Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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20 comentários:
arucci
é sempre muito bom ter estes "monstros" como ídolos e eu quero que existam mais "demónios" iguais a este. pena que não os haja. ZECA AFONSO foi e continua a ser o maior em todos os parâmetros. portugal devia orgulhar-se disso, mas os lacaios não deixam e nem querem. a esses um perdoai-lhes senhor.

deixado a 25/2/07 às 12:21
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"Ó ribeiras, chorai" e não "Ó ribeira, chorai".
A propósito, e ao contrário do que levianamente se diz num comentário anterior, a RTP dedicou um longo programa ao Zeca (com o Otelo, o Lourenço, etc.).
O seu a seu dono. Embora eu também não goste nada desta RTP capacho do Governo...

deixado a 24/2/07 às 19:28
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Não concordo nada com quem diz que o zeca afonso era um cantor de intervenção. Isso para mim é o mesmo que dizer que o mário de carvalho é um escritor de intervenção ou que o pierre boulez era um compositor de intervenção. O zeca afonso foi um dos melhores músicos portugueses de sempre, ou é, seguramente, um dos meus favoritos. Os credos políticos são engraçados, especialmente no contexto em que foi, mas acima de tudo gosto da investigação musical que ele fazia. Ia às aldeias, estudava os movimentos artísticos locais, copiava, mudava. Foi o primeiro e talvez único antropólogo musical português.

deixado a 24/2/07 às 14:11
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kandinsky
Ó Sinfonia do Disparate Dissonante:Quando se refere "as opçoes ideologicas" do Zeca está a insinuar que ele foi do Partido Comunista,tire o cavalinho da Chuva.o Zeca Afonso NUNCA foi militante partidario.Demonstre o contrario.O Zeca era de esquerda,sim,convivia com nucleos de extrema-esquerda,mas nao era militante.Era alguem que amava o povo,sem distinçoes.Era contra os opressores,contra burguesia,mas nao era um ser que advogasse a violencia ou a ditadura,nem sequer a do proletariado.Por isso,nao lhe ponham rótulos.Ele era um Grande Portugues.Cantava era verdades inconvenientes...

deixado a 24/2/07 às 13:34
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Coro da Primavera


Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu

Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu

Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão

Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar

E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar
Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor

Venham enlaçdas
De mãos dadas
Semear o amor

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Venha a maré cheia
Duma ideia
P'ra nos empurrar

Só um pensamento
No momento
P'ra nos despertar

Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

deixado a 24/2/07 às 12:04
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António
OBRIGADO 1!

deixado a 24/2/07 às 10:37
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kandinsky
É curioso o espaço que a estaçao de tv pró-governamental (não)dedicou no dia dos 20 anos da morte do Zeca Afonso.Isto por comparaçao com aquele miserável tempo de antena dado ao Salazar.Ainda bem que o Daniel Oliveira lançou o debate sobre o "documentario" para que,doravante,todos estejamos atentos.Alias,foi o melhor,se nao,o unico debate sobre a infamia da utilizaçao de uma estação publica paga por todos nos.Nao foi para isto que os poetas da Liberdade como Zeca,cantaram e lutaram por este povo!
Em vez de um espaço dedicado á memoria do Zeca, a RTP dá-nos um concurso e depois uma serie mal feita,feita para adormecer,com bons actores portugueses e brasileiros,mas sem ritmo,com uma narrativa cansativa.Uff!

deixado a 24/2/07 às 06:10
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20 anos de saudade. Vale-nos a utopia, viva, que dura e durara.

deixado a 23/2/07 às 23:38
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Talina
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada à covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

deixado a 23/2/07 às 22:49
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Sinfonia do disparate consonante
Devo dizer que até admiro a voz e a qualidade musical de Zeca Afonso. Dá gosto ouvir o som e rendo-me a isso. Respeito-o por isso, mas não consigo esquecer as opções ideológicas. Não quero imaginar o que teria sido este país se a utopia do Zeca se tivesse realizado.

Em parte fico contente por saber que o Zeca não morreu na utopia que desejava. Por vezes, os nossos piores pesadelos são apenas a realização dos nossos sonhos mais ingénuos.

deixado a 23/2/07 às 22:46
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