Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

 

Guardo para o Expresso em papel desta semana a minha opinião sobre o caso Jerónimo Martins. A um triplocomendador devemos garantir um estatuto especial. Por agora, queria apenas escrever sobre a reação de alguns jornalistas e comentadores ao caso.

 

Perante a justificada indignação de muita gente, mais por a figura em causa se ter dedicado, no último ano, a repetidas lições de patriotismo a políticos e cidadãos do que por o caso em si, os relações públicas da Jerónimo Martins tiveram a vida facilitada. Dali vieram apenas os primeiros "esclarecimentos". Ainda o caso não era caso e já abundavam notícias contraditórias, explicações de fiscalistas e artigos de opinião que oscilavam entre as acusações a um Estado que teima em ainda cobrar alguns impostos a grandes empresas e o derradeiro e infantil argumento de que "os outros fazem o mesmo". Sempre que está em causa um grande empresário a cena repete-se: a reação em defesa da sua honra é imediata e empenhada.

 

Nada de mal. Todos têm direito ao contraditório (e é dele que nasce o esclarecimento público), mesmo quando a defesa da incoerência de comportamentos parece difícil. O que espanta é que este empenhamento pelo pluralismo na defesa do bom nome de quem é criticado não se alargue a todos os sectores da sociedade e seja sempre muito mais militante quando estão em causa pessoas com um enorme poder económico.

 

Por causa deste caso, estive a rever entrevistas na imprensa e na televisão feitas a Alexandre Soares dos Santos. Como costumo prestar pouca atenção aos conselhos que esta gente dá à Nação - cada um dá atenção a quem quer e, com todo o respeito por merceeiros, não os considero mais habilitados do que qualquer outro cidadão para o debate político -, tinha matéria para rever. Fiquei atónito. Não se pode dizer que tenha lido e ouvido entrevistas. Os jornalistas (quase sempre de economia) pedem conselhos e dizem frases para as quais esperam a aprovação do senhor. É uma amena cavaqueira onde nada de difícil, embaraçoso ou aborrecido é perguntado. Nunca é confrontado com contradições, incoerências ou dificuldades. Nada se pergunta sobre a relação da sua empresa com os produtores nacionais, com os seus trabalhadores ou com o Estado. E havia tantas coisas para perguntar. Não se trata de uma entrevista a um empresário, com interesses próprios, mas a um "velho sábio" que o País deve escutar com todo o respeito.

 

Trata-se de um padrão e não de um tratamento especial ao dono da Jerónimo Martins. Se ouvirmos as entrevistas a banqueiros ou outros grandes empresários acontece o mesmo. O que me leva a perguntar: de onde vem esta bovina subserviência de tantos jornalistas perante o poder económico, que não tem paralelo com qualquer outro poder, sobretudo com o poder político?

 

Explica-se de três formas: dependência, concorrência e imitação.

 

A dependência é a mais simples de explicar e talvez a menos relevante. A comunicação social não depende do poder político. Não é ele que lhes paga as contas. Depende de quem detém os órgãos de comunicação social e de quem neles anuncia. Claro que há notícias más para os empresários. Se não houvesse, dificilmente teríamos alguma pergunta embaraçosa a fazer a este senhor. Mas perante este poder o jornalista pensa duas vezes, vê os dois lados da questão e procura todas as fragilidades da informação que dispõe - coisa que, sendo outros os sujeitos, tantas vezes se esquece de fazer. Isto, claro, se for sério. Se não o for fecha o assunto na gaveta e não pensa mais no assunto.

 

A concorrência tem mais a ver com o poder político. A ideia de que a comunicação social é um contrapoder é absurda. E a de que é um quarto poder é um equívoco. Os media não são um poder autónomo, são um salão onde se cruzam os vários poderes. E o poder político também. Por isso, é com este, que tem a legitimidade representativa que falta aos jornalistas, que os jornalistas concorrem.

