madeira e em Alberto João Jardim, um dos inimputáveis do regime, adivinharam. Houve em tempos quem quisesse a suspensão da democracia por seis meses (eu cá acho que já vai em nove meses no continente). Mas na Madeira a democracia é como se fosse uma memória perdida na bruma. Há muito tempo que essa "coisa" deixou de existir. A intimidação de dirigentes de um partido político da oposição é apenas uma formalidade que legitima um Estado autoritário e totalmente impune dentro do Estado português. Não, Alberto João Jardim não é o palhaço de serviço do regime; é um criminoso deixado à solta em território nacional. Mas enfim, o subsídio de desemprego atribuído a quem "não merece" (Miguel Relvas dixit) é que é um problema para este país.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Uma semana depois de Nicolas Sarkozy ter endurecido o discurso anti-imigração, adoptando algumas das bandeiras da Frente Nacional, acontece o crime de Toulouse. E recorde-se, o presumível autor destes crimes contra judeus será o mesmo que matou três militares magrebinos durante a semana passada. As palavras de Sarkozy - uma "tragédia terrível", um "drama abominável" - estão prenhes de uma extraordinária hipocrisia. Quando é o próprio presidente a veicular um discurso de ódio e de desconfiança em relação aos estrangeiros, surpreendente seria que não aparecessem extremistas - e por favor não chamem lunáticos a esta gente, que eles sabem muito bem o que estão a fazer - a pôr em prática o que as palavras dos políticos deixam subentendido. Fracos líderes fazem fraco povo. Sarkozy é o exemplo claro disto.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 17 de Março de 2012
por Miguel Cardina

 

Mais um Gui Castro Felga, desta feita a convite dos Precários Infléxíveis. Para que não nos enlatem, entalem ou entunem.


por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 16 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

Parece que está reunida a Federação Portuguesa pela Vida. Por momentos, ainda julguei que estaria a ser discutido o alargamento do campeonato a 18 equipas. Depois, percebi que a "vida" não é modalidade desportiva - qualquer coisa entre chinquilho e concurso de miss t-shirt molhada, que é, assim de repente, o desporto que mais me estimula a produzir "vida". A vida, meus amigos, a vida é aquela coisa entre nascimento e morte sem aborto subsidiado, sem casamento entre homens sexuais e sem troca de camisola de angorá no fim do jogo. Ah, e sem divórcio... porque ah!, o divórcio é o verdadeiro flagelo que está a entupir os nossos tribunais e que impede que meliantes como o Isaltino Morais sejam devidamente castigados... o divórcio - a pedido? Subsidiado? Fica a dúvida... -, e o aborto subsidiado que impede que as diarreias sejam devidamente tratadas nos hospitais, e casamento entre... valha-me Deus... homens vestidos com camisolas de alças e... enfim, o casamento homo... e a adopção de criancinhas, claro, que saem do seio de Jesus, dos seminários desse país, dos orfanatos, onde são tão bem tratadas pelos priores da Santa Madre Igreja, a adopção de criancinhas por casais de lesbianas que abortaram e tiveram orgasmos...zzz... a abortar, recebendo um subsídio pago por nós todos, que subsídios o aborto das lesbianas e que depois ainda querem adoptar criancinhas... e... e... mudar de sexo... obrigam  meninas a serem homens e os meninos a gostarem de bonecas...z...z... as lesbianas que se casam a pedido e abortam e recebem subsídio milionários de 5 000 euros nossos, e casam-se com homensexuais... zzz... que eram mulheres...zz..z.z.. mudaram de sexo... as mulheres e têm sexo umas com as outras, as porcas...s...s... e depois engravidam e vão abortar e recebem subsídios de 5000 euros... o flagelo... o horror... homens que abortam e recebem subsídios de 5 000 euros...z...z... e depois têm crianças que se tornam homensexuais que também abortam e mudam de sexo e tem orgasmos com lesbianas divorciadas...zzz.zzz... e mudam de sexo.... e desvorciam-se uns dos outros... a grande culpa da crise, os abortos subsidiados, os homens... homens... lésbicas na lama... a adoptarem crianças... e o fim do mundo... o fim do mundo... o horror... o horror...


