Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

Em Iquitos, na Amazónia peruana, os magalas, afetados pelo clima e pela abstinência, andavam com os nervos em franja. De todos os povoados chegava a mesma queixa: os soldados dedicavam-se ao estupro indiscriminado (se é que há outro), manchando a honra da mulher amazónica e o bom nome da instituição militar.O Exército, alarmado, decidiu tomar medidas radicais. Garantir um serviço de prostituição capaz de chegar aos mais isolados aquartelamentos da selva. Um bordel castrense e nómada, por assim dizer. Para dirigir tão delicada tarefa chamaram um dos mais organizados, discretos, disciplinados e regrados dos seus oficiais: Pantaleão Pantoja. Um homem sem mácula para uma missão sensível.

 

Em poucos meses, a operação estava montada com milimétrica precisão militar, escapando, até ao último momento, ao obstinado Pantoja o absurdo da sua função. "Panta" tinha, ao serviço da Nação, um dedicado grupo de civis. As suas "visitadoras". Não era apenas um eufemismo. Elas partiam em embarcações e, ao longo do rio Amazonas, onde houvesse soldadesca aflita, as suas necessidades seriam satisfeitas em troca de parte do seu pre, que revertia para o SVGPFA (Serviço de Visitadoras para Guarnições, Postos de Fronteira e Afins). A bem da Pátria, Pantaleão montara um eficaz serviço de prostitutas ao domicilio. A mais bem estruturada das divisões das Forças Armadas peruanas.

 

A deliciosa história de Vargas Llosa tem um paralelo nacional. O primeiro a defender a necessidade de um serviço visitadoras português foi um oficial de baixa patente mas, ainda assim, um estratega visionário: João Duque. O oficial a quem foi entregue esta tarefa, o nosso Pantaleão Pantoja, chama-se Miguel Relvas. Visitadoras, por enquanto, só temos uma: a Rádio e Televisão de Portugal. Ainda assim, a missão confiada por Relvas à sua primeira recruta não pecou por falta de ambição. O primeiro destino não foi um pequeno aquartelamento do rio Amazonas, mas uma capital africana no extremo sul do Atlântico, onde um insaciável e exigente cliente a esperava. Relvas mostrou a visitadora, ela fez o serviço e agora espera-se que o visitado compre definitivamente o produto. Outros do ramo, no sector privado, já tentaram este expediente para resolver os seus problemas de tesouraria. Mas nunca com tanto arrojo como o nosso Pantaleão Relvas.

 

Como a coisa aconteceu aos olhos de todos (Relvas simpatiza com a filosofia holandesa da exibição em montra), todos testemunhamos este momento. Ficámos, apesar da libertinagem, com uma sensação de ter entrado numa máquina do tempo. Vendo o programa especial "Reencontro" (16 de Janeiro), organizado pela RTP e transmitido em direto de Luanda, pudemos sentir o velho odor da televisão pública do Estado Novo. Nem no período em que era a única televisão disponível se atingiu tais níveis de pornografia. Aliás, desde a escandalosa transmissão do "Império dos Sentidos" em canal aberto que o país não assistia a uma coisa que tão facilmente chocasse as almas mais sensíveis.

 

Confesso: o voyeurismo é o meu pecado. E se a nossa democracia oferece as suas vergonhas ao primeiro mafioso disposto a pagar, que ao menos o faça à frente de todos. E fez. Tal como as visitadoras, a entrega foi ao domicílio. E o nosso Pantaleão assistiu, ao vivo, ao estimulante momento.

 

Por ali desfilaram corruptos engravatados e mafiosos bem falantes. Com o pudor de estreante no submundo de Relvas, Fátima Campos Ferreira, quase pedindo desculpas, ainda fez uma leve e cuidadosa referência à corrupção. Mas todo o programa aconteceu como se em Angola houvesse democracia, sociedade civil livre e empresas detidas por gente que não seja do MPLA ou ligada às forças armadas.