 

A imitação vive mais do simbólico. Os jornalistas são uma classe muito particular: a proximidade que têm dos poderes - que os namoram e seduzem - dá-lhes a ilusão de poder. A sua fragilidade profissional (cada vez maior, com a crescente proletarização da profissão) torna-os extraordinariamente fracos. A sua osmose com o poder dominante fá-los repetir o discurso hegemónico de cada momento. E esse discurso é definido pelo poder mais forte de cada momento. E esse poder é, hoje, o económico e financeiro. Sendo de classe média, o jornalista de economia tende a pensar como um rico. Não representando ninguém, o jornalista de política tende a pensar como se fosse eleito.

 

É por tudo isto que devemos ter em atenção três premissas. A primeira: a independência do jornalista não depende de quem é o seu empregador. Nem a empresa privada garante maior autonomia que o Estado nem a coragem de um jornalista depende do seu patrão. Ou tem, ou não tem. A segunda: sendo a comunicação social fundamental para a democracia ela não substitui a democracia. A opinião de um jornalista não é mais descomprometida e livre do que a de qualquer outra pessoa, incluindo os agentes políticos tradicionais. E a opinião publicada (a minha incluída) não é a mesma coisa que a opinião pública. A terceira: os jornalistas não têm como única função fiscalizar o poder político, mas fiscalizar todos os poderes. Incluindo o seu. Quando não o fazem tornam-se inúteis.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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63 comentários:
Rui F
(um aparte)

E um post dedicado ao Pedro Osório?

Até já Pedro.
Agente vê-se depois por aí.

deixado a 6/1/12 às 11:08
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cafc

Meu caro Rui F


Obviamente, “entro na tua onda” e espero que o Arrastão, também, venha a fazê-lo.


http://www.youtube.com/watch?v=FyRUwKUigMo (http://www.youtube.com/watch?v=FyRUwKUigMo)


Aquele grande abraço, para ti e para o Pedro.

Carlos


Rui F
Carlos cafc

E esta é para ti e para o ARA se ele entender que sim
http://www.youtube.com/watch?v=i6UTvqkygmw

abraços e beijos


cafc

Meu caro Rui F


Um dia, se vier “a talho de foice”, darei a minha opinião sobre Vasco Gonçalves. Se tal não acontecer, também, a posso “meter a martelo”, como estamos a fazer nesta homenagem ao Pedro. A título de curiosidade, recordo uma revista no Teatro Adoque (conhecido “antro” de comunistas), onde, após a nomeação de Pinheiro de Azevedo, o refrão desta canção foi substituído por “Porra, porra, companheiro Vasco, tem ferrugem a muralha d’aço”…


Continuando a “martelar” o tema deste “post” e prosseguindo a homenagem, envio esta:


http://www.youtube.com/watch?v=Ih9MowaVoks&feature=related (http://www.youtube.com/watch?v=Ih9MowaVoks&feature=related)


Depois, é seguir com “Só nós três 2” e assim, sucessivamente. Não confundir com “Só nós três Parte 2”, porque é um espectáculo que já não tem o alinhamento do original. O que coloquei tem algumas falhas mas, é o meu preferido, até porque tive a oportunidade de o ver no Estádio do Estrela da Amadora.


Beijocas do bando.


Aquele grande abraço.


Carlos



Rui F
Carlos cafc

Muito bom!
Não me lembrava dessa orquestração magistral.

O Pedro Osório não será apagado da minha memória e dos espectáculos que assisti em miúdo aqui pelo Alentejo. Nem tão pouco as orquestrações magistrais que ele nos foi dando ao longo dos anos.

deixado a 7/1/12 às 13:56
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Tenho muita simpatia por si e por todos aqueles que continuam a acreditar que um mundo que implodiu pode ressuscitar.

Ora ressuscitar só houve dois (Jesus e a Fénix) e provavelmente um terceiro de que me escuso de dizer o nome mas que é comandado, tinha que ser, por Jesus.

 

A "revolução" portuguesa tinha que dar no que deu e que é o que temos hoje.

Começou por fingir ser uma revolução quando foi um movimento corporativo, quis levar o país para um regímen comunista quando o comunismo começava a definhar mesmo lá longe quanto mais tão perto dos Azores.

