Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010
por Daniel Oliveira
Os advogados da política de terra queimada podem finalmente festejar. O governo deu-lhes ouvidos e prepara-se para rebentar com qualquer possibilidade da economia recuperar nos próximos anos.

Os funcionários públicos, escolhidos por tanta gente que nunca hesitou em pendurar-se no Estado como bode expiatório da incompetência quem governou este País durante tantos anos, irão finalmente ser sacrificados para acalmar a fúria desse novo Deus que são os mercados financeiros. Mas basta olhar para a Irlanda para saber que os especuladores, os únicos beneficiados por esta crise, não se irão comover. Até porque sabem o que nos vai acontecer.

Mas não serão apenas os funcionários públicos. São os reformados, que verão as suas miseráveis pensões congeladas. Serão todos os consumidores, que verão os preços subir por causa do aumento do IVA. Serão os mais pobres entre os mais pobres, que vão sentir mais um corte no quase simbólico rendimento mínimo, aquele que os remediados maldizem até ao dia em que precisam dele. E, com o que aí vem, tantos irão precisar. Serão todos os contribuintes, que ficarão a pagar o fundo de pensões descapitalizado da PT.

E é, acima de tudo, toda a economia. Menos dinheiro disponível, preços mais altos. Mais crise sobre a crise. Empresas que fecharão. O desemprego que inevitavelmente irá aumentar. Menos receitas fiscais, mais despesas sociais. O filme é simples e todos o conhecem: a partir do momento em que aceitámos saltar para este abismo a queda será estrondosa.

O mais extraordinário é que tudo isto é feito para garantir o financiamento da nossa economia. Financiamento que a banca nos garante pedindo emprestado o nosso dinheiro, o dinheiro da Europa, a um por cento, para depois nos voltar a emprestar a seis por cento. Apenas porque a União inventou o crime prefeito: impede-se a si própria de ajudar os Estados membros para dar a ganhar a quem se alimenta da nossa desgraça. Todos estes sacrifícios não são para melhorar as nossas vidas. São para alimentar a mesma banca que nos obrigou a enterrarmo-nos para a salvar da sua própria ganância.

Almeida Santos disse: sorte do País que é governado por quem tem a coragem de tomar medidas impopulares. Eu respondo: azar do País que é governado por quem nunca tem a coragem de governar pelo povo, com o povo e para o povo. Medidas impopulares têm tomado todos. As difíceis, que tocam no poder que realmente decide os nossos destinos, é que nunca vêm. Mais uma vez vamos pagar a crise que outros causaram. Mais uma vez serão eles a lucrar com ela. Restam-nos duas possibilidades: ou emigramos ou nos revoltamos.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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262 comentários:
PedroM
Ou seja, o que o Daniel diz é: cada povo tem o que merece.

deixado a 30/9/10 às 15:54
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PedroM
"Ou então ameaçar que alguns gajos da fenprof se irão imolar em fogo em frente da embaixada alemã."
E onde é que arranjavam eles dinheiro para a gasolina? Umas belas pedradas, à boa maneira do Hamas serve perfeitamente.

deixado a 30/9/10 às 15:59
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Gasel
Mas mts dizem que o principal problema da economia portuguesa é a divida externa, a dívida externa global, pública e privada... e que a dívida pública e o déficit orçamental são apenas problema secundário ao primeiro.
Porquê tanto gáudio que se nota com estas medidas, tipo "agora é que é, agora é que o estado e os malandros dos FPs vão ver.. corta-se ao máximo, acaba-se a mama" E ainda vem o João Miranda dizer mais 20 medidas onde ainda cortava mais e mais e mais.. força!

É evidente que este problema orçamental tem que ser resolvido, mas depois tudo fica na mesma! Muito do elevado déficit orçamental actual é conjuntural, em consequência da crise económica. Em 2008 o déficit orçamental foi de 2.8, e o estado era o mesmo q agora!

Mesmo a elevada dívida pública do Estado não seria tão grave... se não fosse externa!.
Ou seja se houvesse dinheiro nos país - , nas instituições, nos privados, no aforro - para cobrir o déficit do estado, em troca de juros interessantes, não teriamos esta pressão toda. Como acontece em mts países, de modo natural, como por exemplo a Alemanha!

O principal problema é que todos nós - Estado e Privados - devemos dinheiro ao estrangeiro, muito dinheiro, muito mais que o PIB de uma ano inteiro, de quase 2 anos.
O principal problema é que nós - Estado e Privados - não produzimos com eficiência, não criamos riqueza, não nos conseguimos sustentar....
E ele, os que nos emprestam dinheiro - ao Estado e aos Privados - sabem disso... !

deixado a 2/10/10 às 16:43
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cafc
Meu caro António Cunha

Poder, podemos mas, só da "boca para fora". Repara que este "estado de coisas" só foi possível, porque este Poder foi mantido à custa de quem anda, há trinta e poucos anos, a votar nos Partidos que (nos) "phodem".
Nesse aspecto, tu tens sido um dos "contribuintes sólidos", não é?

Meu amigo, meio a sério, meio a brincar, fiz duas propostas e só "falaste" da primeira. Completamente, a sério, qualquer delas tem como premissa que a Soberania de Portugal foi vendida. Ou pensas que o nosso País é Independente?

A minha operação "Limpar Portugal" incluía todos (de Esquerda e de Direita) que quisessem expulsar os que nos venderam aos "supremos desígnios" de "Sua Majestade, o Capital Financeiro". Não estava a propor uma espécie de "assalto ao Palácio de Inverno".

Portanto, podes ficar descansado, até porque já sabes que, sempre, me manifestei contra qualquer tipo de ditadura política.
Mas, então, a ditadura financeira, que até asfixia a Economia, já é aceitável e mesmo desejada?

Mário Soares “meteu o Socialismo na gaveta”, não foi?
E o PPD-PSD, onde “meteu isto”?

http://www.youtube.com/watch?v=bysPResFr_o

Meu caro, estás a ver o “espírito da coisa”?

Um grande abraço.

Carlos

deixado a 3/10/10 às 16:35
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E agora, meu povo?

deixado a 30/9/10 às 09:33
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Esquece-se de falar do novo imposto sobre o sector financeiro, Daniel...

O que você ainda não percebeu, ou não quer perceber, é que infelizmente não restava qualquer outra solução ao governo senão esta.

As nossas contas estão desequilibradas à muitos anos. O dinheiro que o estado arrecada não chega para pagar tudo. E a solução tem sido sempre a mesma. Endividar-mo-nos !!!!

Andamos à mais de 30 anos a pedir dinheiro para pagar este estado pouco social.

Mas verdade seja dita, quando Barroso disse que o país estava de tanga, ele pecou mas por defeito.
O Governo de Socrates teve tudo para reorganizar o sector estado.

E ele até tentou !!! Começou a fazer algumas reformas. Mas a nossa sempre bem posicionada esquerda revolucionaria, coadjuvada pela mui sempre activa classe sindical da qual o sindicatos dos professores é expoente máximo, logo trataram de por a coisa em banho maria. Na Educação, na justiça e na Saude, as reformas que se adivinhavam ficaram todas ou quase todas na gaveta.

Como diz o Medina, não existe em Portugal nenhum politico com tomates para endireitar esta merda. Só nos resta o FMI.

deixado a 30/9/10 às 09:40
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O estado é uma empresa, e se uma empresa está com prejuízos à vários anos consecutivamente o que se deve fazer ?

Despedir, cortar, reorganizar, re-estruturar.

Andam vários milhões a pagar os ordenados de alguns milhares de privilegiados que alem de ganharem melhor que os outros, tem todas as benesses e mais algumas. Para alem de terem a certeza que nunca irão perder o seu posto de trabalho.

Por outro lado, no sector privado, não existem aumentos à anos e anos, desemprego com fartura e condições de trabalho mais do que merdosas.

Pois é, este funcionários publicos são uns coitadinhos.

Vão mas é trabalhar pa !!!!!

deixado a 30/9/10 às 09:45
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nuno oliveira
E agora Sr. Alegre??? e já agora Sr. Louçã???

deixado a 30/9/10 às 09:49
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Nuno
Não quero questionar as medidas, pois nem conheço os números, nem as pressões a que estava sujeito o Governo por parte das instâncias políticas e económicas (afinal, quem empresta o dinheiro).
Mas alguns pontos deixam-me, a mim cidadão ignorante que nada percebe de economia, preocupado:

- digamos que estas medidas até funcionam, e em 2011 temos défice zero. E depois? Ou continuamos a viver com o garrote, ou vai mais uma leva de aumentos e benefícios, que terão como consequência um défice alto, que por sua vez levarão a novas medidas de austeridade, num movimento perpétuo...

- o que me diz que isto funciona? Vejamos, alguns meses atrás, o Governo pegou nos seus melhores homens (risos), e desenhou (com ajuda do PSD?) um plano que iria reduzir o défice. Fez as contas, e tal, e aplicou as medidas. O resultado é o que se sabe. Falhou, não falhou, porquê... ninguém sabe, como ninguém sabe se este plano irá resultar.

- tudo indica que, fossem estas (ou outras mais "leves") medidas aplicadas mais cedo, e a dureza seria menor. Mas até ontem, estava tudo bem, as contas controladas, até havia dinheiro para pontes e comboios que nos levem à raia de Espanha. Mais uma vez, o Governo não age, reage. Obrigado por forças externas, certamente. Que confiança isso dá?

- o plano do Eng. é cobrar mais impostos, e gastar menos. Uma forma de gastar menos é cortando salários e deduções fiscais. Ora se eu tenho menos dinheiro, como posso continuar a consumir o mesmo de ontem? É que a receita do IVA só aumenta se eu consumir o mesmo. E a poupança tão falada pelos especialistas? Vou poupar o quê?

Enfim, não há pachorra para incompetentes cobardes, que vivem de expedientes e têm como principal função tratar das clientelas.
F###-se isto tudo!

deixado a 30/9/10 às 09:49
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Nuno
Dois pontos para discussão:

1) despedimentos na FP. Quando um posto de trabalho é extinto na FP, deve poder-se ou não despedir esse funcionário, caso ele não tenha competências para ser transferido?

2) horas extraordinárias. As horas ext. são um dos cancros do trabalho em Portugal. EM vários países, NÃO se trabalha para lá do expediente. Claro que o almoço dura meia hora ou menos (e muitas vezes é trabalhando), não há pausas, cafés ou quejandos... mas o facto é que toca o apito, e acabou-se, com os devidos benefícios para a entidade empregadora e para a saúde do trabalhador. Como implementar um modelo assim em Portugal?

deixado a 30/9/10 às 09:53
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