 

O serviço foi completo e fez-se com toda a higiene e segurança. Não houve, ao contrário do que costuma acontecer por esta espelunca, espaço para opositores, críticos ou indignados. Naquele estabelecimento o ambiente foi o melhor. O cliente estava visivelmente satisfeito e parece-me que vai voltar. No fim, quase posso garantir, vai ficar-nos com a primeira visitadora. Mas Pantaleão Relvas não terá descanso. Ainda há tantas pedacinhos da nossa democracia para vender. A liberdade de imprensa é só o primeiro. Tal como Pantaleão, Relvas dá o seu melhor pela Nação. Tal como Pantaleão, escapa-lhe a incompatibilidade da função de governante com o lenocínio.

 

A coisa foi há mais de uma semana, é verdade. Mas venho a este tema porque só ontem se soube como o que era, teoricamente, defendido por João Duque (a censura a quem ponha em causa os negócios deste governo), é já política oficial na RTP. Pedro Rosa Mendes - jornalista e escritor, que conhece bem Angola - fez uma violenta  crítica àquele programa no seu espaço de opinião na Antena 1. Foi despedido dias depois. Por essa razão. É esta a lei de Relvas.

 

Espero agora a reação de alguns jornalistas mediáticos que, nos últimos cinco anos, fizeram um justo combate contra a asfixia democrática. Estou seguro que Rosa Mendes contará com a sua solidariedade empenhada. Aquela que se rege por valores democráticos e deontológicos sem olhar a cores partidárias.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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38 comentários:
JgMenos
Putas sempre as houve e sempre as moveu o dinheiro, com maior ou menor 'estado de necessidade'.
E não fique por dizer que quem nos colocou neste estado de necessidade é quem mais deve ser responsabilizado pela nossa prostituição.
E não fique por dizer que são os mesmos, com um mesmo radical ideológico, que tudo fizeram para colocar esta camarilha angolana no poder.
MPLA, Vitória ou Morte!
Foi vitória, aí os têm...

 

deixado a 25/1/12 às 11:29
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antónio pedro pereira

JgMenos:

 

«E não fique por dizer que quem nos colocou neste estado de necessidade é quem mais deve ser responsabilizado pela nossa prostituição.»

 

Estará o meu caro a pensar no mesmo que eu?

Duvido.

Sugiro-lhe então que veja, com olhos de ver, a seguinte informação:

Consulte os dados sobre as taxas de crescimento do PIB de 1961 a 2008 (dados do Banco Mundial disponíveis na Net), o gráfico do crescimento da dívida pública de 1980 a 2010 (publicado no suplemento Economia do jornal Expresso em 19/03/2011, a partir de dados do FMI e do BdP) e o desequilíbrio da balança comercial na % do PIB entre 1910 e 2010 (no blogue Desmitos, do ministro da Economia Álvaro Santos Pereira) e terá muitas surpresas. Aí verá as verdadeiras razões do estado do nosso Estado.

Esta pulhice do tipo rivalidade Porto x Benfica ou Benfica x Sporting não nos leva a nada.

Vá por mim.

 

P. S. Se tiver dificuldades em encontrar o material que lhe indico, deixe-me aqui um endereço de e-mail (nem que seja criado apenas para esta finalidade, no gmail, por exemplo, é fácil e grátis criar um endereço de e-mail) que eu envio-lhe tudo prontinho a ler.



JgMenos
A mão estendida vem da dívida, e fala-me em PIB!!!
O PIB pode ser construído a partir do consumo sustentado na dívida!
E sabe que de 1950 a 1974 a produtividade aumentou à taxa média anual de 1,5%?
Não me venha com números, traga algum bom senso a esta mediatização da demagogia que nos esmaga!


antónio pedro pereira

Senhor JgMenos:

 

O senhor diz: «A mão estendida vem da dívida, e fala-me em PIB»

A mão estendida vem de se gastar mais do que se produz, o que aumenta a Dívida Pública. E o que se produz mede-se pelo PIB: não são 2 coisas independentes.

Embora haja outros factores a ter em conta, como a balança de transacções externas, importantíssima, pois o PIB, de facto, pode ser construído artificialmente a partir de consumo interno com graves problemas na balança de transacções externas se não se produzir o suficiente.