 

Contava com 25% de analfabetos e de repente recebeu meio milhão de alfabetizados cheios de justa ira e sabendo muito bem quais os alvos a destruir (ia escrever abater mas parei).

Lançou medidas tremendas que a seu tempo se voltaram contra eles e das quais a nacionalização de tudo foi a maior.

(segue)


Rui F
"...Contava com 25% de analfabetos e de repente recebeu meio milhão de alfabetizados cheios de justa ira..."

Só 25% de analfabetos? só sabes contar até aí? e os tapadinhos?
O meio milhão alfabetizados eram os retornados? Ainda hoje me admiro pelo grau de desenvolvimento que isso proporcionou!



deixado a 8/1/12 às 13:01
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E por fim era liderada por uns capitães que mal sabendo manejar uma Mauser (nem precisavam) julgavam que tendo lido uns livritos do Sartre (os mais cultos) ou quer umas cartas dos intelectuais que por Paris viam a guerra nos cafés ou ouvindo a rádio do "Dr" Manuel Alegre calculavam qual o tamanho da página em que ficariam na História.

 

E assim chegamos a Vasco Gonçalves (raramente em fotos visto fardado) que num sonho delirante muito de acordo com aquela cabeça pensou ser um Lenine que gostava de bacalhau assado e cozido à portuguesa.

Enganou-se.

 

Basta por último dizer que toda esta gente não sabia e ainda hoje não querem acreditar que aos dez minutos do dia 25 de Abril já o PCP mandava em tudo o que era preciso mandar, até hoje.

 

Ia pedir-lhe para não responder porque  a sua resposta iria implicar uma muito maior, exaustiva e penosa demonstração do que aqui se afirma mas sei que é pedir a uma benfiquista (afinal o COL sempre foi vermelho) que não grite quando marcamos um golo, mas aviso que as possibilidades de responder à sua réplica são praticamente nulas.

 

Melhores cumprimentos e A Bem da Nação (só para arreliar).



cafc

Caro fado alexandrino


Provavelmente, não leu (ou já se esqueceu) do que tenho “escrevinhado”, ao longo dos tempos, sobre essas matérias. Tenho sido das “vozes” mais críticas ao que designo por “minhas” Esquerdas e mantive um diálogo, longuíssimo, com o camarada A.R.A, onde tentámos fazer um exercício auto crítico, desde o 25 de Abril. Mas, também, o fizemos sobre o “mundo que implodiu”, fruto de erros e de crimes, com os quais aprendemos e portanto, não queremos “ressuscitá-los”. Mas, como “disse” ao amigo Rui F, haverá uma oportunidade para “falarmos” de Vasco Gonçalves e dos temas que o senhor lhe associou. Curiosamente, estou a ajudar a minha netinha mais “velha” a elaborar uma peça teatral sobre o “Capuchinho Vermelho” (acredite que é, mesmo, verdade)…


Permita-me três rectificações menores à sua resposta:


1-O primeiro “ressuscitado” foi Lázaro;


2-Vermelho é o Benfica mas, por ordem de Salazar, passou a ser “encarnado”;


3-O COL sempre foi “grenat”, porque, quando foi fundado, não lhe foi permitida a cor “encarnada”, quanto mais a vermelha.


Um abraço vermelho (só para sua “danação”).


Carlos


deixado a 7/1/12 às 21:48
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Rui F
O passado tira-te o discernimento.

Não fossem as nacionalizações e hoje pagavas o défice com o outro do velho avarento.


A.R.A
RUI F/ CAFC & ... FADO ALEXANDRINO

Ao 1º; o meu obrigado pela partilha e o porque de não entender assim? Lembrar aqueles que verdadeiramente pensaram um Portugal com gente dentro, por muito que sejam alvo de "esponjas historicas", jamais serão apagados da memoria colectiva das gentes de Portugal ou, como no caso de Pedro Osorio, mesmo que a generalidade não o lembre, havera sempre alguem que o faça por todos nós pois foi mais um pedaço da nossa cultura que partiu.