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Apelo Internacional: “Nós, os signatários, transmitimos o apelo da iniciativa Bem-vindo à Palestina 2012 aos apoiantes dos direitos humanos e nacionais dos palestinianos, espalhados em todo o mundo, para visitar a Palestina durante a Páscoa de 2012. Não há outra forma de entrar na Palestina que não seja através dos postos de controlo israelitas. Israel transformou a Palestina numa enorme prisão, porém, os presos têm o direito de receber visitantes.
Bem-vindo à Palestina 2012 desafiará, novamente, a política de Israel de isolamento da Cisjordânia, enquanto os paramilitares e o exército cometem crimes brutais contra a indefesa população civil palestiniana. Apelamos aos governos que apoiem o direito dos palestinianos de receber visitantes e o direito dos seus próprios cidadãos em visitar abertamente a Palestina. Os participantes no Bem-vindo à Palestina 2012 solicitam que seja permitida a sua passagem pelo aeroporto de Tel Aviv sem obstáculos, e que possam prosseguir até à Cisjordânia para participarem num projecto sobre crianças e o benefício do direito à educação.” 

 

Grande Missão Internacional tem a sua visita marcada à Palestina entre 15 e 21 de Abril. Junta-te ao apelo. Para mais informações, visita o site internacional ou página de facebook portuguesa da organização. Ou envia um mail para bemvindoapalestina@gmail.com.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

Estava a protestar em frente à embaixada do Sudão. Gosto deste gajo. 


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

 

O documentário pela captura de Joseph Kony, realizado e divulgado pela ONG Invisible Children, tornou-se o mais rápido vídeo viral da Net. Mesmo sem saber muito bem onde fica o Uganda, o mundo acordou para as atrocidades daLord's Resistence Army (LRA). Mas a indignação solidária tem, como sempre, um sabor de moda. Não resulta de uma posição informada, que compreenda as contradições de uma guerra civil, onde raramente há anjos e diabos.

 

Como tudo o que tem grande sucesso se expõe às criticas, surgiram muitas em relação ao rigor de um documentário maniqueísta, feito para emocionar e não para pensar. Quando as causas humanitárias são tratadas como campanhas de marketing é isso que acontece. A ação tem nascer da indignação. Mas esta tem de nascer da informação. A emoção acorda para problemas, mas, se nada se acrescentar a ela, a nossa ação em defesa dos outros pode bem passar a depender da manipulação. Seremos convencidos por quem fizer o melhor spot e escolher a melhor banda sonora. Agir por uma causa não é, não pode ser, o mesmo que escolher uma marca de cereais. Nem permitir, como faz o documentário em questão, que não nos dá qualquer informação de contexto do conflito em que pretende intervir, ser tratados, como ali somos, como uma criança de cinco anos incapaz de compreender as complexidades e contradições do mundo.

 

Este não é o espaço para explicar - até porque estou longe de ser um conhecedor profundo do tema - a complicada situação do Uganda e quem é Joseph Kony. O líder da LRA, é preciso dizer, já foi um homem bastante popular no norte do seu país. Principalmente por ter combatido os abusos de poder no Uganda e ter defendido a marginalizada minoria acoli. Da sua popularidade ao crime foi um pequeno passo (vinha de antes, na realidade), onde o uso de crianças soldados, as violações, as torturas, os assassinatos, as mutilações, as perseguições coletivas e o culto da personalidade levado até à loucura se tornaram habituais. Comportamentos que se estenderam à República Democrática do Congo. Mas que, diga-se em abono da verdade, são mais ou menos usuais nas guerras civis de muitos países africanos.

