Sábado, 18 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Mais um filme "português" a ganhar um prémio no Festival de Cinema de Berlim. É o regozijo total nos media que andam o resto do ano a ignorar o cinema português. Até o Correio da Manhã, insuspeito de defender o parasitismo subsídio-dependente dos nossos cineastas, aplaude o feito. Os patriotas de ocasião é que têm razão: vou gozar este prémio enquanto português e deixar de dizer mal de um país que tem estes criadores que fazem a diferença apesar do desprezo com que são tratados por quem deveria zelar pela cultura nacional. Fica aqui um pequeno excerto de uma entrevista dada recentemente por João Salaviza a uma publicação brasileira:

 

SC-Como são as condições de produção de cinema em Portugal hoje? As co-produções são uma alternativa `a falta de fomento do cinema?

 

JS – Neste momento vive-se um momento trágico. Apesar da vitalidade do cinema português com vários realizadores cuja importância é inegável (Pedro Costa, Manoel de Oliveira, Miguel Gomes, João Pedro Rodrigues e a lista continua…), cada vez menos existe um sentido de dever por parte do estado. O dever de apoiar o cinema, de defender a cultura, a produção de ideias e de sentidos. Neste momento discute-se uma nova Lei do Cinema. É um momento crucial. Se essa Lei não for aprovada, ou se for desvirtuada, isso pode significar o fim do cinema português. Em 2012, o Instituto do Cinema anunciou que não tem fundos para apoiar nenhum filme. Será o “ano zero”. Portugal Ano Zero.


por Sérgio Lavos
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27 comentários:
Sergio,

Se somos bons sem meios,digo eu, o que seria este povo com meios para dar largas á criatividade???
Mas como as coisas estão, não é falta de meios é miseria nua e crua.

Abraços

deixado a 18/2/12 às 19:21
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Rafael Ortega
Se são assim tão bons porque tem que ser o Estado através dos contribuintes a avançar com o dinheiro? Certamente haverá patrocinadores interessados.

Hollywood produz muitos filmes (muitos maus, mas também muitos de grande qualidade). São os estúdios que os fazem.

Porque carga de água é que em Portugal tem que ser o Zé pagante a sustentar o cinema?

deixado a 18/2/12 às 19:55
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corvo
Rafael Ortega, os pequenos paises como o nosso, com uma população reduzida, nunca poderiam ter uma industria cinematográfica como a americana.


No entanto , o cinema tem um papel muito importante , na divulgação da cultura portuguesa.


Ter um filme em Berlim, em Cannes ,  ou em Veneza, é ter dezenas de paginas na imprensa mundial.


Um filme português que passe numa televisão Europeia , da América do Sul, ou Asiatica , vai divulgar para muitas centenas de milhares de pessoas,  um pouco da nossa cultura , e do que somos como povo.


Isto,  nenhuma campanha publicitária paga, e ás vezes,  gastam-se rios de dinheiro em campanhas para divulgar o nosso país, e  ninguém pede contas.


Então o  porquê   de estarem  sempre a pedir contas,  dos tostões que se  gastam  no cinema português?


E nem são os nossos impostos que o pagam , e sim uma percentagem do que pagamos pelo bilhete , quando vamos ao cinema.


Rafael Ortega
"Um filme português que passe numa televisão Europeia , da América do Sul, ou Asiatica , vai divulgar para muitas centenas de milhares de pessoas,  um pouco da nossa cultura , e do que somos como povo."

Para passar o filme a cadeia de televisão tem que pagar. se o filme for bom e interessar ao público haverá quem pague para transmitir.

"
E nem são os nossos impostos que o pagam , e sim uma percentagem do que pagamos pelo bilhete , quando vamos ao cinema."

Ainda pior. Estão a tirar parte daquilo que eu paguei por algo que gosto (ou que foi no mínimo bem publicitado o suficiente para eu ir ver se gosto) para produzir filmes que não gosto nem pago para ver.


deixado a 19/2/12 às 14:53
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Observatório Da Esquerda Fracturante
"Porque carga de água é que em Portugal tem que ser o Zé pagante a sustentar o cinema?"

