Resultado final do Carnaval do Governo PSD/CDS: os deputados da maioria do Centrão prestando vassalagem aos amanuenses da Troika no parlamento e o BE e o PCP a assistir; a tradicional folia da época para o povo, por essas cidades e aldeias do nosso Portugal, samba de importação e consequentes resfriados incluídos no pacote; hotéis menos cheios devido à crise, mas ainda assim bem compostos; escolas sem alunos e professores, funcionários a olhar para as paredes e a matar moscas para passar o tempo; repartições calmas, silenciosas, funcionários aborrecidos despachando papelada de meses entre cafés e Facebook; centros de saúde com médicos e enfermeiros jogando Solitário para passar o tempo; um dia de sol como os outros, algumas nuvens ao cair da tarde, milhões de euros gastos pelo Estado em subsídios de refeição pagos a funcionários públicos com uma produtividade próxima do zero; algumas greves, sem stresse; Miguel Relvas novamente a nomear Miguel Relvas para mais uma comissão de inúteis constituída com o objectivo de produzir inutilidade. Um dia normal em Portugal, portanto. Siga.
(Imagem encontrada no Câmara Corporativa.)
Nigel Farage é deputado no Parlamento Europeu eleito pelo UK Independent Party. Passou pelo partido Conservador inglês, mas saiu em 1993 opondo-se ao Tratado de Maastricht. É um feroz eurocéptico e define-se politicamente como libertário. Está muito longe dos meus ideais políticos. Contudo, o conjunto das suas intervenções no Parlamento - mais algumas entrevistas - é de um brilhantismo oratório a toda a prova. E é difícil não concordar com muitas das ideias por ele defendidas quando fala das actuais políticas europeias. Enfrentou Van Rompuy e humilhou José Manuel Barroso, o presidente da Comissão Europeia escolhido "secretamente" por ser a marioneta perfeita do poder alemão na Europa. É polémico, certeiro, foge à língua de pau da política, não tem medo do politicamente incorrecto. Gosto dele.
Desemprego sofreu a maior subida de sempre, para 14% no final do ano.
E, en passant:
Um Presidente da República bravely running away. A maioria sonhada por Sá-Carneiro a caminho da implosão.
E ainda:
Moody’s baixa nota de Portugal, Itália e Espanha.
E ainda:
Sobre esté último dado: bastaram seis meses de medidas de austeridade para o país entrar em recessão técnica. O ano de 2012 vai ser, definitivamente, um ponto de viragem. Em direcção ao fundo.
"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem." - Bertolt Brecht.
Açores, Madeira, Lisboa, Porto, Sines, Torres Vedras, Loures, Amadora, Vila Real, Ovar, Figueira da Foz e Cascais decidiram mostrar o dedo a Pedro Passos Coelho e vão dar tolerância de ponto no dia 21 de Fevereiro. E ainda faltam 12 dias para o Carnaval. Este ano, os caretos vão andar para as bandas de São Bento.
Adenda: os bancos, incluindo o Banco de Portugal irão estar encerrados na terça-feira de Carnaval. E Marcelo Rebelo de Sousa diz que o Governo "perdeu [a batalha] a nível nacional, regional e local". Terá aprendido a lição, o pobre - ganha pouco, coitado - político Coelho?
Bem lembrado aqui pela Shiznogud, o assunto das indemnizações que a Alemanha nunca pagou à Grécia e que agora volta a ser trazido à baila por deputados gregos.
E este texto de Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias:
"A agência de rating Moody's baixa a nota da Grécia; as taxas de juro explodem; o país declara falência; a população revolta-se; o exército toma o poder, declara-se o estado de urgência e um general é entronizado ditador; a Moody's, arrependida pelas consequências, pede desculpa... "Alto!", grita-me um leitor, que prossegue: "Então, você começa por dizer que vai recapitular e, depois de duas patacoadas que todos conhecemos, lança-se para um futuro de ficção científica?!" Perdão, volto a escrever: então, recapitulemos. Só estou a falar de passado e vou repetir-me, agora com pormenores. A Moody's, fundada em 1909, não viu chegar a crise bolsista de 1929. Admoestada pelo Tesouro americano por essa falta de atenção, decidiu mostrar serviço e deu nota negativa à Grécia, em 1931. A moeda nacional (dracma) desfez-se, os capitais fugiram, as taxas de juros subiram em flecha, o povo, com a corda na garganta, saiu à rua, o Governo de Elefthérios Venizelos (nada a ver com o Venizelos, atual ministro das Finanças) caiu, a República, também, o país tornou-se ingovernável e, em 1936, o general Metaxas fechou o Parlamento e declarou um Estado fascista. Perante a sua linda obra, a Moody's declarou, nesse ano, que ia deixar de dar nota às dívidas públicas. Mais tarde voltou a dar, mas eu hoje só vim aqui para dizer que nem sempre as tragédias se repetem em farsa, como dizia o outro. Às vezes, repetem-se simplesmente."