 

Não, não há aqui qualquer desculpabilização. Não é por acaso que o Tribunal Penal Internacional considerou Joseph Kony um criminoso de guerra e o bem informado Integrated Regional Information Networks (IRIN) afirma que "a LRA é dos movimentos rebeldes menos compreendidos e mais difíceis de conhecer no mundo". A LRA e o seu líder incontestado foram ainda mais longe, se isso é possível, na barbárie das guerras civis africanas.

 

Não faltam interessados nos vastos recursos do Uganda - que não têm servido para melhorar a vida dos seus cidadãos. Nesses recurso incluem-se as reservas inexploradas de gás natural e petróleo. O governo formalmente democrático (se formos insultuosamente minimalistas no que consideramos ser uma democracia) do Uganda, que gere a miséria de um dos mais pobres países do Mundo, viola, com prisão e tortura de opositores políticos, deportações forçadas, violência sobre os refugiados, os direitos humanos dos ugandeses. No entanto, tem merecido generosos, mas não muito bem intencionados, apoios externos das potências ocidentais no combate a Joseph Kony. Um dos políticos que apoia este regime, Santo Okot Lapolo, aparece no documentário em causa. É responsável por homicídios e perseguições a opositores e acusado de corrupção, por desvio de fundos que eram destinados aos refugiados vítimas da LRA.

 

Não deixa de ser estranho que as mesmas potências que assistiram, quietas, aos apocalípticos massacres no Ruanda, à limpeza étnica do Darfur e aos atropelos sistemáticos aos direitos humanos por parte do governo ugandês, tenham, por Kony, um interesse tão grande. Suficiente para a mobilização de raros recursos financeiros e legislativos por parte da Casa Branca e do Congresso dos EUA. Num mundo que raramente se move por razões humanitárias, é sempre razão para parar cinco minutos e pensar. Mas, acima de tudo, vale a pena desconfiar de um documentário sobre um conflito civil onde tudo pareça demasiado simples. É que uma guerra civil não se explica ao estilo preguiçoso de Hollywood. Raramente é assim tão claro quem são os bons e os maus.

 

Não ponho em causa, pelo contrário, a necessidade de capturar Joseph Kony e obriga-lo a responder pelos seus inúmeros crimes. Mas, nestas matérias, defendo sempre a cautela: não basta sabermos quem estamos a combater, precisamos de saber o que move aqueles que, com muito mais poder do que os cidadãos, querem fazer com o nosso combate. E tentar perceber a verdadeira complexidade do que acontece no terreno.

 

Uma das maiores vitórias desta ONG foi o apoio militar dos EUA, no terreno, ao exército ugandês, que está muitíssimo longe de merecer simpatia de quem se preocupe com os direitos humanos. E a sua principal exigência é o reforço desta ajuda. E isto deveria ser suficiente para pôr qualquer pessoa informada de pé atrás em relação à agenda desta organização.

 

Outras criticas que têm surgido têm a ver com a própria ONG. Os donativos que realmente chegam ao terreno, as prioridades, o funcionamento. Na realidade, como sabe quem trabalha com ONGs, grande parte das criticas são extensíveis a muitas organizações deste género. O "humanitarismo" transformou-se numa extraordinária indústria, emersa em negócios, jogos de poder político e estratégias que muitas vezes passam completamente ao lado do que deveriam ser as funções destas organizações. Falem com pessoas que tenham estado envolvidas em ONG de alguma dimensão, que tenham estado no terreno e que se tenham desiludido com real alcance do que andavam a fazer, e ficarão tristemente tomados pelo cinismo.

 

A Al-Jazzera resolveu fazer um exercício que a ninguém ocorreu. Como no norte do Uganda, onde vive o maior número de vítimas de Joseph Kony, o acesso à Internet é virtualmente impossível, exibiu, numa aldeia, o documentário "Kony 2012", que já foi visto por 70 milhões no Mundo. Cinco mil pessoas assistiram. Entre elas, muitas das vítimas da LRA. Nada como ouvir aqueles que estamos a tentar ajudar para perceber o alcance do que estamos a fazer. Sem tirar grandes conclusões, a reação foi esta: odiaram o documentário e sentiram-se usados.

 

O nosso apoio às vítimas de um qualquer conflito exige mais do que um "like" no Facebook ou uma lágrimas em frente a um computador ou uma televisão. Exige o trabalho e a exigência da militância numa causa. As contradições não nos podem paralisar. Mas não é o simplismo que nos deve fazer mexer. Porque a nossa ingenuidade bem intencionada pode bem servir interesses contrários aos valores que pretendemos defender.

Em baixo, deixo o documentário, a reportagem da Al-Jazzera e a defesa do CEO da Invisible Childrens:


por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

"BENESSE:

Uma das vantagens  de ter Paulo Portas no governo  é que deixámos  de assistir  às suas homilias de dedo  espetado no ar, narinas frementes e voz de falsete. 
Imaginam como seria hoje, com os ourives encurralados em Tsavo, as ATM desfeitas à martelada, as esquadras cercadas de cada vez que prendem um traficante? Safa."
Filipe Nunes Vicente, lá no seu canto, de onde vê tudo com outros olhos.

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 15 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

Gosto muito de ler a Helena Matos. Dentro do género feminino, é a minha ex-maoísta preferida - e não interessa se não conheço outra. Em geral, até aprecio mais as qualidades do Pacheco Pereira, mas a Helena leva a palma a qualquer antigo lutador do exércio do povo num aspecto: a maneira como (não) lida com os seus fantasmas de juventude em revolta.

 

Olha-se para os posts mais recentes do Blasfémias, e vê-se a Helena indignada com o facto do povo de Beja estar indignado com a nova toponímia do munícipio. É bestial, o raciocínio de Helena. Pois não houvera o povo de aceitar que as ruas da cidade levassem o nome de antigos bufos da PIDE. Caramba, o salazarismo foi uma ditadura tão fofinha, comparado às maldades de Agostinho Neto e de Che Guevara. O delírio não paga imposto, e acaba por ser louvável o combate diário que leva a cabo no blogue onde escreve, no jornal que lhe paga - há ainda algum? O Público parece que dispensou os seus serviços - e nas intervenções televisivas, esconjurando do seu corpo antigos amores, que a possuíram em tempos. A ir por estes caminho, a culpa apenas será aplacada quando o cilício apertar forte ou ela engrossar as brigadas internacionalistas de uma quaquer Frente Nacional. Esperemos por esse dia.

 

Mas, enquanto não chegamos lá, rejubilemos. No post seguinte, Helena estremece de frémito; o povo apedrejou autocarros algures em Lisboa, e isso levou a que a Carris esteja a repensar as supressões que levou a que aquela parte da cidade ficasse com um serviço de transportes de terceiro mundo. "Apedrejar compensa!", escreve Helena, e quase se consegue adivinhar a lágrima que lhe correu pelo rosto, ao recordar os tempos em que o cocktail molotof era a caneta que ganhava batalhas, conquistava o mundo! Nas ruas, claro, que as revoluções não são para se fazer sentado à frente do PC. A velha veia revolucionária, latejante, ao ver que o monopólio da violência que o Estado detém pode, a qualquer momento, ser beliscado pela vontade do povo. 

 

Claro que ela disfarça, e se indigna muito com as "reengenharias sociais" que os seus antigos companheiros de armas estão a estimular, com a imprensa de esquerda que domina o país e tal e tal, e por aí fora. Mas eu, por ser um grande admirador, de longa data, sei ler nas entrelinhas. Os amanhãs que cantam fazem ferver o sangue, a luta estimula, o combate pela liberdade e pela justiça social empolga! Helena, camarada, estou contigo: quando voltares a sair do armário onde te enfiaste, serei o teu primeiro defensor. Nunca é tarde para voltar a antigas paixões...