Convem esclarecer que o Zé pagante sustenta o cinema....mas só se for cinema de esquerda, ou pelo menos feito por pessoas com um carimbo de aprovação por parte da esquerda de salão. Experimente ser um realizador (ou outro agente cultural) que não se apresenta como sendo suficientemente proximo das ideias da esquerda caviar. Garantidamente nunca será subsidiado, porque a adesão ao "politicamente correcto" gauchista é condição indispensável para que a atribuição de subsidio possa sequer ser considerada....e não é dificil saber se o candidato é suficientemente "gauchista". No meio cultural a esquerda caviar tem olhos e ouvidos em toda a parte, sempre a controlar cada frase pronunciada e cada ideia menos "politicamente correcta" expressa, e uma enorme propensão para a bufaria e denuncia de inclinações politicas eventualmente "incorrectas" assumidas por este ou aquele candidato a subsidio! Quando se fala em ditadura do politicamente correcto, não é exagero. Essa ditadura no meio cultural existe mesmo, e cada homem ou mulher de esquerda champagne é nessa ditadura um sério candidato a agente da policia politica do politicamente correcto ou, no minimo, a bufo!
Sacam o dinheiro todo para eles e excluem desses subsidios todos os que não prestarem vassalagem a ideias como as defendidas no Arrastão!
Experimente dizer, por exemplo, publicamente, que não concorda com a adopção de crianças por casais homossexuais....os controleiros da esquerda "Arrastona" no meio cultural não o prendem, nem o enviam para um campo de reeducação (porque não podem, só por isso), mas ao dizer isso, disse adeus a qualquer possibilidade de receber um subsidio nesta área.
O controle da atribuição de subsidios estatais por parte da esquerda "de luxo" e do lobby gay (um subdepartamento dessa esquerda), é total e é um pilar essencial da sua força na sociedade. A defesa dos subsidios estatais que o Arrastão faz é a defesa da continuidade desse poder de intimidação, baseado no dinheiro dos contribuintes.


Anónimo
Como já é habitual este observatório só fala daquilo que não sabe. Caso não saiba, o Miguel Gomes até perfilha de ideais de direita logo todo esse enxurrilho de asneiras são isso mesmo, asneiras. Como se pode ver nesse testamento, o mundo para si é todo ele uma caricatura de dicotomias direita/esquerda, preto/branco, certo/errado...

deixado a 19/2/12 às 17:29
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Anónimo
Caro Puto Ortega
Como já é habitual nos seus comentários, mais uma vez fala daquilo de que nada sabe. Não sabendo nada do assunto em questão, isso não o impede de mandar umas postas de pescada sobre o mesmo.
Caso não saiba, os subsídios à criação cinematográfica portuguesa não passam nem nunca passaram pelo Orçamento de Estado. O dinheiro atribuído pelo ICAM é obtido a partir das receitas de publicidade televisiva e receitas de bilheteira.
Repito, os subsídios não passam pelo Orçamento de Estado logo o contribuinte nada paga pelos filmes.
Remeta-se à sua ignorância como eu me remeto à minha que, quando não sei sobre o assunto ou não comento ou primeiro tento-me informar antes de mandar postas. Verá que se adoptar estes 2 hábitos irá crescer mentalmente.


Rafael Ortega
"O dinheiro atribuído pelo ICAM é obtido a partir das receitas de publicidade televisiva e receitas de bilheteira."

Como respondi a outro comentador, isso só torna as coisas piores. Tira-se dinheiro aquilo que as pessoas gostam e pagam para ver para dar a cineastas que produzem filmes com poucos milhares de espectadores.

"
Remeta-se à sua ignorância como eu me remeto à minha que, quando não sei sobre o assunto ou não comento ou primeiro tento-me informar antes de mandar postas."

Uma vez que o senhor(a) é um anónimo ninguém pode saber se manda postas sobre o que não sabe.


Anónimo
Que trampa de argumento é esse?! Sabia que quando dá dinheiro a um estúdio ao ver determinado filme está a financiar outros filmes que não vão ter espectadores? Sabia que quando dá dinheiro a um estúdio está a financiar outras áreas dos mesmos grupos de media que provavelmente não gosta? Veja lá quando gastar dinheiro num filme dos estúdios Fox está a dar dinheiro ao palerma do Murdoch e a financiar a Fox News. Não gaste dinheiro, pode estar a financiar outras coisas de que não gosta!! Pode estar a financiar outras coisas que não vão ter sucesso!!