Ao 2º; camarada, hoje estou como os champos com respostas de 2 ou de 3 em 1 (tal como te respondi no post dos maçons) e assim sendo, como seria util reavivar a memoria de Vasco Gonçalves e retomar o nosso ido debate para o bem e para o mal ... de muitos!!!

Ao 3º; Fado, bem sei que recalcamentos necessitam de um escape que nem sempre respeitem a logica das coisas mas não é com redundancias irracionais que consegue ser acertivo no culpado. Se não le o Avante! pela sua tinta pestilenta, cuidado com o que le para melhor enquandrar o que viveu pois ainda terá o mesmo destino dos monges de Umberto Eco no livro "Em nome da rosa" ... a sua "divina comedia" será, a bem da nação, algo que qualquer reedicção terá um destino menos pacifico e com menos flores ... para com os subservientes do "monstro"!

Aquele Abraço
A.R.A



Obrigado.

 

Não tenho recalcamento nenhum limito-me apenas a sorrir perante certas verdades e verifico que quase quarenta anos depois (falta pouco para meio século) todos, Metrópole e Colónias estão piores. Deixou de haver ditadura (nalguns sítios) mas a dita mole às vezes magoa mais como os senhor e CAFC amplamente mostram.

 

Claro que percebeu que aquilo sobre o Avante era uma brincadeira mas et pour cause jornal comprado e lido em mão só "A Bola".



cafc

Caro fado alexandrino


«(…) mas a dita mole às vezes magoa mais como os senhor e CAFC amplamente mostram.»


Considero interessante a sua tendência para “baralhar e dar de novo”. Recordo-me do jogo de cartas mais apreciado na Rua da “Metrópole” em que eu morava, quando era um “puto” imberbe (não creio que fosse praticado nas “Colónias”, porque a alfabetização superior teria mais tendência para o bridge). Muito resumidamente, consistia na “bisca”, com a constituição de três equipas, cada uma delas composta por três jogadores. Tinha três partes que me agradavam imenso: O jogo era falado, cada equipa elegia o seu “chefe” e logo no início, os “duques” eram retirados do baralho…


Um abraço.


Carlos


deixado a 9/1/12 às 16:59
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A.R.A
FADO ALEXANDRINO

As "certas verdades" que enuncia nunca foram absolutas e é neste pequeno grande pormenor que as nossas visões se distanciam pois a "minha" verdade é coerente com aquilo que eu penso e, por conseguinte, vivo. Já no seu caso, lamento, mas se ha uns tempos atrás aquando da greve geral se "vangloriava" que para além da boa vida que leva a greve não lhe fez grande moça no seu "dolce fare niente" modo de vida, não sei em que moldes faz tal comparação entre a "metropole" de então  ... e o agora.

A ditamole????
Fado creio que no seu caso é mais a mágoa ( e não recalcamento) que magoa e não um possivel "update" democratico (?) da versão original.

Contudo, é sempre um prazer partilhar consigo uma simpatia por um clube que mesmo assim nos diferencia, pois, para si são encarnados e para mim sempre foram ... vermelhos!

Aquele Abraço
A.R.A

ps- Gostaria que aceitasse o repto do CAFC pois um debate só o é verdadeiramente quando existe lugar ao contraditorio.


Muito obrigado a ambos.
Não é este o lugar para mais debate, o post vai longo e o assunto é outro.
Na tropa jogava, raramente, a lerpa no sociedade civil era o "King" nunca desci à sueca mas também nunca subi ao bridge.
Era um colonialista atípico, trabalhava e os meus Pais também colonialistas ainda trabalhavam mais do que eu.
E, gritemos em comum, não vemos de momento ninguém à nossa frente, Glorioso SLB.

deixado a 9/1/12 às 22:06
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cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


Teremos, certamente, a oportunidade de retomar esse debate, porque, como “toda a gente sabe”, somos especialistas em “abardinar” temas de “posts” e depois, ficamos a falar sozinhos.


