Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
por Daniel Oliveira
«No fundo, o que Vital Moreira está a defender é que a liberdade sindical só é possível se o sindicalismo for pago pelo patrão e se for exercido no tempo do patrão» diz João Miranda criticando a posição de Vital Moreira que, por sua vez, critica os sindicatos dos professores por excesso de dispensas mas, ainda assim, defendendo que elas devem existir. Um diz mata e outro esfola o que diz mata. «Tempo do patrão», é assim que João Miranda defende que se deve chamar ao nosso horário de trabalho. O tempo não é nosso. Não é da empresa. Não é do trabalho. É do patrão. Como nós. Somos do patrão. Felizmente o patrão não é João Miranda.

por Daniel Oliveira
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11 comentários:
Professo Neca
Sr Oliveira este problemas não vai acabar porque se o trabalho fosse bom ninguem o pagava.

deixado a 29/6/06 às 11:13
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Anónimo
Um dos maiores problemas da esquerda europeia, sobretudo a de matriz afrancesada, é nao compreender o que é um contrato sinalagmático, i.e. com direitos e obrigacoes para ambas as partes. E que, por princípio, tem limites temporais, nao é vitalício.
O "trabalhador" (para usar essa terminologia jurássica) só poderá ver os seus direitos respeitados quando compreender que terá de respeitar escrupulosamente os direitos do empregador - ou do "patrao" como diz o Joao Miranda. Ora isso é quase impossível com o tipo de sindicatos, anquilosados, musguentos, perdidos em lendas de combates novecentistas e imersos numa (i)lógica que se finou nos idos dos 70 do séc. passado.

CAA

deixado a 29/6/06 às 10:21
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Mário Tomé
Como diz Juca, parece que as empresas são obrigadas a dar emprego e não trabalho!
Juca esquece-se de duzentos anos de relações de trabalho, de lutas dos trabalhadores, de repressões brutais, tudo por causa de uma coisa muito simples: a apropriação do tempo de trabalho.
Como o trabalhador à partida só tem uma liberdade garantida em absoluto (isto depois de ter acabado a escravatura, onde acabou - é ver o que acontece com emigrantes portugueses em Espanha, na Holanda e na Islândia)que é a de vender a sua força de trabalho, ele pode fazê-lo onde quiser.
Mas como tem de comer para não morrer de fome e como tem de alimentar os seus filhos, a prole!, porque se não o fizer o próprio capitalista, o patrão ou o empreendedor como agora é mais distinto chamar-se, fica chateado porque precisa de muitos proletas para poder ter sempre a chantagem sobre quem trabalha, se refilas há lá fora muitos mais, o trabalhador, dizia eu, tem que trabalhar pelo salário que lhe é imposto. O patrão qur sempre pagar - porque quer o maior lucro possível, para ganhar a concorrência - salário menor possível. E esse sala´rio menor possível tem que ser o necessa´rio apenas que p trabalhador não caia de inanição e possa fazer filhos e dar-lhes o mínimo necessário a que eles sobrevivam para livremente venderem a sua força de trabalho. Paga-lhes portanto em tempo de trabalho, o tempo socialmente necessário para aqueles pressupostos se verificarem. Mas o tarbalhador trabalha muito mais tempo do que esse. Já trabalhou doze, dez, oito horas por dia, conforme a luta e a organização dos trabalhadores consegue impor-se à força dos patrões e à repressão dos estados.
Portanto o tempo não é do patrão nem é do tarbalhador. O tempo é objecto de disputa.
Nesta disputa o aperfeiçoamento das técnicas e tecnologias de produção permitiria que os trabalhadores trabalhassem muito menos (foram quase dois séculos p+ara +assar de doze para oito horas com massacres pelo meio, o 1º de Maio evoca um deles em Chicado...)tempo. Mas o patrão prefere despedí-los, até porque com a tecnologia que aumenta a produtividade e a concorrência, a taxa de lucro baixa, e é preciso sacar aos suspeitos do costume: menos gente a trabalhar, mais horas de trabalho (outra vez!) menos salários - se lerem os mais recentes jornais e suplementos económicos... aumentos salariais abaixo da inflacção e dos ganhos de produtividade.
Claro que o sistema precisa de propagandistas à altura, que justifiquem a espoliação bárbara e tentem demonstrar que o tempo é do patrão que faz o favor de dar trabalho.

deixado a 28/6/06 às 19:18
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O João Miranda é/vai ser professor universitário: está tudo dito...

deixado a 28/6/06 às 18:58
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Talvez os patrões percebam se fizermos um esquema inverso, porque é que o contribuinte tem de pagar ao Estado para depois o Estado dar apoio financeiro às empresas que muitas vezes não cumprem os seus compromissos?
Então não devemos ter a liberdade de escolher se queremos financiar empresas ou não???
Está mais claro???

deixado a 28/6/06 às 16:34
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Daniel Oliveira
Meu amigo, a liberdade do trabalhor não se resume à liberdade de mudar de emprego. Assim como a liberdade do casado não se resume à liberdade de mudar de mulher ou de marido, a liberdade do inquilino não se resume à liberdade de mudar de casa e a liberdade de um cidadão não se resume à liberdade de mudar de país. Está a ver?

deixado a 28/6/06 às 16:07
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juca
Sr. Oliveira, parece-me que dei isso a entender no comentário que fiz: "Tal como o trabalhador tem liberdade para mudar de trabalho ou para não escolher qualquer sindicato para se filiar". Sou a favor da liberdade total, ou seja, de patrões e trabalhadores, não só dos trabalhadores.
Ás vezes parece que as empresas são obrigadas a dar emprego em vez de trabalho.

deixado a 28/6/06 às 15:55
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jpt
Mas o que é que os sindicatos fazem ao 1% dos ordenados dos que recebem de todos os trabalhadores sindicalizados? Porque não são os sindicatos a pagarem aos seus próprios "funcionários"?

JPTelo

deixado a 28/6/06 às 14:16
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Daniel Oliveira
As empresas têm dono, isso é verdade, senhor juca. Os trabalhadores é que não. Quando é que você entende isso?

deixado a 28/6/06 às 14:14
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Juca
Então mas o tempo é de quem?
Se, por lei, sou o proprietário da empresa, o PATRÃO, o tempo é meu, não é de quem lá trabalha. E devo ter liberdade para escolher se quero financiar sindicatos ou não. Tal como o trabalhador tem liberdade para mudar de trabalho ou para não escolher qualquer sindicato para se filiar.
Quando é que o Oliveira entende isto? As empresas não são colectivas. Têm dono.
No Comunismo é que as empresas eram do Estado. Mas mesmo assim não eram de todos. Eram dos donos do Estado.

deixado a 28/6/06 às 13:59
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