Sebastião Dias
Palhaçadas, quanto ao Sérgio Godinho, há uma grande afectividade em relação a ele, principalmente de alguns quadrantes, e eu próprio também a tenho, e há músicas que marcam também pelo momento. Mas acho que ele é um grande poeta mas um péssimo músico, mas são gostos.
Isto não se trata de se ser mau português ou bom, consoante gostamos ou não da música portuguesa. Gostaria muito de dizer que a música portuguesa é das melhores mas não acho, apesar das honrosas excepçôes ( a Sara Tavares, que vi ao vivo recentemente e sei que tem todos os ingredientes para ter sucesso, ou o Rão Kyau, que também ouvi ao vivo recentemente e, digo-lhe, joga mesmo noutra liga).
As editoras poderão por vezes ter vistas muito curtas mas, felizmente, hoje há todos os meios de se produzir um disco caseiro de grande qualidade, e de divulgá-lo em grandes meios de difusão.
A Maria João e o Mário Laginha (que não gosto muito) estiveram na ECM (não sei se ainda estão), uma grande editora alemã que tem nomes como Jan Garbarek, Pat Matheny, Gismonti, Charilie Haden, etc. Aquele tipo que canta fado, acho que se chama Pauilo Bragança, esteve na editora do David Byrne dos Talking Heads, Luaka Bop e teve também o seu trabalho divulgado e promovido. A Dulce Pontes gravou uma música com o Morricone e teve também uma enorme divulgação e um palco gigantesco. Todos eles tiveram grande divulgação. Agora vir-se, como muitas vezes vêm, com grandes hipérboles, dizer que somos tão bons ou melhores que os outros, que se não fosse portugiuês era um Frank Sinatra. No outro dia na televisão, ouvi o extremo. Mr Herman, no Biography Channel, quando lhe perguntaram como gostaria de ser lembrado, ele disse «Um grande artista num país demasiado pequeno». Eis como alguns artistas se acham maiores do que Portugal. Se querem ter projecção maior então que saltem o muro e cumpram essa ambição, não venham dizer que são os melhores e se não fosse a má sorte de serem portugueses. Não somos um país de músicos. Depois da Amália, não há um nome de projecção mundial, emblemático, como os espanhóis têm o Paco de Lucia (que por acaso é meio português), os brasileiros têm um Veloso (e tantos outros), os gregos têm entre muitos um Vangelis, Cabo Verde tem a Cesária, etc, etc.
Eu por acaso toco, mas veja-se que a quantidade de pessoas que toca um instrumento é mínima, em Inglaterra a maioria sabe, pelo menos fazer umas habilidades. Quer sair em Lisboa a um bar de musica ao vivo, quantos sítios conhece?
O gosto pelas artes pratica-se desde miúdo, aprende-se na escola e os talentos revelam-se desde cedo. Este tema tem pano para mangas. Se alguém agora mandar um post sobre o teatro português ou o Parque Mayer então fico mesmo imparável.