Sugiro, como referi ao amigo Rui F e reafirmei ao fado alexandrino, que fique para um pouco mais tarde, dado que, aqui, já “saltámos” da subserviência dos jornalistas para a homenagem ao Pedro.


No entanto, vou deixar este “link”:


http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Cronologia (http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Cronologia)


Servirá para rever a cronologia dos factos e cujo desconhecimento ou esquecimento, podem conduzir a uma visão (mais ou menos distorcida) do que, na realidade, se passou. Esperemos que, quando chegar a hora do debate, haja mais participação. Sabes que, muitas vezes, chego a pensar que o “nosso” Povo necessita de uma catarse, embora tardia (“provocação”, pois claro!)?


Beijocas do bando.


Aquele Grande Abraço Camarada.


Carlos


NOTA: Mais uma, antiga, do Pedro:


http://www.youtube.com/watch?v=uUZBaDf26fQ (http://www.youtube.com/watch?v=uUZBaDf26fQ)



A.R.A
CAFC

Mais uma vez, camarada, apresentas um link de uma organização que, para certas pessoas, é pejada de comunas com "certas verdades" que provocam riso naqueles que são detentores da verdadeira "verdade".

Mas .... Uiiii! Ainda falta muito para a Catarse, camarada.

Pensava eu que depois de 48 anos de Pathos (sofrimento), seguido pelo Ágon(conflito) por causa do nosso mal fadado Ananke (o sacana do Destino), pelos vistos, para mal dos nossos pecados, ainda vamos na Peripecia quase, quase a entrar na Anagnorise (o reconhecimento de que os actores politicos saidos do chamado Bloco Central são incompetentes e incapazes de cumprir com os seus deveres de governação).

Portanto, ainda nos falta passar pela Catastrofe, a suma de todos os elementos da tragedia até chegarmos a tua "provocação", a Katharsis ... a catarse de um sucedaneo de momentos da nossa Historia recente que, por mal resolvidos que foram, criaram sempre entraves ao progresso evolutivo do nosso povo em democracia mas que a constatação e resolução de tais momentos nos levarão à purificação das emoções e paixões de um povo demasiado estratificado para se conseguir pensar como um todo.

Estás a ver, olha só o 31 que tu me foste arranjar, só pelo facto de me "provocares"!

Aquele Grande Abraço Camarada
A.R.A





cafc

Meu caro amigo Pereirinha (A.R.A)


 “Confessa” que até gostas destes “31”! Deixaste-me “despalavrado” e por isso, respondo-te com música:


http://www.youtube.com/watch?v=5qgbIZxN8fc&feature=related (http://www.youtube.com/watch?v=5qgbIZxN8fc&feature=related)


Espero que, neste, não haja tantos “comunas” como no “link” que referes e desta vez, “fechas tu a porta”, porque, a partir de agora, já temos o Catroga para “apagar a luz”.


Aquele Grande Abraço Camarada.

Carlos


A.R.A
CAFC

Sim, é verdade! Fui apanhado, pois realmente muito de quando em quando dá-me para estas "peneiras" eruditas e como me deste o mote certo ... não aguentei!

O meu muito obrigado pelo momento sublime com que me presenteaste e, coincidencias das coincidencias, estive para incluir excertos do livro "Humano, demasiado humano" de Nietzsche antes de enveredar pelos elementos da "Tragedia Grega" para responder a tua "provocação".

Contudo, como não há bela sem senão, o teu ludico momento musical veio desanuviar a dor de cabeça com que fiquei depois da adaptação "abardinada" da "Tragedia ... á Portuguesa".

E ... Pum catra pum!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(isto fui eu a fechar a porta com veemência não vá alguem se lembrar de entrar em cima da hora do fecho da "loja" ... pronto lá estou eu, outra vez, a "provocar-te")

Aquele Grande Abraço Camarada
A.R.A

 

deixado a 10/1/12 às 21:43
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xuxu
Não há almocos grátis.

Muitas pessoas querem informacão "gratuíta", acharam bem que acabasse a taxa de televisão.

