Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
por João Rodrigues


“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento / Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”

Bertolt Brecht

Desta vez muita gente tem falado da violência das margens que comprimem as ribeiras da Madeira. Uma catástrofe destas nunca é natural nos seus impactos humanos: falta de planeamento e de ordenamento do território. Um país que fala muito em direitos de propriedade e que se esquece das obrigações da propriedade: cada um constrói onde quer e como quer e os custos sociais são suportados por todos, sobretudo pelos mais pobres, os que são oito num único quarto. A Madeira, não se esqueçam, tem a mais elevada taxa de pobreza do país. Entretanto, o PS decidiu acabar com a encenação das finanças regionais. Questão de decência ou de cálculo? Indecentes têm sido mesmo as declarações de Jardim sobre o impacto no turismo da cobertura jornalística desta catástrofe. A liberdade de imprensa e a difusão de notícias e de reportagens são excelentes nestes contextos: espevitam e escrutinam os poderes públicos. Que aliás têm cooperado e mostrado empenho.

por João Rodrigues
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10 comentários:
cafc
Meu caro João Rodrigues

Tenho uma certa "obrigação moral" de fazer um breve comentário, porque prometi ao Pedro Sales (no post "Há dias para tudo menos para a propaganda") que, se houvesse oportunidade, me referiria à tragédia da Madeira. E, fá-lo-ia com base na frase de Brecht que o João Rodrigues citou.

Estou, obviamente de acordo com o que escreveu e, acrescentando o post do Daniel Oliveira "Oxalá que nunca se diga que sou profeta" (aconselho, vivamente, a leitura integral do texto do Engenheiro Cecílio Gomes da Silva, escrito em 1985), considero que a minha opinião fica dada.

Só uma nota final para o Pedro Sales. Sócrates, ao não adiar, pelo menos, o seu "comício", auto-excluíu-se da "União Humanista".

Força, Povo da Madeira!

deixado a 25/2/10 às 11:21
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Pedro M Lourenço
Muito bem!

deixado a 25/2/10 às 12:01
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Manuel Monteiro
É o regabofe jardinista. E o bicho já começa a insultar todos os que apontam erros urbanisticos e lhe pedem contas...
Manuel Monteiro

deixado a 25/2/10 às 13:03
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André
Muito boa posta.

deixado a 25/2/10 às 14:25
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Pinto
margens que comprimem as ribeiras da Madeira


Foi também a canalização das ribeiras que provocou os aluviões em 1611, 1707, 1724, 1803, 1815, 1956, 1979 e 1993?

Foi também a canalização das ribeiras que matou mais de 600 pessoas em 1803?

Indecentes têm sido mesmo as declarações de Jardim sobre o impacto no turismo da cobertura jornalística desta catástrofe

Principalmente para quem o futuro dos comerciantes que vivem do turismo é indiferente; para quem sobrepõe o ódio a Alberto João Jardim por cima dos problemas que esses comerciantes irão enfrentar.

O que Alberto João Jardim (que, lembremo-nos, tem o seu ordenado certo e nem precisaria de se preocupar muito) mostrou é que se preocupa VERDADEIRAMENTE com quem ficou.
Chama-se responsabilidade. Quem o critica, fá-lo por falta dela.

deixado a 25/2/10 às 15:27
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Rogério Matos
Já vi esta citação em contextos muito palermas. Esta terá, certamente, um óptimo lugar nesse concurso.

deixado a 26/2/10 às 01:31
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Cecilia
Pinto, os desastres naturais sempre aconteceram e continuarão a acontecer mas deve saber que contrariar a natureza e subestimá-la não resulta senão em piorar os efeitos desses mesmos desastres. A falta de planos e estratégia para minorar as potenciais catástrofes em tudo o que diz respeito a construção é evidente. Sendo minorar os efeitos a chave da questão e aquilo que deve ser o objectivo a partir de agora.

deixado a 26/2/10 às 08:12
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Pinto
Cecília, o que significa "contrariar a natureza"? Quem disse que houve "falta de planos e estratégia"?

Olhe, eu não sei responder a estas perguntas, mas uma coisa sei: em 1803 a população da Madeira deveria rondar os 75 000 habitantes (http://2.bp.blogspot.com/_ezaUKpkJ4Tc/SbPEUTHLRfI/AAAAAAAAK7k/ImSn2YxhY74/s1600-h/A%C3%A7oreseMadeira.JPG). As ribeiras não estavam, penso eu, canalizadas. Não havia túneis, penso eu, como há hoje. A desflorestação não tinha atingido os níveis, penso eu, da actualidade. Sabe quantas pessoas morreram? Cerca de 600.

Hoje a população da ilha ronda os 240000 habitantes. As ribeiras foram canalizadas. Foram feitas estradas, túneis, aeroportos, etc. etc. etc, e mesmo assim terão morrido muito menos pessoas que há 200 anos.

Porque não olhar por esta perspectiva: quantas vidas terão sido salvas com a canalização das ribeiras?
Mas não. Prefere-se olhar pela negativa. Para mais quando do outro lado está aquela figura tão odiada como o é Alberto João Jardim.

deixado a 26/2/10 às 15:19
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cafc
Meu caro Rogério Matos

Parto do princípio que leu o meu comentário #1.
Da mesma forma, acredito que sabe o contexto original desta citação.

"Sem metáforas", foi, claramente, escrito pelo João Rodrigues. E, obviamente, concordei.

"Já vi esta citação em contextos muito palermas. Esta terá, certamente, um óptimo lugar nesse concurso." (escreveu o Rogério Matos)

Já vi esta citação em contextos muito inteligentes. Esta terá, certamente, um óptimo lugar nesse concurso. (Fui eu que escrevi)

Este "diálogo" está num contexto "palermigente"?
Meu caro, se não se importar, pode acrescentar algo mais ao seu comentário?

Um abraço.

deixado a 26/2/10 às 17:49
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Maria**
Reconstrução na Madeira pode demorar dez anos?? Jardim disse dois.

--Esta coisa de se ouvir os especialistas, mesmo quando Jardim lhes chama abutres e ignorantes é sempre uma coisa muito boa


http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/reconstrucao-na-madeira-pode-demorar.html

deixado a 27/2/10 às 07:26
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