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Depois do Correio da Manhã e do Jornal de Negócios terem publicado discretamente a sua sondagem de Fevereiro, que mostra um tombo do PSD e do CDS e uma subida do PS, do PCP e do BE, assim como um Cavaco Silva nos níveis mais baixos de popularidade de sempre, ainda estamos à espera que seja divulgada pela imprensa o barómetro de Fevereiro da Marktest - bem, só lá vão quinze dias, coisa pouca - no qual vemos o PSD a cair 7% nas intenções de voto, o PS a subir, a CDU a crescer bastante e o CDS em níveis do partido do táxi. E uma taxa de impopularidade de Cavaco inusitada, a pior desde que existem sondagens em Portugal, a pior de entre os líderes políticos que aparecem no estudo - e note-se que é Jerónimo de Sousa quem obtém o melhor resultado. Deixará o ministro da propaganda que este estudo seja publicado ainda durante o mês de Março?

 

(Via 5 Dias.)


por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

A Parque Expo (PE) foi criada para garantir a construção da Expo 98 e o projeto imobiliário que lhe sucedeu. Foi criadanas mesmas águas turvas de tantos outros projetos em Portugal. E com base no mesmo equívoco: que a empresarialização do Estado garantia a sustentabilidade. Pode haver muitos convertidos, mas este equívoco foi alimentado por PS, PSD e CDS com igual entusiasmo. A Expo não se pagou, ao contrário do que prometia, a si própria.

 

Depois da Expo 98 a PE acabou por adquirir novas funções: os planos Polis e vários projetos de requalificação. 10 operações deste género permitiram-lhe encaixar 85 milhões de euros. E, em 2004, já tinha conseguido uma receita de 885 milhões. Mesmo isto, e contando com a operação imobiliária na Expo, não foi o suficiente para pagar o investimento até então realizado. Como uma parte razoável do financiamento foi conseguido com recurso aempréstimos bancários e os juros aumentaram o prejuízo acumulado mantinha-se.

 

Depois veio uma aposta na reabilitação urbana integrada, sem limites geográficos, incluindo intervenções em centros históricos, valorização do património do Estado, requalificação de áreas ambientalmente sensíveis e planeamento de novos territórios urbanos. Ganharam experiência e deram um novo salto, internacionalizando-se e abrindo escritórios na Argélia, Marrocos, Angola, Sérvia e Cabo Verde, com vários projetos nestes países. A PE transformou-se numa empresa de referência na concepção e gestão de intervenções urbanísticas. Foram responsáveis pela concepção e desenvolvimento de mais de meia centenas de grandes projetos, com um volume global de investimento dos seus promotores de 43,6 mil milhões de euros, tendo ficado com a implementação de vinte destes projetos, correspondentes a um investimento de 4,5 mil milhões. Com a PE houve trinta empresas portuguesas que se conseguiram internacionalizar e exportar os seus serviços.

 

A PE chegou ao fim do primeiro semestre de 2011 com vinte mil milhões de euros de projetos em curso. Mais importante: com muitas propostas para novos projetos internacionais em negociação, num total de 32 milhões de euros. Quatro deles estavam apenas dependentes de uma decisão do Conselho de Administração da empresa de capitais públicos ou do governo. Eram mais três milhões de euros que entrariam nos cofres da empresa.

 

Graças a esta estratégia, que aqui não discuto se cabe, por princípio, ao Estado, a PE passou de um endividamento de 1.332 milhões de euros, em 1998, para um endividamento de 225 milhões, em 2010, e de 185 milhões em meados de 2011.

 

Certa ou errada no plano do que devem ser as funções do Estado, a prestação de serviços da PE ajudou à internacionalização de empresas e técnicos portugueses, aumentou a exportação de serviços e bens, ajudou à diplomacia económica portuguesa e reduziu uma dívida acumulada por uma péssima concepção do plano de financiamento da Expo 98.