Mas não é indiferente o crescimento do PIB, os países emergentes, que estão a crescer 7%, não têm Dívida Pública preocupante, nem défice excessivo e os europeus praticamente todos, que estão a crescer apenas décimas (ou a mesmo a decrescer alguns) estão com graves problemas de défice e/ou de Dívida Pública.

Quanto a demagogia, eu vejo muita, normalmente movida por ódio ideológico contra toda a racionalidade dos indicadores económicos objectivos.

E o ódio cega as pessoas nas suas análises.

(continua)


deixado a 25/1/12 às 19:21
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antónio pedro pereira

(continuação)

É preciso entrar em linha de conta com todos os indicadores económicos objectivos nas nossas análises e ver também as tendências e médio e de longo prazo dos países.

Por isso lhe falei nos 3 indicadores: o crescimento do PIB de 1961 a 2008 (dados do Banco Mundial disponíveis na Net); o gráfico do crescimento da dívida pública de 1980 a 2010 (publicado no suplemento Economia do jornal Expresso em 19/03/2011, a partir de dados do FMI e do BdP); o desequilíbrio da balança comercial em % do PIB entre 1910 e 2010 (disponível no blogue Desmitos, do ministro da Economia Álvaro Santos Pereira).

Estes 3 tipos de indicadores dizem-nos para onde temos estado a caminhar desde há muitos anos, os últimos dez, embora tenham sido os piores, são mais uma consequência dessa tendência do que determinantes eles próprios da tendência.

E o agravamento dos últimos 10 anos não é alheio à entrada no euro nem à actual crise que afecta quase todo o mundo, excepto os países ricos em energia e noutros recursos (Brasil, China, Índia, etc.)

E é verdade que o despesismo e o beboche do Estado só têm agravado as coisas.

Mas eu costuro exemplificar que um poupadinho pode ter dívidas e um gastador não ter. Tudo depende da relação entre os rendimentos e as despesas.



antónio pedro pereira
Correcção:


despesismo e o deboche do Estado

deixado a 25/1/12 às 20:50
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Só aguentei a 1ª parte: foi "nojenta" a bajulação de Relvas ao poder do Dos Santos (petróleo, diamantes, dinheiro) - Angola coloniza Portugal e Portugal trabalha com gente corrupta e de mãos manchadas de sangue.

deixado a 25/1/12 às 11:29
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Anónimo
"Espero agora a reação de alguns jornalistas mediáticos que, nos últimos cinco anos, fizeram um justo combate contra a asfixia democrática"

hehehe, coitadinho, Oliveira. Espera mais bem sentado...

deixado a 25/1/12 às 11:46
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Falcão
Pois é Daniel...

Obviamente subscrevo inteiramente o seu post... mas acrescento uma coisa.

Ao contrário de si eu sei [garantido] que o cliente vai ficar-nos com a primeira visitadora.

E isto já tem barbas com 1 mês e tal ou mais.

DICA - Lembre-se de outros meios de comunicação portugueses [privados] que já lá estão há uns tempos exactamente [ou mais ou menos] pelas mesmas razões.

P**a que os pariu!

deixado a 25/1/12 às 12:23
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José Silva

Em Santa Margarida, já lá vão uns bons anos; havia uma só mulher para atender uma Companhia, trabalhava com todo o seu afã, de pé. Os Soldados de pé, ficavam realizados. Limpando com um trapinho ela atendia mais um cliente. Se Miguel Relvas souber da existência destas mulheres trabalhadoras, é capaz de as mandar para Angola em missão de Paz, para que os nossos irmãos Angolanos estreitem cada vez mais os laços que nos unem e deixaremos de as ver à beira das nossas estradas:

Lá vai em missão de Paz/a dona com a passarinha/leva consolo a um rapaz/que dantes nunca o tinha:)