Ora informacão plural custa dinheiro. Se são os anunciantes que pagam, se a informacão está na mão do poder económico então o preco é precisamente o pluralismo e o rigor.

Querem informacão de qualidade então paguem. Por exemplo com doacões. Ou então com impostos para servico público (com o preco adicional de ter que fazer vigilância cidadã sobre os media públicos).

Informacão "grátis", paga por anunciantes e nas mãos do grande capital dá nisto...

deixado a 6/1/12 às 11:28
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José
Assim se vê a RTP, cada contador (de electricidade) paga 5 euros por mês, para uma televisão do governo... eu é que devia ser o provedor...

deixado a 6/1/12 às 15:05
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Nuno
A "subserviência" estende-se a mais que o poder económico... basta ver a deferência em relação a alguns decanos da política, e d outras áreas da nossa sociedade. Deve ser algo relacionado com o respeito pelos mais velhos" ou por "quem se fez alguém na vida".


Já agora, não lhe fica bem tratar o dito senhor por merceeiro, em primeiro lugar porque ele faz mais que gerir uma mercearia, em segundo, porque faz mal em relacionar a actividade de merceeiro com a de pessoa pouco culta, logo irrelevante do ponto e vista da opinião.

deixado a 6/1/12 às 11:29
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PedroM
"Já agora, não lhe fica bem tratar o dito senhor por merceeiro"
Primeiro, porque é contraditório: é suposto "gostarem" muito deles e fazerem lá as suas comprinhas. Devia ser um elogio...

A verdade é que esse tipo de adjetivação é a maneira de uma certa gente manifestar a sua auto-proclamada superioridade ética, moral e intelectual. Aliás, foi mesmo posta em tese num patético post do Daniel essa teoria ariana da superioridade da raça dessa esquerda dele sobre a restante plebe.
Não reparou que o mesmo se passou em relação a Steve Jobs? A fúria com que tentaram renegar a genialidade e criatividade do homem (essa coutada só deles), apenas por ter sido um empresário também?

Por fim, lá resvalou o Daniel sem querer para o seu "ethos", ao mostrar o que realmente pensa daqueles que supostamente defende. Quando quer insultar alguém como SdS, nada melhor que usar a sua suposta base de apoio eleitoral. É lindo.


Rui F
Ora essa

Um merceeiro, nunca é chamado de empresário.
Mas um tipo que tem uma cadeia de supermercados (até se pode discutir aqui a qualidade dos escrúpulos com que essas cadeias tratam sob o ponto de vista empresarial, os produtores Nacionais) não pode ser adjectivado de merceeiro, sob pena de estar a ser mal tratado "espiritualmente"!

E porque o empresariado Português, de uma maneira geral é reconhecidamente medíocre  internacionalmente (mal preparado, baixa escolaridade relativamente aos empregados, etc, etc, etc), e há malta cá que sabe ler estatísticas e tem olhos na cara para constatar o óbvio, há uma certa direita demasiado pequena que defende o indefensável, atirando pedradas a tudo o que mexa.

São chamados os argumentos das crianças mimadas.

Esta direita Portuguesa não é apenas medíocre sob o ponto de vista intelectual. É pior. É mesquinha.


PedroM
"E porque o empresariado Português, de uma maneira geral é reconhecidamente medíocre  internacionalmente (mal preparado, baixa escolaridade relativamente aos empregados, etc, etc, etc)"
Pois é, a maior parte desses "medíocres" eram meros trabalhadores que se fizeram à vida e arriscaram. Pelos vistos apenas serviam a essa esquerda, esses idiotas úteis, quando eram "proletários".

