Há-de aparecer por aí gente a contestar os peanuts subtraídos ao erário público para pagar a edição "em papel couché semimate" encomendada pelo ministro da propaganda Relvas, em ajuste directo - legal, pois claro. A impressão do programa do Governo, cujo nome é de uma pomposidade viscosa e fascizante insuportável ("Compromisso para uma Nação Forte"), ficou por uns míseros 12 000 euros de custo total, o que corresponde a 120 euros por exemplar. Ora bem: 120 euros. Cerca 1000% mais do que o custo corrente do mercado para um livro com aquelas características - e quase que nem vale a pena ir pelo luxo da edição feita para distribuir pelos membros do Governo ser tudo menos necessário. O facto da gráfica beneficiada com o ajuste ter ligações ao PSD é um pormenor. Peanuts. Um símbolo da, como dizer, palhaçada que se tornou esta governação PSD/CDS. Medidas de austeridade, sim; sacrifícios pedidos a todos; alusões à pieguice de quem justamente contesta; mas a mesma gestão dos dinheiros públicos, do dinheiro dos nossos impostos: irresponsável, circulando directamente para o bolso de interesses partidários, familiares ou de organizações mais ou menos secretas. Como dizia o Pacheco: puta que os pariu!
A direcção de informação da RDP demitiu-se em bloco, depois das severas críticas feitas pela comissão de trabalhadores, na sequência do saneamento do jornalista Pedro Rosa Mendes do programa que mantinha na Antena 1. Continua toda a gente ou a assobiar para o ar ou a lavar as mãos como Pilatos, mas é cada vez mais evidente que o afastamento de Rosa Mendes por causa das críticas feitas à peça de propaganda em Angola no programa de Fátima Campos Ferreira teve origem no ubíquo ministro Miguel Relvas, conhecido em certos círculos como Goebbels do Portugal dos Pequeninos - há competências de assessores sem espinha que são muito bem aproveitadas. Agora só resta que, ou o todo-poderoso Luís Marinho, director-geral da RTP, ou o próprio Relvas, se demitam ou sejam demitidos. Os tempos de António Ferro* há muito que já lá vão.
*Diz um comentador que comparar o gabarito intelectual de um António Ferro com esta nulidade aparatchik é absurdo. Tem toda a razão. É a velha história da tragédia que se repete enquanto farsa.
Alguém sabe se a censura a Pedro Rosa Mendes está a ser noticiada nos canais televisivos, sejam eles privados ou públicos?
O silêncio e o assobio para o lado reinam para as bandas dos indignados com a "asfixia democrática" socratista. Nem o Crespo porta-voz do Governo, nem os monárquicos Vaders. Bem podemos esperar por uma manifestação em frente à assembleia. Sentados, como os assessores do Relvas que denunciam crónicas de jornalistas e produzem comunicados para abafar a censura. No pasa nada.
Adenda: a última crónica de Raquel Freire, uma das cronistas do programa, a quem estão a ser dirigidos os mais soezes ataques de carácter, o habitual argumento dos fracos.
É oficial: a censura foi reimplementada em Portugal. Com uma ajudinha dos nossos amigos angolanos, que percebem muito da poda. A brincadeira do Prós e Contras em Angola não foi um acidente de percurso.
Hoje, às 21h00, numa RTP1 perto de si.
Juro que quando vi o post do Gabriel Silva pensei que fosse uma piada. Mas não, é verdade. Miguel Relvas e o seu séquito de invertebrados irão estar em directo no principal canal público, lambendo cus a empresários amigos do ditador de Luanda, patrocinados pela inenarrável Fátima Campos Ferreira. Está bonito, isto.
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