Eugénio dos Santos


deixado a 25/1/12 às 12:44
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Quando em junho passado este governo tomou posse, eu fui dos que publicamente estiveram contra a nomeação do Relvas, para mais com a responsabilidade dos media publicos. E escrevi isso mesmo em comentarios que fiz em varios blogues.
Posto isto caro Daniel, se começa a falar das "putas" que abundam nos media, não lhe chegam cem posts no Arrastão, cem cronicas no Expresso, nem cem "Eixos do Mal". E não são só os da RTP; estão em todo o lado e vendem-se por um qualquer prato de lentilhas. Eu defendo que o 1º canal da RTP deve ser privatizado, e a RDP e a LUSA, porque medias publicos hão-de estar sempre ao serviço do governo em funções.
E aproveitando a analogia que fez, sempre lhe digo que tenho mais respeito por aquelas senhoras que ganham a vida na recta de Pegões, do que pela generalidade dos jornalistas portugueses.
Quem é que dividiu os jornalista portugueses em tres categorias?: os que já foram acessores do governo, os que são acessores do governo, e os que querem ser acessores do governo. Deste ou de outro qualquer!

deixado a 25/1/12 às 12:53
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PedroM
"os que já foram acessores do governo, os que são acessores do governo, e os que querem ser acessores do governo"
Sim mas não confine o servilismo e subserviência política apenas ao "governo" mas sim aos partidos. A todos. A diferença é que alguns não têm hipótese de lá chegar mas em termos de independência jornalística, é a mesma coisa.

Não entendo esta ladaínha constante do Daniel; não é óbvio que qualquer patrão/accionista quer que a sua empresa proteja os seus interesses/negócios? Por que razão seria diferente com empresas de comunicação?
A questão é que não as devia deter.


deixado a 25/1/12 às 13:10
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PedroM
Liberdade de imprensa seria um jornal do Daniel com o Tonibler como chefe de redacção...

Quer ser "livre"? Seja-o com o seu dinheiro. Ou de investidores que partilhem o seu projecto; a sua visão. Não deve ser difícil, pois não?
Se um músico quer ser "livre", não vai trabalhar para uma editora multinacional, cuja orientação principal são as vendas e os tops. Procure uma editora independente ou crie ele uma.

Quer um jornal "contra-poder"? Devia olhar para o Paulinho das feiras e fazer o seu "Independente". Com o estatuto sócio-económico que o Daniel, o Louçã e tantos outros da sua esquerda possuem, não deve ser coisa difícil. Basta largarem o conforto da vida burguesa de empregados de luxo e das altas, vitalícias e intocáveis benesses da vida política e arriscarem tudo, como muitos o fazem.

Não só teria o Daniel o jornal isento e livre que proclama mas sobretudo uma empresa certamente viável e lucrativa, onde podíamos finalmente ver em prática toda a teoria que apregoam: jornalistas livres, a poderem escrever o que lhes apetecer sobre os accionistas e seus negócios; bons salários e regalias sociais, ao nível da Alemanha... E aposto que seria uma cooperativa. Com um economista do calibre de Louçã ao leme não tinha como falhar.

É destes exemplos práticos que o povo está à espera para que a mudança seja possível e não de retórica que apenas serve como base de sustento a quem vive de arrotar postas de pescada precisamente nessa comunicação social de interesses económicos.

(outra discussão é saber se faz sentido um desses "patrões" ser o estado)

deixado a 25/1/12 às 13:01
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A.R.A
PEDROM

Pedro ... (pausa) ... ao estilo do seu amigo Tonibler vou "tentar" faze-lo compreender o seguinte:

A RTP e a RDP são empresas publicas e não propriedade do governo, que são sustentadas tambem por erário publico, ou seja, com o meu dinheiro e assim sendo espero ... não, exijo que o serviço publico por mim pago não seja alvo de qualquer tipo de "escrutinio" e ou censura relativamente a isenção no tratamento das noticias ou artigos de opinião assim como na liberdade dos seus agentes ao transmiti-las, sejam elas do meu agrado ou não!

Quando o Pedro paga em duplicado pelas empresas em questão, com a famigerada contribuição de audiovisuais na factura da EDP, e não consegue conceber a basica noção de que o esta a fazer para um serviço publico, pouco ou nada poderei acrescentar ao seu ... raciocinio, mas ao reparar  que até sabe juntar palavras de forma inteligivel para contrapor de forma boçal a uma critica da censura que se esta a instalar no serviço de comunicação PUBLICO com:
(...)Quer ser "livre"? Seja-o com o seu dinheiro (...) só posso acrescentar o seguinte:
- Quer ser obtuso? Seja-o em privado.

