Sábado, 24 de Julho de 2010
por João Rodrigues


“Eu defendo que deve haver, além de uma união monetária, também uma união política. Para isso tem de haver maior coordenação económica, e neste momento não há, e mecanismos de solidariedade e emergência que impeçam crises como esta (…) Há uma Constituição económica não-escrita na Europa. Mas o Tratado de Roma permite a coexistência de um sector público e de um sector privado. Se quiséssemos nacionalizar a PT, nenhuma lei o impediria. O que há é preconceitos ideológicos que também estão por trás das decisões do tribunal. O tribunal europeu interpreta sempre de maneira muito restritiva estes conceitos e é sempre a favor do império do mercado. São preconceitos ideológicos ultraliberais que hoje dominam.”

Manuel Alegre, em entrevista ao Público.

Há alguma inconsistência entre a defesa do aprofundamento da união política na UE e a defesa de um Estado estratego que, entre outras coisas, controle alguns sectores económicos importantes para a vida da comunidade nacional? Sim, para os que acham que a integração europeia tem de ser necessariamente guiada pela expansão das forças do mercado.

Para os outros, os que como Manuel Alegre sabem que o liberalismo económico tende a destruir o mercado porque não consegue vislumbrar os seus limites, nem pensar em políticas e instituições que contrariem a miopia dos interesses capitalistas, uma integração que trave a polarização social e regional e o declínio da Europa requer uma nova  combinação entre soberania nacional e integração supranacional.

Quatro linhas: uma política monetária vocacionada para a criação de emprego (reparem como no artigo de Jean-Claude Trichet, ontem no FT, as palavras desemprego e emprego não aparecem uma única vez); um orçamento europeu com mais peso, reconhecendo que não há moeda única sem mecanismos redistributivos e sem políticas económicas que enfrentem os chamados choques assimétricos; convergência ao nível da fiscalidade, para eliminar as “térmitas fiscais” criadas pela livre circulação de capitais. E, muito importante para um país como Portugal, a possibilidade de flexibilizar as regras do mercado interno para praticar uma política industrial digna desse nome.

É utópico? Talvez seja menos do que pensar que uma postura subserviente é compatível com o desenvolvimento do país. Neste momento, como já aqui se defendeu, Portugal deveria estar a trabalhar diplomaticamente numa aliança de países do Sul para impedir que as políticas de austeridade nos condenem a uma oscilação, sem fim, entre crescimento anémico e recessão…

por João Rodrigues
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42 comentários:
Alexandre Carvalho da Silveira
A confusão que vai na cabeça do Manuel Alegre.

Como politico, não se lhe conhece em 35 anos de democracia, nada que o distinga das cadeiras onde se sentou como deputado na AR; como poeta, há os que gostam da poesia que ele escreve, e os que não gostam; como candidato a PR, um autentico desastre.
Por exemplo: acusa o actual Cavaco de ter uma agenda escondida de programa de governo, e é ele proprio que se apresenta a estas eleições como se estivesse a concorrer a legislativas, com propostas de executivo.

Quanto à Europa, Manuel Alegre ainda não percebeu o que se está a passar depois do desastre dos PIIGS, dos quais a Grecia, como era o caso mais grave foi escolhido para bode expiatorio.

Na Europa, há os que pagam, e os que recebem. Depois da bagunça, como os meios são escassos, os que pagam mandam, e os que querem receber, como é o nosso caso obedecem. Se não for assim, teem que procurar outra vida. Não faltam todos os dias avisos de que alguns paises, entre os quais o nosso, provavelmente vão ter que sair do Euro. Para bom entendedor...

Mas o poeta Alegre, parece que ainda não percebeu.

deixado a 25/7/10 às 15:57
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da Maia
Este assunto faz-me lembrar a história do Péricles e da Liga de Delos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Liga_de_Delos

Grande génio foi Péricles... sim, da esperteza supra-saloia dos atenienses!
A boa-fé das outras cidades serviu apenas para continuar a encher os cofres de Atenas.
Glória com o vil engano - é isso que prezamos em Péricles e Atenas?

Por isso, tudo o que tinha que ser visto da UE já se viu - serve os interesses dos grandes estados. Ponto final.
A maioria dos "opinion makers" falará claro e alto em nome dessa Europa dos "amanhãs que cantam"... mas não nos esqueçamos hoje das "vozes que gritam", abafadas é certo.

Somos mamíferos, mas ou esta mama acaba, ou acaba a nossa independência. E os pequenos leitõezinhos não devem temer o pouco que mamaram, pois houve grandes porcos que mamaram muito mais. Esses continuarão a mamar... para os outros vai acabar, mais tarde ou mais cedo. Prezem o resto que sobra da coluna vertebral...

deixado a 25/7/10 às 00:47
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mf
choro todo o money que gastei com esse senhor na sua 1ª candidatura. gastei bastante , ele foi renda de sede , camisolas e tal. e fui ao meu 1º e , espero, último comicio.
das minhas maiores desilusões , o meu ex-manel. um homem igual aos outros , maquiavélico , ávido de honrarias , afinal.
não mexo um dedo por ele , por mais estratega que seja. a estratégia dele só tem objectivo , igualzinho ao do soares : ter um funeral mais bonito que o Cunhal....
mas entrar na história não é para todos.

deixado a 25/7/10 às 00:53
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Bolchevike
O que é?