Será que também preciso de lhe explicar que, da forma como os blogs da Sapo funcionam, posso assinar como Anónimo assim como Zé Manel, Joaquim dos Tremoços, ou Rafael Ortega? Pois... É difícil saber se o Puto Ortega também não manda bitaites com outro nickname.
E eu estou aqui a falar consigo, é nesta situação e acerca desta situação que ambos podemos dizer um ao outro se o outro está a mandar bitaites acerca do que não sabe.


Rafael Ortega
Que trampa de argumento é o seu?

Eu pago para ver o filme do estúdio X. O que ele faz com o lucro é com ele. Produza um bom ou um mau filme, será com o dinheiro que ganhou.

O cineasta português usa dinheiro que o Estado cobrou a quem produziu algo que as pessoas quiseram ver para produzir algo que não interessa ao público.

Se acha que é a mesma coisa tem uma forma de pensar muito curiosa.

deixado a 21/2/12 às 20:07
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Anónimo
Esqueci-me de mencionar no meu anterior comentário que Hollywood mama como gente grande da teta estatal apesar das fantasias que ignorantes como o Puto Ortega pensam. No pacote de estímulo à economia que o Obama criou em 2009 Hollywood mamou forte e os estúdios têm montes de benefícios fiscais quando produzem filmes dentro de fronteiras (é ver os vários estados sem indústria cinematográfica a atirarem-se uns aos outros como galos de combate a ver quem consegue captar mais projectos e investimentos.
E o contribuinte sempre a pagar pois claro. 

deixado a 19/2/12 às 17:45
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Sim, vais ter que pagar os filmes que quiseres ver. E se quiseres fazer um filme, vais ter que me convencer a pagar por ele. Chama-se... deixa cá ver.... ah, já me lembro, "economia"!

deixado a 18/2/12 às 19:55
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LAM
E como é que se chama aquela coisa de milhões a algumas empresas para exportações e não sei quê de emprego em que acaba por ficar tudo no tinteiro e paciência que para o ano há mais; ou até aquelas vendas a 40 para lá meter 600 a seguir....? ó carago, também é economia? tchh!

deixado a 18/2/12 às 22:04
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Tony

Já que falamos em artistas aqui fica um em todo o seu esplendor...João Proença vai dizer à troika que Portugal não é a Grécia

http://economia.publico.pt/Noticia/joao-proenca-quer-sublinhar-a-troika-que-portugal-nao-e-a-grecia-1534286 (http://economia.publico.pt/Noticia/joao-proenca-quer-sublinhar-a-troika-que-portugal-nao-e-a-grecia-1534286)

É o que se pode dizer: já nos safemos - greve geral é que não.

Esta gente não se enxerga??? Um pano encharcado de merda no focinho ainda era pouco.


De uma coisa não se pode acusar os dirigentes sindicais, de não terem obtido resultados interessantes na estabilidade do emprego.... Deles!

deixado a 19/2/12 às 10:18
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"Pirralha...eu?"

“Está bem, pois, pois
É mesmo assim podem crer


É apenas para esquecer


Que cá o Pinguinhas bebe


Está bem, pois, pois


Pois eu na vida já vi


Que há tanta coisa para aí


E que a gente não percebe."


Excerto de uma canção de Raul Solnado, antes do 25 de Abril e amavelmente cedido pela memória do cota.


Interpretem isto como quiserem, pois eu limito-me a dizer que há uma coisa que percebo muito bem:


O ódio à Cultura manifestado pelos economentelhos residentes nos pentrogas e para os quais, até a saúde é para quem a puder pagar…


Chega-te à frente com o teu dinheiro, ladram eles enquanto se satisfazem com os ganidos que os banqueiros lhes proporcionam quando lhes chegam atrás.


Deixo o que poderia ser a banda sonora de um filme Português:


http://www.youtube.com/watch?v=DgVBP_W21MQ (http://www.youtube.com/watch?v=DgVBP_W21MQ)


Substituam a rainha por centrão, com mais ou menos apêndices do Caldas e descubram as diferenças.


Cristina


deixado a 18/2/12 às 21:14
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Carlos Marques
Caro Sérgio,

Digam por favor ao Sr. Martins, de uma vez por todas, que a censura aos comentários de resposta dos benfiquistas não fica mesmo nada bem a quem publica todos os insultos e mais algum contra, por exemplo, o Javi Garcia - isto no post em que se permitiu ir repescar as alegações do dia seguinte proferidas pelo jogador Alain para procurar relativizar os insultos racistas da claque do FCP que todos ouvimos e que o ex-jornalista da televisão pública do Porto Rui Cerqueira veio dizer que eram gritos pelo Hulk.

