
“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento / Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”
Bertolt Brecht
Desta vez muita gente tem falado da violência das margens que comprimem as ribeiras da Madeira. Uma catástrofe destas nunca é natural nos seus impactos humanos: falta de planeamento e de ordenamento do território. Um país que fala muito em direitos de propriedade e que se esquece das obrigações da propriedade: cada um constrói onde quer e como quer e os custos sociais são suportados por todos, sobretudo pelos mais pobres, os que são oito num único quarto. A Madeira, não se esqueçam, tem a mais elevada
taxa de pobreza do país. Entretanto, o PS decidiu acabar com a encenação das finanças regionais. Questão de decência ou de cálculo? Indecentes têm sido mesmo as declarações de Jardim sobre o impacto no turismo da cobertura jornalística desta catástrofe. A liberdade de imprensa e a difusão de notícias e de reportagens são excelentes nestes contextos: espevitam e escrutinam os poderes públicos. Que aliás têm cooperado e mostrado empenho.