É este o gesto que as palavras do licenciado aos 37 anos me merecem. O incompetente que foi arranjando trabalho em empresas do seu padrinho político, Ângelo Correia. O eterno estudante que passou metade da vida como jovem jotinha no parlamento e que chegou a primeiro-ministro à conta da lambe-botice das bases do PSD. O medíocre que comprova o Princípio de Peter - "Num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência" - na pior altura possível para o país: quando chega à liderança do Governo. A paciência esgotou-se. É caso para dizer (como se diz aqui): ó sr. primeiro-ministro, o senhor é, manifestamente, uma besta.
Confirma-se: o que seria a boa solução há um ano, será agora a única solução possível, com todas as implicações que isso terá. Um ano perdido a acelerar contra a parede, com milhões de euros a mais pagos em juros aos nossos credores, a economia de pantanas e os portugueses muito mais pobres.
*Post reformulado. Sócrates nunca defendeu a reestruturação. Defendeu que as dívidas são "para se ir pagando". Obrigado aos comentadores que me chamaram a atenção para isso.
«Um "default" é acidente. Dois já é uma crise sistémica. Quem o diz é Matthew Lynn, presidente executivo da Strategy Economics, sublinhando que Portugal voltará a ter um importante papel no palco mundial. Mas pela negativa. Ao Negócios, diz que o incumprimento português é inevitável. "É apenas uma questão de tempo". (...)
“A Grécia já estoirou – e o seu incumprimento está já descontado pelo mercado. Mas Portugal está precisamente na mesma posição (…). Está também a resvalar para um inevitável ‘default’ das suas dívidas – e quando isso acontecer, vai ter um efeito devastador para a moeda única e infligir danos ao sistema bancário europeu, que poderão revelar-se catastróficos”, escreve Lynn, autor de dois livros de economia: "The Billion-Dollar Battle: Merck v. Glaxo and Birds of Prey: Boeing v.Airbus" e Bust: Greece, the Euro and the Sovereign Debt Crisis.
O analista e consultor britânico compara a situação de Atenas e de Lisboa, destacando que “Portugal - um dos países mais pobres da União Europeia, com um PIB per capita de apenas 21.000 dólares, significativamente abaixo dos 26.000 dólares da Grécia – fixou metas de redução do seu défice de 4,5% em 2012 e de 3% em 2013”.
“Então e como está a sair-se?”, questiona-se. E responde: “Quase tão bem como a Grécia – ou seja, nada bem. Prevê-se que a economia grega registe uma contracção de 6% este ano e Portugal não fica muito atrás – o Citigroup estima que a economia ‘encolha’ 5,7% em 2012 e mais 3% em 2013”. (...)
“O resultado qual será?”, pergunta. E volta a responder: “Os objectivos de redução do défice não vão ser cumpridos. No início deste mês, o governo reviu em alta a previsão do défice, de 4,5% para 5,9% do PIB este ano. Se a experiência grega for válida, esta meta continuará a ser revista em alta. A economia encolhe, cada vez mais pessoas transitarão para a economia subterrânea para sobreviverem e o défice continuará a crescer”.
“Em resposta, a União Europeia exige mais e mais austeridade – o que significa, muito simplesmente, que a economia continuará a contrair-se ainda mais. É um círculo vicioso. Se alguém souber como sair dele, então está a guardar o segredo para si próprio”, comenta Lynn. (...)
“E isso é importante”, sublinha. Isto porque, adianta, a crise grega poderia até ser vista como um caso especial. “Mas não a de Portugal. Não houve ‘manipulação’ nos números [Portugal] não registou défices excessivos – com efeito, quando caminhávamos para a crise de 2008, o País apresentava défices de menos de 3% do PIB, bem dentro das regras impostas pela Zona Euro. Não era irresponsável*. O problema, muito simplesmente, é que Portugal não conseguiu competir no seio de uma moeda única com economias muito mais fortes. Agora, o País está a mergulhar numa depressão em toda a escala – tão má como o que se testemunhou nos anos 30 [Grande Depressão] – devido à união monetária”.
“Vai ser tão grave como na Grécia. E talvez até pior”, vaticina.»
No Jornal de Negócios. Sublinhados meus. * Este senhor analista está evidentemente errado. Portugal andou claramente a viver acima das suas possibilidades, como não se cansam de afirmar as cabeças bem pensantes deste país.
Uma vez mais, iremos assistir ao financiamento da banca pelo Estado. O mesmo Estado que está a despojar os contribuintes de parte dos serviços que lhe compete assegurar - na Saúde, na Segurança Social e na Educação -, aumentando no mesmo passo impostos. Os bancos portugueses, cujos rendimentos vêm em parte do dinheiro que lá depositamos, tiveram prejuízo em 2011, mas rapidamente anunciaram que irão recapitalizar-se recorrendo ao fundo do Estado destinado a esse efeito. O Governo que anda a privatizar empresas lucrativas - no caso da EDP e da REN, não foram privatizações, mas sim transferências de bens do Estado português para o Estado chinês - financia ao mesmo tempo os prejuízos de empresas privadas. O nosso capitalismo continua a ser sui generis: não existe verdadeira concorrência em muitos sectores, as leis da oferta e da procura não funcionam, e, se por acaso há prejuízos, resultado das decisões dos gestores que estão à frente dos bancos, o Estado chega-se à frente e dá uma esmolinha. De milhões. Que, vá lá, sejamos demagógicos, saem do nosso bolso.
Na Irlanda, foi esta receita que levou à crise de financiamento e depois económica. Na Islândia, o contraponto a este tipo de política, foi uma posição de força irmanada do poder do povo que acabou com o regabofe do financiamento da banca pelos impostos dos contribuintes privados. Várias instituições que se tinham envolvido durante anos em jogadas financeiras altamente especulativas foram deixadas falir, os seus responsáveis foram ou estão a ser julgados, e o primeiro-ministro que deixou o país ir à bancarrota também foi incriminado pelas decisões tomadas. Ah, e o pagamento da dívida islandesa aos seus credores está suspenso, até que o país recupere. E está a recuperar, com um crescimento da economia que já chegou aos 3%. Por cá, Passos Coelho promete continuar com a austeridade, "custe o que custar". Aos bancos, claro está, não irá custar assim tanto. Com uma condução destas, alguém achará ainda que o desastre é evitável?
"Gostaria de ver os arautos dos "mercados" que moralizam que "as dívidas são para pagar" (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.
Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês "Les Echos", a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos "mercados", entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).
A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.
Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, "prioridade absoluta ao pagamento da dívida."
Esta notícia, "soprada" pelos assessores e arregimentados do Presidente Cavaco ao Público e ao Expresso, parece ser um golpe decisivo na deriva ensandecida de Gaspar, Coelho e C.ª. Parece. Na realidade, não é. É apenas a forma que o staff presidencial encontrou para permitir que Cavaco possa novamente sair à rua sem que seja assobiado. Não há melhor lixívia para a imagem do que um ataque ao "ultraliberalismo" do Governo. Jogada demasiado previsível dos spin doctors de Belém. Brincadeira de crianças. O país é outra coisa; e dará a sua resposta nos próximos meses: a eleição de Arménio Carlos para líder da CGTP é o próximo passo nesse sentido.
Grécia exclui hipótese de ceder a sua soberania orçamental à UE.
Esperemos que a resistência grega seja duradoura. Mas a questão aqui é: o que irá acontecer quando Merkel se virar para o controlo da nossa soberania? Teremos um Governo à altura das suas, das nossas, responsabilidades? Ou continuará Passos Coelho a ser o caniche do directório franco-alemão?
Juros das obrigações a dez anos continuam a bater recordes nos mercados secundários.
Actividade económica e consumo com queda recorde no mês do Natal.
Superintendentes da PSP em revolta.
O Economist avisa que a austeridade não é solução.
Um tipo que agora estuda em Paris também anunciou várias vezes "pontos de viragem" e o "fim da crise". Foi o que se viu. Pena é que o delírio desta gente vá ter como resultado a destruição do país. Mas enfim, vivemos no melhor dos mundos.
«Serviços de internamento cheios obrigam a pôr doentes nos corredores do Sta. Maria.
Uma fonte próxima da principal unidade do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) disse mesmo ao PÚBLICO que “o Hospital de Santa Maria virou um autêntico hospital de campanha” nos serviços de internamento, “porque é o cenário que mais se assemelha à realidade vivida nestes serviços nos últimos tempos”
“Além dos 21 utentes que podem receber em camas no internamento, quase todos os serviços estavam com 10 utentes internados ao longo do corredor numa maca”
José Pinto da Costa apontou ainda a crise como outra razão para o excesso de afl uência ao hospital, que levou a que muitas pessoas deixassem de ter um seguro de saúde.»
De realçar o falhanço da estratégia do antigo gestor da Medis, Paulo Macedo, para convencer os utentes a recorrerem aos serviços de saúde privados, destruindo assim o SNS. Por causa da crise, e mesmo com um agravamento brutal das taxas cobradas pelos serviços de saúde públicos, não há dinheiro para CUF's ou Hospitais das Luzes. Só os ricos continuam a poder ter esse privilégio. Em tempos de acelerado empobrecimento, as desigualdades sociais crescem ainda mais no país mais desigual da UE.
Mário Crespo, uma das vergonhas do jornalismo (?) nacional, é demolido pelo sindicalista Arménio Carlos. Ou como a inteligência e, sobretudo, a razão derrotam por KO a untuosidade bolorenta destas criaturas que apenas existem para servir quem está no poder.
Adenda: o primeiro vídeo publicado não era o correcto. Agora sim, o debate entre o "jornalista" e o sindicalista.
7 dias. 56 horas. De trabalho escravo por ano. Mais a possibilidade do empregador escolher quando são as férias do empregado. E uma maior flexibilização dos despedimentos, permitindo na prática que o patrão possa despedir quando muito bem entender. Foi isso que o Governo ofereceu aos patrões, com a conivência activa da UGT. O desplante do Álvaro, deslumbrado por ter ido além da troika, significa na prática um retrocesso de algumas décadas no que diz respeito a direitos dos trabalhadores. O sorriso do empreendedor do pastel de nata é cínico e revoltante. Quem esteve bem foi Costança Cunha e Sá: a CGTP teve razão ao abandonar as negociações com o Governo. Antes isso do que fazer como João Proença, que, apesar de ser contra todas as medidas acordadas - deve ser isto, a tal "abstenção violenta" de que falava Seguro -, emergiu como parceiro deste ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores.
À margem: mais um senador do regime a pedir trabalho como na China. Daniel Bessa, antigo ministro de Guterres, "admira a persistência" do Álvaro e a "coragem da UGT". Mas de que buraco sai esta gente? Mais importante, não se poderá exportá-los para uma qualquer instituição parceira em Angola?
Estranhamente, as medidas de austeridade do Governo PSD/CDS não estão a merecer a confiança dos "mercados". Terão estes tido conhecimento da venda da EDP e do pacote de boys que ela implicou?
Curioso é também ver que a vitória da direita teve como consequência a descida de dois níveis em Espanha. E o Governo de salvação nacional de Itália também levou o mesmo tratamento. Bem, querem lá ver que a crise é mesmo sistémica e a solução não passa pelo diktat de Merkel e Sarkozy (by the way, adieu, rating AAA)?
O clube de fãs de Alexandre Soares dos Santos ataca em força na blogaria. Que há por aí um "histerismo" dos media, uma "hipocrisia". Enfim, só posso dizer: têm toda a razão. E então quando vêm os partidos do Governo lamentar a atitude de ratazana abandonando o barco do merceeiro do Pingo Doce, mais convencido fico. É claro que ele pode mudar a cabeça da holding para muito bem entender, é livre de o fazer e tem legitimidade económica (o que quer que seja que esta expressão signifique) para isso. O que é chato é ter andado tanto tempo a aparecer em "planos inclinados" e outras salubridades do género, apregoando uma moral patriotinha e cretina e apelando aos sacrifícios dos portugueses e a um maior esforço dos seus clientes e trabalhadores - até porque os lucros da empresa que dirige têm de manter-se constantes. Mas quem, no lugar dele, não se poria daqui a andar? Fantástico argumento; aplicado até ao absurdo, faria com que o país apenas ficasse com os aleijados, doentes e crianças. (E os políticos e jotinhas que gravitam o poder.) Enquanto não sai o próximo número da excelsa colecção barretiana da benemérita fundação do Pingo Doce, até podemos ir sugerindo medidas a este Governo (ou outro) para evitar esta fuga de capital para mais aprazíveis paragens: por que não uma sobretaxa sobre as empresas cujas holdings ou subholdings estejam sedeadas em países estrangeiros? Ou então, benefícios fiscais para quem decidir mudar-se para (ou ficar) cá. Isto, é claro, se a progressão fiscal nos rendimentos singulares for mais acentuada. Será que assim, com um regime fiscal parecido com o da Holanda* - impostos baixos para as empresas e altos para rendimentos, o que lhes permite manter um Estado Social forte e sustentado sem limitar a livre iniciativa - os nossos "liberais" ficariam contentes? Melhor ainda: voltaria Soares dos Santos ao país, caso houvesse algum Governo que tivesse a coragem de implementar esta revolução fiscal?
*Para uma comparação mais directa com o nosso país, ver aqui. Enquanto em Portugal os impostos sobre o rendimento singular variam entre os 10.5% e os 40%, na Holanda, a variação vai de 0 a 52%. Para além do mais, a diferença não é assim tão grande no IRC: 20 a 25% na Holanda e 25% aqui. Competitividade é, definitivamente, isto.
Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais pobres.
O meu sincero obrigado ao Governo PSD/CDS (com a extraordinária contribuição do Governo Sócrates). Conseguimos ser os primeiros em alguma coisa: o empobrecimento. Estamos todos de parabéns.
Sampaio condecora hoje 21 empresários e investigadores.
Dona da Jerónimo Martins passa totalidade do capital para subsidiária na Holanda.
E o caga-sentenças António Barreto, o que terá a dizer sobre isto?
(A imagem é do Nuno Serra.)
A semana que antecedeu o Natal foi um ver se te avias do Governo PSD/CDS, desmultiplicando propaganda pelos meios de comunicação: foi uma grande entrevista a Passos Coelho na TV; uma pequena entrevista a Paulo Portas também na TV; inúmeras solicitações a jornais e revistas de ministros e secretários de estado, incluindo algumas entrevistas de fundo de governantes que têm passado por questões polémicas, como Paula Teixeira Cruz (ao Público). Mas quem bateu aos pontos o bombardeamento dos colegas - para alguma coisa têm de servir as centenas de boys assessores plantados nos ministérios - foi o ubíquo e profícuo Miguel Relvas. Diariamente numa televisão perto de si, em conferências de imprensa, grandes entrevistas, visitas ao telejornal da RTP... enfim, para quê ter uma estação pública para a propaganda quando as agências de comunicação e os assessores de imprensa conseguem pôr a imagem de Relvas em todos os ecrãs e primeiras capas de jornais deste país?
Uma das entrevistas de fundo foi dada ao Expresso por esta criatura. Esta semana, uma carta de uma leitora a desmentir a afirmação de que o ministro da Propaganda tem vida além da política. Sabemos que a miríade de lugares ocupados em empresas privadas durante um percurso na política não é caso único, mas caramba, é preciso ter alguma lata para vir dizer que "tem vida além da política". A desvergonha é tanta que tudo é feito às claras. Surpreendente foi que Portugal apenas tenha baixado um lugar no índice democrático do Economist. Estamos em plena carburação de um período de nojo nacional. É fartar, vilanagem!
(Via Câmara Corporativa.)
Não será coincidência que, nesta época de solidariedade hipócrita e de caridadezinha cristã, quando os ricos aliviam a sua consciência pesada ofertando migalhas aos pobres, seja anunciado que a quebra na duração dos subsídios de desemprego, numa altura em que este cresce em flecha, poderá chegar aos 75%. A medida é burra e completamente errada em termos económicos. Mas é sobretudo uma afronta a quem andou anos, décadas, a contribuir para a Segurança Social, e se vê no desemprego. E é um crime, cometido em nome de uma ideologia neoliberal assassina. Não poderá haver desculpa. Espero que, mais cedo ou mais tarde, o povo demonstre a estes criminosos inspirados por ideias económicas extremistas que há limites para o delírio em que o país parece ter entrado. E seria melhor que fosse mais cedo. Antes que seja demasiado tarde.
Até agora, os privados detinham 78,65% e o Estado português 21,35% da EDP, empresa sem concorrência no mercado português e detentora de um sector estratégico da economia nacional. Hoje, a réstia de monopólio desse sector foi vendida a uma empresa detida a 100% pelo Estado chinês. Está certo. O mercado livre a funcionar significa, neste caso, um Estado estrangeiro - e por acaso, apenas por acaso, uma ditadura - comprar uma parte importante da nossa economia e abdicarmos da nossa soberania neste sector. Deve ser a isto que os nossos "liberais" chamam "desregulação radical"...
A catadupa de notícias do outro mundo não pára. Cada dia, parece que o país bate mais fundo. Hoje, é a história relatada no Correio da Manhã pelo subdirector Manuel Catarino: um mail dirigido a meia dúzia de jornalistas pelo porta-voz da PSP, Paulo Flor. Recorde-se, o mesmo que assegurou que o tal alemão anarquista era procurado pela Interpol (por falar nisso, por onde andará ele?). É preciso ler a notícia. Contado, é demasiado incrível para se acreditar.
" O porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário Paulo Flor, enviou a meia dúzia de jornalistas amigos um amável e-mail com timbre oficial.
Dirige-se-lhes com a informalidade que um pingo de pudor aconselharia a evitar: "Caros amigos de jornada". Pede--lhes, em nome da PSP, o maior "destaque" à detenção de dois suspeitos do roubo e sequestro de um director da RTP, Fernando Alexandre, e do vice-presidente da Caixa, Norberto Rosa – casos tratados no CM. Não se ficou por tão pueril pedido.
Termina com um apelo aos "amigos de jornada". Fala-lhes ao coração: "O vosso contributo é essencial para que as medidas de coacção sejam o mais lesivas possíveis para os suspeitos". O comissário Flor, além de um atrevimento censurável, revela um entendimento canhestro sobre a função e os limites da PSP. Atreve-se, em nome da PSP, a sugerir aos "amigos de jornada" que pressionem os magistrados para prenderem os suspeitos – e desconhece que a prisão preventiva não é uma espécie de pena inicial. A PSP há-de dizer – imagino – que o porta-voz falou por sua conta e risco."
(Via Jugular)
"A única forma de o governo dar esperança neste momento é mentindo. Gorvernantes que mentem e iludem para dar esperança foi uma das causas dos nossos actuais problemas." - Comentário do João Miranda (olha quem) apanhado num post do Blasfémias.
Mais um "liberal" que salta em defesa de Passos Coelho sacando do trunfo "falar verdade aos portugueses". Para o João Miranda, com amor, uma reprise do vídeo produzido pelo Aventar.
No mesmo blogue, José Manuel Fernandes reproduz um gráfico catita com a percentagem no PIB português das remessas dos emigrantes desde 1975. Esquecendo-se que, a partir de 1978, duas coisas muito simples aconteceram: os portugueses que tinham emigrado durante o Salazarismo começaram a voltar; o país estabilizou politicamente e a economia começou a crescer, e, consequentemente, a percentagem das remessas no PIB baixou. Para além disso, imagino que José Manuel Fernandes também deva esperar que esta fornada de emigrantes tenha a bondade de enviar o dinheiro que ganham no estrangeiro para bancos portugueses. Aconselho-o a esperar sentado. O investimento que o país fez na educação destes novos emigrantes vai ter uma recompensa: eles são suficientemente inteligentes para abrirem contas e investirem nos países de acolhimento. Alguém informe o José Manuel Fernandes - e, já agora, o senhor que diz ser o nosso primeiro-ministro - desta inevitabilidade. Não é fácil, ser cretino.
Uma carta publicada no Facebook por uma das pessoas "excedentárias" que este país quer mandar lá para fora. Uma apenas. Entre milhares. Tanta gente não pode valer tão pouco para quem manda.
"Exmo Senhor Primeiro Ministro
Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.
Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...
Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...
Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.
Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro. E como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.
Myriam Zaluar, 19/12/2011"
Por favor, a fauna habitual abstenha-se, por uma vez que seja, de passar todos os limites éticos e humanos na caixa de comentários deste post. Já que nem por vocês próprios conseguem ter respeito, pelo menos tentem respeitar quem aos 42 anos desistiu de lutar por um país ingrato. É o mínimo.
(Via Joana Lopes.)
Outra maneira de reduzir a população portuguesa, para além da emigração forçada: esperar que os doentes que aguardam uma operação ou um transplante morram. Qual será o número de portugueses a partir do qual o Governo já consegue governar? Nove milhões, oito? É que os incentivos à natalidade também estão a acabar e, já se sabe, uma morte é uma tragédia, milhares, apenas um número.
"O desemprego é infelizmente uma realidade há vários anos nesta área e a situação não irá melhorar. Certamente nunca a curto prazo. Mas as claques que têm vindo a reagir de forma indignada, muitos dos quais nem sequer se deram ao trabalho de lerem o que realmente Pedro Passos Coelho disse, denota que em Portugal há uma série de pessoas que prefere que os políticos mintam."
Este tipo tem toda a razão. Onde é que já se viu, o pessoal ficar indignado com a verdade? Felizmente que ainda há políticos honestos, sinceros, que nunca mentem e dizem sempre a verdade - a redundância é propositada, o nosso primeiro-ministro merece todos os pleonasmos do mundo. Um homem sério, com planos para o futuro, que sabe o que quer para o país. Que ingratidão, ninguém compreender a visão deste homem!
Enquanto o Governo se encontra reunido preparando o nosso futuro - outro modo de falar da liquidação total do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social, da Educação e das empresas públicas que dão lucro -, a Inglaterra e outros países preparam-se para a guerra. Os planos de evacuação de Portugal e Espanha estão a ser preparados, para que os cidadãos britânicos consigam escapar do Titanic. Parece mentira? Pois. Mas o que pertencia há uns tempos ao domínio da ficção surreal, agora é verdade. Depois de um secretário de Estado ter pedido há umas semanas para os portugueses saírem da "zona de conforto", hoje, o administrador da insolvência do país aconselhou os professores a emigrar. Nem vale a pena falar no investimento que o Estado fez na formação das dezenas de milhar de formados que estão desempregados ou trabalham em empregos precários. Investimento que o primeiro-ministro prefere oferecer a outros países. Uma declaração destas é criminosa, uma enormidade. Apenas conseguimos compreender isto se Coelho tiver uma coisa em mente: a emigração em massa irá facilitar a sua governação. Com menos desempregados no país, há menos prestações sociais a pagar, os números do desemprego baixam, e sobretudo a massa crítica do país - não nos podemos esquecer que são jovens com formação superior, muitos deles com doutoramento, que estão a sair - deixa de existir, e com ela a contestação, a crítica, a possibilidade de se fazerem as coisas de maneira diferente. Facilitar a vida a quem se prepara para comprar o país, eis o que parece ser a principal motivação deste Governo. Não sei se perceberam, mas Portugal acabou, enquanto nação independente. Depois, não se queixem.
Os "liberais" descobrem a pólvora.
António José Seguro continua a fazer o seu caminho... para lado nenhum.
Está tudo bem, tudo se vai resolver.
Descida de salários e pensões? Austeridade? “se formos nessa direcção, colocaremos [o país] em recessão e em deflação. Se reduzir as suas receitas ao mesmo tempo que baixa as suas despesas, você não resolve os problemas de défice".
Quem disse isto?
A) Um perigoso comunista grego
B) Um perigoso trotskista português
C) Nicolas Sarkozy
(Via Facebook.)
Moody’s corta "rating" da Bélgica.
Curiosamente, enquanto este país não teve um Governo - cerca de um ano, recordemos - a economia foi crescendo. Bastou os flamengos e os valões porem-se de acordo para começar o descalabro. E como começou? Com o salvamento de um banco, o Dexia. A história do costume.
(É preciso inventar um novo acrónimo. PIIGBeeS? PIIGBS? Ou vamos esperar um pouco mais pela França e pela Holanda?)
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