O Arrastão agora é O Jogo ou o Jornal de Notícias?

deixado a 18/2/12 às 21:55
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Anónimo
«Os patriotas de ocasião é que têm razão»


Se são patriotas de ocasião já são melhores do que aqueles que não o são em ocasião nenhuma.

deixado a 18/2/12 às 22:05
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JgMenos
Quem decide que é criativo parece ter por princípio que alguém tem que lhe sustentar o 'talento'.
E alguns acham que a condição de a 'criação' agradar a alguém ou a alguns é uma restricção em excesso limitadora das suas capacidades criativas.
Até aqui - e por algum tempo - podemos estar numa de 'atelier de talentos'.
Agora que levem toda uma vida a mamar da mesma receita...devagar! Façam-se à vida!

 

deixado a 18/2/12 às 23:44
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Um dia muito mau para anunciara estes prémios e os queixumes.

Vamos ler o Expresso (editado)

De acordo com os números disponibilizados pelo ICA o filme "No meu lugar" produzido pela Fado Filmes (n.r. o fado alexandrino não tem infelizmente nenhuma quota na produtora) teve um apoio financeiro de 110,000 euros e fez 62 espectadores ..."O inimigo sem rosto" teve 450.000 e fez 352 espectadores ... "Águas mil" teve 650.000 e fez 540 espectadores.

Aquele (isto já sou eu a escrever) que ia ganhar um Oscar ou seja "José e Pilar mais o PCP" custou 50,000 e teve 15,000 espectadores dos quais 14,500 adeptos da terceira personagem.

O resto do artigo analisa os financiamentos e fica-se a saber que por cada assinante os operadores de serviço de Televisão por subscrição vão dar aos senhores realizadores cinco euros.

Está bem de ver onde é que as ZOn's e Outros os irão buscar.

Acabei de ver Hugo do Scorsese, recomendo-o com todo o entusiasmo a toda a gente.


deixado a 18/2/12 às 23:47
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Nuno

- O filme não teve financiamento através do ICA.
Todos os filmes devem ter financiamento? Quantos devem? Quais são os pressupostos?


- O realizador conseguiu financiamento privado porque o seu filme anterior, "Aquele Querido Mês de Agosto", estreou em vários países e teve excelente recepção crítica por onde passou.
Ou seja, fez um filme com qualidade, logo o seu trabalho chama a atracção de investidores. É o mercado a funcionar, como dizia o outro...


- O facto do filme anterior ter tido lucro fez com que fosse fácil encontrar investidores para este.
Teve lucro porque  teve público... acho que é esse o objectivo dos filmes, não? Ter quem os veja... 


- Isso levou a que - julgo eu - o realizador não sentisse necessidade de passar pela via sacra dos concursos públicos do ICA.
Mérito dele. Já agora, também há muito empresário que se faz vida sem entrar na via sacra (e enquinada) dos concursos públicos.


- Mas isso apenas foi possível porque os dois filmes anteriores existiram, e existiram com financiamento público, através do ICA.
Foi possível porque os dois filmes anteriores tiveram qualidade (para os críticos) e apelaram a público.


- Sem isto, Miguel Gomes nunca teria chegado ao ponto de poder dispensar o dinheiro dos nossos impostos.




- Tanto o realizador como o produtor recusaram a hipocrisia do acompanhamento da comitiva por uma embaixada do Governo português ao Festival de Berlim, precisamente por causa desta situação.
Um bom político tenta aproveitar qualquer situação para se promover, mesmo que nada tenha feito. Ainda bem que recusaram...


- Neste momento, os cortes ao financiamento do cinema português são de 100% (como afirma o realizador na entrevista que está no link).
O financiamento das empresas não esta muito melhor...


- Havia vários filmes em fase de pré-produção que estão parados.
E projectos económicos?


- Se continuar assim, o cinema em Portugal acaba. Depois disso acontecer, nem prémios internacionais, e muito menos realizadores que conseguem arranjar financiamento privado para os seus filmes, existirão.


- Sem cinema português, o país fica ainda mais pobre, moral e culturalmente.
De acordo.


deixado a 18/2/12 às 23:51
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E lá tinha que vir o argumento estúpido e mentiroso do "dinheiro dos contribuintes"...

deixado a 19/2/12 às 00:02
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