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Pois Daniel. Todos péssimos, os professores - porque não acabar com eles? Excepto com os do ensino privado (reparaste que a Ministra não se lhe refere?) que não é, aparentemente, ministrado por professores, mas por ET's. Mal andamos quando fazemos propaganda com base em bodes expiatórios,e não promovemos as melhores práticas, antes procuramos assanhar segmentos da população contra "corpos de malfeitores". Se todos mudássemos de profissão para ministros é que era! Jornalistas incluídos, claro. A avaliação exige rigor, e o rigor impede a generalização, mas as palmas dependem das letras gordas. Lamento dizer, até porque lutei toda a vida sinceramente por ela, mas acho que a Escola Pública e a prória dignidade da profissão de mestre estão provavelmente liquidadas com estas campanhas do Governo PS. Agora, ser professor vai ser negociar cinzentismos e obediências, evitar conflitos e seguir o cherne, perdão, a ideia de mediania dos media, Morangos com Açúcar incluídos. Afinal, os professores só são considerados profissionais em Portugal há menos de 100 anos - um tempo curto. Antes qualquer um podia tomar conta de crianças, desde que pagasse umas licenças, ou, no caso das meninas, nem isso. Lembra-te de Júlio Dinis: o mestre escola dos menos pobres com aspirações (os pobres nem pensavam nisso)era-o nas horas vagas de ser barbeiro...
O drama das afirmações da Ministra que tu valentemente subscreves é que se perdeu mais uma oportunidade de promover a qualidade no ensino e nas escolas e nos próprios professores. Na Escola Pública, claro, um sonho tonto da República, para pobres e ricos, mulheres e homens, urbanos e rurais. Tão tonto que valorizava os professores, tornados responsáveis precisamente pelo respeito que se lhes deve e a exigência que se lhes havia de pedir perante os alunos e a sociedade. Asim, pela boca da Ministra, ajudada, é verdade, pelo exemplo de muitos, mas também pelo "apagamento" dos exemplos contrários, há que amesquinhá-los e quem sabe exterminá-los. Que chatice na Finlândia e na Irlanda terem feito o oposto. Que surpresa no Oriente das taxas elevadas de sucesso em literacia os mestres serem considerados! Em nenhum destes países eles são avaliados pelos pais em demagogia, mas por estruturas públicas essas responsabilizáveis, e por conceitos sociais valorizadores da escola, e do conhecimento (não confundir com "ter cionhecimentos"=ter cunhas, por ter andado no mesmo colégio, por exemplo). Ignorantes, é o que é! Portugal, Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, farois da qualidade do saber educar, é que a sabem toda.