"
Esta direita Portuguesa não é apenas medíocre sob o ponto de vista intelectual. É pior. É mesquinha."
O que dizer então dessa esquerda intelectualmente superior e altamente preparada e capaz que não consegue nem aspira a mais do que trabalhar para esse tal patronato medíocre de direita mesquinha?

deixado a 9/1/12 às 11:32
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Hippo
Pingo Amargo

Por Alfredo Mendes (jornalista) via blog A Devida Comédia do jornalista Miguel Carvalho

O sr. Soares dos Santos foi inúmeras vezes entrevistado em atitudes de notória subserviência e mordomia por parte dos entrevistadores. Debitou, então, moralidade, patriotismo, sentido de justiça, medidas salvíficas para o País, pedindo rigor nas contas públicas, seriedade na política, justiça social e outras palavras bonitas e de belo efeito televisivo. Depois, apareceu em público a insultar o anterior primeiro-ministro e a bajular o actual. Seria, no mínimo, um serviço prestado à decência e ao País que os jornalistas recordassem as principais declarações do homem mais rico de Portugal, da sua vanglória ao anunciar fabulosos lucros, do seu amor a Portugal e aos pobrezinhos e do seu posicionamento político-partidário. Lembro, igualmente, o empresário Belmiro de Azevedo em comícios de apoio a Passos Coelho, a dizer, na altura, que quando um povo tem fome compreendia que roubasse para comer. Vi e ouvi o empresário, o gestor, o presidente da Associação Comercial do Porto, o analista político e desportivo, o colunista e comentador residente do telejornal “Hoje”. Na sua proverbial quanto acérrima e radical defesa dos possidentes, do mais feroz neoliberalismo, o dr. Rui Moreira, “Rui” para a jornalista, banalizou a medida do sr. Soares dos Santos, sustentando que os mercados não têm alma. E que ele próprio, se pudesse, colocaria uma matrícula estrangeira no seu automóvel (pelo menos um deles é um Jaguar descapotável). Bom, humildemente proponho que todos os contribuintes portugueses passem a descontar na Holanda, a comprar produtos comerciais do estrangeiro, assaltando, para matar a fome, o Continente. Entretanto, vou ler mais um capítulo do livro de Luíz Pacheco, “Puta que os pariu”.

deixado a 6/1/12 às 11:31
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JEM
O caso Jerónimo Martins pode gerar dois tipos de debate.


- O negativo e mesquinho. "Terá a actuação de Soares dos Santos sido imoral? É um hipócrita?"


- o positivo e construtivo. "Porque motivo fogem as empresas de Portugal e não conseguimos atrair investimento? O que podemos fazer para ter sucesso a atrair investimento como os Holandeses?"


Cada um escolhe o debate que quiser.

deixado a 6/1/12 às 11:36
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Apophis
O Soares dos Santos ser hipócrita não é uma questão de estilo (negativo e mesquinho). É um facto.

Na dúvida, ir ver a definição de hipocrisia.

Tudo o resto são desculpas para adoçar o facto de uma pessoa que teve e tem influência na vida pública, e conseguiu ter o dom de influenciar a opinião dos cidadãos através de um discurso demagógico, ser um rematado hipócrita.

deixado a 6/1/12 às 12:34
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PedroM
O problema é que partidos como o PCP e BE não têm representação no mundo empresarial. Não têm altos quadros empresariais  e muito menos empresários. São o que são: partidos sectários que, por não terem essa vertente essencial das sociedades democráticas ocidentais, têm que ainda se agarrar ao chavão da "luta de classes".
Para eles, existe "proletariado" e "patronato"; coisas incompatíveis. O Bem e o Mal.
Daí só haver espaço para o primeiro tipo de debate.


Alexandre Carvalho da Silveira
Parece que a historia se repete, não é? no sec XVI expulsaram os judeus ( que eram os donos dos negocios), pensando que os judeus iam e os negocios ficavam. (nas mãos dos que os expulsaram, é claro).
Mas os judeus foram e levaram os negocios e o dinheiro com eles. Anos passados vieram os Felipes, depois a restauração e apesar do ouro do Brasil nunca mais este pais se endireitou. E já lá vão 500 anos.
Alguns eminentes economistas  defendem que para se perceber a politica e a economia tem de se estudar historia. Não faria talvez mal aos que têm comentado este caso com base na falta de moral e de etica se aprendessem um pouco de historia.

deixado a 7/1/12 às 12:32
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João Cerqueira
É assim que se deve colocar a questão - deixando de lado a figura de Soares dos Santos.