A.R.A


 


PedroM
A.R.A....(pausa maior ainda)... O que "compreendi" do que me quis "ensinar":

1. Exige que as empresas públicas "não sejam alvo de qualquer tipo de "escrutinio". Alberto João Jardim pensa o mesmo e agradece.
2. Ao contrário do que PCP/BE defendem, diz você que o estado (através de quem o representa - o governo) nada tem que interferir no caminho e orientação das empresas públicas - sejam elas a RTP ou a REN.
3. As empresas públicas "
são sustentadas tambem por erário publico, ou seja, com o meu (seu) dinheiro". Claro, e com o meu dinheiro também. Com o de todos.
Dentro dessa lógica, explique melhor como é que acautela então as "exigências" dos contribuintes com opiniões opostas às suas.
4. "
e não consegue conceber a basica noção de que o esta a fazer para um serviço publico".
Bem sei. Estou a pagar ao gordo do "Preço Certo" e a tantas outras "vedetas" semelhantes que ganham tanto ou mais que os "boys" com cartão partidário. Esses, ao menos, não cagam moralismos.
Porém, a um Carvalho da Silva já não lhe faz qualquer problema que o "erário público" seja usado para lhe pagar 2.400€ por mês por 4 horitas a debitar opiniões. Nem o Mexia deve ser pago assim à hora!
5. Pagar mais impostos encapotados com o nome de taxas parece-lhe bem, sejam eles para os audivisuais ou a SNS. Ao menos as taxas moderadoras só são cobradas a quem utiliza o serviço.
6. "Quer ser obtuso? Seja-o em privado."
Foi o que fiz. Ao contrário de si, que se acha no direito de o ser usando meios públicos pagos com o dinheiro de todos. E pelos vistos, bem pagos com'ó Carvalho!

O que não percebeu foi a frase que deixei no fim. O grande problema neste caso não é só tratar-se duma empresa pública: é ela ser um órgão de comunicação social. Deve o estado deter órgãos de comunicação social?

No fundo, o estado agiu tão "democraticamente" como o PCP para com qualquer um que escreva no "Avante" e se desvie das orientações do patrão. Isso é válido para qualquer órgão de comunicação - seja ele do governo, autarquias, partidos, clubes de futebol ou grupos privados.
A questão é que a informação dos órgãos estatais devia se "apolítica", apenas relatando os acontecimentos sem qualquer juízo de valor e dando igual destaque às várias partes envolvidas. Não sendo assim, resvala-se para a "censura".


A.R.A
PEDROM

Ensinar? Nada disso, o que fiz foi elucidar ... rima mas é diferente.

Para um discurso que se queria demagogo e de fuga para a frente, devo dizer-lhe que não foi bem sucedido pois achar que existe comunicação social "apolitica" com tanto canal privado é no minimo um discurso demasiado confuso e é por isso mesmo que é necessario um canal publico isento e livre.

Pedro, o Estado sou eu, é voçe e todos os restantes contribuintes da nação que elegeu um governo político do povo constituído dessa mesma nação para administrar o Estado, não para censura-lo!  

Mais, comparar o Avante! (orgão de comunicação partidario/ privado)  com a RTP/RDP (orgãos de comunicação publicos) demonstra como o Pedro insiste no erro na ansia de contrapor.

Enfim, escusava de ser tão extenso para encher esta caixa de dialogo com ... nada.

Teria sido mais facil afirmar que apoia a censura do governo porque sim e, nesse caso, não haveria mais conversa e assim escusava de passar uma imagem de tacanha pequenez perante um assunto que pouco ou nada havia a discutir num país que durante 48 anos viveu na sombra da censura.

Já agora, quer um lápis azul?

A.R.A


PedroM
"pois achar que existe comunicação social "apolitica" com tanto canal privado"
Não percebeu nada. Onde é que eu disse isso? Disse precisamente o contrário: todos os órgãos de comunicação social "obedecem" ao dono - seja ele o PCP: Media Capital; p Benfica ou a Empresa. Ou pelo menos, não "atacam" o dono.
O que disse é que não espero nada de diferente apenas porque o patrão ser o estado/governo - bem pelo contrário.
Daí dizer que no caso público, a informação devia ser "apolítica", apenas relatando os factos sem qualquer juízo (moral, ético ou político). Está claro?

Claro que o jornalista em causa foi calado. Houve censura. Onde é que eu disse o contrário? Apenas tentei mostrar o porquê e contrapor sobre a noção do que é ser um jornalista "livre" (ou músico, como exemplifiquei): mais livre se é quanto menos se depender dos outros.
Isto aplica-se particularmente bem à situação de Portugal face à Troika, não é?

"
demonstra como o Pedro insiste no erro na ansia de contrapor"
Não sei se é erro ou não mas admito o pecado de gostar de contrapor - mesmo quando não o faço por qualquer convicção particular mas apenas por isso mesmo: para contrapor. Por ver falhas na argumentação ou achar que há mais cor no meio além do preto e branco.
O que chateia são as reações pavlovianas tipo Bush: "Se não estão connosco estão contra nós!".

 


A.R.A
PEDROM

Quando se aceita a postura censurial do governo em funções sobre os media estatais porque acha que foi para isso que foi eleito e acreditar que a liberdade de expressão é algo que deva ser exclusivo da iniciativa privada, é uma ideia tão rebuscada que, realmente, não sei mais como lhe demonstrar a perigosidade de tal passividade perante os mais recentes "saneamentos" de jornalistas por delito de opinião.

Tal situação fez Historia em Portugal e por isso mesmo é que é imprescindivel que haja uma comunicação social estatal imune a tais pressões pois (e isto é algo que o Pedro não consegue conceber) só assim conseguimos vislumbrar algo para além de grupos de pressão capazes de manipular os destinos de uma nação.

Quando é o proprio Estado, através da sua pessoa colectiva que o gere (o governo) o primeiro a fazer um uso manipulador da propriedade intelectual dos agentes que são pagos com erário publico para condicionar a mais basica das liberdades é um sinal de alarme acerca dos verdadeiros intentos de um governo que aquando a sua eleição não foi explicito em relação ao que vinha, enganando em quem nele votou pois não acredito que alguém no seu perfeito juizo vote para viver em ditadura.

Na verdade, neste caso, não encontro zonas cinzentas visto que foi posto preto no branco os "ameaços" do tal conceito "pavloniano" que tão bem partilhou e que servem que nem uma luva para caracterizar este (des)governo:
"Se não estão connosco estão contra nós!".

A.R.A



deixado a 30/1/12 às 17:47
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a_preferida_do_piotr
Senhor Daniel Oliveira,

Peço respeitosamente que empenhe-se em arranjar maneira de colocar on line o vídeo do programa do dia 16 e a crítica mote para a medidas de "saneamento", para nós que não assistimos o vídeo podermos formar opinião.

Sabe, é que não suporto assistir a televisão portuguesa publica ou privada, é difícil para mim aturar a manipulação realizada pela generalidade dos jornalistas e ainda mais não indignar-me com as declarações dos nossos dirigentes, assim acabo por ficar mais ou menos alienada dos acontecimentos mais recentes.

Cordiais Saudações.

PS- Estas senhoras que tratam, honestamente, dos problemas de afectos da sociedade não merecem ser
comparadas ao caso em análise.

deixado a 25/1/12 às 15:06
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Carlos Marques
"Confesso: o voyeurismo é o meu pecado."


Eu acrescentaria a "ideologitice" e o facciosismo aos seus pecados públicos. 

deixado a 25/1/12 às 17:45
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Carlos Marques
"Espero agora a reação de alguns jornalistas mediáticos que, nos últimos cinco anos, fizeram um justo combate contra a asfixia democrática"




a palavra "justo" é  para reforçar a ironia da frase, claro




e o Rosa Mendes, em lugar de andar a escrever sobre os males de Angola a partir do conforto de Lisboa, podia dedicar-se aos males nacionais, já que é tão bom a investigar e tão corajoso

deixado a 25/1/12 às 17:55
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