Vale a pena ler a entrevista que o Nuno Teles, economista e co-autor do Ladrões de Bicicletas, deu ao esquerda.net: desemprego, salários e política económica para vencer a crise. Para lá da economia-2012 que quase monopoliza o debate público.
Medidas económicas só apresenta uma generalidade: investir no ambiental. Aconselha o Estado a investir nas PME (o CDS também propõe e é politicamente correcto), mas o problema é saber como isso se faz e qual o impacto na economia. O resto do artigo é deixar o défice crescer (no pressuposto de que os empréstimos não serão para pagar?) e aumentar os impostos a certos grupos favorecidos (nao podem ser outros se não aqueles que têm os rendimentos no exterior). É tão vazio que nem faz eco!
Desculpem o politicamente incorrecto e talvez até admito que errado: não entendo essa febre da direita à esquerda com as PMEs. Conhecendo-se que uma larga percentagem de PMEs (não tenho os números precisos, mas já vi publicado), não representam sectores de grande mais-valia tecnológica e/ou de exportação, qual o interesse estratégico no investimento em sectores que amanhã, ao próximo solavanco económico, estarão exactamente na mesma situação? Que futuro garante esse investimento a ponto de ser considerado uma saída "consensual" quer para a produtividade, quer para as exportações quer para a geração de empregos? Pode resolver momentaneamente um problema, como o do emprego, mas o mais certo é que num futuro bastante próximo estaremos na mesma situação e sem evolução alguma. Não seria preferível deixar cair mesmo muitas dessas empresas e o Estado canalizar esse investimento para assegurar a continuação das mais viáveis ao mesmo tempo que ajudava a criar novas empresas de raiz mais vocacionadas para os novos tempos?