Por que será que a Holanda acolhe as nossas melhores empresas, tal como no passado soube acolher os judeus expulsos de Portugal?
De certa forma, a História repete-se, não sob a forma de farsa certamente, mas, pouco a pouco, como uma nova tragédia - desta vez para os que ainda vivem em Portugal.
E que diria de tudo isto Bento de Espinoza se fosse vivo?
Que a Jerónimo Martins também faz parte da natureza divina?

deixado a 6/1/12 às 14:04
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Nightwish
Claro, e quando a Bélgica baixar o IRC para 18%, lá vai ter a Dinamarca que baixar para 17%. Depois a Dinamarca baixa para 15%, a Bélgica para 13%. Quando depois tem problemas de dinheiro, sobe para 16% ficam como a Irlanda.
De construtivo, tem exactamente 0%.

deixado a 6/1/12 às 14:37
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Daniel,

Só uma sugestão. Porque não fazer aquilo que reclama (não sendo jornalista, sendo comentador, não tem que fiscalizar o seu próprio poder??) e apontar os casos concretos? É que para aqueles que não considera seus pares é sempre incisivo - foi aquele. Para estes, a coisa vai dispersa. Diga, foi aquele que fez isto!

deixado a 6/1/12 às 11:39
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DavC
Assim de repente vem-me à memória um tal de José Gomes Ferreira, no programa Negócios da Semana. Mas era útil o Daniel Oliveira apontar os casos a que se refere, para nós não termos que andar para aqui a especular...

deixado a 7/1/12 às 14:30
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ana cristina

análise certeira e indispensável. a forma como a grande maioria dos jornalistas andam a trabalhar, quaisquer que sejam as razões,  tornou-se um sufoco. e um fortissimo contributo para a paralisia generalizada de neurónios.

deixado a 6/1/12 às 11:42
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Ana Pereira
O procedimento do empresário em causa pode ser imoral é certo,mas se lermos os jornais económicos todos os dias eu diria que é dificil neste País gerir o orçamento familiar quanto mais os das empresas.

deixado a 6/1/12 às 12:02
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PedroM
Apliquemos esse raciocínio a si, Daniel: que tal ir buscar ideias e escritos do tempo em que apoiava e militava num partido que defendia os mais abjetos regimes e ideologias e comparar com a sua conversa de hoje sobre sindicatos, democracia, liberdade e sei lá que mais? Comparar as suas posições - pessoais e partidárias - e apontar essas contradições e hipocrisias que tanto gosta de ver apenas nos outros? Seria giro.

Presumo que esses sejam os mesmos jornalistas que não confrontam a esquerda radical com os regimes criminosos que defenderam e defendem? Que se agachem, por ex, quando uma qualquer vaca (uso o termo carinhosamente, como o Sérgio usa "ratazana" ao falar de SdS) no parlamento insulta os portugueses através desses mesmos jornalistas, gozando na cara deles, ao dizer que não sabe de nada sobre os crimes contra a humanidade cometidos pelo partido em que milita, porque deve ter faltado a essas aulas? O que diria o Daniel se o mesmo fosse dito por deputados no parlamento acerca de Hitler, Nazis e Holocausto?
Pelos vistos, ver gente desta ser entrevistada e "onde nada de difícil, embaraçoso ou aborrecido é perguntado" não parece afinal incomodá-lo assim tanto.

deixado a 6/1/12 às 12:06
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Apophis
A subserviência jornalística é um dogma. Como se fosse possível o empregado intimidar o patrão. Os jornalistas deviam fiscalizar-se, mas depois penso no sindicato de jornalistas e tenho vontade de rir.

Ainda ninguém chamou o Soares dos Santos de hipócrita. A única diferença entre o hipócrita Soares dos Santos e, por exemplo, o hipócrita Fernando Nobre, é que o primeiro fez um favor aos políticos do PSD, e o segundo queria que os políticos do PSD lhe fizessem um favor.

deixado a 6/1/12 às 12:22
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