Vamos continuar a gastar alegremente e os nossos filhos e os nossos netos é que vão pagar?

É tempo de austeridade, frugalidade e parcimónia.

Nada de gastos excessivos. Acabar com as mordomias, subsídios disto e daquilo entregues à alta administração e a toda a nomenklatura politico e de gestão das empresas públicas.

Sanear os politicos e gestores perdulários. Julgar os ladrões e os que nos puseram nesta situação.

Aplicar uma nova NEP- Nova Politica Económica.

Trabalho para todos, mas todos têm que trabalhar.

É inconcebível como andam por aí muito mamão com cinquenta e tal anos a mamar de reforma da teta pública e os desgraçados dos contribuintes a levantarem-se às seis e sete da manhã para sustentar esses cabrões!

Comigo isso vai ser diferente.

Queres comer? Vais ter que vergar a mola!

Banqueiros com «licença para roubar»? Campo de trabalho ou serviço cívico nalguma comunidade!

Em poucos anos o país paga as suas dúvidas e endireita-se!

O Alegre canta bem mas não percebe nada de politica e ainda não viu que esta gente só de chicote bem afiado é que começa a ter respeito pelo trabalho dos outros!

deixado a 25/7/10 às 03:15
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Gestrundino Malaquias do Coiro Calhau
Estamos completamente em sintonia política.

Registo com satisfação.

Sugira um E-mail, temporário ou não, e entro em contacto consigo para falarmos eventualmente de outras empreitadas.

Aguardo serenamente.

deixado a 25/7/10 às 18:23
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Gestrundino Malaquias do Coiro Calhau
Começando pelo título:

Mas qual Estado estratego? Viram algum Estado estratego nos últimos 25 anos?

O Estado tem tido um papel vergonhoso no apagamento da influência portuguesa do Mundo.

Não possuímos uma escola de estratégia e como tal não é possível vermos o país a longo prazo.

Os únicos que elaboravam no âmbito da estratégia eram os militares e hoje são desrespeitados pela maioria da sociedade especificamente os sectores da esquerda...que deram a paz como adquirida...

Acudirão sempre ao militar quando necessitarem...um pouco como a banca de casino clamou ao estado para a salvar não tendo querido até aí qualquer relação com ele.

O corpo do texto:

Manuel Alegre defende uma União Política. Pois bem...eu também...mas para Portugal não ser completamente apagado nessa União são necessárias duas condições:

1 - Que tenhamos uma escola de estratégia que defina o rumo do país e não a entreguemos À Europa. Os grandes Estados não o fazem.

2 - QUe formemos pessoal de elevada qualidade técnica e força psicológica para aguentarem negociações cruciais em grande nivel.

"Há uma Constituição Económica não escrita na Europa?"

Saberá ele o que está a dizer? Obviamente que esta está escrita no Tratado e os protocolos quanto À união monetária.

Uma frase descabida de quem não percebe nada de economia.

Venderam a Portugal e a Espanha a ideia de que deviam abandonar s seus círculos de influência linguisticos e voltar-se para a Europa.

Quem ganha? A Alemanha e a França.

A Inglaterra não foi na cantiga...um dos Estados com uma pujante escola de estratégia.

Para finalizar:

Uma aliança de países do Sul? A Itália não entra em alianças com a Espanha.

São cada vez mais países concorrentes pela liderança do Sul.

Uma aliança de Portugal e Grécia? LOL

Uma aliança de Portugal e Espanha? Se muito bem pensado...penso que seja o caminho do futuro...Mas com portugueses Maxos..não com gente que não merece a independência do seu país...Umas visitas a Itália ajudavam aos políticos de Portugal...a ver se ganhavam atitude.

deixado a 25/7/10 às 09:25
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Carlos Marques
Claro que houve um Estado estratego. Alegre bem tem vivido a servir o Estado. Ontem fiquei a saber que há um filho de Alegre como diplomata (Estado) em Luanda.

Claro que há um Estado estratego, de uma estratégia pessoal, que é como se fosse uma empresa privada e vai sendo herdado pelos descendentes dos que entraram na Administração do Estado no tempo certo.

O Estado como empresa privada de uns quantos e que quando precisa de mais dinheiro para pagar mais ordenados a netos e bisnetos faz o seguinte: aumenta os impostos aos cidadãos-vassalos.

deixado a 25/7/10 às 12:27
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João Moreira
Eu defendo que deve haver, além de uma união monetária, também uma união política


Isto é-nos dito pelo homem que plangentemente canta a pátria, e quer ser, diz-nos com pompa, «mais alto magistrado da Nação». Que a dita nação e a citada pátria desapareçam, diluídas no federal-imperialismo eurocrata, parece-lhe todavia a mais natural das coisas. Mais do que natural: boa, salubre, defensável...

deixado a 25/7/10 às 12:31
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Gestrundino Malaquias do Coiro Calhau
Interessante.

deixado a 25/7/10 às 12:49
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José Rodrigues
Para os outros, os que como Manuel Alegre sabem que o liberalismo económico tende a destruir o mercado porque não consegue vislumbrar os seus limites, nem pensar em políticas e instituições que contrariem a miopia dos interesses capitalistas...]

Ufa ca susto, Deus nos livre do bloco e dos seu neoestalinistas!

deixado a 25/7/10 às 15:02
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