Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

Belo exemplo do capitalismo que temos: um empreendedor de loga data (e uma das figuras fundadoras deste regime), Pinto Balsemão, tremendo com a concorrência que poderá ter se a RTP for privatizada. Sabemos porquê: apesar da privatização de muitas empresas públicas que asseguravam a prestação do serviço público em sectores fundamentais da nossa economia - falo da Galp e da Petrogal, da PT e da EDP -, as leis do mercado e da concorrência nunca funcionaram. Continua a haver concertação de preços na área dos combustíveis e das comunicações e somos dos países da UE onde os consumidores mais pagam pela electricidade - e não esqueçamos que a EDP é, na prática, uma empresa privada que existe em regime de monopólio. Mas a televisão, lamentavelmente para Balsemão, é diferente: precisa da publicidade para dar lucro; o mercado, no meio audiovisual, funciona mesmo. São estes os empresários que temos, a nossa elite económica que domina indirectamente o poder político: saudosistas do Portugal corporativista que durante quarenta anos Salazar foi construindo.

 

*A questão em si, da privatização da RTP, é outra história; parece-me que o mais racional será privatizar apenas um dos canais, neste caso a RTP1, que não é carne, nem é peixe, não é serviço público nem dá lucro.


por Sérgio Lavos
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12 comentários:
LAM
Balsemão e não só. Consta que foi uma das razões para o Bairrão da tvi não ir para secretário de estado.
Privatizar, privatizar mas só se der lucro.
A concorrência é muito bonita se houver proteção do estado (do tal estado "gordo" e "intervencionista"). Aprenderam com o Belmiro e a sua xonécom.

deixado a 30/6/11 às 00:04
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JMG
Sérgio Lavos parece acreditar nas virtudes da concorrência e das leis do mercado. Espero que Sérgio seja ainda novo (dele só sei o que por aqui escreve) porque, se for, e como já tem uns bons alicerces, pode evoluir com o tempo para vir a ser um bom recruta para a direita. Se tentasse fundar uma empresazinha ou recuperar alguma que estivesse em dificuldades, isso eventualmente aceleraria o processo. Bem vindo, futuro confrade. E não precisa esquecer a preocupação com os desprotegidos; basta ligar menos à igualdade e mais à liberdade, que também inclui a liberdade económica - aquela a que os comunistas chamam exploração por apropriação de mais-valias geradas pelo trabalho. 

deixado a 30/6/11 às 00:09
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Mas é mesmo para privatizar, não é?

http://lishbuna.blogspot.com/search/label/servi%C3%A7o%20p%C3%BAblico

deixado a 30/6/11 às 00:34
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Pedro Martins II
Ora aí está. O problema não é o capitalismo, é o corporativismo.

deixado a 30/6/11 às 01:16
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e inda mais

agora tá a dar uma biosfera bastante inócua que dá uns trocos a muita gente

dantes era ao Carlos Cruz e associados

ahora será a outros que compram produzem e mais vulgarmente vendem direitos de programas

broker's televisivos

deixado a 30/6/11 às 01:36
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Chauncey Gardiner
Mas ao privatizarem a RTP1 o que é que fazem com a 2? Aquilo não funciona tudo no mesmo sítio? O que é que fazem aos edifícios, às estruturas físicas? Ficaria tudo a funcionar no mesmo sítio, sendo que uns trabalhariam para o estado e outros para a RTP1 privada? Não percebo nada disso, se calhar a resposta é muito simples. Gosto muito de ver tv.

deixado a 30/6/11 às 01:51
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Anónimo
E quem fala em RTP2 fala em RTP Memória, RTP N, RTP África e outros. Todos a partilharem conteúdos, profissionais e instalações.
Mais uma daquelas medidas para parolo ver que na verdade não trazem nada de novo.

deixado a 30/6/11 às 12:13
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maria
ando para aqui lixada com a publicidade crescente nos canais que a malta vê e esse cromo com problemas em canais que irão desaparecer não tarda muito ?  coitado.
ainda bem que tal mentalidade não vigorava há uns anitos atrás  , de contrário eu  não era cliente da cabovisão e dos seus cento e tal canais.
bom , se dei ligeiros ou fortes erros de português peço desculpa a um tipo que anda praí e é contra o ensino privado. peace and love , man.

deixado a 30/6/11 às 02:44
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Joao
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=493329 (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=493329)


Terrível essa EDP...

deixado a 30/6/11 às 03:20
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Nuno
eh lá, privatizações por aqui??? 'tamos onde, carago????


A sério... a RTP1 serve de zero, é mais um canal com conteúdo "privado" a fingir que faz serviço público.
A solução é privatizá-lo JÁ e manter a RTP2, como canal generalista público. Quanto a RTPn's e lda, fazem sentido numa óptica de canais públicos temáticos, de baixo custo, e em que a sociedade civil possa participar (por exemplo, um canal de filmes, onde jovens realizadores portugueses e estrangeiros possam mostrar cinema independente de baixo custo; um canal de desporto que divulgue outras modalidades que não futebol, etc... custa algum dinheiro, mas pode fazer-se muito com pouco, e é serviço público a sério)

deixado a 30/6/11 às 10:43
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Este post, se mais não me dissesse, e diz, tinha pelo menos a virtude de avivar a minhs memória para uma coisa que tantas vezes esquecemos: a direita vive em permannente estado de  contradição; mas dá-me muitas vezes a ideia de que na esquerda - na sua multiplicidade-, por vezes vemos, lemos e ouvimos coisas que até à direita, nas suas contrdições fica mal. Com que então é, para alguém de esquerda, racional privatizar um canal da RTP? Mesmo sabendo, assim o espero, que a política vive enclausurada pela TV, que manipula, aliena e mente como lhe apetece, não seria razoável para alguém de esquerda que defendesse a independência da RTP face a todos os poderes, mas que se mal está pois pior que fique, privatizar, já! A esquerda que não tem um único meio independente onde possa dar a conhecer as suas políticas alternativas, deve desistir de exigir que a RTP, seja o que deve ser. É racional? à luz de que razão? Não sei onde se inspirou, Sérgio, mas como já há dias li aqui um post, que talvez por inspiração da F.Cancio fazia afirmações pouco razoáveis, talvez tudo isto se fique a dever a um momento de pouca concentração. A luta pode ser que ajude a aclarar as ideias.
    

deixado a 30/6/11 às 11:27
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