Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010
por João Rodrigues
Alegremo-nos. Portugal, país socialmente fracturado, continua a convergir com as melhores práticas do capitalismo anglo-saxónico: os ricos ameaçam fugir se tiverem de pagar mais impostos, mas acabam sempre por ficar e até criam fundações dedicadas a todas as ideias. É uma generosidade gramsciana de centenas de milhões: a resolução política de uma brutal crise socioeconómica depende sempre das interpretações que são dominantes. A Fundação Francisco Manuel dos Santos, criada em 2009 por Alexandre Soares dos Santos, o do sítio do costume, é dirigida por António Barreto.

A fundação arrancou muito bem: uma útil base de dados sobre Portugal chamada pordata. Gosto daqueles números da despesa pública em saúde e em educação que não param de se mexer. Toda uma narrativa em construção. Lamento que a base não pareça ter muitos dados sobre pobreza ou sobre desigualdades. Escolhas a corrigir. No entanto, não se preocupem: já temos um excelente observatório público sobre o tema. Aliás, aguardo com impaciência mais um ataque de Barreto aos observatórios públicos.

Enfim, agradeço a generosidade. Começo a dar bom uso a esta bem organizada base de dados: corrigir uma aldrabice que circula entre a opinião confortável. Aquela que fala como se tivesse ocorrido um regabofe salarial em Portugal. É o que dá olhar para o umbigo. Na realidade, como já aqui defendi, o peso das remunerações do trabalho no PIB tem permanecido estável: 50,5% em 2005 e 50,2% em 2008. No entanto, as desigualdades salariais aumentaram...

por João Rodrigues
link do post | comentar | partilhar

7 comentários:
antónimo
explique-me lá este "50,5% em 2005 e 50,2% em 2008", falha-me algo em ligação com a frase anterior

deixado a 26/2/10 às 15:35
link | responder a comentário

Antonio Cunha
"Gosto daqueles números da despesa pública em saúde e em educação que não param de se mexer"

Essa da educação é fácil de explicar. Sabendo do acordo que foi feito com os professores e sabendo que 85% do orçamento do Min Educação é gasto em ordenados tá explicado.

deixado a 26/2/10 às 15:53
link | responder a comentário

João Rodrigues
Tem toda a razão. Fiz uma pequena alteração no texto.

deixado a 26/2/10 às 16:30
link | responder a comentário

JMG
Percebo o despeito e a antipatia do texto que tranaparecem do texto. Este Soares dos Santos, o do "sítio do costume" (que raio quererá isto dizer) faz uma fundação para disponibilizar a estudiosos e curiosos, num só sítio, estatísticas dispersas. Grande patife. E entrega a direcção a um notório sabujo como António Barreto. Pr'a Caxias com os dois, já.

deixado a 26/2/10 às 18:12
link | responder a comentário

JMG
Correcção da 1ª frase:
Percebo o despeito e a antipatia que transparecem do texto.

deixado a 26/2/10 às 18:13
link | responder a comentário

[...] a excelente base de dados paga pela fortuna da família que controla o Pingo Doce, a que já aqui tinha feito referência, continua a dar que falar. Desta vez é Pedro Lains a chamar a atenção [...]

deixado a 7/3/10 às 11:45
link | responder a comentário

[...] poste, o cientista e comentador político Pedro Magalhães, também do ICS, prefere comentar um dos meus comentários ao pordata, feito a partir de uma indicação justa de Pedro Lains. [...]

deixado a 15/3/10 às 18:32
link | responder a comentário

Comentar post

pesquisa
 
TV Arrastão
Campanha
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador