Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

É oficial: a censura foi reimplementada em Portugal. Com uma ajudinha dos nossos amigos angolanos, que percebem muito da poda. A brincadeira do Prós e Contras em Angola não foi um acidente de percurso.



por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

Mário Crespo, uma das vergonhas do jornalismo (?) nacional, é demolido pelo sindicalista Arménio Carlos. Ou como a inteligência e, sobretudo, a razão derrotam por KO a untuosidade bolorenta destas criaturas que apenas existem para servir quem está no poder.

 

Adenda: o primeiro vídeo publicado não era o correcto. Agora sim, o debate entre o "jornalista" e o sindicalista.


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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Uma espécie de serviço público de propaganda proporcionado pelo seu programa preferido, o Prós e Contras, lixo televisivo pior do que a Casa dos Segredos - porque muito mais perigoso. Um combate entre o privatizador da Saúde contratado pelo PS, Correia de Campos, e o privatizador da Saúde contratado pelo PSD, Paulo Macedo. Ambos com uma impecável folha de serviços por conta de empresas privadas ligadas à área que acabaram por vir a tutelar, o primeiro no Governo Sócrates, o segundo no Governo proconsular do Coelho. Uma democracia de fachada, meus senhores, é isto. 


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por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

O ministro da propaganda, o ominoso Relvas, reservou um lugarzinho para si no Telejornal da RTP1, logo a seguir às reportagens sobre a greve. Se isto não é uma espécie de "Conversas em Família", não sei o que possa ser. O pior é que mudamos para a SIC, controlada por uma das principais figuras do PSD, e ainda é pior: a cobertura feita na SIC-N foi vergonhosa, de uma parcialidade imbecil e perigosa. A quantidade de apartes engraçadinhos e despropositados que a principal repórter a acompanhar a manifestação ia fazendo às declarações das pessoas presentes deveria figurar num manual de mau jornalismo. Por outro lado, a histérica repórter da RTP, Rita Marrafa de Carvalho, andou a tarde toda a clamar por "tumultos", e quando finalmente aconteceram (provavelmente instigados por um infiltrado da PSP), fugiu escadarias da Assembleia acima gritando "tumultos! tumultos" e reclamando junto dos polícias por estes estarem a agredir jornalistas (e aconteceu, um fotógrafo está hospitalizado)*. A TVI acabou por fazer a cobertura mais professional e imparcial. 

 

Seja pública ou seja privada, a televisão e os seus funcionários já têm o discurso ensaiado: as medidas de austeridade são necessárias, e quem se opuser é um agitador criminoso. Os repórteres destacados para acompanhar estes acontecimentos levam o disco formatado e não conseguem sair do guião, até porque estão a ser observados pelo patrão. Entre o sensacionalismo, a incompetência e o preconceito, acabam por levar a água ao moinho de quem dirige as estações. A excepção da TVI (que tinha já acontecido em anteriores manifestações) atenua um pouco este estado de coisas. Mas o panorama geral é desolador.

 

*Eu vi em directo a polícia a dar bastonadas em tudo o que se mexia, incluindo quem não tinha nada a ver com a invasão das escadarias e jornalistas que por ali estavam. Na RTP. Curiosamente, essas imagens não passaram na reportagem do Telejornal, nem a agressão a jornalistas foi referida. Mas claro, o ministro da propaganda já estava no estúdio. Não iam querer fazer má figura, certo?

 

Adenda: a Fernanda Câncio, sem ter visto a cobertura da greve nem ter estado nas manifestações (imagino eu) indigna-se com a minha generalização sobre o trabalho dos jornalistas destacados para este tipo de reportagens. Fica-lhe bem a defesa da sua classe, mas prefiro nem sequer responder a tal indignação mal-educada. Eu sei o que vi, e posso imaginar o que está por detrás daquilo; não devemos ser ingénuos: a maioria dos repórteres que acompanhou a manifestação, de cada vez que falava com um dos manifestantes ou directamente para a câmara, espumava de ideias feitas sobre a greve e as intenções de quem ali estava. Um dos exemplos foi a repórter da SIC a insistir com um dos manifestantes, Avenida abaixo, sobre a legitimidade de estar ali e da greve, tendo em conta a situação económica do país. Mas enfim, lá está, só quem viu ontem os canais noticiosos e os telejornais é que pode saber do que eu estou a falar...



por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 Bela capa a de hoje, do jornal I, a marcar a sua posição enquanto basura dos jornais portugueses, sub-produto de um sub-capitalista que adquiriu há meses a publicação com a intenção de acabar com o pagamento aos colunistas. Sintomático.



por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

Sem concurso, violando todas as regras internas da RTP, passando por cima da Direcção de Informação e da administração da empresa, voo directo para Washington. Miguel Relvas e Mário Crespo - o tal jornalista de referência - brincando com a malta, abusando de uma desfaçatez inaudita. Estamos no bom caminho.



por Sérgio Lavos
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Sábado, 23 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Sobre o tratamento que alguns (a maioria, digamos) media deram, desde o início, aos atentados na Noruega, ler este post da Palmira Silva no Jugular. E ficam algumas perguntas: um islâmico que leva a cabo um atentado poderá sempre ser um fundamentalista islâmico? Poderá um cristão devoto ser chamado de fundamentalista cristão? Ou será apenas um louco, como tenho visto escrito? Se um cristão que mata dezenas de pessoas é apenas um louco, um terrorista islâmico também não deverá ser considerado apenas como tal? E não me falem em motivações ideológicas ou políticas; um bombista suicida islâmico é tão motivado politicamente como um neonazi que decide plantar uma bomba em edifícios civis. Estamos mais bem preparados para lidar e, no fundo, aceitar, a ameaça estrangeira, do que a ameaça interna, dos nossos "brancos", dos "noruegueses de gema" (como apareceu na declaração da polícia noruegesa). É nestas alturas, de pasmo perante o horror, que se revelam os preconceitos do mundo ocidental em relação ao "outro". Poderia servir de lição, mas sabemos que isso não vai acontecer. As pessoas não mudam.



por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

Hoje ocorreu um ataque concertado ao site da Moody's depois de várias iniciativas para esse efeito terem sido convocadas através do Facebook. O site deixou de estar acessível em Portugal, e na Grã-Bretanha teve falhas. Nos EUA, ficou muito mais lento. Em consequência deste ataque a cotação em bolsa da agência caiu 3.81%. Um êxito, portanto. Será esta sucessão de acontecimentos notícia? Ficamos com dúvidas, quando reparamos que apenas o Diário de Notícias on-line destaca na primeira página o que está a suceder. Que tipo de interesse nacional pode estar em causa para os outros jornais não noticiarem isto?

 

*Para quem quiser colaborar, pode aceder a esta página do Facebook.



por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

Belo exemplo do capitalismo que temos: um empreendedor de loga data (e uma das figuras fundadoras deste regime), Pinto Balsemão, tremendo com a concorrência que poderá ter se a RTP for privatizada. Sabemos porquê: apesar da privatização de muitas empresas públicas que asseguravam a prestação do serviço público em sectores fundamentais da nossa economia - falo da Galp e da Petrogal, da PT e da EDP -, as leis do mercado e da concorrência nunca funcionaram. Continua a haver concertação de preços na área dos combustíveis e das comunicações e somos dos países da UE onde os consumidores mais pagam pela electricidade - e não esqueçamos que a EDP é, na prática, uma empresa privada que existe em regime de monopólio. Mas a televisão, lamentavelmente para Balsemão, é diferente: precisa da publicidade para dar lucro; o mercado, no meio audiovisual, funciona mesmo. São estes os empresários que temos, a nossa elite económica que domina indirectamente o poder político: saudosistas do Portugal corporativista que durante quarenta anos Salazar foi construindo.

 

*A questão em si, da privatização da RTP, é outra história; parece-me que o mais racional será privatizar apenas um dos canais, neste caso a RTP1, que não é carne, nem é peixe, não é serviço público nem dá lucro.



por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

O plano de destruição da Grécia que está ser levado a cabo pela UE e pelo FMI está a ter a merecida resposta do povo grego. Como a nossa imprensa continua a tentar manter-nos amestrados, pouco se vai sabendo por cá. O novo pacote de austeridade - segundo o Público, aplaudido e saudado por dois dos tenebrosos asseclas da sra. Merkel e do sr. Sarkozy (os carrascos da União Europeia), o sr. José Manuel Barroso e o sr. Rompuy - está ser fortemente contestado nas ruas de Atenas. Para quem quer saber o que se passa (contornando a vaga cortina de silêncio que cobre o nosso país), pode acompanhar em directo no Guardian, no El País, no Libération, ou até no longínquo New York Times. Esquecendo a vergonha que tem sido (desde a primeira revolta grega, há um ano) a cobertura jornalística do tema, só nos resta esperar que as coisas, quando por cá começarem a apertar ainda mais, mudem. Teremos ainda força e coragem para tanto?



por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

 

 

 

No Vias de Facto, Ricardo Noronha conta o que aconteceu na manifestação do 1.º de Maio em Setúbal. Um excerto:

 

(...) Após algumas centenas de metros na cauda da manifestação da CGTP, da qual estava separada apenas por um cordão de agentes da PSP (cerca de 5), a manifestação anti-autoritária seguiu um rumo diferente, em direcção ao bairro da Fonte Nova, uma das zonas da cidade mais carregadas de memória histórica pelas lutas operárias de vários anos. Mais uma vez, e apesar de não haver qualquer agente da PSP nas imediações, a manifestação prosseguiu o seu rumo pacífico e combativo, gritando palavras de ordem e comunicando com a população e os transeuntes. Após cerca de duas horas, chegou ao Largo da Fonte Nova, onde foi ligada uma aparelhagem sonora na parte de trás de um carro. Tocava Zeca Afonso. 
O pessoal dispersou pelo largo e pelas ruas à volta, a conviver. Não houve qualquer dano a qualquer tipo de propriedade, nenhum conflito com os moradores. Aliás, não chegámos a estar ali mais do que vinte minutos.
Chegou um carro com dois polícias (talvez fossem mais, mas só dois se aproximaram), que solicitaram que o volume fosse reduzido, o que aconteceu. Na conversa que se seguiu, enquanto um dos polícias pediu a uma das pessoas que estava junto do carro que se identificasse, o outro começou a ordenar às outras pessoas que se afastassem. Quando a pessoa que estava junto do carro respondeu que não tinha identificação, o agente em questão imediatamente a agarrou e lhe disse que tinha de ir à esquadra. 
Quem estava à volta teve apenas tempo para se aproximar para perguntar o que se passava, uma vez que no espaço de 30 segundo chegou uma carrinha, de onde saíram meia dúzia de agentes que começaram a disparar tiros de caçadeira. Repito, chegaram a alta velocidade, pararam, saíram e
dispararam. Várias pessoas foram atingidas pelo que se veio a revelar serem tiros de borracha (aqueles mesmos que tiraram um olho a um adepto do Benfica há duas semanas). Foram disparados para o ar tiros de pistola de fogo real.
Começaram a chegar vários carros da PSP, enquanto os agentes no local aproveitaram a surpresa para isolar cerca de 3 ou 4 manifestantes (o primeiro, que não tinha identificação, e mais alguns que se aproximaram ),  que começaram a espancar no chão enquanto lhes atiravam gás pimenta para os olhos. Perante este cenário, os restantes manifestantes avançaram, puxaram os que estavam a ser espancados, defenderam-se da melhor maneira possível e recuaram para o outro lado do Largo. Quando a polícia resolveu continuar a investida, foi recebida por uma chuva de pedras e garrafas. Alguns manifestantes pegaram em chapéus e mesas de uma esplanada vizinha, para se defenderem. Um carro da PSP que chegou a alta velocidade foi embater numa carrinha de um morador/comerciante que ali estava estacionada, danificando-a. Para trás ficou o indivíduo que vem aparecendo em várias fotografias e que quase ninguém conhecia. Várias testemunhas afirmam que ele foi baleado no chão com uma caçadeira, quando já estava detido pela polícia.
O resto da manifestação dispersou em pequenos grupos, que foram literalmente "caçados" pelas ruas de Setúbal, onde continuaram a ser disparados tiros de borracha e efectuadas detenções com grande aparato, para estupefacção da população que passava e assistia a polícias sem identificação que ameaçavam, insultavam e empurravam todos os que tinham um ar suspeito. A senhora da PSP que parecia coordenar as operações deu indicações pela rádio segundo as quais deveriam ser detidas todas as pessoas que usassem "roupa preta" ou tivessem um "aspecto esquisito".  Alguns manifestantes foram detidos dentro de cafés e metodicamente espancados dentro da carrinha antes de serem conduzidos à esquadra.
Testemunhei tudo o que relato em pessoa, com excepção do que aconteceu após a carga inicial, quando toda a gente dispersou em pequenos grupos pela cidade. Pude em todo o caso ver as marcas deixadas pela PSP nos corpos de vários manifestantes (e não só, muitos moradores também apanharam simplesmente por terem vindo à rua tentar acalmar a polícia) e cruzar diversos relatos e versões que se confirmam mutuamente. 
A polícia mente quando afirma que foi recebida à pedrada e mente de forma descarada quando refere comportamentos impróprios por parte dos manifestantes. Tal como no 25 de Abril de 2007 fomos premiados com a notícia de montras estragadas e cocktails molotovs que ninguém chegou a ver, no 1º de Maio de 2011 a PSP procura inverter as responsabilidades pelos acontecimentos, escrevendo um  romance policial de escassa qualidade. (...) 

 

Chegados aqui, várias questões se colocam, desde o excesso da carga policial até à reiterada mentira nos comunicados da polícia de cada vez que um caso destes acontece. Mas o que me parece mais grave é o silêncio dos media perante estes acontecimentos. Os mesmos jornais e televisões que denunciam os excessos dos regimes autoritários árabes, do Egipto à Síria, calam-se quando agentes da polícia portugueses usam balas reais em manifestações pacíficas e atiram aos joelhos balas de borracha. Quando esses agentes percorrem as ruas de uma cidade portuguesa em busca de indivíduos "vestidos de preto" ou de "aspecto esquisito". Dos cordões policiais em manifestações pacifistas ao uso de armas com munições reais contra gente que se limita a estar na rua, um caminho muito perigoso foi percorrido. Num país que não denuncie estes casos graves, que não os evite, que não castigue os abusos claros das autoridades policiais, eu não quero viver. 

 

*Fotografias via Spectrum.



por Sérgio Lavos
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Sábado, 19 de Março de 2011
por Sérgio Lavos

Chega a ser chocante a diferença no tratamento jornalístico que o Público fez (e os outros jornais on-line não andam longe desta bitola) entre a manifestação da geração à rasca e a de hoje, da CGTP, que até pode ter tido mais pessoas em Lisboa - quando a frente chegou à praça dos Restauradores, ainda havia gente na Fontes Pereira de Melo. A única fonte é a Lusa, a agência noticiosa do Governo, e quase que se contam pelos dedos de uma mão as linhas dedicadas ao assunto. Por muitas queixas que tenhamos do sindicalismo português, e descontado o efeito novidade da manifestação de sábado passado, não será este protesto tão ou mais sério do que o outro? E não terá ele muito mais peso no futuro do país, tendo em conta que a CGTP é um dos parceiros sociais com quem o governo tem de dialogar? Ou será que esta, por não ter tido o apoio explícito da JSD e implícito de toda a oposição de direita, não interessa? Questões, questões...



por Sérgio Lavos
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