 

Não fossem os erros passados, que nenhuma extinção resolverá, a PE daria lucro. Teve resultados operacionais positivos em 2010 e tudo indicava que isso se repetisse em 2011. Ou seja: a Parque Expo, com esta estratégia,estava em condições de pagar as dívidas do passado e resolver assim um problema ao Estado. Claro que tinha prejuízo: havia encargos com a dívida para pagar. Esses, meus caros, vão ser pagos na mesma.

 

Quando Assunção Cristas anunciou, na televisão, a extinção da Parque Expo, percebeu-se logo que a ministra não sabia muito bem o que estava a fazer. Desconhecia os números e meteu os pés pelas mãos. A Expo, tão aplaudida pelos portugueses há 14 anos, tem mau nome e a coisa foi bem recebida. Até eu, confesso, não me terei incomodado com mais do que a impreparação da ministra. Fui estudar. E facilmente conclui que o que se está a fazer é impedir que seja o próprio trabalho da Parque Expo a cobrir as suas dívidas do passado, no preciso momento em que isso está a acontecer. Em vez disso, vende-se património para pagar dívidas. Se não chegar, pagaremos nós.

 

 

O anúncio foi feito em Agosto. A Parque Expo continua a existir. Os seus funcionários estão lá. O Conselho de Administração também. Só que estão todos proibidos de aceitar novos contratos. Só mesmo os que estão em curso continuam. Mais de 30 milhões de euros estão suspensos porque a ministra não deixa aceitar novos projetos, independentemente dos prazos de conclusão. E continuam a chegar à empresa, mesmo depois do anúncio da extinção, mais pedidos. Nem se rentabiliza investimento já feito, nem se aproveitam os técnicos que lá estão, com vencimento e à espera que alguma coisa se decida. Ou seja, a ministra não quer dinheiro para ajudar a pagar a dívida da empresa sem que ganhe um cêntimo com esta recusa. E, apesar disto, a extinção da empresa foi anunciada há sete meses e ainda não se sabe quando acontecerá. Parafraseando uma frase menos própria, o governo nem extingue nem sai de cima.

 

Por causa da extinção, o governo prepara-se para perdoar algumas dívidas de autarquias à empresa (75 milhões das câmaras de Loures e Lisboa) e para vender o Pavilhão Atlântico, numa negociação particular sem concurso público (baratinho, portanto). Quanto à própria PE, tudo indica que tenciona vende-la a retalho, sem grandes vantagens para a economia portuguesa e para os cofres públicos. De facto, para quê garantir que uma empresa do Estado resolve as suas contas com o seu próprio trabalho, quando está em condições de o fazer, se podemos vender ao desbarato e sem grande controlo público? No meio, clientes internacionais, alguns deles com experiência de trabalho com a PE, estão à espera, sem perceber se a empresa existe, não existe e até quando existe. E o Estado a perder milhões.

 

Tudo isto parece surreal. Mas é o que acontece quando se governa para um noticiário, sem conhecer bem aquilo que se está a decidir. Anuncia-se primeiro, percebe-se depois o que se decidiu e faz-se quando der para fazer. E assim se desperdiça dinheiro em Portugal. Nada de novo, portanto.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 14 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Ex-colega de Passos Coelho na Águas de Portugal.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Mas será que há ainda alguém que acredite que a Lusoponte irá devolver os 4,4 milhões de euros pagos indevidamente pelo Estado - isto é, nós todos, portugueses? Sobretudo depois do que aconteceu com a demissão do secretário de Estado que ousou opôr-se à EDP e à vontade de Gaspar e Coelho? Parece que o novo acordo com a empresa do amigo Ferreira do Amaral até já terá sido redigido e tudo e, surpresa das surpresas, não inclui uma cláusula que obrigue à dedução da indemnização compensatória fajuta nos próximos pagamentos. Sacrifícios repartidos por todos? Não brinquemos com coisas sérias...


por Sérgio Lavos
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